CANDOMBLÉ


IFÁ

é o nome de um oráculo africano. É um sistema de adivinhação que se originou naÁfrica Ocidental entre os yorubas, na Nigéria. É também designado por Fa entre os Fon eAfa entre os Ewe. Não é propriamente uma divindade (Orixá), é o porta-voz de Orunmilá e dos outros orixás.

O sistema pertence as religiões tradicionais africanas mas também é praticado entre os adeptos da Lukumí de Cuba através da Regla de OchaCandomblé no Brasil através doCulto de Ifá, e similares transplantadas para o Novo Mundo.

Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade

Da Nigéria são dois os listados como Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade: OGelede, que também é praticado no Benin e Togo, e os Ifa Divination System, e em estudo na Nigéria um sistema de Tesouros Humanos Vivos e esforços para salvaguardar o suas línguas ameaçadas.

África

*Nota:esta é somente uma versão da ordem, e pode mudar dependendo da região

16 Odús principais
Nome 1 2 3 4
Ogbe I I I I
Oyẹku II II II II
Iwori II I I II
Odi I II II I
Ọbara I II II II
Ọkanran II II II I
Irosun I I II II
Iwọnrin II II I I
Ogunda I I I II
Ọsa II I I I
Irẹtẹ I I II I
Otura I II I I
Oturupọn II II I II
Ika II I II II
Ọsẹ I II I II
Ofun II I II I
16 Afa-du principais
(Yeveh Vodoun)
Nome 1 2 3 4
Gbe-Meji I I I I
Yeku-Meji II II II II
Woli-Meji II I I II
Di-Meji I II II I
Abla-Meji I II II II
Akla-Meji II II II I
Loso-Meji I I II II
Wele-Meji II II I I
Guda-Meji I I I II
Sa-Meji II I I I
Lete-Meji I I II I
Tula-Meji I II I I
Turukpe-Meji II II I II
ka-Maji II I II II
Ce-Meji I II I II
Fu-Meji II I II I

babalawo e os aprendizes sempre ao seu lado. O aprendizado começa muito cedo.

O Orixá Orumilá é também chamado de Ifá, ou Orunmila-Ifa e também é denominado frequentemente Agbonniregun (“Aquele que é mais eficaz do que qualquer remédio”). Em caso de dúvida Ifá é consultado pelas pessoas que precisam de uma decisão, que queiram saber sobre casamentos, viagens, negócios importantes, doenças, ou por motivo religioso.

Para os yorubas o sacerdote é o babalawo e entre os Fons e Ewes recebe a designação debokonon, e o sistema de adivinhação é o mesmo. O babalawo (pai do segredo) recebe as indicações para as respostas através dos signos (odù) de Ifá.

Origens

Objeto sagrado de Orumila Ifa.

Orunmilá é o orixá e divindade da profecia. Ifá é o nome do Oráculo utilizado por Orunmilá. O Culto de Ifá pertence a religião yoruba.

O culto do vodun Fa é originário de Ile Ifè, e chegou ao antigo Dahomey pelas mãos de sacerdotes imigrados do território yoruba já a partir do século XVII, mas sua instalação oficial como uma das divindades reconhecidas pelo rei de Abomey teria se dado ou através do babalawo Adéléèyé, de Ile Ifè que chegou a Abomey no reinado de Agadjá (1708-1732) , junto com outros (GongonAbikobiAto e Gbélò), ou pela princesa Nà Hwanjele, mãe do rei Tegbessu (1732-1775), que era de origem yoruba. Os sacerdotes de Fá são chamados em fon debokonon, o correspondente a babalawo dos yoruba. O bokonon da corte de Abomey é um dos dignitários do rei reconhecido na categoria de príncipe e está entre os poucos autorizados a vestir djelaba em público e a permanecer com a cabeça coberta diante do rei e da rainha-mãe.

Métodos utilizados

Babalawo (pai que possui o segredo), é o sacerdote do Culto de Ifá. Ele é o responsável pelos rituais, iniciações, todos no culto dependem de sua orientação e nada pode escapar de seu controle. Por garantia, ele dispõe de três métodos diferentes de consultar o Oráculo e, por intermédio deles, interpretar os desejos e determinações dos OrixásÒpelè-IfáJogo de Ikins.

Opon-Ifá

  • Opon ifa retangular, Orossi.JPG     Opon Ifa redondo, Orossi.JPG

Opon-Ifá, tábua sagrada feita de madeira e esculpida em diversos formatos, redonda [2], retangular, quadrada, oval,[3] utilizada para marcar os sígnos dos Odús (obtidos com o jogo de Ikins) sobre um pó chamado Ierosum. Método divinatório do Culto de Ifá utilizado pelos babalawos. Irofá de Orula instrumento utilizado pelobabalawo durante o jogo de Ikin com o qual bate na tábua Opon-Ifá.

Jogo de Opele

Opele Ifá

Òpelè-Ifá ou Rosário de Ifá é um colar aberto composto de um fio trançado de palha-da-costa ou fio de algodão, que tem pendentes oito metades de fava de opele, é um instrumento divinatório dos tradicionais sacerdotes de Ifá.

Existem outros modelos mais modernos de Opele-Ifá, feitos com correntes de metal intercaladas com vários tipos de sementes, moedas ou pedras semi-preciosas.[4][5]

O jogo de Opele-Ifá é o mais praticado por ser a forma mais rápida, pois a pessoa não necessita perguntar em voz alta, o que permite o resguardo de sua privacidade, também de uso exclusivo dos Babalawos, com um único lançamento do rosário divinatório aparecem 2 figuras que possuem um lado côncavo e outro convexo, que combinadas, formam o Odú.

Jogo de Ikins

Jogo de Ikin

Jogo de Ikin só é utilizado em cerimônias relevantes, só pode ser consultado pelobabalawo. O jogo compõe-se de 21 nozes de dendezeiro Ikin, são manipuladas pelo babalawo com a finalidade de se apurar o Odú a ser interpretado e transmitido ao consulente. Dos 21 Ikins, 16 são colocados na palma da mão esquerda, com a mão direita rapidamente o babalawo tenta retirá-los de uma vez. A determinação do Odú é a quantidade de Ikin que sobrou na mão esquerda, o resultado seja qual for, terá que ser riscado sobre oierosun que está espalhado no Opon-Ifa, para um risco usa o dedo médio da mão direita e para dois riscos usa dois dedos o anular e o médio da mão direita. Deverá repetir a operação quantas vezes forem necessárias até obter duas colunas paralelas riscadas da direita para a esquerda com quatro sinais, se não sobrar nenhum ikin na mão esquerda, a jogada é nula e deve ser repetida.

Oráculo

oráculo consiste em um grupo de cocos de dendezeiro ou Búzios, ou réplicas destes, que são lançados para criar dados binários, dependendo se eles caem com a face para cima ou para baixo. Os cocos são manipulados entre as mãos do adivinho , e no final são contados, para determinar aleatoriamente se uma certa quantidade deles foi retida. As conchas ou as réplicas são freqüentemente atadas em uma corrente divinatória, quatro de cada lado. Quatro caídas ou búzios fazem um dos dezesseis padrões básicos (um odu, na língua Yoruba); dois de cada um destes se combinam para criar um conjunto total de 256 odus. Cada um destes odus é associado com um repertório tradicional de versos (Itan), freqüentemente relacionados à Mitologia Yoruba, que explica seu significado divinatório. O sistema é consagrado aos orixás Orunmila-Ifa, orixá da profecia e a Exu que, como o mensageiro dos Orixás, confere autoridade ao oráculo.

O sistema inteiro traz uma semelhança superficial com os sistemas ocidentais de geomancia. Suspeita-se que a geomancia ocidental é um empréstimo de um sistema criado pelos Árabes e trazida para o norte da África, onde foi aprendida pelos europeus durante as Cruzadas. Muito embora possua um número diferente de símbolos, o sistema carrega também alguma semelhança com sistema chinês do I Ching.

O Babalaô brasileiro William de Ayrá (Mestre Obashanan, discípulo de Mestre Arapiagha) foi o primeiro a realizar um estudo comparativo sério e eficaz entre o Ifá, o I-ching, Geomancia e o cabalismo de diversas culturas, com resultados filosóficos e divinatórios comprovados.

Os primeiros a escreverem sobre Ifá no Brasil foram sacerdotes Umbandistas. W.W. da Matta e Silva, conhecido como Mestre Yapacani já descrevia em 1956 um dos inúmeros sistemas de Ifá em suas obras. Seus discípulos, Francisco Rivas Neto (Mestre Arapiaga) e Ivan H. Costa (Mestre Itaoman) escreveram, nos anos 90, obras descritivas sobre o oráculo. A tradição africana de Ifá só chegou ao Brasil via africanos e Cubanos muito mais tarde.

Odu

Cada odù é formado por um conjunto constituído por duas colunas verticais e paralelas de quatro índices cada. Cada um desses índices compõem-se de um traço vertical ou de dois traços verticais paralelos que o babalawo traça no pó (iyerosun) espalhado sobre um tabuleiro de madeira esculpida (Opon-Ifá) à medida que vai extraindo os resultados pela manipulação dos cocos de dendezeiro ou ikin-ifá.

O babalawo detecta esse odù manipulando caroços de dendê (Ikin) ou jogando o rosário de Ifá chamado (Opele-Ifa).

Existem 256 odù, correspondendo cada um a uma série lendas (Itan).

Culto de Ifá é oriundo das Religiões tradicionais africanas, ligado ao Orixá Orunmilá-Ifá da religião yoruba. Com a ida destas culturas para Brasil e Caribe, nos períodos do tráfico negreiro, alguns sacerdotes (chamados babalawo (yoruba) e Bokono (ewe/fon).) foram levados para estes países, estando ligados às religiões Candomblé (Brasil) e Santeria através da Regla de Ocha (Cuba).

culto de Ifá é um sistema divinatório, empregado na África e nos países para onde foi disseminado para decisões de cunho religioso ou social. Utiliza três técnicas diferentes (OpelêIkins eMerindilogun), que têm em comum os Odú-Ifá, os signos.

As mulheres também podem ser iniciadas no culto, quando passam a ser chamadas apetebis(esposas de Orunmilá), mas os sacerdotes – babalawôs – sempre são homens heterossexuais, sendo vedado às apetebis jogar Opelê ou Ikins. O Merindilogun é o jogo dos OBAORIATES sendo permitido as mulheres a usarem o EKURÓ. As pessoas ebomis que não são iniciadas em Ifá usam o OBANIKA.

Culto de Ifá tem um rígido e complexo sistema de conduta moral relativo a seus adeptos, expresso no Odu Ikafun, onde surgem os dezesseis mandamentos de Ifá.

Os primeiros a escreverem sobre Ifá no Brasil, obras publicadas em português foram sacerdotes Umbandistas. W.W. da Matta e Silva, conhecido como Mestre Yapacani já descrevia em 1956 um dos inúmeros sistemas de Ifá em suas obras. Seus discípulos, Francisco Rivas Neto (Mestre Arapiaga) e Ivan H. Costa (Mestre Itaoman) escreveram, nos anos 90, obras descritivas sobre o oráculo.

COMPRENDENDO AS DETERMINAÇÕES ORACULARES
Existe uma distância enorme que separa a postura do homem religioso da postura do homem racional.
O religioso é aquele que busca a compreensão de tudo o que diz respeito aos dogmas, procedimentos ritualísticos, liturgias e filosofia de sua religião, o que o diferencia também do fanático, que aceita qualquer coisa sem compreender e sem contestar.
O homem racional não busca a compreensão e sim o resultado. Para ele a religião, seja qual for, é uma butique de milagresonde os resultados pretendidos devem ser obtidos e, invariavelmente, em curto prazo.
O que não pode ser provado em laboratório, o que não lhe trouxer um resultado prático e positivo é, para o racional, considerado obsoleto e, como tal, jogado na cestinha das bobagens sem utilidade. O homem racional é, em essência, um cético e ateu, por conta de nunca haver-se provado a existência de Deus “in vitro”.
Creio que esta introdução pode servir para responder, em parte, aos diversos questionamentos da maioria das pessoas, e, claro, a alguns de nossos amigos que a este lêem.
De forma mais objetiva, já que tratamos com pessoas confessadamente pragmáticas, ou seja, que considera o valor prático como critério da verdade, eu diria que quando se tira um Odu regente, o que se pretende na verdade é buscar, em Orunmilá, os aconselhamentos e orientações para que se possa proceder de forma a assegurar que tudo transcorra bem a partir da execução de determinados procedimentos, sejam eles religiosos ou posturais.
Somente as pessoas crentes no poder de Orunmilá podem aceitar as orientações daí decorrentes e, segundo as mesmas, participar dos ritos, observar as interdições, seguir os aconselhamentos e oferecer os sacrifícios propiciatórios e defensivos determinados.
Não sendo assim, de nada adianta “sacar-se” um Odu para saber dessas orientações, e não segui-las, ou obedecê-las, e assim NÃO se beneficiar das orientações por ele trazidas.
Temos o grave defeito (humano, congênito, cultural e Geográfico), de culparmos aos Orisá, pela não realização de nossos anseios.
Costumo dizer que Orisá lê a mente e o coração de todos nós, e o que a boca fala, às vezes, não é o que o coração e a mente executam. E daí provém a não execução de alguns desejos nossos.
Ou a demora da realização dos mesmos.
Ou o atendimento, mas não da forma que desejaríamos.
Devemos ter a consciência de que estamos aqui na Terra para aprender, para evoluir, para recebermos as benesses de Orisá, mas não de graça. Temos um dever, mas sempre queremos apenas os direitos.
E quase sempre relutamos em executar os deveres conforme as determinações de Orunmilá.
Temos a pretensão de achar que sabemos mais que Orunmilá, que Orisá, e constantemente “botamos queda de braço” com Eles.
Ledo engano…
Na grande maioria das vezes fazemos o que queremos e também constantemente contra as determinações do Oráculo.
Achamos que os sacerdotes, por serem humanos como nós, nada sabem.
Achamos que as impressões, por ele apresentadas, são de sua autoria.
O que normalmente não é.
E aí…pagamos caro…e normalmente com dor, pela nossadescrença.
E mesmo assim, relutamos em crer em nosso sacerdote, em suas determinações fornecidas por Esú.
E culpamos aos Orisá, por tantas coisas, que chega a ser ridículo as colocações.
Mas tudo devido a nossa incompetência, a nossa negligência, a nossa falta de confiança e na falta de .
Mas, como homem estudioso de minha Religião, um Sacerdote que busca constantemente uma melhor evolução religiosa, cultural e litúrgica, crente na sabedoria de Orunmilá, creio que as orientações que Ele me fornece para minha proteção e das pessoas pertencentes ao meu Egbe, através do Odu, funcionam, como tem funcionado até hoje de forma muitíssimo satisfatória, para aqueles que seguem essas determinações, e que têm em Orunmilá, e em Esu, como seus orientadores e mentores espirituais.
E reafirmo aos que lêm a este, que busquem dentro de si mesmos as respostas, baseadas nos ensinamentos de Ifá.
Busquem aprimorar-se como seres humanos, como pessoas que estão em busca não só de bem estar material, mas sim na busca de IWÁ (caráter).
Que assumam seus compromissos assumidos diante de Ifá, e deEsu, e cumpram-nos, para obterem assim as tão desejadas benesses materiais.
Não adianta querer, e não fazer.
Não adianta falar para o Mundo, e não sentir dentro de si mesmo.
Não adianta teimar, e não seguir as determinações.
Não adianta receber, e depois descumprir o assumido.
Não adianta… pois ninguém engana a Esu !!!
QUANDO SE DAR E QUANDO RECEBER
Um sábio passeava pelo mercado quando um homem se aproximou.
Sei que és um grande mestre – disse.
Hoje de manhã, meu filho me pediu dinheiro para comprar algo que custa caro; devo ajudá-lo?
Se essa não é uma situação de emergência, aguarde mais uma semana antes de atender o seu filho.
Mas se tenho condições de ajudá-lo agora; que diferença fará esperar uma semana?
Uma diferença muito grande – respondeu o sábio.
– A minha experiência mostra que as pessoas só dão o real valor a algo quando têm a oportunidade de duvidar se irão ou não conseguir o que desejam.
Moral da história:
A vida freqüentemente nos ensina este ponto. Por isso é que muitas vezes as nossas orações demoram um pouco para serem atendidas.
Jogo de BúziosORIGENS

Em todos os países do mundo numa época ou em outra surgiram e continuam a surgir formas de adivinhação algumas vezes chamadas de oráculos. O i-ching chinês é um oráculo assim como o tarot ocidental ou o jogo de búzios nigeriano. Enquanto o i-ching possui forte base pragmática, o tarot nos remete a conceitos mais românticos. Já o jogo de búzios é talvez o mais objetivo de todos. Imagina-se que este jogo esteja sempre ligado aos cultos afro, o que não é verdade. Isto se deve à forma como ele chegou ao Brasil trazido por sacerdotes yorubás no século XVIII. Na realidade, visto isoladamente, o jogo de búzios em pouco se difere de outros processos divinatórios. Ele é constituído de uma base onde se lançam pequenas conchas. Pela disposição destas conchas ou búzios, o olhador ou ledor, retira a resposta à pergunta formulada por ele mesmo ou por um consulente.

 

A LÓGICA DO JOGO

O grande humanista suíço C. G. Jung ao estudar os processos de adivinhação, desenvolveu a teoria da sincronicidade ou das coincidências significativas. Por esta teoria ao se tirar cartas, moedas ou em nosso caso, lançar búzios, tendo em mente uma certa questão, há uma interação entre a pessoa que faz o jogo, a formulação feita e a resposta que reside em algum ponto do espaço-tempo. Como tudo ocorre no mesmo instante o nome sincronicidade está bem aplicado.

A PRÁTICA

Uma forma bastante comum do jogo de búzios é a que utiliza uma peneira como base. Esta peneira estará coberta por um pano branco, em redor da peneira deverão ser colocadas as guias, que são colares de contas com as cores dos orixás, formando um círculo, em seu interior poderá conter outros objetos, que complementam a magia, moedas, pedras e outros amuletos que representam os orixás.

Orixá mais que um deus ou semi-deus, é a representação simbólica ou arquetípica de forças da natureza. Possuem representação humana o que é natural para a maioria dos povos (veja o caso dos deuses gregos), seus erros e virtudes. O equivalente na astrologia seriam os planetas revestidos de seus signos naturais.

Nesta peneira ou base equivalente, lançam-se 16 búzios, e ocasionalmente um extra chamado oxetuá (búzio de energia ou axé). Nos 16 búzios faz-se um furo nas “costas” de modo que ao ser lançado tenha igual chance de cair
Aberto (boca da concha para cima).
 Fechado (furo para cima).

Como em qualquer oráculo pode-se fazer qualquer pergunta. O ingrediente que aciona a sincronicidade é a crença, fé ou que nome se queira dar. A qualidade da resposta é muito mais uma função de quem joga do que do jogo propriamente dito.
Alguém disse que o erro não está na astrologia mas nos astrólogos. O mesmo se pode dizer do jogo de búzios. As melhores respostas são aquelas em que razão e intuição andam lado a lado. Os melhores adivinhos podem chegar a tal estado de perfeição que dispensam qualquer meio sejam eles cartas, moedas, mapas astrais ou mesmo búzios.
Naturalmente estes casos são muito raros. O normal é seguir as observações comprovadas ao longo de centenas de anos por estes magos.
O processo aqui descrito se baseia em regras muito claras na prática diária do jogo. A propósito não se deve confundir o nome jogo com algum tipo de brinquedo. O jogo de búzios é sério e para funcionar corretamente é preciso que se o leve a sério.
Não há absolutamente necessidade que o olhador ou o consulente pertençam a qualquer culto africano. É fundamental no entanto o respeito à força maior que orienta a “caída” dos búzios. Não há mágica, mas mistério. Não há superstição, mas crença. E esta fé neste poder superior é a mesma que move a ciência, a filosofia e a religião.

 

OS JOGOS DE BÚZIOS

Os jogos mais difundidos são :

a) – O jogo de Alafiá = 4 Búzios
b) – O Jogo de Odú = 16 Búzios
c) – O Jogo no Ketô = 16 Búzios
d) – O Jogo de Angola = 21 Búzios

E é possível 4 tipos de jogadas :

1. Indica o orixá de cabeça ( guia espiritual ou se você preferir o signo do indivíduo ) dados da potencialidade pessoal. As suas qualidades e estilo ficam como que mais acessíveis. E nada impede que um homem tenha o estilo de um orixá dito feminino e vice-versa.

2. Responde às perguntas cujas respostas sejam do tipo sim/não/talvez. Búzio aberto ( na astrologia se diz que há um aspecto favorável ). No caso de cair com o búzio fechado (na astrologia aspectos desfavoráveis), estes elementos não se apresentam impossíveis mas são situações desafiadoras.

3. Oráculo para qualquer pergunta ou questão mais complexa.

4. O jogador pode lançar qualquer número de búzios numa jogada pessoal, já que há pessoas que usam 21 búzios.

 

A INTERPRETAÇÃO

A interpretação da “caída” dos búzios se fundamenta na quantidade de búzios abertos e fechados e na relação que existe entre este número e determinados orixás. Em certos casos como a opção 1 é considerado igualmente o dia da semana em que o consulente nasceu, exatamente como no ocidente o Domingo é dia do sol (sunday), Sábado de Saturno (saturday) etc., cada dia da semana é regido por um ou mais orixás, conforme abaixo:

Segunda – Feira = Exu e Obaluaê.
Terça – Feira = Nanã, Oxumaré, Ogum.
Quarta – Feira = Xangô e Iansã.
Quinta – Feira = Oxóssi e Logun-Edé.
Sexta Feira = Oxalá.
Sábado = Iabás, Iemanjá, Oxum e Begês.
Domingo = Olorum e todos os Orixás.

Cada jogada se encerra com um quadro de chaves interpretativas, que dão margem a interessantes combinações. Não é raro acontecer “coincidências” incríveis.
Com o tempo e a prática você será capaz de intuir fatos que hoje seriam tidos como mágicos. É uma questão de pura dedicação. Inicialmente aproveite os quadros como se apresentam. Futuramente quem sabe você passe a utilizar seu próprio método.


OS ORIXÁS

Para facilitar o entendimento, adotaremos o jogo da Nação Ketô, com 16 Búzios
A quantidade de búzios abertos e fechados que caem na peneira, indica qual orixá está respondendo a pergunta do consulente e qual a sua mensagem.

Somente isto seria suficiente para qualquer tipo de interpretação, bastando para tanto saber as características de cada orixá (os nomes podem diferir entre as diversas nações de origem embora os atributos sejam os mesmos ).
Vejamos as caídas e as principais características arquetípicas dos orixás :

Os números à esquerda do “X”, representam a quantidade de “búzios abertos” e à direita a quantidade de “búzios fechados”.

00 X 16 = Caída neutra, deve ser repetida a jogada .
01 X 15 = EXÚ = Mensageiro neutro
02 X 13 = OGUM = Objetivo, prático e egoísta
03 X 14 = OBALUAE = Curioso, estudioso e preciso
04 X 12 = IEMANJÁ = Maternal, gentil e complacente
05 X 11 = OXUM = Bondoso, sensível e comunicativo
06 X 10 = EWÁ = Personalidade volúvel, confiante e temperamental
07 X 09 = OSSAIM = Cordial, diplomata e orgulhoso
08 X 08 = OXALÁ = Inteligente, sério, correto e lógico
09 X 07 = LOGUM = Sofisticado, culto e egocêntrico
10 X 06 = XANGÔ = Reservado, hábil e líder natural
11 X 05 = OXÓSSI = Jovial, romântico e imaturo
12 X 04 = IANSÃ = Extrovertido, franco e exótico
13 X 03 = NANÃ = Discreto, místico e cauteloso
14 X 02 = IBEJI = Infantil, volúvel, instável
15 X 01 = OBÁ = Ingênuo, honesto e tolerante
16 X 00 = OXUMARÉ = Enigmático, inteligente e astucioso

 

O RITUAL

Os búzios deverão ter sido deixados no sereno, em noite de lua cheia, num preparado com ervas de colônia, Santa Luzia, Saião, Elevante, Fortuna, Orepê, Seiva de alfazema, Açúcar com Epó de Oxalá e Macaça. Pela manhã, antes do sol nascer, deverão ser lavados com as ervas em água corrente e mel e deixados em descanso por algumas horas antes do jogo. O olhador, deverá estar de roupa clara, descalço e com as guias de seus orixás. Não deve beber ou fumar antes e durante o jogo. Deverá então pedir licença para o orixá que rege o dia da semana para abrir o jogo saudando todos os orixás, começando por “Exú ” e finalizando com “Oxalá”. Pedir a iluminação de “Ifá” pronunciando a seguinte oração em yorubá:

 

” Oduduá, Dadá, Orumilá
Babá mi Alari Ki Babá
Olodumarê Babá mi
Bakê Oshê
Bara Lonan
Kou Filé Babá mi
Emim Lo Shirê Babá
Ifá Benim Mojubaré
Ifá Orum Mojubaré
Exú Mojubá (Bater o pé direito tres vezes)
Okê Oxé
Ifá Agô
Ogum yê Patacori,
Jassy, Jassi “

Para se aprender a jogar Búzios não é necessário ser espírita ou frequentar candomblé, mas deverá ser iniciado nos “Segredos de Ifá”, que não é mais uma divindade ou orixá, “Ifá” representa o nosso “Eu” Interior, o “ID” de “Freud”. Então cultuar “Ifá” é cultuar a sí mesmo, isto é os nossos dons interiores, para encontrar o nosso bom “Iwá” (Destino). Porém sempre devemos pedir licença para “Exú”, que é quem detém para sí os bons e os maus caminhos.

O objetivo deste trabalho é transmitir um pouco da cultura esotérica Africana que é muito rica e pouco difundida. Somente o estudo dosOrixás , merece um capítulo à parte e sua mitologia é tão rica que não fica devendo nada à Mitologia Grega ou à qualquer outra cultura ocidental européia.

JOGO DE BÚZIOS POR ODUS
O ser humano sempre questionou o motivo de sua estadia sobre a terra e, principalmente ,o mistério que envolve o seu futuro. A insegurança e a curiosidade em relação ao futuro fez com que o homem tentasse, de diferentes maneiras prever o que lhe estava reservado, vindo a se precaver de todos os tipos de maléficos, como pôr exemplo, a má sorte, dificuldades amorosas, sociais, financeiras e outros, sendo assim o homem assegurava para si a certeza da efetivação dos diferentes acontecimentos benéficos.Podemos encontrar muitos sistemas oraculares existentes com esta finalidade acima citada, não importando a origem dos sistemas nem a sua filosofia de estudo, aprendizado ou execução, todos se concentram em único significado que é encontrar os melhores métodos para prevenir ou ainda remediar situações maléficas, trazendo assim um alívio imediato para a pessoa e ou sua comunidade ou família.Quase todos os oráculos, independente de sua origem cultural, absorvem uma tendência a alguma tipo ou aspecto religioso, vindo sempre a sugerir ou indicar um certo tipo de ritual ou prática religiosa, de caracter e aspectos muito mais, ou ainda quase que completamente, místicos do que científicos.Em particular no Brasil, o sistema mais conhecido, pelo fato de sua ampla divulgação e fácil acesso a interpretação dos conhecimentos e execução é o jogo de búzios, que tem origens totalmente africanas, embora muitas das mesmas, feliz ou infelizmente, adaptadas ou ainda modificadas em nosso país. Mais especificamente falando essas origens não só são africanas como são de origem do culto à Òrúnmìlà, que nos permite exercer tal função através das interpretações dos Odù, esses estão totalmente ligados aos seres humanos e aos òrìsà, ou ainda podemos dizer que os diferentes Odù juntamente de Èsù e Ifá são os meios pelo qual o homem pode vir a ajustar e melhorar a sua vida terrena e espiritual.A nossa cultural assimila de forma notável os costumes de origem africana, que foram trazidos até nós pôr intermédio dos escravos e de maneira brutal e trágica durante diversos séculos.De maneira geral, podemos dizer que a música, a culinária, a maneira de agir e pensar do brasileiro demonstram de forma inequívoca a influência africana aqui exercida, que não poderia deixar de ser verificada também, na postura estabelecida por nós diante das religiões, quando independente de sua opção ou credo, adotamos sempre uma atitude pautada num certo profundo misticismo.Para o brasileiro e também para o africano, não cai uma folha de uma árvore sem que para isto não haja uma determinação espiritual ou um motivo de fundo religioso.As forças superiores a nós são sempre solicitadas para a solução de problemas do cotidiano, e seja qual for a religião cultuada pela pessoa, a prática da magia é sempre adotada em busca das soluções, mesmo que esta prática “mágica” seja mascarada pôr outro nomes em diferentes tipos de crenças.O presente trabalho consiste em ser uma proposta totalmente didática e básica ao conhecimento e estudo do oráculo africano ligado ao oráculo dos búzios, que é feito através da interpretação dos segredos contidos nos diferentes Odù.Qualquer pessoa pode aprender e conhecer o oráculo dos búzios africano, que nada mais é do que conhecer os segredos contido nos Odù, porém somente os iniciados e consagrados podem realmente ter acesso a prática do oráculo.Os Odù demonstram as diversas tendências da pessoa e dos acontecimentos que surgirão na vida da mesma, os Odù podem também estar direta ou indiretamente ligado aos sonhos, devendo sempre o sacerdote perguntar ao consulente a respeito de sonhos recentes a data da consulta, e no instante em que o consulente estiver descrevendo o/os sonhos deve-se prestar bastante atenção, pois podem apresentar-se diversos detalhes em comum entre os sonhos e estes poderão ajudar na solução do problema da pessoa, seja na criação de um ebo ou em atitudes a serem tomadas.Os odù que utilizamos para o oráculo dos búzios é a interpretação dos 16 principais odù, que nada mais são do que 16 caminhos interligados um com o outro, ou seja o primeiro caminho está interligado com todos os demais 15, e é pôr este motivo que em, determinadas situações não é somente um odù que se apresenta para resolver o problema da pessoa, ou seja aquele determinado problema está sendo causado pôr diversos motivos, sendo assim o mesmo exige diferentes soluções, porém todas interligadas.

Quando agora a pouco comentamos que o oráculo dos búzios é a interpretação dos 16 principais odù, estamos realmente afirmando que estamos estudando referente os 16 primeiros e principais odù enviados à terra pôr Òrúnmìlà, e que desses 16 principais foi dado origem à 256 omo odù (odù filhos), e que hoje já podemos dizer que existem cerca de 4098 odù do método de interpretação de Ifá.

Todo odù está ligado a diversos òrìsà, porém aquele òrìsà que se apresentar primeiro em um determinado odù, será ele um dos responsáveis direto à solucionar o problema do consulente.

Abaixo iremos relacionar os 16 principais odù que começaremos a estudar com mais afinco:

1. ÒKÀNRÀN

2. EJÌOKO ou OYÈKÚ

3. ÉTAÒGÚNDÁ ou ÌWÒRI

4. ÌROSÙN

5. ÒSÉ

6. ÒBÀRÀ

7. ÒDÍ

8. EJÌONÍLE ou EJÍOGBÈ

9. ÒSÁ

10. ÒFÚN

11. ÒWÓNRÍN

12. EJÍLÀSEGBORA ou ÒTÚRÁ

13. EJÍOLOGBÓN ou ÒTÚRÚPÒN

14. ÌKÁ

15. OGBÈÒGÙNDÁ ou ÒGÙNDÁ

16. ÌRÈTÈ ou ALÁFIA

Esses últimos quatro odù são muito pesados quanto ao seu lado negativo devendo sempre tomar muito cuidado na sua interpretação, e principalmente na criação e execução de seus ebo, até mesmo o 16º odù que normalmente traz notícias esplendidas e excelentes, vindo aparecer em um determinado jogo em uma situação negativa pode passar a trazer um recado muito perigoso ao consulente.

Esses quatro últimos odù estão completamente ligados à feitiços, doenças, tragédias, dramas, etc., porém os mesmos também podem se apresentar de maneira completamente positiva, podendo depender também da combinação dele com os demais e da sua colocação e situação no jogo em questão Existe também aqueles odù que podemos chamar de confirmativos, que são os odú 4, 6, 8, 10 e 12, porém é de nossa inteira obrigação mencionar que esta observação depende não só da situação, colocação e combinação no jogo, mas também da ligação do sacerdote com Ifá referente esses odù e suas interpretações em relação ao sistema divinatório, pois Ifá com certeza sabe o que se passa na cabeça do sacerdote e do consulente no momento da pergunta para assim poder fornecer a sua devida resposta.

Deve-se ter no momento do jogo toda uma concentração e total interação com os elementos que determinam o mesmo, isto feito com certeza o sacerdote alcançara a sensibilidade de visualizar e pressentir no decorrer do jogo quando que realmente um odù traz um recado de solução do problema da pessoa através de caminhos de ebo ou qualquer outro tipo de sacrifício, alguns problemas que surgem na vida das pessoas estão realmente marcados para acontecerem, e se fizermos alguns trabalhos para modificarmos o rumo da situação poderemos fazer com que o consulente venha a ser prejudicado no futuro, pôr isso a importância de se cultuar o orì, muitas vezes, diríamos até na maioria dos casos vale-se muito mais um egborì (cerimonia de adoração a cabeça) do que um ebo, adímu ou etutu.

Texto extraido do Livro: Búzios a Interpretação dos Segredos
Autores: Nelson Pires Filho e Fábio Escada
Ed. Madras
O JOGO DE BÚZIOS
Como será meu dia de amanhã?Se eu fizer o que pretendo, qual será o resultado?Desde que o mundo é mundo que o homem tem necessidade de saber algo sobre o seu futuro. Dentro do Candomblé, a modalidade do jogo de búzios é a mais conhecida (O búzio é uma concha do mar encontrado em praias litorâneas).O jogo de búzios é um aprendizado de conhecimentos preciosos em que a memória exerce um papel muito importante, ou seja, é lá na memória ou cabeça, que se vai guardar uma enorme série de histórias, lendas e caídas que decifram, segundo a tradição yorubá, a vida de uma pessoa.Na Nigéria, o jogo de búzios recebe o nome de Merindilogún, ou seja, o “JOGO DOS DEZESSEIS”. O processo do jogo de búzios consiste no seguinte: Os búzios são lançados sobre uma toalha ou peneira conforme a nação daquele Babalorixá ou Yalorixá que está jogando. A posição em que os búzios caem é que dará as indicações necessárias solicitadas pelos consulentes. Portanto, cabe ao Babalorixá ou Yalorixá interpretar as caídas e passar para os consulentes as mensagens do jogo.O intermediário do Merindilogún, ou seja, desta forma de jogo, não é Ifá; e sim, Exu. Ifá tem a sua modalidade particular de jogo. Diz uma lenda que apenas Exu tinha o dom da adivinhação. Mas, a pedido de Orunmilá, Exu transmitiu seus conhecimentos a Ifá e em troca Exu recebeu o privilégio de receber sempre em primeiro lugar as oferendas e sacrifícios antes de qualquer outro orixá.Diz ainda que Oxum era a companheira de Ifá e os homens lhe pediam constantemente que respondesse às suas perguntas. Oxum contou o caso a Orunmilá que concordou que ela fizesse a adivinhação com a ajuda de 16 (dezesseis) búzios. Porém, as respostas seriam indicadas por Exu. Exu, então, voltou à antiga função, ou seja, a de responder às perguntas de Oxum. Depois disso, por espírito de vingança, Exu passou a atormentar com mais raiva os filhos de Oxum.Na verdade, o jogo de búzios é o instrumento de maior consulta constante do Babalorixá ou Yalorixá, pois é através dele que ele(a) irá dirigir diversas situações dentro da casa de orixá.No começo do aprendizado do jogo de búzios, segundo a tradição, começa-se a jogar com 04 (quatro), 08 (oito) e depois os 16 (dezesseis) búzios. Mas, vamos nos deter aqui no jogo de 04 (quatro) búzios, também chamado de “Jogo de Confirmação”.O Jogo de Confirmação, como relatei, é formado por 04 (quatro) búzios. Esta modalidade é usada como o próprio nome sugere, para confirmar caídas feitas anteriormente com os outros búzios, ou ainda, esta forma de jogo é usada para se obter respostas rápidas dos orixás, por exemplo:04 (quatro) búzios abertos significa “tudo ótimo”

03 (três) búzios abertos e 01 (um) fechado significa “talvez”, ou seja, poderá dar certo ou não o que seperguntou
02 (dois) búzios abertos e 02 (dois) fechados: a resposta é afirmativa; “tudo bem”
03 (três) búzios fechados e 01 (um) aberto: a resposta é “não”, ou seja, “negócio não realizável”
Agora, se todos os 04 (quatro) búzios caírem com as 04 (quatro) partes fechadas para baixo significa que não se deve insistir em perguntar o que se quer saber, pois além de ser nula esta caída, ela vem acompanhada de “maus presságios”.Além disso, este Jogo de Confirmação ou Jogo dos 04 (quatro) Búzios também é chamado de “Jogo de Exu”, porque segundo alguns antigos Babalorixás, quem responde nesse jogo é Exu, pela precisão e rapidez nas respostas.ODÙ
A palavra odù vem da língua yorubá e significa “destino”. Portanto, odù é o destino de cada pessoa.

O destino é, na verdade, a regra determinada a cada pessoa por Olodumaré para se cumprir no àiyé, o que muitos chamam de missão. Esta “missão” nada mais é do que o odù que já vem impresso no ìpònrí de cada um, constituído numa sucessão de fatos, enquanto durar a vida do emi-okán ou espírito encarnado na terra.

Enquanto a criança ainda não nascer, ou seja, enquanto ela permanecer na barriga de sua mãe, o odù ou destino desta criança ficará momentaneamente alojado na placenta e só se revelará no dia do nascimento da criança.

Cada odù ou destino está ligado a um ou mais orixá. Este orixá que rege o odù de uma pessoa influenciará muito durante toda a vida dela. Mas, nem por isso ele será obrigatoriamente o orixá-ori, ou “o pai de cabeça” daquela pessoa, ou seja, o orixá-ori independe do odù da pessoa. Vejamos um exemplo: um omon-orixá de Yansã que tenha no seu destino a regência do odù ofun (que é ligado à Oxalá), essa pessoa terá todas as características dos filhos de Yansã: independentes, autoritários, audaciosos. Mas, sofrerá as influências diretas do odù ofun, trazendo portanto para este filho de Yansã, lentidão em certos momentos da vida. Situação esta desagradável para os filhos de Yansã, que tem a rapidez como marca registrada.

Os odùs ou destinos são um segmento de tudo que é predestinação que existe no universo, conseqüentemente, de todas as pessoas.

Os odùs, além de serem a individualidade de cada um, também são energias de inteligências superiores que geraram o “Grande Boom”, a explosão acontecida a milhares de anos no espaço que criou tudo.

Dentro de um contexto específico(pessoal ou social) em nosso planeta esses odùs podem seguir um caminho evolutivo ou involutivo, por exemplo: existe um odù denominado de odi. Foi Odi que em disfunção gerou as doenças venéreas e outras doenças resultantes de excessos e deturpações sexuais. Traz em sua trajetória involutiva a perversão sexual e é ainda através desse lado involutivo de odi que acontece a perda da virgindade e a imoralidade.

Porém, como expliquei, existe o lado evolutivo e o próprio odù odi citado aqui em nosso exemplo possui características boas e marcantes como: caráter forte e firme e tendência a liderança.

Na verdade, são os odùs que governariam tudo que está ligado a vida em todos os sentidos.

Abaixo, relaciono os 16 (dezesseis) principais odùs e seus orixás correspondentes:

ODÙ
ORIXÁ
1.Òkànràn Exu
2.Éji Òkò Ogun e Ibeji
3.Étà Ògúndá Obaluaiye e ainda Ogun
4.Ìròsùn Yemanjá
5.Òsé Oxum
6.Òbàrà Oxossy, Xangô, Yansã e Logun-Edé
7.Òdì Exu, Omolu
8.Éjì Onílè Oxaguian
9.Òsá Yemanjá e Yansã
10.Òfún Oxalá
11.Òwórín Yansã e Exu
12.Èjìlá Seborà Xangô
13.Éjì Ológbon Nanã
14.Ìka Oxumarê
15.Ogbègúndá Obá e Ewa
16.Àlàáfia Orunmilá

 

UM BREVE RELATO E EXPLICAÇÕES

O que é Odú?

Odú é um presságio de um momento do passado ou do presente que poderá alterar ou não um futuro ora, inexistente. O Odú traz em seu conteúdo uma gama de informações sobre uma pessoa, local, situações diversas ou política. Odus são 401 titulares e mais 1200 “omó-odú (sub-Odús)

Quem pode lidar com Odú ?

Lida com Odú somente sacerdotes (Babáolorisás e Yialorisás), Ologbôs, YialéMolés, Oluwôs, Baabalawôs, Ojés, Alagbás e Alapinis. – Todos devem ter esses “graus” comprovados.

A Origem do Odú

O Odú é um termo africano do dialeto Yorubá e Fon que determina o DNA espiritual de uma pessoa ou local e situação. Tem sua origem na própria criação do mundo e muitos deles não tiveram sua origem na terra. Foi a forma técnica que os sacerdotes das tribos africanas encontraram para decodificarem os enigmas e os segredos do universo e do ambiente que os cercava.

O Jogo-de-Búzios e os Odus correspondentes a eles foi instituido por Oduduwá, que investiu um sacerdote chamado SETILU, o qual entronizou a divindade Orúnmilá ou Baba Elérin Ipin que significa “O Céu me fala” ou a Fala do Céu. Setilu então, estebeleceu as regras da leitura desse jogo que passou a se chamar IFÁ, na realidade o verdadeiro nome de Setilú. Setilu criou sacerdotes, especialistas na leitura desses jogos, a quem chamamos de Babalawô, ou seja “pai, senhor dos mistérios e segredos”. E somente os babalawos fazem a leitura dos jogos. Oduduwa tendo o conhecimento do jogo de “perguntas e respostas” (Urim e Purim) dos hebreus, adaptou-o ao sistema africano e codificou-o para entregar o segredo a Setilú, tanto no sistema de “Opélé Ifá”, como Ení Ifá e Fu-Fú. Estebeleceu-se imediatamente os dois tipos de leituras que seriam passados às gerações furutas com o nome de Ifá Igbá Ilá e Ifá Obé Keruáti.

Como de divide um Odú ?

O Odú se divide em duas partes: Pupa (vermelho) e Funfun (branco) – Ou ainda em positivo ou negativo. Ambos, Pupa e Funfun se alternam no posicionamento, invertendo suas posições. Isto significa que o Odú que hoje está Pupa, amanhã ou na semana que vem poderá estar Funfun.

Como responde um Odú ?

O Odú responde através do Jogo-de-Búzios (16 búzios) mediante suas “caídas” na peneira ou toalha de jogo. O Odú tanto usa os búzios como as castanhas de Ifá (8 metades) conhecida por Opelé Ifá.

A Técnica e desmembramentos dos Odús

O conhecimento do Odú é extremamente técnico e demanda conhecimentos profundos de cálculos, dotações psíquicas, vivência e uma boa escola iniciática.

Como se propicia um Odú ?

Propicia-se um Odú fazendo-lhe oferendas diversas que variam do conhecimento de cada sacerdote ou especialista. Nunca se despacha um Odú – mesmo ele sendo negativo.

Dados e Origens técnicas do Odús

Por Eduardo Fonseca Júnior – Maio 2008

Sendo o Odú uma espécie de inteligência natural (terrena e extra-terrastre), e as vezes artificial, porém inteligência, possui uma gama de informações e poderes muitas vezes capazes de provocar fenômenos que alteram relevos locais e conseqüentemente a vida de cada habitante deste mesmo local. Em conseqüência os Odus pessoais são alterados e têm que ser tratados ou propiciados. Desta forma passamos a descrever os meandros e os chamados “Segredos dos Odus”.

Os Odus estão ligados à álgebra linear e espaços vetoriais. Os Odus estão ligados à dimensões tais como R1 – Linha Reta, R2 – Linha Plana, R3 – Dimensão de Volume, ou seja visão humana e R4 Quarta Dimensão ou quarto espaço ou seja, aquela que a visão humana não alcança, mas a matemática confirma a sua existência, seguindo-se R5 até o infinito. Odú é matemática exata.

Como os Odus transitam preferencialmente nas faixas do ultravioleta e do infravermelho, os comprimentos dessas ondas de luz tornam suas formas ou figuras perceptíveis a visão animal. O comprimento de ondas de luz estabelece-se entre o visível, o ultravioleta e infravermelho.

A tese da existência evidente dos Odus prende-se aos fatores do Percebível, do Visível e do Invisível, tornando a Teoria da Interação Inter-Elementar, incontestável e possível. Daí que, se a física quântica prevê que no ESPAÇO inexiste o fator tempo vez que o ontem e o amanhã estão aqui, no agora.

O Odú portanto, é formado por substâncias químicas como água, carbonatos, nitratos, sulfatos, compostos de carbono e amido. Aliás o amido é uma substância química constantemente usado nas oferendas (ebós), aos Odus nos candomblés brasileiros nas formas do milho branco (acaçá), e milho vermelho (axóxó), a água está presente em quase todas as oferendas aos Odus, o potássio, na banana (Obé-jokô), o carbonato que é o cálcio no leite (mungunzá) e outros.

Assim, os elementos químicos geradores de substâncias como nitrogênio, hidrogênio, oxigênio, carbono, sódio, cálcio, ferro e zinco, estão presentes na ritualística dos Odus e no dia-a-dia da prática das casas de orixás. Portanto, longe de serem fantasias criadas por seus praticantes, o ritual dos Odus é um conhecimento técnico de química e física quântica que precede em muito a existência de Isaac Newton. Portanto, válido!

Esta técnica do conhecimento do jogo de Odús propicia o conhecimento e nos prova que existe a interligação entre os Odús (caminhos de Odú) os quais promovem uma mutação gerando outros elementos, “sub-odús” e mesmo Odús. Assim como no decaimento radioativo, o urânio decai para tório e com o decaimento do césio libera-se prótons, nêutrons ou seja ENERGIA pura concentrada, o “caminho de Odú” transita da mesma forma liberando Energia pura concentrada.

E por assim ser, concentrada, as oferendas de Odús são pequenas sem qualquer suntuosidade ou luxo, porém densas de energia, pois a densidade é igual à massa sobre o volume, ou seja, a densidade é inversamente proporcional ao volume. Quanto maior o volume, menor será a densidade e vice-versa. Quanto a isto ouvimos de uma sacerdotisa Ijexá (na Nigéria) a seguinte explicação: Odú jé Oluabi tabi Oluikú! – (Odú é O Senhor da Vida ou O Senhor da Morte).

ODÚS E SEUS CAMINHOS

O que é um Caminho de Odú ?

É a sequência que ele faz em direção a outro Odu (vide setinhas na tabela abaixo) e com este se completa.

O que mais há de se saber sobre cada Odú ?

O seu histórico – suas oferendas – seus nome correlatos – seus caminhos – e muito mais.

O que é a disfunção de um Odú ?

A disfunção de um Odu acontece quando ele precisa ajudar as pessoas e estes não sabem ou não cuidam. Aí as patologias psíquicas começam a aparecer em razão da disfunção do arquétipo do Odú. – E por falar nisto, Odú é uma comprovação do cérebre psicanalista Carl Jung (Teoria Junguiana) em termos de funções ou disfunções arquetípicas.

1 ODIN OSSÁ 69 OKÔNRON-MERIN -(69=6)
2 EJÍOKÔ 70 OFU-MERIN -(70=6)
3 ETÁ OGÚNDÁ 71 ODIKASSAN-MERIN -(71=6)
4 LOBOMALÉ  OSSÁ 72 EKEFÁ-MERIN -(72=6)
5 OXETURÁ  ODIN  OFU 73 IROSUN-MERIN -(73=7)
6 OBARÁ  EJONILE 74 OBARÁ-KÉ-MERIN -(74=7)
7 OFU  IKÁ  ODIN 75 ARUN-DILA-DORUN-MERIN -(75=7)
8 EJONILE  OSSÁ  OBARÁ 76 ADORIN-EFÁ-MERIN -(76=7)
9 OSSÁTURA BESSÁ  OROSSUN 77 ADORIN-EJE-MERIN -(77=8)
10 EDINEJÉ  OFU 78 ADORIN-EJO-MERIN -(78=8)
11 OBIOROSSUN  OKARAN OBARAXÉ 79 ADORIN-META-MERIN – (79=8)
12 OULASAN OLAXÉ  HOUNXE 80 OGORIN-MARUN-MERIN -(80=8)
13 ETALA-METALA  EJÍ OLOGBOHUN 81 OGORIN-OKAN-MESAN-MERIN-(81=9)
14 IKÁ  OUDAN MERILÁ 82 OGORIN-MEJÍ-MESAN-MERIN-(82=9)
15 ORÉ-BABA-DAJÁ 83 OGORIN-META-MESSAN-MERIN-(83=9
16 ORIGBÁ 84 OGORIN-MERIN-MESSAN-MERIN-84=9
17 ODIN  OTUBI 85 OGORIN-MARUN-MEWÁ-MERIN-(85=10)
18 OWARIN  BEOFUN (18) 86 OGORIN-MEFA-MEWÁ-MERIN-(86=10)
19 OYEKÚ MEJÍ -(19=2) 87 OGORIN-MEJE-MEWA-MERIN-(87=10)
20 MEJÍ-MEJÍ  OKARAN -(20) 88 OGORIN-MEJO-MEWÁ-MERIN-(88=10
21 OGÚN-DA-MEJÍ -(21) 89 OGORIN-MESAN-OKANLA-MERIN (89=11)
22 OGÚN-DA-MASSÁ – (22) 90 ADONRUN-MOKANLA-MERIN-(90=11)
23 EJÍLÁ -(23=4) 91 ADONRUN-ENI-OKANLA-MERIN-(91=11)
24 AJÉ MERINLÁ-(24=4) 92 ADONRUN-MEJÍ-OKANLA-MERIN-(92=11)
25 OXÉ XALUNGA  OBARÁ 93 ADONRUN-META-MEJÍLA-MERIN -(93=93)
26 OBARÁ MEJÍ – (26=5) 94 ADONRUN-EKERIN-EUE-MERIN-(94=93)
27 OKÔNRON MEJÍ -(27=6) 95 ADONRUN-EKERUN-EJÍLA-MERIN-(95=12)
28 OBARÁ KÉ-(28=6) 96 ADONRUN-EKEFÁ-EJÉ-MERIN-(96=12)
29 OUTUBÉ KÔNTAN -(29=7) 97 ADONRUN-MEJE-ETALA-MERIN (97=13)
30 ODI-KASSAN -(30=7) 98 ADONRUN-EKEJO-ETALA-MERIN-(98=13)
31 AWORI-MEJÍ -(31=8) 99 ADONRUN-EKESAN-METALA-MERIN-(99=13)
32 EJOIKU OLUWÁ-MEJÍ-(32=8) 100 OGORUN-ETALA-METALA (100=13)
33 OSATURA-BESSÁ  OBARAXÉ(33=9) 101 OGORUN-EKINI-EKERINLA-MERIN-(101=14)
34 EJÍLÁ  OTUN -(34=9) 102 OGORUN-EKEJÍ-EKERINLA-MERIN(102=14)
35 OFÚ-SAKPATÁ -(35=10) 103 OGORUN-EKETA-EKERINLA-MERIN-(103=14)
36 OSSÁ-MEJÍ -(36=10) 104 OGORUN-EKERIN-EKERINLA-MERIN-(104=14)
37 OLOGBÓN-MEJÍ -(37=11) 105 OGORUN-EKERUN-MEDOGÚN-MERIN-(105=15)
38 BEOFUN -(38=11) 106 OGORUN-EKEFA-MEDOGÚN-MERIN -(106=15)
39 OULASAN-OULAXÉ MEJÍ (39) 107 OGORUN-EKEJE-MEDOGÚN-MERIN -(107=45)
40 ORETÉ-MEJÍ -(40=12) 108 OGORUN-EKEJO-MEDOGÚN-MERIN -(108=46)
41 OTURÁ-MEJÍ -(41=13) 109 OGORUN-EKESAN-EKERINDILOGÚN-(109=16)
42 ETALÁ-MEJÍ -(42=13) 110 OGORUN-EKEWA-OLO-EKERINDILOGÚN-(110)
43 OSSÉ-MEJÍ -(43=14) 111 OGORUN-OKÔKANLA-OLO-ERINDILOGU-(111)
44 OBÉ-JOKÔ -> IKÁ (44) 112 OGORUN-EKEJÍLA-OLO-ERINDILOGÚN-(112)
45 ORANGÚN-MEJÍ (45=15) 113 OKANKAN-ENI-ODIN-EKEJO-(113=17)
46 ORÉ-MEJÍ (46=15) 114 MEJÍ-MEJÍ-OKARAN-EKEJO-(114=1)
47 ORIGBÁ-MEJÍ (47=16) 115 META-META-OWARIN-EKEJO-(115=1)
48 EKÁ-MEJÍ (48=16) 116 MERIN-MERIN-OTUBI-EKEJO-(116=1
49 OWARIN-MERIN (49=1) 117 MARUN-MARUN-OKÔRINÁ-EKEJO-(117=1)
50 ODIN-MERIN (50=1) 118 MEFA-MEFA-OBORINÁ-EKEJO-(118=1)
51 OKARAN-MERIN (51=1) 119 MEJE-MEJE-OTA-ORIXÁ-EKEJO-(119=1)
52 OTUBI-MERIN (52=1) 120 MEJO-MEJO-OLUABI-EKEJO-(120=1)
53 OYEKÚ-MERIN (53=2) 121 MESAN-MESAN-DJEDJE-EKEJO-(121=19)
54 EJÍOKÔ-MERIN (54=2) 122 MEWA-MEWA-SHIGUIDI-EKEJO-(122=2)
55 OUDON-MERILÁ-MERIN (55=2) 123 MOKANLA-MOKANLA-ABIKÚ-EKEJO-(123=19)
56 TOSSÁ-EJÍ-MERIN (56=2) 124 MEJÍLA-MEJÍLA-IRUN MALÉ-EKEJO-(124=2)
57 IWORI-MERIN (57=ONI=3) 125 METALA-METALA-TOHOSSU-EKEJO (125=2)
58 OGÚN-DA-MEJÍ-MERIN (58=3) 126 MERINLA-MERINLA-IBIEMI-EKEJO (126=2)
59 OGÚN-DÁ-MERIN -(59=3) 127 MEDOGÚN-MEDOGÚN-TOSSÁRI-EKEJO(127=2)
60 OGÚN-DA-MASSÁ-MERIN -(60=3) 128 MERINDILOGÚN-IBYINKA-EKEJO- (128=2)
61 OSSÁ-MERIN -(61=4) 129 METADILOGÚN-GÚLACAIE-EKEJO (129=3)
62 AJÉ-MERILÁ-MERIN -(62=4) 130 MEJÍDILOGÚN-OXIN IMOLÉ-EKEJO(130=3)
63 LOBOMALÉ- MERIN -(63=4) 131 MOKANDILOGÚN-OGAGÚN-EKEJO -(131=3)
64 EJÍLÁ- MERIN -(64=4) 132 OGOGÚN-ONIRÉ-EKEJO- (132=3)
65 OBARÁ-MERIN – (65=25) 133 EKETA-ORITÁ METÁ-EKEJO-(133=3)
66 OTURÁ-MERIN – (66=5) 134 EKERIN-AKIRUN-EKEJO – (134=3)
67 OXETURÁ MERIN -(67=25) 135 EKERUN-ALARÁ-EKEJO -(135=3)
68 MARUN-MERIN -(68=5) 136 EKEFE-ELEMOLÁ-EKEJO -(136=3)

O Jogo com Búzios(conchas marinhas) constitue uma das artes divinatórias mais antigas do mundo, de origem africana, ele deriva do jogo de Ifá, Ifá é o Orixá da Adivinhação, cujo instrumento é conhecido como opelé de Ifá, sendo constituído de nozes de dendê, unidas em um fio ou corrente, formando um colar, o jogo de Ifá é uma arte exclusivamente masculina, sendo seu aprendizado extremamente longo, cerca de sete anos, é também acompanhado de muitas formas de rituais específicos, além de exigir uma memória excepcional por parte do iniciado para poder decorar todas as lendas referentes às caídas numerológicas do jogo, que atingem um total de 256 destinos ou odus.

Já o Jogo de Búzios pode ser manipulado tanto por homens, como por mulheres, devidamente preparados após um bom tempo de estudos e orações específicas para tanto, sendo que o “olhador de búzios” deve ser de preferência, iniciado da Umbanda ou Candomble, e possuir um vasto conhecimento dos Orikis e “Personalidade” dos Orixás, que “falam” através de cada Odú.

O desmembramento do jogo de búzios é bem mais simples, em comparação ao jogo de Ifá, resumindo um total de apenas dezeseis Odús, sendo que estes Odús podem estar na forma positiva ou negativa, devendo o sacerdote saber reconhecer através de jogos complementares essas tendências(+ ou -), revelando-as ao consulente. No caso das tendências serem negativas, procurar através conselhos e orientações, que o consulente faça mudanças necessárias no próprio comportamento, podendo auxilia-lo ainda através orações e rituais específicos.

Cada Odu, isto é cada combinação de caídas dos búzios, abertos ou fechados, trás consigo, um ou vários Orixás, ali representados numerológicamente, os Odús são:

Okaran – 01 búzio aberto
Eji Okó – 02 búzios abertos
Etá Ogundá – 03 búzios abertos
Irosun- 04 búzios abertos
Osé – 05 búzios abertos
Obará – 06 búzios abertos
Odí – 07 búzios abertos
Eji Onilê – 08 búzios abertos
Osá – 09 búzios abertos
Ofum – 10 búzios abertos
Oworin – 11 búzios abertos
Eji lasebôrá – 12 búzios abertos
Eji Ologbon – 13 búzios abertos
Ika – 14 búzios abertos
Ogbegundá – 15 búzios abertos
Aláfiá – 16 búzios abertos

Cada Odú, destino, caída, tem aspectos positivos e negativos, devendo o sacerdote saber reconhecer através de jogos complementares essas tendências, revelando-as ao consulente. No caso das tendências serem negativas, procurar através conselhos e orientações, que o consulente faça mudanças necessárias no próprio comportamento, auxiliado ainda por orações e rituais específicos.

Existem sacerdotes que trabalham também com a numerologia da data do nascimento,(forma não ortodoxa de Jogo, já que os antigos, não faziam contas para o oráculo)você perceberá, pois ele irá perguntar a data do seu nascimento e começará a fazer as contas para determinar o Odu de nascimento da pessoa. Na verdade esta numerologia dispensa o “jogar os búzios”, usando apenas o significado numérico de cada Odú.
Exemplo: uma pessoa que nasceu em 09 de Fevereiro de 2011

09/02/2011 desmembramos em duas colunas e somamos:

0 9
+ 0 2
2 0
1 1
3 12 3+12=15 12+15=27 2+7=9

Cabeça = 03 – Pés = 12 – Esquerda = 15 Direita = 9

A Soma da Primeira Coluna representa a “cabeça” da pessoa, o que dita a personalidade, no caso 3 que corresponde ao Odú Etá Ogundá(03).
A soma da segunda coluna representam os “pés” e falam dos cuidados que se teve ter para o futuro devido aos aspectos negativos do Odu Eji Lasebôrá(12).
A soma da das duas colunas colunas representam aquilo que pode prejudicar a pessoa, no caso qualidades negativas do Odu Ogbegundá(15).
A soma da dos “pés” com a soma das duas colunas anteriores é a síntese do que reserva o futuro, ou seja 15+12=27 reduzimos quando o resultado for superior a 16 então 2+7=9 revelando o Odú Osá(09).

Resultado 03 significa que a pessoa possui uma personalidade forte, corajosa, dinâmica e determinada.
(03) Etá Ogundá, deve ter cuidado para que essa força, coragem, dominância e excesso de confiança não se volte contra si próprio.
(12)Eji Lasebôrá alerta para problemas com vícios, principalmente jogos, drogas, bebidas, e promiscuidade. (15) Ogbegundá, alerta que, se não manter o equilíbrio poderá perder tudo na vida, fala de cuidados com as pernas, com perdas e brigas.
(09) Osá vem alertando para problemas psicológicos, depressão e doenças na região abdominal.

Existe também o jogo simples, com apenas quatro búzios, que fornece respostas simples como:
Sim, Não, Analisar Melhor,Auspicioso e Desastroso. Neste jogo com quatro búzios, quem responde diretamente é o Orixá Exú, sendo uma forma simples de contato do devoto com o seu Orixá, via Exú.

Minha intenção nesta postagem é dar uma noção às pessoas de como funciona este Oráculo e também de fazer um ALERTA, pois existem “sacerdotes” que prometem coisas absurdas, e cobram preços exorbitantes por pseudo trabalhos e consequentes resultados.

Não faço ou prometo coisas que independem de mim e deixo claro que este é o meu ponto de vista, e que está de acordo com a minha consciência.

Cobrar um jogo de búzios, Tarô ou Baralho Cigano, é coerente por ser um conhecimento técnico, você compra livros, baralhos, etc, investe horas em estudos e cursos, agora cobrar trabalhos “espirituais” e prometer e garantir uma situação que independe da nossa vontade, mas do Plano Maior, ao meu ver não se justifica. Lembre-se que podemos até pagar o “sacerdote” mas não podemos “comprar” Deus!

Axé, Mojubá

Jogo de Búzios – um diálogo com seus orixás

Muitas pessoas desconhecem a função doJogo de Búzios e não imaginam que os orixás “falam” conosco através da interpretação feita pela mãe de santosobre as caídas dos búzios.

 Descobrir seu orixá através do jogo de búzios
Jogo de Búzios orienta sobre os caminhos a serem seguidos espiritualmente

As pessoas tem o hábito de realizarsimpatias e oferendas sem antesconsultar o oráculo.

Sem a consulta não há como avaliar o impacto dos trabalhos realizados no plano espiritual, causando muitos problemas a pessoa que realizou o trabalho como as outras pessoas possivelmente envolvidas, como no caso das amarrações de amor.

Assim; feito as cegas, sem consulta ao oráculo, a amarração de amor, o trabalho de cura de doença,  o trabalho para prosperidade financeira, ou outrotrabalho espiritual qualquer nunca apresentará um bom resultado porque as energias estão sendo usadas incorretamente.

Devo consultar o Jogo de Búzios antes de realizar um trabalho espiritual?

Sim, o melhor caminho para obter resultados satisfatórios com um trabalho espiritual é fazendo uma consulta ao oráculo (Jogo de Búzios) para informar sobre o tipo de trabalho que deve ser feito e as perspectivas de sucesso que se pode esperar.

Muitos trabalhos espirituais não funcionam, ou demoram muito a se concretizar,  porque a pessoa ignorou o trabalho correto que deveria ser feito.

Feitiços enviados contra a pessoa, carregos de santo,  trabalhos feitos contra nós nunca serão descobertos até que se faça a consulta ao Jogo de Búzios que indica também banhos de descarrego e limpezas espirituais que devemos fazer em nossas casas, ebós, etc.

oráculo nos traz os recados dos orixás e aponta as falhas que estamos praticando em nossos caminhos, e nos mostra a melhor maneira de resolvê-las.

Qualquer pessoa pode fazer uma consulta ao Jogo de Búzios , mas apenas os sacerdotes graduados do candomblé e umbanda que são o pai ou mãe-de-santo, podem fazer a leitura e interpretação correta da caídas dos búzios.

Como é feita a consulta ao Jogo de Búzios?

Existem muitos métodos de jogo, o mais comum consiste no arremesso de um conjunto de 16 búzios sobre uma mesa previamente preparada, e na análise da configuração que os búzios adotam ao cair sobre ela.

A mãe de santo, antes reza e saúda todos os orixás e durante os arremessos, conversa com as divindades e faz-lhes perguntas. Considera-se que as divindades afetam o modo como osbúzios se espalham pela mesa, dando assim as respostas às dúvidas que lhes são colocadas.

Durante o jogo são feitas consultas clássicas para saber os orixás e entidades que acompanham a pessoa (o consulente). Podemos encontrar assim o orixá de cabeça (eledá)e os orixás que acompanham (ajuntó) bem como a indicação das entidades Exú ePombagira.

Consulta aos orixás através do jogo de búzios

Posteriormente, são feitas as perguntas genéricas sobre saúde, trabalho, família, filhos, marido ou namorado e, por fim; são averiguadas questões como trabalhos espirituais feitos contra o consulente e como solucionar os problemas que o jogo de búzios aponta.

consulente pode fazer perguntas específicas ao oráculo sobre o assunto que desejar investigar, seja em que setor for, como saúde, amor, trabalho, família, etc.

Trabalhos espirituais indicados no Jogo de Búzios

Quando o consulente tem qualquer problema de ordem espiritual, o Jogo de Búzios sinaliza a mãe de santo de qual natureza é o problema e quais os melhores trabalhos espirituais a serem feitos naquele caso específico.

Os trabalhos espirituais indicados no Jogo de Búzios devem ser feitos, para que as questões espirituais não fechem os caminhos daquele que consultou o oráculo.

“O jogo de búzios tem por finalidade identificar nosso  Orixá  (Ori=Cabeça (física e astral) + Ixá=guardião); ou seja , problemas de plano astral, espiritual, material e suas soluções”. O jogo de búzios é uma leitura divinatória e esotérica por excelência, utilizado como consulta, quer seja; para identificar nosso orixá (ori= cabeça + ixá=guardião), que é a mesma figura do anjo de guarda; a situação material, astral e espiritual, principalmente com relação a problemas e dificuldades.

Portanto de uma forma definitiva – ninguém “fala” ao nosso ouvido, nem Exú e tampouco Oxum, os quais tem forte influência sobre o jogo, mas não desta forma, se assim fosse, não seria necessário jogá-los.

A leitura esotérica divinatória está diretamente ligada à Òrúnmìlà, cujos babalorixás, são seus porta-vozes, outras lendas africanas, mostram a ligação do jogo de búzios com Exú, Oxum e Oxalá. No capítulo destinado à Ifá e Odù, consta essa estreita relação entre Exú e Ifá.

Os búzios são jogados em número de dezesseis, que correspondem aos dezesseis odús principais, quer sejam: okaran (exú), ejioko (ogum, ibeji), etaogunda (obaluayiê, ogun), iorosun (yemanjá, oya), oxê (oxum), obara (Oxossi, logunedé e xangô), odí (omolu oxosse e oxalá), egionile (oxaguian), ossá (oyá, yewa e yemanjá), ofum (oxalufan), owarim (oyá, oguy e exu), egilexebora (xangô, oba, iroko), egioligibam (nanã), iká (ossain e oxumare), obeogundá (ogun, ewá e obá) e alafia (orixalá, isto é, todos os outros Orixás funfun). Duas formas são as mais utilizadas, sobre a urupema (peneira (totalmente aboolido em ketou)), ou sobre erindilogun (fio de contas), que em alguns casos, nele constam os dezesseis orixás cultuados atualmente no Brasil; igualmente constam desta parafernália: uma otá, uma vela branca, um adjá (espécie de sineta) usado para saudar os orixás, abrir o jogo e convocar o eledá do consulente para que permita uma boa leitura; água; indispensável os fios de Oxalá e Oxum; um côco de ifá; moedas; favas; obi; orobô; um imã; uma fava (semente) especial que represente no jogo o eledá consultado, aforante a isso um preparo do babalorixá, e os orôs (rezas) necessários.

Para uma boa leitura de búzios, três situações são fundamentais:
1) Conhecimento e aprendizado.
2) Autorização, através de ritual próprio, o qual é ministrado por sacerdote responsável, tendo o iniciado passado por completo, com seriedade e merecimento, seu período de iniciação, que são no mínimo 7 anos.
3) Seriedade do consultor e do consulente.

Esses são pré-requisitos básicos para uma leitura honesta e imparcial.

Muito importante, quem “responde” no jogo de búzios é o orixá do consulente, ele é quem determina a formação dos búzios para serem analisados, é uma espécie de permissão, do orixá, para que a situação do seu filho seja exposta.

A forma de jogo mais usual, é a da leitura por odú, feita pela quantidade de búzios “abertos” ou “fechados”, em que o babalorixá, deverá efetuar várias jogadas para uma leitura mais completa, em alguns jogos, cada queda corresponde a um único odú-orixá.

O porque e para que se consultam os búzios ? Pelo mesmo princípio que se vai ao médico, só vai quem está doente ou para uma avaliação de rotina, da mesma forma, que só toma remédio quem está doente, só se deve fazer algo, se houver alguma necessidade.

O futuro – é grande questão dos consulentes, no jogo de búzios, pode-se fazer “perguntas”, cujas respostas não são detalhadas, mas de uma maneira geral é sim ou não, provável e se não fosse assim não haveria babalorixá pobre neste mundo, o futuro a Deus pertence, esta é uma frase sábia que alguém com muita propriedade disse um dia. O futuro depende muito dos nossos atos presentes, o exercício do nosso livre arbítrio é constante, nada está definitivamente marcado ou decidido, a partir do instante que exercemos nossa vontade, podemos modificar a todo instante nosso futuro; exemplos simples: se alguém fica doente e acha que é o destino, vai morrer, mas, se procurar um médico, vai se curar; o futuro foi alterado; assim alguém que perca seu emprego, se ficar em casa, vai passar fome, se sair e procurar um emprego, terá grande chance de conseguir e novamente alterar seu futuro; e assim com tudo na vida; uma grande questão é que muitas pessoas acham que seu orixá, anjo da guarda ou Deus, tem saber de tudo, das suas necessidades, dos seus problemas e simplesmente resolvê-los, antes assim fosse, porém, mais uma vez é necessário que o nosso livre arbítrio e o nosso querer, tem que ser constante em nosso dia a dia. Não podemos esperar que as pessoas “adivinhem” ou saibam o que estamos querendo ou precisando, se não falarmos, se não nos comunicarmos, é evidente que se tem uma forma de fazê-lo, sempre podemos dizer o que pensamos e precisamos, mas de uma forma correta, não agressiva, coerente. Sempre temos duas chances em cada situação que nos apresenta, o de sim e o de não, se tentarmos, porém se não tentarmos, só resta o não. O jogo de búzios, costumo dizer que é uma ciência exata, sabe-se ou não, não cabe meio termo, quem sabe, talvez, ou a leitura é a expressão de uma realidade presente ou não, a forma de checar se um jogo está correto, começa pela identificação do orixá, a cada orixá corresponde um estereotipo de caráter e personalidade ao seu “filho”, que ao lhe relatar não pode errar ou fugir das suas principais características, que o babalorixá checa com o consulente, se tudo corresponde, as demais situações do jogo também estarão corretas. Porém se observe, que um leitor de jogo de búzios necessariamente tem que conhecer sobre as características que os orixás imprimem aos seus “filhos” características estas, que em alguns casos para o mesmo orixá, tem variantes, pela sua qualidade apresentada, ou ainda, difere determinadas características, se o “filho” for do sexo masculino ou feminino, há que se reconhecer uma situação um pouco complexa, e não poderia ser de outra forma, com todas essas variantes é um jogo prostituído, isto é, usado de forma inescrupulosa, leviana, por pessoas totalmente estranhas ao processo, pelos ignorantes que se julgam conhecê-lo. Com relação ainda à esta situação, é muito comum alguns iniciados ou até mesmo sacerdotes, que não se preocuparam muito com o aperfeiçoamento, estudo mais detalhado, prática exaustiva, incorrem num erro, de conhecer uma pessoa de determinado orixá, e classificar suas características como definitivas para aquele orixá, e sempre que ver alguém com aquelas características, achar que aquela pessoa, também será daquele orixá, generalizando para sempre todos estes casos e situações; o erro: esta pessoa que conheceram, pode estar com o orixá errado, pois quem lhe atribuiu este orixá, não era competente, este é um fato muitíssimo comum.

É uma forma de leitura divinatória, que não massifica, isto é, uma situação vale para muitos, como no caso do horóscopo, mas usada de forma individual, como exemplo, o caso de gêmeos, dois ou mais, nascem no mesmo dia, e no entanto, caráter e personalidade em muitos casos, totalmente diversos.

Qual a diferença de Umbanda, Candomblé, Quimbanda & Vodu?

Qual a diferença de Umbanda, Candomblé, Quimbanda & Vodu?

Os orixás são ancestrais divinizados do candomblé – religião trazida da África no século XVI. Entre mais de 200, apenas 12 deles são cultuados no Brasil.

O culto é celebrado pelo pai-de-santo, chefe do terreiro onde a cerimônia acontece, e tem início o despacho de Exú… Começa então, o toque dos tambores que marcam o rítmo de uma dança de roda para que os filhos-de-santo incorporem seus orixás. Passam a receber dos participantes pedidos de ajuda e de proteção. A duração mínima do ritual é de 2 horas.

Umbanda é a religião dos negros iorubás na Bahia que consiste sobretudo em grandes festas aos orixás…A palavra Umbanda é um vocábulo sagrado da língua Abanheenga, que era falada pelos integrantes do tronco Tupy. Diferentemente do que alguns acreditam, este termo não foi trazido da África pelos escravos.

Na verdade, encontram-se registros de sua utilização apenas depois de 1934, entre os cultos de origem afro-ameríndia. Antes disto, somente alguns radicais eram reconhecidos na Ásia e África, porém sem a conotação de um Sistema de Conhecimento baseado na apreensão sintética da Filosofia, da Ciência, da Arte e da Religião.

O termo Umbanda, considerado a “Palavra Perdida” de Agartha, foi revelado por Espíritos integrantes da Confraria dos Espíritos Ancestrais.

Estes espíritos são Seres que há muito não encarnam por terem atingido um alto grau de evolução, mas dignam-se em baixar nos templos de Umbanda para trazer a Luz do Conhecimento, em nome de Oxalá – O Cristo Jesus.

Utilizam-se da mediunidade de encarnados previamente comprometidos em servir de veículos para sua manifestação.

Originário da República de Benin, o Vodu é muito difundido no Caribe (Haiti) e no sul dos Estados Unidos. Misturando tradições religiosas africanas com elementos do cristianismo, é praticado por 65% da população beninense.

A religião, semelhante ao Candomblé, admite um único deus superior, criador de uma série de divindades menores, que se confundem com os santos católicos. Os rituais são realizados em estado de transe e inclui sacrifício de animais.

O Candomblé é a união das Nações de Santo que vieram com os escravos para o Brasil. Lá, eles cultuam uma ou duas Divindades em cada aldeia. No Brasil, uniram o culto a todas as Divindades.

A Umbanda nasceu em Neves, Rio de Janeiro, no final dos anos 30. Cultua-se grandes guerreiros e chefes índios (Caboclos), pela sua sabedoria; negros escravos já idosos (Pretos Velhos); Os grandes arrependidos da noite, que hoje são confundidos com Exú e as crianças, representadas por Cosme e Damião, Santos médicos, padroeiros das crianças. Isso sem mencionar o culto às Divindades da Natureza, chamadas Orixás.

O Vudu é a crença em feitiços..Magia negra.

Umbanda é uma religião formada dentro da cultura religiosa brasileira que sincretiza elementos vários, inclusive de outras religiões como a Católica, Espírita e das Religiões afro-brasileiras.

Candomblé, culto dos orixás, de origem totêmica e familiar, é uma das religiões afro-brasileiras praticadas principalmente no Brasil, pelo chamado povo do santo, mas também em outros países como Uruguai, Argentina, Venezuela, Colombia, Panamá e México. Na Europa: Alemanha, Itália, Portugal e Espanha.

A religião que tem por base a animal (alma) da Natureza, sendo portanto chamada de anímica, foi desenvolvida no Brasil com o conhecimento dos sacerdotes africanos que foram escravizados e trazidos da África para o Brasil, juntamente com seus Orixás/Inquices/Voduns, sua cultura, e seu idioma, entre 1549 e 1888.

O vodu ou vudu teve origem na África, foi trazido pelos escravos e para sobreviver, incorporou elementos da cultura dos dominadores, como o batismo católico. A religião tornou-se oficial no Haiti.

É uma religião que cultua os antepassados e entidades conhecidas como loas. O vodu é parecido com o candomblé.

Os rituais do vodu são marcados pela música, a dança e muita comida. Quem conduz o ritual, é um líder homem (hougan) ou uma líder mulher (mambo).

Na cerimônia, os participantes entram em transe e incorporam os loas (existem os bons e maus) e, além disso, eles comem animais sacrificados.

A religião já foi marginalizada pelos EUA, pois a mesma, é voltada à magia negra, fizeram isso como forma de reprimir a religiosidade dos negros.

Desde 2003, vodu é reconhecido formalmente pelo governo como uma religião legítima no país.

O candomblé é uma religião de matriz afro, muito antiga, da época dos fenicios, trazida pelos negros para o Brasil, por ocasião da escravidão. O candomblé tem seus próprios ritos, fundamentos, rezas, cantigas, linguajar e costumes. A energia dessa religião, está voltada exclusivamente para os Orixás que representam as forças da natureza. Lida-se muito com ervas, favas,e coisas ligadas a natureza. Trata-se de uma religião com base na estrutura familiar, onde o sacerdote representa a figura do pai ou da mãe, dirigente da casa e os filhos de santo, o restante da família. Mantem uma hierarquia rígida, com costumes tadicionais que são mantidos quase que intactos até os dias de hoje.

O candomblé no Brasil é diferente do praticado na àfrica, já que lá cada cidade cultuava apenas o seu Orixá, espécie de santo protetor, enquanto que aqui no Brasil, por causa da escravisão e por terem vindo pessoas de várias cidades, cultua-se basicamente 16 orixás ( existiam outros – mas a tradição oral e a morte da maioria dos líderes, fez com que folhas fossem perdidas).

O vudu – é um ritual que se faz em magia negra que é o avesso da quibanda ou catimbó. ( não tem nada a ver com a umbanda)

Quanto a umbanda é uma micigenação de matriz afro, indígena, kardecismo e catolicismo com seus próprios fundamentos, onde a incorporação é muito maior e acontece através de enviados dos Orixás e de pessoas que fizeram passagem.

São entidades que falam e deixam suas mensagens de orientação e amor.

Na umbanda trabalha-se com caboclos, boiadeiros, mineiros, pretos velhos, ciganos, exu , pomba giras etc…

Surgiu no Brasil e pelo que se tem notícia a primeira vez foi na cidade de Niterói, ( não lembro o ano agora, mas vou pesquisar) e tem conseguido inúmeros adeptos, justamente por sua proposta de simplicidade de humildade e caridade.

Outro fator que faz com que existão vários adeptos é o fato das entidades conversarem com as pessoas levando-as a desabafarem seus problemas.

Seus cântigos são simples, e em português, bem como suas orações. Cultuam imagens de santos católicos a quem chamam alguns pelo nome

dos orixás devido ao sincretismo que data a época dos escravos.

A marca da umbanda é o preto velho que reune as qualidades de bondade, conselheiro, mirongueiro. Sua vestimenta é muito simples, sempre branca e os pés descalços uma obrigação. Suas oferendas são a base de velas, algumas bebidas e frutas. A umbanda não faz comida para os orixás tal qual o candomblé que tem comida específica para cada orixás. Na umbanda cada orixá ou entidade tem sua própria cor e seu dia da semana.

Umbanda é uma religião genuinamente brasileira (acho que a única!). Nasceu no RJ, no início do séc. XX com uma comunicação espiritual de um Caboclo, no médium Zélio de Moraes. É uma religião que acredita na comunicação dos espíritos, precisamente nos antigos habitantes da matas, antigos escravos, que vêm a terra ajudar os que sofrem. A verdadeira Umbanda é Cristã.

O Candomblé é uma religião de origem africana, originou-se da Africa-Bahia, não tem fundamento Cristão, seus seguidores acreditam nos Orixás, que teriam recebido do Deus Maior (Olodumare) a missão de dirigir e governar a Terra, influindo na vida dos seres humanos (seus filhos).

O vodu não é religião brasileira, é de origem africana – haitiana, tem relação também com o culto aos Orixás, mas se diferencia na sua prática religiosa, por dar preferência a um Orixá em especial, chamado Damballah e também por lidar com espírtos dos mortos, coisa que também acontece no Candomblé brasileiro, mas apenas na Ilha de Itaparica, o chamado culto a Egungun.

Em tempo, Macumba não é religião. A palavra Macumba significa pro africano, “tambor”.

UMBANDA – “Umbanda é uma religião formada dentro da cultura religiosa brasileira que sincretiza elementos vários, inclusive de outras religiões como a Católica, Espírita e das Religiões afro-brasileiras.”

CANDOMBLÉ: “Candomblé, culto dos orixás, de origem totêmica e familiar, é uma das religiões afro-brasileiras praticadas principalmente no Brasil, pelo chamado povo do santo, mas também em outros países como Uruguai, Argentina, Venezuela, Colombia, Panamá e México. Na Europa: Alemanha, Itália, Portugal e Espanha.

VODÚ: Na sua forma original, foi trazido por escravos africanos para a ilha caraíba do Haiti no século XVI. Aí entrou em contato com a religião católica romana dos colonos franceses proprietários de escravos, em consequência do que absorveu muitas das complexidades do catolicismo sem jamais perder a sua natureza essencialmente pagã. Assim, por exemplo, atualmente ainda muitos haitianos acreditam que pelo menos um dos aspectos do deus-serpente vodu Damballah é fielmente representado na reprodução convencional de s. Patrício da Irlanda.

Tal como acontece com muitas religiões orientadas para a magia, a idéia essencial do vodu é a de que toda a realidade é uma espécie de fachada por detrás da qual atuam forças espirituais muito mais importantes. As árvores podem ser as moradas de espíritos poderosos; a doença e a morte nunca são fortuitas, mas constituem sempre um sinal de retribuição divina ou mágica.

Este mundo de espíritos vodu é chefiado por Legba, mediador entre o homem e os espíritos. Outros deuses importantes, ou loas, incluem o deus-serpente Damballah, fonte de virilidade e poder; Erzulie, dedeusa do amor, ciúme e vingança, e Guede, que, juntamente com auxiliares sinistros vomo o mal-afamado Barão Samedi, preside aos mistérios da morte e feitiçaria maligna. Numa posição hierárquica inferior à dos deuses mais importantes encontram-se as divindades menores, por vezes denominadas deuses petro, e abaixo destes inúmeros espíritos, incluindo muitos anteriormente humanos.

Nos elaborados rituais do vodu, os adoradores invocam estes loas e espíritos, esperando ser possuídos por um que traga boa sorte, efetue uma cura, aplaque a alma de um morto, conjure o mal, consagre um sacerdote ou desempenhe qualquer outro serviço de caráter mágico.”

______________________________________…

UMBANDA É BRASILEIRA, com matizes kardecistas, indigenas e de cultura afro, surgiu no Brasil em 1908, nada tem a ver com escravidão.

Candomblé envolve uma diversidade de cultos oriundos da Africa, conhecidos como Keto, Angola, Jeje, etc.

Voodoo ou vudum é manifestação caribenha de descendentes afros.

O candomblé é uma religião iniciática, que apesar de bem deturpada, tem seus fundamentos nas religiões tribais africanas (milenares) trazidas pelos escravos para o Brasil. E com eles vieram os orixás africanos, todos negros, sem mistura de credo, pois não conheciam as religiões católica e espírita nem de longe (os escravos).A umbanda foi criada por volta de 1900, não se sabe exatamente a data, no Rio de Janeiro, onde o primeiro babá de terreiro criou as regras, ou foram ditas por seus guias, assim foi criada a umbanda, que hoje, já não se sabe mais o que é realidade ou fruto de imaginação.

A mistura é tão grande, e a imaginação de cada um vai tão longe, que foram criando falanges e mais falanges que não se entende mais nada, nem os próprios umbandistas sabem dar certas explicações. A umbanda começou com os caboclos (espíritos de índios brasileiros) e pretos velhos (espíritos dos escravos), depois foram aparecendo novas entidades como ciganos, indianos, já tem gente incorporando Cleópatra, Messalina, Afrodite, Lampião, etc… dá prá acreditar?

E os que dizem incorporar Lúcifer, Belzebu e outros, não que eu queira ser a dona da verdade, que não sou mesmo… mas haja imaginação hein?

Respeito a umbanda séria e acredito nos guias de umbanda, (pois os que conheci mereciam respeito), mas aprendi a separar mistificação, de entidades de verdade, pois acredito que o maior problema da umbanda seja esse, as pessoas não saberem distinguir um do outro.

Na minha opinião, toda religião é boa, desde que não seja usada para ludibriar as pessoas ingênuas e crédulas. Toda pessoa precisa acreditar em alguma coisa, ter fé, mas também precisa ter o bom senso de desconfiar de vez em quando, nem tudo o que vemos e ouvimos é o que parece ser.

Independente das religiões, o ser humano é dotado, uns mais outros menos, de poderes paranormais ou seja vidência, audiência, telepatia, telecinese e outros, até poder de cura através das mãos, (que a pessoa já nasce com eles sem fazer parte de nenhuma religião, muitos morreram nas fogueiras por terem tais poderes, eram chamados de bruxos, na idade média), que infelizmente são usados através de religiões, com finalidades nem sempre honestas.

Segunda diferença entre candomblé e umbanda:

Antigamente na religião africana, existia uma separação entre o culto de Egun e o culto de orixá, era bem definido e os locais de culto eram independentes e separados. Exemplo disso, podemos ver nas casas de candomblé da Bahia (casas de Ketu tradicional), onde se cultua orixá, (tem apenas um quarto onde são homenageados os eguns dos filhos da casa que já morreram), os Eguns dos pais de santo, são cultuados em outras casas, as mais conhecidas estão na Ilha de Itaparica.

Também acho uma discriminação, mulher quando morre não é egun, é alma, sendo cultuadas em outras casas.

Nessas casas onde são cultuados os babá Egun, também é feita uma separação bem definida, quando um babá Egun está dançando no barracão e vira um orixá de alguém que esteja assistindo, em respeito ao orixá, esse babá Egun se retira da sala e só volta quando o orixá tiver ido embora. No candomblé, o único motivo de se usar contra-egun, é para que um egun não incorpore em uma pessoa iniciada para o orixá.

A coisa tá tão complicada de se entender, que a maioria das babás de terreiro usam como símbolo de cargo um mocan no pescoço, isso quando não usam senzala de búzios e contra-egun também, feitos de palha da costa, usado no candomblé exatamente para que eguns não se apoderem das pessoas.

A conclusão que eu cheguei é a seguinte:

A umbanda pura não é iniciática, portanto não tem feitura de orixá.

No candomblé tem gente feita de santo que continua virando com guias de umbanda, isso não é novidade, é até muito freqüente de se ver.

Peço desculpas, aos umbandistas, não quis com isso ofender ninguém, apenas tentei colocar como vejo a situação da umbanda e do candomblé nos dias de hoje, e peço que as pessoas leiam mais e procurem se orientar melhor, não estou querendo dizer com isso, que o candomblé seja a religião perfeita, porque não é mesmo, tem muitas falhas principalmente por deturpação de muitos pais e mães de santo.

Nos candomblés bantus tradicionalmente sempre existiu a presença do caboclo, mas é um caboclo diferente do que incorpora na umbanda, não dá prá confundir são totalmente diferentes.

Com isso quero dizer que existem umbandas sérias e candomblés sérios, mas que precisam ser distinguidos.

E esse é o X da questão.

Elucidar de uma forma definitiva a diferença entre Candomblé e Umbanda, é um dos meus grandes objetivos com esta obra, pois a frase mais comum que ouvimos como candomblecista, após uma explanação mesmo que resumida é que: eu achava que tudo era a mesma “coisa”. O que primeiro respondo quando me perguntam sobre a diferença entre Candomblé e Umbanda, é que: não há semelhança, esta eu considero a melhor resposta, pois é o fato, não há a menor semelhança. A começar pelas origens, o Candomblé é uma religião africana que existe desde os tempos mais remotos daquele continente, que é o berço da terra, de forma que se funde sua origem com os primeiros contatos de pessoas que lá chegaram, existem citações na teologia africana que Odudúwa era Nimrod, o conquistador caldeu primo de Abraão e neto de Caim, que foi designado por Olodumarè para levar a remissão e a palavra de Olurún (Deus) aos filhos de Caim que, amaldiçoados, viviam na África. Este fato data de 1850 A.C., sendo que Caim pode ter vivido entre 2100 a 2300 A.C. – Oranian , neto de Odudúwa , viveu em 1500 e seu filho Xangô por volta de 1400. As coincidências existentes nos rituais africanos, como a Kaballah hebraica, são imensas, e vem provar a tese da estreita ligação entre Abraão, pai dos semitas, e Odudúwa, (Nimrod) pai dos africanos. Isso pode ser constatado no relacionamento existente entre o símbolo de um elemental africano chamado Dan a serpente, e uma das 12 tribos de Israel, cujo nome é Dan, e seu símbolo, a serpente telúrica. Citação que faremos adiante na Teologia Yorubana que fala da criação da terra. De uma forma básica, no Candomblé não existem “incorporações” de espíritos, pois os orixás, de quem sentimos força e vibrações, são energias puras da natureza, que não passaram pela vida, ou seja não são “entidades”, mas elementais puros da natureza, criados por Olorún. No Candomblé a consulta é feita através da leitura esotérico/divinatória do jogo de búzios (no Brasil), forma de leitura exclusiva do povo candomblecista, que trataremos em capítulo próprio, e o tratamento para cada caso, é feito com elementos da natureza, oriundos dos reinos vegetal, animal e mineral, através e ebós, oferendas, Orôs (rezas) e rituais africanos. A Umbanda por sua vez, sem qualquer demérito a quem a pratica, pois se levada de uma forma séria e consciente tem seu mérito, valor e aplicação, é uma religião brasileira, que advém do sincretismo católico-feitichista, necessário em uma época de grande repressão das religiões africanas, em que era proibido o culto dos orixás na sua forma de origem, e esta adaptação se fez necessária, a partir desta premissa, a Umbanda começou tomar corpo, com algum conhecimento de alguns africanos no trato com seus ancestrais, que era comum a “incorporação” de algum ente falecido, por um elégún (aquele que é montado por) por motivos familiares. É muito comum nos dias de hoje, Ilês que praticam Candomblé e Umbanda, porém em dias, horários e formas diferenciados, mas é uma atitude não compactuada, bem como a utilização do sincretismo com os santos católicos, pelas tradicionais Casas de Candomblé cujas raízes foram plantadas no Nordeste do país, mais precisamente em Pernambuco e na Bahia. A Umbanda por sua vez, a consulta é feita através de um médium “incorporado” , e os “trabalhos” pelo espírito ali incorporado com seus elementos rituais. 

A verdade a qualquer custo – Doa a quem doer

Umbanda é deste século, e utiliza os orixás do Candomblé, sob outra forma e outro aspecto, em especial, vou me ater a figura de Exú. Na sua qualidade de ser ambivalente, positivo e negativo, bem e mal, de uma forma definitiva, esta situação de bem e mal, também está associado à todos os seres humanos, e nem por isso, somos o diabo, ninguém é totalmente bom, 24 horas por dia, 360 dias por ano, a sua vinda inteira; o inverso também é verdadeiro, convivemos com o bem e o mal, porém Exú, na sua condição, só fará alguma coisa, se e somente se, for mandado, portanto quem faz o mal na realidade é quem pede, e que pela própria lei da natureza, pagará, pois segundo a lei mais certa que existe, a lei do retorno – “Toda ação gera uma reação, com a mesma intensidade, em sentido contrário”, quer dizer, tudo que vai, volta, a experiência nos comprova isto, e geralmente, da forma que mais dói, no bolso ou na saúde (tarda mas não falha); isso posto, em quem está a maldade? Sem mandante, ela simplesmente não existiria, e, mais uma vez EXÚ PAGA O PATO. Em mais de vinte anos de pesquisa, e não foi pouca, as maiores e melhores obras, dos maiores e melhores autores, sobre religiões africanas, sejam brasileiros, ingleses, franceses, africanos, babalorixás, antropólogos, babalaôs, nunca li nada que se referisse à exú mulher, ao contrário, sua forma é fálica (forma de pênis), sempre no sentido de elemento fecundador, fertilizador e nunca elemento fecundado, nunca houve qualquer simbolismo ou ligação com uma “vagina”, em sua ambivalência, assume situações duplas, mas nunca, macho e fêmea. Tudo se inicia, com a palavra bombogira, que é o nome dado à Exú macho por excelência na nação de Angola, uma corruptela desta palavra, utilizada somente pela Umbanda, gerou a expressão “pombogira”, como forma de um exú mulher, em cuja manifestação, a pessoa, seja homem (homem?) ou mulher, assume uma atitude sensual, atrevida e em alguns lugares, sob esta manifestação, a prática do ato sexual em si; é muito comum, se a mulher tem vontade, libido forte ou até mesmo por necessidade (a prostituição), é porque uma pombagira está “encostada”, o que seria uma situação normal, natural; A POMBA GIRA PAGA O PATO. Qualquer incorporação, deste gênero, que se fale com as pessoas, beba ou fume em público, não é Candomblé, é umbanda; a única manifestação “semelhante” no Candomblé, é a figura do Erè, que, assim como o orixá, é um elemental da natureza, com uma conduta infantilizada, e que nunca passou pela vida, portanto não é um egun (espírito de morto), tem função específica, uma delas, se comunicar pelo orixá, justamente pelo fato de que ele não fala, que nos referimos como “estado de erê”, tal pessoa está com, ou de, erê. A incorporação, eu imagino, vem de necessidade do ser humano (que é incrédulo por natureza), de crer e confiar, para crer, tem que “ver” algo, no caso o espírito manifestado, falar com ele, ouvir coisas que confirmem ser real ( o que muitas vezes acontece), e para confiar, o consultor não poderá se “lembrar” do que ouviu, como confidência, ou segredo, pois em várias situações, estão envolvidos, conversas e pedidos escusos, se utilizando assim da “inconsciência” relatada nas religiões africanas, a qual também a coloco, em outro capítulo da forma como a vejo e sinto. Falo muita propriedade e experiência, pela vivência de muitos anos no meio, o objetivo não é em momento algum, desmascarar quem quer que seja, muito menos denegrir, desmerecer ou tirar o valor da Umbanda, pelo contrário, bem praticada e bem conduzida, tem enorme valor e função social na comunidade, quer seja: na solução de problemas de saúde, família, trabalho, amor… Existe forte vibração de uma energia, no ato da “incorporação”, variando muito de pessoa para pessoa, em muitos casos, com real valor e força, porém, a inconsciência total … o único objetivo é a realidade, que é benéfica para todos nós, a medida em que nada temos que esconder.

Diferenças entre Umbanda, Candomblé e Quimbanda

Este é um artigo sobre Diferenças entre Umbanda, Candomblé e Quimbanda. Aproveite também para conhecer alguns produtos relacionados ao caminho da mão esquerda.

Candomblé, Quimbanda [ou Kimbanda], Umbanda: estas são as principais denominações entre as religiões afro-brasileiras.

Alguns, negam a estas crenças o status de “religião”: 

1. porque não se enquadram na idéia de “religião oficial”; 

2. porque são praticadas por minorias sociais.

No Brasil, embora muito se fale do Candomblé e da Umbanda, os números oficiais, do IBGE, não deixam qualquer dúvida quanto a essa condição de minoria que é uma realidade das religiões afro-brasileiras.

No censo de 2000, em uma população que ultrapassa 160 milhões de habitantes, pouco mais de 525 mil pessoas se declararam adeptas do Candomblé e da Umbanda, embora outros tantos milhares de não-adeptos freqüentem terreiros e tendas como “clientes”.

Os dados também revelaram que existem mais Umbandistas que “candomblezistas”… [Umbanda: 397.431 ─ Candomblé: 127.582, em universo onde mulheres são a maioria... meditemos...]. Sobre os clientes, escreve Reginaldo Prandi:

“[O candomblé] …como agência de serviços mágicos… oferece ao não-devoto a possibilidade de encontrar solução para problema não resolvido por outros meios, sem maiores envolvimentos com a religião. [O cliente é] …consumidor de serviços mágicos que a religião oferece também aos não-devotos, sob pagamento… – [PRANDI, p 12]…

E sobre as religiões afro-brasileiras como minorias, comenta Prandi:

“Em 2001, Ricardo Mariano, analisando o crescimento evangélico, em sua tese de doutorado, fez uma descoberta sensacional. Descobriu que as religiões afro-brasileiras estavam perdendo fiéis… E apontou como razão o enfrentamento com as igrejas pentecostais [[os evangélicos, até porque os pastores se apropriaram de rituais do candomblé ou adaptaram esses  rituais como odescarrego, o banho com a rosa branca, os passes e juntaram tudo isso com o apelo à figura de Jesus Cristo!]. …Pode-se ver que a perda de fiéis do conjunto afro-brasileiro se deve ao encolhimento da Umbanda. Como o pequeno crescimento do Candomblé não é suficiente para compensar as perdas umbandistas, o conjunto todo se mostra, agora, debilitado e declinante diante do avanço pentecostal.” [PRANDI, p 17/18]

No imaginário popular, especialmente daqueles pouco informados sobre estas religiões, Candomblé, Kimbanda, Umbanda não “tudo a mesma coisa”, “tudo macumba!”, não reconhecendo cada uma como credo distinto, como se não houvesse diferença entre suas teologias, liturgias e origens históricas. Porém, o estudo, ainda que superficial revela que as três não se confundem; ao contrário, diferem significativamente em suas características essenciais e o único fato que têm em comum é a adoção de elementos da cultura religiosa afro-brasileira e, por brasileira, entenda-se catolicismo no molde português colonial.

Diferenças em Linha Gerais

Candomblé, Quimbanda e Umbanda distinguem-se:

1. pelas natureza das entidades cultuadas e/ou invocadas/evocadas; 

2. pelos procedimentos do culto;

3. pelos elementos culturais componentes do sincretismo; 

4. e, finalmente, pelo uso que se faz das forças metafísicas acionadas.

Considerando estes aspectos, notar-se-á, imediatamente, que o Candomblé difere da Quimbanda e da Umbanda de forma mais enfática enquanto Quimbanda e Umbanda são muito mais próximas.

No Candomblé, os cultuados, os Orixás [ou Orijás] são considerados deuses; na Quimbanda e na Umbanda, ainda que o culto também invoque e evoque Orixás, estes são considerados meros espíritos ancestrais mais antigos ao lado de numerosas outras entidades representativas de ancestrais mais modernos e/ou contemporâneos.

No Candomblé, os deuses, desde de sua origem em terras africanas, também são ancestrais porém sua antiguidade remonta a tempos imemoriais. São como os heróis e deuses gregos, grandes reis, guerreiros e personagens que viraram mitos, foram mitificados e, assim, alcançaram a condição de divindades.  O mesmo processo que originou o panteão greco-romano. Muito além da fantasia popular, os deuses gregos também foram personagens fundadores de Civilizações, de um tempo antediluviano, como Poseidon [ou Netuno] que, segundo a tradição relatada por Platão, em Crítias, foi o último rei Atlante da última grande ilha remanescente da lendária Atlântida.

Na Quimbanda e na Umbanda, os ancestrais são vistos como antepassados mesmo, pessoas mortas, homens e mulheres proeminentes e/ou sábios ou, ainda, perversos. São Espíritos que baixamno culto [evocação, sem incorporação] ou incorporam nas pessoas [invocação] a fim de atuar no mundo dos vivos.

A Umbanda reivindica propósitos sempre voltados para o bem, com um discurso claramente cristão. A Quimbanda, embora seus teóricos neguem, é fortemente associada à magia negra, aos trabalhos para o mal e, além de para espíritos humanos desencarnados, como na Umbanda, também se utiliza de seres não-humanos: larvas [criações da mente dos sacerdotes-magistas], demônios [Espíritos obcessores] e elementais.

Nas palavras do místico e escritor José Romero Romeiro Abrahão:

“A Quimbanda é um culto mágico às Entidades malévolas, denominadas Exus, Quimbandeiros… Em geral, na Quimbanda só se trabalha para o mal de alguém ou então para submeter uma pessoa à vontade da outra”.

Morte Subita coloca a sua disposição uma série de artigos onde são descritas as particularidades de cada uma das três religiões afro-brasileiras.

Leia mais na fonte do site Morte Súbita – http://mortesubita.org/jack/cultos-afros/teoria/diferencas-entre-umbanda-candomble-e-quimbanda/view

UMBANDA / CANDOMBLE

Umbanda

A palavra Umbanda é um vocábulo sagrado da língua Abanheenga, que era  f alada pelos integrantes do tronco Tupy.

Diferentemente do que alguns acreditam, este termo não foi trazido da África pelos escravos.

Na verdade, encontram-se registros de sua utilização apenas depois de 1934, entre os cultos de origem afro-ameríndia.

Antes disto, somente alguns radicais eram reconhecidos na Ásia e África, porém sem a conotação de um Sistema de Conhecimento baseado na apreensão sintética da Filosofia, da Ciência, da Arte e da Religião.

O termo Umbanda, considerado a “Palavra Perdida” de Agartha, foi revelado por Espíritos integrantes da Confraria dos Espíritos Ancestrais. Estes espíritos são Seres que há muito não encarnam por terem atingido um alto grau de evolução, mas dignam-se em baixar nos templos de Umbanda para trazer a Luz do Conhecimento, em nome de Oxalá – O Cristo Jesus. Utilizam-se da mediunidade de encarnados previamente comprometidos em servir de veículos para sua manifestação.

Os radicais que compõem o mote UMBANDA são, respectivamente:

AUM – BAN – DAN

Sua tradução pode ser ncomprovada através do alfabeto Adâmico ou Vattânico revelado ao Ocidente pelo Marquês Alexandre Saint-Yves d’Alveydre, na sua obra “O Arqueômetro”.

AUM significa “A Divindade Suprema”, seu símbolo sendo amplamente conhecido:

BAN significa “Conjunto ou Sistema”, em Adâmico é representado da seguinte forma:

DAN significa “Regra ou Lei”, sua expressão gráfica apresenta-se como se segue:

A união destes princípios radicais, ou AUMBANDAN, significa “O Conjunto das Leis Divinas”, sintetizado no sinal abaixo:

Portanto, o AUMBANDAN ou Conjunto das Leis Divinas é a Proto-Síntese Cósmica, encerra em si os princípios geradores do Universo, que são a Sabedoria e o Amor Divinos. Estende-se ao Ser Humano como a Proto-Síntese Religio-Científica que contem e dá origem aos quatro pilares do conhecimento humano, ditos como filosofia, ciência, arte e religião.

Pelo acima exposto, entendemos que a Umbanda é patrimônio dos Seres Espirituais de Alta Evolução que governam o Planeta Terra, os Seres Humanos encarnados e desencarnados são herdeiros deste Conhecimento-Uno. Entretanto, a aquisição deste conhecimento cósmico depende de condições ou pré-requisitos que o indivíduo deve possuir para que possa compreender a extensão e significado deste patrimônio. Deve ser, também, capaz de participar efetivamente da marcha evolutiva do Planeta como um espírito de horizontes largos e consciência cósmica.

Ao processo de amplificação da consciência que conduz à integração do Ser neste contexto denomina-se Processo Iniciático ou Iniciação, no qual o pretendente busca o início das Causas e Origens do nosso Universo a partir do conhecimento de si mesmo e das Leis que regem o Macrocosmo.

O Movimento Umbandista é um Movimento Filo-Religioso que visa resgatar o Conhecimento – UNO ou AUMBANDAN, sua divulgação é estimulada pelo Círculo Cósmico de Umbanda e seus aspectos internos ou iniciáticos tem suas raizes fundadas na Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino, um Templo-Escola da Alta Iniciação de Umbanda.

História do Movimento Umbandista no Brasil

O Movimento Umbandista é um movimento filo-religioso surgido no final do século XIX , no Brasil, quando entidades espirituais, integrantes da Confraria dos Espíritos Ancestrais, passaram a manifestar-se, pela mediunidade, em rituais de cultos praticados por Africanos e Indígenas, miscigenados com elementos do catolicismo introduzidos pela Raça Branca.

Na verdade, a eclosão do Movimento Umbandista foi decorrência das necessidades cármicas que fizeram reunir, no solo brasileiro, representantes das raças branca, amarela, negra e remanescentes da vermelha. Assim, o Brasil possibilitou o encontro de coletividades que alimentavam rivalidades entre si e, de alguma forma, mantinham em seus sistemas religiosos, fragmentos do Conhecimento Verdadeiro usurpado pela humanidade em sua odisséia terrena.

O Brasil, conhecido pelos índios pré-cabralinos como BARA – TZIL ( Terra da Cruz ou Terra da Luz) , deveria ser o local do surgimento do Movimento Umbandista porquê, originalmente, havia recebido a revelação do Aumbandan na época dos Lêmures, no apogeu da Raça Vermelha, no Tronco Tupy. Foi aqui também que a Tradição foi deturpada em sua essência, consubstanciando-se na Cisão do Tronco Tupy nos grupos Tupy-Nambá e Tupy-Guarany que defendiam, respectivamente, o Princípio Espiritual e o Princípio Natural. Embora os Tupys tenham, algum tempo depois, voltado ao seu caminho evolutivo original, os resultados de sua Cisão ainda se fazem sentir até hoje, persistindo na mentalidade humana o dilema entre o Espírito e a Matéria.

Aqueles seres do Tronco Tupy não mais encarnam no Planeta e mesmo poderiam partir para outros locais mais evoluidos do Universo, entretanto, optaram por trabalhar em prol da Humanidade, auxiliando-a a encontrar sua via justa de evolução, restabelecendo a Tradição-Una, o Aumbandan.

Para servir a este propósito, o Governo Oculto do Planeta, no momento adequado, lançou as sementes do Movimento Umbandista, visando inicialmente o Brasil, para futuramente revelar os aspectos cósmicos da Doutrina para todos os povos. E assim, por dentro dos cultos degenerados de várias raças existentes no Brasil, passaram então a manifestar-se pela incorporação, os Espíritos Ancestrais da Humanidade que se apresentavam, inicialmente, na forma de Indios e, depois, também na forma de Pretos-Velhos e Crianças. Apresentavam-se desta forma para atingir mais facilmente a coletividade brasileira, que se identificava, sincreticamente, com estes arquétipos da Simplicidade, da Humildade e da Pureza.

O aparecimento destas entidades veio a configurar as bases do Movimento Umbandista, que recebeu uma primeira organização ritualística a partir de 1908, com o médium Zélio Fernandino de Moraes, tomando o nome inicial de Alabanda e, depois, de Umbanda. Quase 50 anos transcorreram até que, em 1956, o famoso Médium W.W. da Matta e Silva revelou ao público os primeiros aspectos da Doutrina Esotérica de Umbanda marcando a história com o livro Umbanda de Todos Nós.

Atualmente o Movimento Umbandista conta com uma coletividade estimada em 70 milhões de adeptos e simpatizantes, entretanto, números mais precisos sobre esta população são de difícil aquisição devido à própria estrutura do Movimento Umbandista.

Esta estrutura comporta uma infinidade de Terreiros ou Templos com rituais diferentes entre si, consequentes de uma maior ou menor assimilação sincrética de elementos de outras culturas e sistemas filo-religiosos. Este sincretismo visa estabelecer uma ponte de ligação que permita a transição gradual de indivíduos oriundos de outros sistemas para a Umbanda.

Embora o panorama geral propiciado por estas variações ritualísticas possa parecer heterogêneo, esta foi uma estratégia utilizada pelos espíritos da Confraria Cósmica de Umbanda como forma de minimizar as desigualdades sociais e discriminações de qualquer origem. Portanto, o Movimento Umbandista é capaz de receber indivíduos com características e concepções sobre a espiritualidade muito variadas; para cada um deles haverá um Terreiro ou Templo que mais se adapte ao seu nível consciencial.

Como elemento de ligação dos diversos templos, encontra-se a mediunidade através da incorporação de espíritos que se apresentam nas três formas arquetipais de “Caboclos”, “Pretos-Velhos” ( mais adequadamente chamados de Pais-Velhos ) e “Crianças”. Estas Entidades procuram impulsionar, paulatinamente, as pessoas que procuram os terreiros para patamares superiores de compreensão de si mesmos, do Mundo Material e do Mundo Espiritual. Obviamente, quanto mais sincrético for um terreiro, mais distanciado estará da Essência e mais preso estará à Forma. Mesmo naqueles templos onde predominam a busca da Essência e a verdadeira Iniciação de Umbanda, os rituais abertos ao público apresentam apenas uma ínfima parte da Doutrina, por respeito e caridade aos consulentes, guardando para o interior do Templo os fundamentos que esperam o momento certo para serem revelados.

A partir de 1989, com o lançamento da obra Umbanda – a Proto-síntese Cósmica, que mostrou ângulos inéditos da Umbanda, foi inaugurada uma nova fase do Movimento Umbandista, revelando-se o caráter cósmico desta doutrina. Os rituais dos diversos templos vêm-se modificando, mais adequados à tendência da globalização, que certamente consolidará um Mundo sem fronteiras para os habitantes do Planeta Terra, estabelecendo seus laços de ligação não apenas pelo comércio de bens materiais, mas principalmente pela comunhão de valores espirituais.

Aspectos Básicos da Doutrina de Umbanda

Uma visão geral dos vários tipos de ritual, encontráveis nos terreiros de Umbanda, não mostra prontamente a Doutrina de Umbanda. Isto se deve à presença do sincretismo que mascara a verdadeira Doutrina, de forma a se adaptar às necessidades da população que freqüenta os templos afins. Os princípios que servem de base para todo o Movimento Umbandista são sensíveis, especialmente, nos Templos Iniciáticos e nos rituais internos de alguns terreiros, onde se percebe um interesse maior na busca da evolução espiritual, sem os véus da ilusão ditados pelo mito.

Partindo desta observação, podemos obter duas informações preciosas: A primeira é que, se fôssemos tentar compor uma Doutrina consistente, a partir das manifestações sincréticas, seria impossível atingir um quadro coerente, e mesmo que fosse possível, o mesmo ainda estaria absolutamente distante dos ensinamentos transmitidos pela “corrente iniciática”. A segunda informação importante é a de que, excluindo-se as manifestações do sincretismo nos diversos terreiros de Umbanda, é possível isolar determinados pontos de semelhança e conceitos compartilhados, que apontam para um sistema lógico, inicialmente insuspeitado, que encontra-se velado pelo caos aparente.

Dentre as semelhanças existentes entre os diversos terreiros ressalta-se a presença de Seres Espirituais da Corrente Astral de Umbanda que se manifestam pela incorporação nas formas de “Caboclos”, “Pretos-velhos” e “Crianças”. Este pode-se considerar o ponto básico que serve até como qualificador da doutrina professada por determinado núcleo espiritualista. A homogeneidade no encontro deste fator que eclodiu em coletividades distintas e fez surgir o Movimento Umbandista, leva à conclusão que a Doutrina de Umbanda é fruto da revelação destas entidades através de seus médiuns e não o resultado de uma miscigenação de cultos afro-ameríndios.

A partir desta pedra angular, constrói-se toda a Doutrina de Umbanda, fundada no Tríplice Caminho constituído pela Doutrina Mântrica, pela Doutrina Yântrica e pela Doutrina Tântrica que velam o mistério da Cosmogênese. Todos os processos relacionados à evolução dos Seres Espirituais no Reino Natural são observados à luz destes princípios ternários e através da lei das analogias, aplicados desde o nível microssomático até o macrocósmico.

As entidades que se apresentam na Umbanda vêm personificar a Simplicidade, a Pureza e a Sabedoria, em nome de Oxalá – o Cristo Jesus – o Tutor Máximo do Planeta Terra. Através de seus conselhos, exemplos e mesmo da movimentação das forças naturais, conseguem acender a chama da Fé no coração dos consulentes que procuram os templos de Umbanda. A partir da Fé e da Razão incutem, gradualmente, na coletividade planetária, a compreensão dos mecanismos da reencarnação, das Leis Cármicas, das atrações por afinidade e sintonia e ensinam-nos os meios para caminhar seguramente em direção da nossa própria essência espiritual.

Estas Entidades de grande evolução, na verdade, são nossos Ancestrais Primevos, os primeiros seres a encarnar no Planeta Terra e que eram senhores do Conhecimento Integral já na época de suas encarnações, anteriores aos Atlantes. Toda a Sabedoria Planetária revelou-se como Aumbandan e deu origem, posteriormente a todas as filosofias, ciências, artes e religiões que conhecemos atualmente. É por este motivo que encontramos na Doutrina de Umbanda vários conceitos que ainda foram conservados por alguns setores filo-religiosos.

Na verdade, o surgimento das religiões e todo conhecimento fragmentário da atualidade deveu-se à deturpação e uso inadequado do Conhecimento-Uno existente na época do Tronco Tupy. Por consequência, o homem perdeu a chave deste mistério e da capacidade de compreender, de forma sintética, a vida em suas causas e efeitos.

Na expectativa de reconstruir este conhecimento perdido e de receber os influxos destas portentosas Entidades é que apareceram os Cultos aos Ancestrais Primevos, apregoados pelos grandes patriarcas e iniciados , cujos resquícios se fazem presentes, ainda hoje, em algumas tradições, especialmente as orientais.Por misericórdia divina, os integrantes da Confraria dos Espíritos Ancestrais vêm trazer as sementes dos novos tempos, manifestando-se através da mediunidade, auxiliando-nos na jornada evolutiva, para que novamente o Aumbandan se faça presente na coletividade terrena. 

Candomblé não é Umbanda

Elucidar de uma forma definitiva a diferença entre Candomblé e Umbanda, é um dos meus grandes objetivos com esta obra, pois a frase mais comum que ouvimos como candomblecista, após uma explanação mesmo que resumida é que: eu achava que tudo era a mesma “coisa”. O que primeiro respondo quando me perguntam sobre a diferença entre Candomblé e Umbanda, é que: não há semelhança, esta eu considero a melhor resposta, pois é o fato, não há a menor semelhança.

A começar pelas origens, o Candomblé é uma religião africana que existe desde os tempos mais remotos daquele continente, que é o berço da terra, de forma que se funde sua origem com os primeiros contatos de pessoas que lá chegaram, existem citações na teologia africana que Odudúwa era Nimrod, o conquistador caldeu primo de Abraão e neto de Caim, que foi designado por Olodumarè para levar a remissão e a palavra de Olurún (Deus) aos filhos de Caim que, amaldiçoados, viviam na África. Este fato data de 1850 A.C., sendo que Caim pode ter vivido entre 2100 a 2300 A.C. – Oranian , neto de Odudúwa , viveu em 1500 e seu filho Xangô por volta de 1400. As coincidências existentes nos rituais africanos, como a Kaballah hebraica, são imensas, e vem provar a tese da estreita ligação entre Abraão, pai dos semitas, e Odudúwa, (Nimrod) pai dos africanos. Isso pode ser constatado no relacionamento existente entre o símbolo de um elemental africano chamado Dan a serpente, e uma das 12 tribos de Israel, cujo nome é Dan, e seu símbolo, a serpente telúrica. Citação que faremos adiante na Teologia Yorubana que fala da criação da terra. De uma forma básica, no Candomblé não existem “incorporações” de espíritos, pois os orixás, de quem sentimos força e vibrações, são energias puras da natureza, que não passaram pela vida, ou seja não são “entidades”, mas elementais puros da natureza, criados por Olorún.

No Candomblé a consulta é feita através da leitura esotérico/divinatória do jogo de búzios (no Brasil), forma de leitura exclusiva do povo candomblecista, que trataremos em capítulo próprio, e o tratamento para cada caso, é feito com elementos da natureza, oriundos dos reinos vegetal, animal e mineral, através e ebós, oferendas, Orôs (rezas) e rituais africanos. A Umbanda por sua vez, sem qualquer demérito a quem a pratica, pois se levada de uma forma séria e consciente tem seu mérito, valor e aplicação, é uma religião brasileira, que advém do sincretismo católico-feitichista, necessário em uma época de grande repressão das religiões africanas, em que era proibido o culto dos orixás na sua forma de origem, e esta adaptação se fez necessária, a partir desta premissa, a Umbanda começou tomar corpo, com algum conhecimento de alguns africanos no trato com seus ancestrais, que era comum a “incorporação” de algum ente falecido, por um elégún (aquele que é montado por) por motivos familiares. É muito comum nos dias de hoje, Ilês que praticam Candomblé e Umbanda, porém em dias, horários e formas diferenciados, mas é uma atitude não compactuada, bem como a utilização do sincretismo com os santos católicos, pelas tradicionais Casas de Candomblé cujas raízes foram plantadas no Nordeste do país, mais precisamente em Pernambuco e na Bahia.

A Umbanda por sua vez, a consulta é feita através de um médium “incorporado” , e os “trabalhos” pelo espírito ali incorporado com seus elementos rituais. 

Umbanda é deste século, e utiliza os orixás do Candomblé, sob outra forma e outro aspecto, em especial, vou me ater a figura de Exú. Na sua qualidade de ser ambivalente, positivo e negativo, bem e mal, de uma forma definitiva, esta situação de bem e mal, também está associado à todos os seres humanos, e nem por isso, somos o diabo, ninguém é totalmente bom, 24 horas por dia, 360 dias por ano, a sua vinda inteira; o inverso também é verdadeiro, convivemos com o bem e o mal, porém Exú, na sua condição, só fará alguma coisa, se e somente se, for mandado, portanto quem faz o mal na realidade é quem pede, e que pela própria lei da natureza, pagará, pois segundo a lei mais certa que existe, a lei do retorno – “Toda ação gera uma reação, com a mesma intensidade, em sentido contrário”, quer dizer, tudo que vai, volta, a experiência nos comprova isto, e geralmente, da forma que mais dói, no bolso ou na saúde (tarda mas não falha); isso posto, em quem está a maldade? Sem mandante, ela simplesmente não existiria, e, mais uma vez EXÚ PAGA O PATO.

Em mais de vinte anos de pesquisa, e não foi pouca, as maiores e melhores obras, dos maiores e melhores autores, sobre religiões africanas, sejam brasileiros, ingleses, franceses, africanos, babalorixás, antropólogos, babalaôs, nunca li nada que se referisse à exú mulher, ao contrário, sua forma é fálica (forma de pênis), sempre no sentido de elemento fecundador, fertilizador e nunca elemento fecundado, nunca houve qualquer simbolismo ou ligação com uma “vagina”, em sua ambivalência, assume situações duplas, mas nunca, macho e fêmea. Tudo se inicia, com a palavra bombogira, que é o nome dado à Exú macho por excelência na nação de Angola, uma corruptela desta palavra, utilizada somente pela Umbanda, gerou a expressão “pombogira”, como forma de um exú mulher, em cuja manifestação, a pessoa, seja homem (homem?) ou mulher, assume uma atitude sensual, atrevida e em alguns lugares, sob esta manifestação, a prática do ato sexual em si; é muito comum, se a mulher tem vontade, libido forte ou até mesmo por necessidade (a prostituição), é porque uma pombagira está “encostada”, o que seria uma situação normal, natural; A POMBA GIRA PAGA O PATO. Qualquer incorporação, deste gênero, que se fale com as pessoas, beba ou fume em público, não é Candomblé, é umbanda; a única manifestação “semelhante” no Candomblé, é a figura do Erè, que, assim como o orixá, é um elemental da natureza, com uma conduta infantilizada, e que nunca passou pela vida, portanto não é um egun (espírito de morto), tem função específica, uma delas, se comunicar pelo orixá, justamente pelo fato de que ele não fala, que nos referimos como “estado de erê”, tal pessoa está com, ou de, erê.

A incorporação, eu imagino, vem de necessidade do ser humano (que é incrédulo por natureza), de crer e confiar, para crer, tem que “ver” algo, no caso o espírito manifestado, falar com ele, ouvir coisas que confirmem ser real ( o que muitas vezes acontece), e para confiar, o consultor não poderá se “lembrar” do que ouviu, como confidência, ou segredo, pois em várias situações, estão envolvidos, conversas e pedidos escusos, se utilizando assim da “inconsciência” relatada nas religiões africanas, a qual também a coloco, em outro capítulo da forma como a vejo e sinto. Falo muita propriedade e experiência, pela vivência de muitos anos no meio, o objetivo não é em momento algum, desmascarar quem quer que seja, muito menos denegrir, desmerecer ou tirar o valor da Umbanda, pelo contrário, bem praticada e bem conduzida, tem enorme valor e função social na comunidade, quer seja: na solução de problemas de saúde, família, trabalho, amor…

Existe forte vibração de uma energia, no ato da “incorporação”, variando muito de pessoa para pessoa, em muitos casos, com real valor e força, porém, a inconsciência total … o único objetivo é a realidade, que é benéfica para todos nós, a medida em que nada temos que esconder.

Que Oxalá ilumine a todos vós com o manto da abertura de consciência de que existem seres humanos em condições muito precárias, como também, seres espirituais que necessitam do vosso exemplo para seguir adiante. Que assim seja, meus caros irmãos.

Umbanda, Candomblés Nagô, Congo & Muxicongo


O QUE É UMBANDA ?

Embora muitos afirmem ser a Umbanda apenas uma seita derivada dos Cultos Afro-Brasileiros que deram origem aos Candomblés, na verdade, a verdadeira Umbanda, muito pouco tem a ver com ele. Nosso irmão, W.W. da Matta e Silva, por exemplo, fez extensa pesquisa visando trazer a público a origem da palavra em seu livro Umbanda de Todos Nós. Esse não é o propósito de nosso trabalho atual. Importante é frisarmos que UMBANDA foi o nome dado ao culto criado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, cujo médium era o Sr. Zélio de Moraes, em 16 de novembro de 1908, no bairro de Neves em Niterói. Destaque para o fato de que um caboclo, por ser considerado EGUN (alma de um ser que já viveu na terra ) não era entidade cultuada em nenhum candomblé. Posteriormente a coisa ficou meio confusa e criaram até os chamados Candomblés de Caboclos. Antes desta data, não há registro algum da palavra UMBANDA em qualquer seita Afro, como também ficou claro nas pesquisas feitas pelo retrocitado autor, na mesma obra e em outras. Se quisessem saber mesmo a origem da palavra, deveriam ter perguntado ao Caboclo, ao invés de ficarem especulando por aí.O que é importante sabermos ?
Importante é sabermos que :
a) Umbanda não é culto Afro – é BRASILEIRO!.
b) A Umbanda sofreu várias modificações, tanto em seus objetivos como em sua práticas e rituais quando se mesclou e absorveu dos cultos Afro, do Catolicismo e até de filosofias orientais, certos parâmetros e conceitos básicos, a ponto de hoje entrarmos em certos terreiros ditos como de Umbanda e vermos lá os já conhecidos sacrifícios de animais e coisas equivalentes.
c) Umbanda foi o nome com que o Caboclo das Sete Encruzilhadas batizou o movimento espirítico criado por ele com regras básicas de trabalho, cujo objetivo principal seria o da “manifestação de espíritos (EGUNS NO DIZER DOS CULTOS AFRO) para a caridade”.
Originariamente foram traçados planos para que três tipos de entidades pudessem se manifestar através de seus “médiuns” nas reuniões Umbandistas. Foram elas :
1) Crianças – Espíritos que teriam vivido e desencarnado nesta condição (EGUNS portanto) e que através de brincadeiras pudessem realizar trabalhos que trouxessem alegria, que despertassem o lado criança de todo ser humano – o lado puro (lembra-se do “Deixai vir a mim as crianças…?”).
2) Caboclos – Espíritos que teriam vivido ou não na condição de índios (portanto EGUNS) nos primórdios da civilização(?) imposta pelos portugueses. Essa caracterização coincide com a segunda fase do crescimento do ser humano encarnado, quando ele deixa a infância, atinge a adolescência e se torna um adulto. Nessa fase, o vigor, o destemor e até mesmo uma certa destemperança são comuns.
3) Pretos Velhos – Espíritos (EGUNS) que teriam vivido ou não na condição de escravos negros, também nos primórdios da tal “civilização” imposta. A caracterização revela a terceira fase da vida do ser humano na terra – a idade madura, que neste caso revelaria também um dos principais atributos
que o homem deveria estar lutando por alcançar : a sabedoria.
A sabedoria daqueles que muito viveram e por isto, muito têm a ensinar.
Observemos que no caso dos espíritos que se apresentam como crianças, não há alusão à raça ou cor (na verdade em se tratando de espíritos esta distinção realmente não existe), mas no caso de caboclos (índios) e pretos velhos (negros), as caracterizações envolvem distin-ção de raça. Por que isso ?
Na verdade, a Umbanda verdadeira nasceu entre os humildes, e os planos de seus organizadores, visava a homenagear essas duas raças ou grupos étnicos que foram e são até hoje tão discriminadas sofrendo tantas perseguições. Uma forma também de mostrar ao “civilizados brancos” que, fossem índios, pretos, amarelos, verdes ou de qualquer outro tipo, todos, indiscriminadamente, eram e são seres da criação, e portanto, após o desencarne, as classes sociais, as cores de pele e o possível poderio econômico deixam de existir, e as lições que o espírito tem de aprender estão muito mais relacionadas ao amor, ao desprendimento e à sabedoria.
O que um bom vidente poderá enxergar (se lhe for permitido), é que não raramente, sentado ali no toco, com ares de um humilde velhinho, não está apenas um ex-escravo, mas certamente um grande sábio (preto, branco, marrom etc.) exercitando uma característica que somente os iluminados alcançaram em sua plenitude : a humildade.
Mas aí você pensa: “Por que então toda essa palhaçada ?”
Preste atenção !
Quando o Comando Superior (nome que daremos temporariamente ao Conselho Espiritual que estabeleceu as normas da Umbanda) decidiu por essas caracterizações, visava :
a) Representar as três fases por que passa o ser encarnado durante sua estada na matéria.
b) Demonstrar que crianças não fazem distinção de cor, raça ou qualquer outra, superestimando umas e subestimando outras. São espíritos desprovidos de discriminações, por serem os mais puros, (ingênuos) ou mesmo porque esqueceram-se deste preconceito daninho por ocasião da reencarnação (Graças a Deus).
c) Mostrar àqueles (dentre os quais eu mesmo) que hoje se “vestem” com uma matéria de cor clara, que mesmo perseguidos, expulsos de sua terras e escravizados, índios e negros também são seres da criação e como tal devem ser respeitados porque todos, mesmo os menos civilizados (no entender dos brancos), têm muito para aprender e ensinar.
d) Mostrar que por ser a UMBANDA um movimento espiritual brasileiro, envolveu em suas caracterizações grupos étnicos que passaram por grandes sofrimentos aqui nessas terras.
e) Mostrar que o homem evolui verdadeiramente quando vivencia em todo o seu potencial, cada uma das três etapas de sua vida e chega à idade madura dono de seus pensamentos e atos, conseguindo alcançar a verdadeira sabedoria, o que envolve muito aprendizado e prática do autocontrole, pois na medida em que vai aprendendo o significado de sua existência, consegue olhar o mundo como expectador. E aí..!
f) Permitir a manifestação de entidades familiares e/ou até mesmo grandes personalidades (no caso de serem suficientemente humildes para se apresentarem na “roupagem fluídica” de um Caboclo ou Preto Velho) quando encarnados, sem que isso traga para os médiuns e possíveis assistentes alguma perturbação emotiva.
Na verdade, essas formas de se apresentarem algumas entidades na Linha de Umbanda, visam muito mais a proteger os encarnados das perturbações emotivas que seriam provocadas nas situações em que por exemplo o médium ou assistente descobre que uma entidade que está se apresentando em um determinado Terreiro é um parente próximo seu, ou mesmo a vaidade que brota na maioria dos médiuns quando a entidade incorporante se apresenta como alguém que teve na terra uma posição de destaque ou fama (um grande pintor ou músico, reis ou princesas, por exemplo).
Por parte da entidade que se manifesta, a obrigatoriedade da caracterização faz com que o espírito seja forçado a não revelar uma situação que viveu como encarnado, tenha ela sido boa ou ruim. Não importa o que ou quem foi. O que importa é a mensagem que traz, o trabalho que vem realizar em benefício de outrem e de sua própria evolução.
Em minhas peregrinações pelos mais diversos terreiros de Umbanda e até “Umbandomblé”, tive a oportunidade de presenciar curas “milagrosas” efetuadas por caboclos, pretos velhos e exús (há inclusive alguns bons livros que descrevem vários tipos de trabalhos realizados nesse sentido) sem que nenhum deles tivesse se identificado como Dr. “esse” ou “aquele”. Seguindo a linha da HUMILDADE exigida pela Umbanda, todos se apresentaram de acordo com as características que adotaram desde o início de seus trabalhos. Até porque, se esses espíritos se apresentassem como Dr. ‘esse” ou “aquele”, estariam se referindo a condições que tinham quando encarnados (na melhor das hipóteses), o que fatalmente demonstraria o quanto ainda estão apegados ao mundo material e às distinções sociais que ele impõe.
Raciocine comigo : De que valem os títulos obtidos na terra após o desenlace ? Aliás, quais serão os reais valores de certos títulos auferidos a tantas e tantas pessoas que já passaram e que ainda estão por aqui ? Será que um Doutor será mais bem visto aos olhos de Deus do que aquele que não conseguiu sequer aprender a ler ? Haveria justiça Divina caso isso fosse verdade ? Ou será que essa distinção só é válida aqui no Plano Terra onde os valores estão proporcionalmente ligados à situação financeira e/ou social de cada um ?
Raciocinou ?
Vamos reforçar seu raciocínio !
Se títulos e posição social fossem valores espirituais levados em conta pelo Criador, o próprio Jesus, considerado até mesmo Deus por muitos, deveria ter nascido em berço de ouro ou ter almejado durante sua breve estada na matéria, pelo menos algum cargo político de realce, não acha? E foi isso que se deu? Foi isso o que ele pregou?
Neste ponto eu torno a lembrar que, se você ainda está arraigado a conceitos e preconceitos, medos etc, não é bom que leia este BLOG, pois vamos abordar assuntos realmente polêmicos à luz da lógica e não de ERÓS ou DOGMAS. Nossa idéia é realmente tentar explicar esses “segredos” velados à luz pela ignorância e medo. Se você não se sentiu à vontade quando leu nossa primeira abordagem ao mito Jesus Cristo, então não leia o que vem pela frente. Você não está preparado(a).

Umbanda é uma religião formada dentro da cultura religiosa brasileira que sincretiza vários elementos, inclusive de outras religiões como o catolicismo, o espiritismo e as religiões afro-brasileiras. A palavra umbanda deriva dem’banda, que em quimbundo significa “sacerdote” ou “curandeiro”.[1]

Os conceitos aqui relatados podem diferir em alguns tópicos por se tratar de uma visão generalista e enciclopédica. Por se tratar de um conjunto religioso com várias ramificações, as informações aqui expostas buscam informar aos leitores da forma mais abrangente possível e sem discriminação ou preconceitos, pois todas as “umbandas” têm suas razões de existir e de serem cultuadas.

História

As raízes da umbanda são difusas. Segundo os umbandistas, ela foi criada em 1908 pelo Médium Zélio Fernandino de Moraes, sob a influência do Caboclo das Sete Encruzilhadas.[2]

Antes disso, já havia, de fato, o trabalho de guias (pretos-velhos, caboclos, crianças), assim como religiões ou simples manifestações religiosas espontâneas cujos rituais envolviam incorporações e o louvor aos orixás. Entretanto, foi através de Zélio que organizou-se uma religião com rituais e contornos bem definidos à qual deu-se o nome de umbanda.

Nesta época, não havia liberdade religiosa. Todas as religiões que apontavam semelhanças com rituais afros eram perseguidas, os terreiros destruídos e os praticantes presos.

Em 1945José Álvares Pessoa, dirigente de uma das sete casas de umbanda fundadas inicialmente pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, obteve junto ao Congresso Nacional a legalização da prática da umbanda.

A partir dai, muitas tendas cujos rituais não seguiam o recomendado pelo fundador da religião, passaram a dizer-se umbandistas, de forma a fugir da perseguição policial. Foi aí que a religião começou a perder seus contornos bem definidos e a misturar-se com outros tipos de manifestações religiosas. De tal forma que hoje a umbanda genuína é praticada em pouquíssimas casas.

Hoje, existem diversas ramificações onde podemos encontrar influências que utilizam a palavra umbanda, como as indígenas (Umbanda de Caboclo), as africanas (Umbandomblé, Umbanda traçada) e diversas outras de cunho esotérico (Umbanda Esotérica, Umbanda Iniciática). Existe também a “Umbanda popular”, onde encontraremos um pouco de cada coisa ou um cadinho de cada ancestralidade, onde o sincretismo (associação de santos católicos aos orixás africanos) é muito comum.

Fundamentos

Os fundamentos da umbanda variam conforme a vertente que a pratique.

Existem alguns conceitos básicos que são encontrados na maioria das casas e assim podem, com certa ressalva e cuidado, ser generalizados para todas as formas de umbanda. São eles:

  • A existência de uma fonte criadora universal, um Deus supremo, chamado Olorum. Algumas das entidades, quando incorporadas, podem nomeá-lo de outra forma, como por exemplo Zambi para pretos-velho, Tupã para caboclos, entre outros, mas são todos o mesmo Deus;
  • A obediência aos ensinamentos básicos dos valores humanos, como: fraternidade, caridade e respeito ao próximo. Sendo a caridade uma máxima encontrada em todas as manifestações existentes;
  • O culto aos orixás como manifestações divinas (alguns umbandistas cultuam a chamada umbanda branca ,esta no entanto não cultua os orixás, sendo unicamente voltada ao culto se caboclos, pretos velhos e crianças), em que cada orixá controla e se confunde com um elemento da natureza do planeta ou da própria personalidade humana, em suas necessidades e construções de vida e sobrevivência;
  • A manifestação dos Guias para exercer o trabalho espiritual incorporado em seus médiuns ou “aparelhos”;
  • O mediunismo como forma de contato entre o mundo físico e o espiritual, manifesta de diferentes formas;
  • Uma doutrina, uma regra, uma conduta moral e espiritual que é seguida em cada casa de forma variada e diferenciada, mas que existe para nortear os trabalhos de cada terreiro;
  • A crença na imortalidade da alma;
  • A crença na reencarnação e nas leis cármicas;

Um Deus único e superior

Deus, em sua benevolência e em sua força emana de si e através dos orixás e dos guias (espíritos desencarnados) seu amor, auxiliando os homens em sua caminhada para a elevação espiritual e intelectual.

Orixás

Os orixás são manifestações do Grande Deus Olorum. Orisha é uma palavra yoruba para designar um ser sobre-humano, ou um deus.[3]Todo o universo surge de Olorum através das radiações que são individualizadas e personificadas em orixás. Essas radiações são personificadas de formas diferentes nos diversos terreiros – depende da influência histórica que cada um sofreu. A radiação (vibração da água) pode ser relacionada apenas a Iemanjá, mas pode ser subdividida em Oxum: água doce, Nanã: pântano e Iemanjá: mares. Ocorre semelhante com Ossain e Oxóssi.

Muitos escritores da umbanda relacionam as Sete Linhas aos Orixás, outros preferem relacionar as Sete Linhas com as vibrações e não diretamente a orixás, já que eles são mais de sete.

Os orixás não são originários da umbanda, muito antes eles já eram reverenciados nas terras africanas por diversas tribos. Muitos deles não se tornaram conhecidos aqui no Brasil, e até mesmo nas tribos africanas cada uma possuía seu orixás e desconhecia outros que eram cultuados em tribos diferentes.

Quando começou o tráfico de escravos, muitos negros de tribos diferentes foram vendidos juntamente, desta maneira os diversas orixás de tribos distantes se encontraram em terras brasileiras e formaram o grande panteão do Candomblé. Notadamente a nação que mais influenciou foi a Iorubá.

Nesta visão ainda própria dos ritos tribais, o orixá era um ancestral que todos tinham em comum. Geralmente era considerado como o próprio fundador da tribo e deixava grande influência por suas características incomuns de liderança, poderes espirituais e grande habilidade de caça. A tribo tinha no orixá um símbolo da união, pois todos eram filhos diretamente desse grande ancestral; com isso surge o termo Orixá histórico – realmente um rei, rainha, feiticeiro, guerreiro que existiu.

No nascimento do Candomblé, os homens passaram a ser filhos espirituais dos orixás, pois a relação de ancestralidade que existia na tribo não se confirmava mais na nova realidade da América. A partir da umbanda se configura a uma nova visão: o Orixá Cósmico. O orixá, pela cosmogonia umbandista, nunca viveu na terra, ele é muito mais que o espírito desencarnado de um homem; Toda criação é o resultado do trabalho harmônico dos orixás, espíritos elevadíssimos, verdadeiros arquitetos e mantenedores da criação. [4]

Sincretismo

A umbanda é uma junção de elementos africanos (orixás e culto aos antepassados), indígenas (culto aos antepassados e elementos da natureza), Catolicismo (o europeu, que trouxe o cristianismo e seus santos que foram sincretizados pelos Negros Africanos), Espiritismo(fundamentos espíritas, reencarnação, lei do carma, progresso espiritual etc).

A umbanda prega a existência pacífica e o respeito ao ser humano, à natureza e a Deus. Respeitando todas as manifestações de fé, independentes da religião. Em decorrência de suas raízes, a umbanda tem um caráter eminentemente pluralista, compreende a diversidade e valoriza as diferenças. Não há dogmas ou liturgia universalmente adotadas entre os praticantes, o que permite uma ampla liberdade de manifestação da crença e diversas formas válidas de culto.

A máxima dentro da umbanda é “Dê de graça, o que de graça recebestes: com amor, humildade, caridade e fé”.

Mantém-se na umbanda o sincretismo religioso com o catolicismo e os seus santos, assim como no antigo Candomblé dos escravos, por uma questão de tradição, pois antigamente fazia-se necessário como uma forma de tornar aceito o culto afro-brasileiro sem que fosse visto como algo estranho e desconhecido, e, portanto, perseguido e combatido.

Há discordância sobre as cores votivas de cada orixá conforme o local do Brasil e a tradição seguida por seus seguidores. Da mesma forma quanto ao Santo sincretizado a cada orixá.

Alguns exemplos:

O culto umbandista

A umbanda tem como lugar de culto o templo, terreiro ou Centro, que é o local onde os Umbandistas se encontram para realização do culto aos orixás e dos seus guias, que na umbanda se denominam giras.

O chefe do culto no Centro é o Sacerdote ou Sacerdotisa (pode ser Babá, Zelador, Dirigiente, Diretor(a) de culto, Mestre(a), sempre dependendo da forma escolhida por cada casa). São os médiuns mais experientes e com maior conhecimento, normalmente fundadores do terreiro. São quem coordenam as sessões/giras e que irão incorporar o guia-chefe, que comandará a espiritualidade e a materialidade durante os trabalhos.

Vale lembrar que o termo pai-de-santo ou mãe-de-santo podem ser aplicados na umbanda.

Como uma religião espiritualista, a ligação entre os encarnados e os desencarnados se faz por meio dos médiuns.

Na umbanda existem várias classes de médiuns, de acordo com o tipo de mediunidade.

Normalmente há os médiuns de incorporação, que irão “emprestar” seus corpos para os guias e para os orixás.

Há também os atabaqueiros, que transmitem a vibração da espiritualidade superior por via dos atabaques, criando um campo energético favorável à atração de determinados espíritos, sendo muitas vezes responsáveis pela harmonia da gira.

Há os Corimbas, que são os que comandam os cânticos e as cambonas que são encarregadas de atender as entidades, provisionando todo o material necessário para a realização dos trabalhos.

Embora caiba ao sacerdote ou à sacerdotisa responsável o comando vibratório do rito, grande importância é dada à cooperação, ao trabalho coletivo de toda a corrente mediúnica.

Segundo a umbanda, as entidades que são incorporadas pelos médiuns podem ser pretos-velhoscaboclosboiadeirosmineiroscrianças,marinheirosciganosbaianosorientaisxamãs e exus.

As sessões de Umbanda

O culto nos terreiros é dividido em sessões de desenvolvimento e de consulta, e essas, são subdivididas em giras.

Nas sessões de consulta, onde comumente podemos encontrar Pretos-Velhos, Caboclos, Ciganos… As pessoas conversam com as entidades a fim de obter ajuda e conselhos para suas vidas, curas, descarregos, e para resolver problemas espirituais diversos.

As ocorrências mais comuns nessas sessões são o “passe” e o[descarrego na umbanda|descarrego].

No passe, a entidade reorganiza o campo energético astral da pessoa, energizando-a e retirando toda a parte fluídica negativa que nela possa estar.

O descarrego é feito com o auxílio de um médium, o qual irá captar a energia negativa da pessoa e a transferir para os assentamentos ou fundamentos do terreiro que contém elementos dissipadores dessas energias. Também a entidade faz com que essa energia seja deslocada para o astral. Caso seja um obsessor, o espírito obsediador é retirado e encaminhado para tratamento ou para um lugar mais adequado no astral inferior caso ele não aceite a luz que lhe é dada. Nesses casos pode ser necessária a presença de um ou mais [Exu de umbanda|Exus] (um gênero de espírito desencarnado) para auxiliar a desobsessão.

Nos dias de consulta há o atendimento da assistência e nos dias de desenvolvimento há as giras médiunicas, que são fechadas à assistência, onde os sacerdotes educam e ensinam os mecanismos próprios da mediunidade.

Médiuns

Médium é toda pessoa que, segundo a Doutrina Espírita, tem a capacidade de se comunicar com entidades desencarnadas ou espíritos, seja pela mecânica da incorporação, pela vidência (ver), pela audiência (ouvir) ou pela psicografia (escrever movido pela influência de espíritos).

A umbanda crê que o médium tem o compromisso de servir como um instrumento de guias ou entidades espirituais superiores. Para tanto, deve se preparar através do estudo, desenvolvendo a sua mediunidade, sempre prezando a elevação moral e espiritual, a aprendizagem conceitual e prática da umbanda, respeitar os guias e orixás; ter assiduidade e compromisso com sua casa, ter caridade em seu coração, amor e fé em sua mente e espírito, e saber que a umbanda é uma prática que deve ser vivenciada no dia-a-dia, e não apenas no terreiro.

Uma das regras básicas da umbanda é que a mediunidade não deve ser vista ou vivenciada vaidosamente como um dom ou poder maior concedido ao médium, mas sim como um compromisso e uma oportunidade que lhe foi dada para resgate kármico e expiação de faltas pregressas antes mesmo da pessoa reencarnar. Por isso não deve ser encarada como um fardo ou como uma forma de ganhar dinheiro, mas como uma oportunidade valiosa para praticar o bem e a caridade.

Existem médiuns que acabam distorcendo o verdadeiro papel que lhes foi dado e se envaidecem, agindo de forma leviana em suas vidas. O médium deve tangir sua vida como sendo um mensageiro de Deus, dos orixás e guias. Ter um comportamento moral e profissional dignos, ser honesto e íntegro em suas atitudes, pois do contrário acaba atraindo forças negativas, obsessores ou espíritos revoltados que vagam pelo mundo espiritual atrás de encarnados desequilibrados que estejam na mesma faixa vibracional que eles. Por isso, desenvolver a mediunidade é um processo que deve ser encarado de forma séria e regido através de um profundo estudo da religião, e seguido por conceitos morais e éticos. Ser orientado e iniciado por uma casa que pratica o bem é essencial.

As pessoas que são médiuns devem levar sempre a sério sua missão, ter muito amor e dar valor ao que fazem, tendo sempre boa-vontade nos trabalhos de seu terreiro e na vida diária.

O médium deve tomar, sempre que necessário, os banhos de descarrego adequados aos seus orixás e guias, estar pontualmente no terreiro com sua roupa sempre limpa, conversar sempre com o chefe espiritual do terreiro quando estiver com alguma dúvida, problema espiritual ou material.

Sobre o estudo da mediunidade e do médium, pode-se utilizar como fonte para estudos a relação que existe abaixo, no item “Literatura Umbandista”.

Alguns terreiros utilizam-se das obras Espíritas (codificadas por Allan Kardec), mas a maioria segue as orientações da literatura umbandista que é prolífica nas discussões teóricas e nas orientações práticas. Há livros umbandistas a partir da década de 1930.

As Linhas da Umbanda Sagrada

Linha Sentido Orixá Positivo Orixá Negativo Sentimento
Cristalina Oxalá Oyá Religiosidade
Mineral Amor Oxum Oxumaré Concepção
Vegetal Raciocínio Oxossi Obá Conhecimento
Ígnea Razão Xangô Iansã Justiça
Eólica Equilíbrio Ogum Egunitá Lei
Telúrica Saber Obaluaiê Nanã Evolução
Aquática Geração Iemanjá Omulu Maternidade

Atente-se que este panteão é próprio à Umbanda direcionada por Rubens Saraceni, havendo inconsistências em relação a outras escolas. Por exemplo, ao passo que, tradicionalmente, Oyá, Iansã e Egunitá são um mesmo Orixá, o autor o dissocia em três divindades separadas.

Polêmicas dentro das “umbandas”

Sacrifício ritual de animais

Existem várias ramificações dentro da Religião de umbanda. Entretanto apenas algumas linhas de umbanda se usa o sacrifício de animais, como em Almas e Angola.

Esta prática está ligada a algumas linhas que ainda cultuam junto com a umbanda alguns rituais de religiões afro-brasileiras.

Uso de bebidas alcoólicas

Também encontramos terreiros dos seguintes tipos:

  • Os que as entidades incorporadas não usam bebidas (muitas vezes por questão do próprio médium não estar preparado para este tipo de trabalho com bebida) criando uma espécie de tabu;
  • Os que elas bebem durante os trabalhos (tanto os que fazem o uso correto deste elemento, como os que abusam);
  • Os que usam bebida em situações mais veladas (existindo um certo rigor quanto a sua utilização, buscando coibir abusos de médiuns ainda em preparação).

Toda essa controvérsia é gerada pelo uso que as pessoas fazem das bebidas alcoólicas na vida diária, muitas vezes caindo no vício do alcoolismo, trazendo consequências graves para sua vida material e espiritual.

Ocorre que médiuns predispostos ao vício podem, ao invés de atraírem espíritos de luz, afinizarem-se com espíritos de viciados que já morreram – esses espíritos serão obsessores dessa pessoa, uma vez que ela satisfaz seus desejos materialistas. Note-se que o álcool é um elemento usado na magia para trabalhos para o bem; abusos nunca são tolerados e exibicionismo não são sinais de incorporações de luz.

Existem casas que, por ordem do mentor espiritual, nunca usaram ou deixaram de utilizar o fumo, assim como a bebida alcoólica, sem que por isso, tivessem qualquer problema com as entidades que, por ventura, utilizavam esses elementos. Afinal, os espíritos podem se adaptar e mudar a forma de trabalhar de acordo com o fundamento de cada instituição.

É importante ressaltar, ainda, que quanto menos o espírito utilizar materiais terrenos melhor. Eles podem trabalhar com elementos bastanteetéreos e tão eficazes quanto os fluidos do próprio médium.

Paramentos

Na umbanda, os médiuns usam normalmente como paramentos apenas roupas brancas, podendo estar os pés descalços, representando a simplicidade e a humildade.

Mas há umbandas que também utilizam roupas com as cores de cada linha. Por exemplo, em giras de Ogum se utiliza camisas ou batas vermelhas e calças e saias brancas.

Nas giras de esquerda as roupas são pretas, sendo que as filhas de santo podem se vestir de vermelho e preto.

Pode ocorrer, por exemplo, que uma entidade de Preta-velha solicite uma saia ou um lenço para amarrar os cabelos; isso visa a proporcionar que o médium se pareça mais com a entidade que está incorporando.

Também há os apetrechos dos guias. Por exemplo, os Caboclos costumam utilizar cocares, alguns utilizam machadinhas de pedra, chocalhos, etc.

Uma outra visão sobre os paramentos e apetrechos materiais utilizados pelos médiuns é de que são usados pelos espíritos como condensadores de energia: um modo de concentrar a energia e depois enviá-la, se positiva, ou dissipá-la no elemento apropriado, quando negativa.


UMBANDA

Entender os termos da Umbanda

ABC DE UMBANDA

 

1-O que é um Orixá?

São divindades africanas directamente relacionadas às forças da natureza. Seriam as falanges específicas que trabalham especializadas em determinado meio, como mar, céus, plantas, etc.…

 Um Orixá é um regente de uma das forças do mundo material, sempre abaixo de Olórum, o Deus Supremo.

 Fala-se, também, que seriam antigos governantes africanos tornados deuses após a morte.

 Na África, há em torno de 600 Orixás. No Candomblé, 16. Na Umbanda, seis (mais Yorimá).

2. O que é Candomblé?

É uma religião de origem africana, com seus rituais e sacrifícios, que cultua Orixás, Voduns e Inkices, dependendo das diversas Nações de que se compõe, a saber: Ketu, Jeje, Mina-Jeje, Fon, Ijexá, Nagô-Vodun – estas de origem sudanesa – e Angola, Congo e Muxicongo – de origem bantu.

3. O que é Nação?

É uma das diversas nações africanas que vieram ao Brasil no tempo da escravidão. Há a Sudanesa (Nagô, Jeje, Jeje-Nagô, Mina-Jeje, Muçurumin) e a Bantu (Angola, Congo, Angola-Congo). Pode designar, no Rio Grande do Sul, o Candomblé local, conhecido também como Batuque.

 4. O que é Umbanda?

Surgiu em 1908, no Brasil. Grosso modo, seria a mistura do culto angola-congo (misturado com o nagô), noções de Espiritismo, esoterismo, pajelança e até mesmo budismo. Umbanda quer dizer “Arte de Curar” ou “Magia”.

 5. O que é Quimbanda?

São assim chamados, pelos umbandistas, todas aquelas casas (terreiros, centros), trabalhadores ou falanges que trabalham com a magia negra, ou seja, “fazendo o mal”. A Quimbanda possui sete falanges (linhas) diferentes das da Umbanda, que trabalham muito com os Exus e Omolu.

 6. O que é um Orixá de Cabeça?

O mesmo que Orixá de Frente. No Brasil, costuma-se dar uma pessoa a dois Orixás, normalmente formando casais, sem ser, com isso, regra. Em certos cultos, adoptam-se três Orixás, os demais seriam conhecidos como “passagens”, exercendo menor influência. O Orixá de Cabeça corresponde à energia básica, fundamental, de um indivíduo, dando-lhe características mais marcantes em sua personalidade.

O segundo é o Ajuntó, de características mais sutis, muitas vezes amenizando o carácter do Orixá de Cabeça, que poderá Ter o caráter arrebatado por ser jovem e guerreiro. O terceiro seria o Orixá de Herança, que acompanha a família por algumas gerações.

 

7. Quais os Orixás que combinam entre si?

Varia muito de lugar para lugar, sendo vistos no jogo de búzios. Para alguns cultos e nações, o Orixá Exu apenas se combina com um tipo de Ogum, ou Oxalá apenas com Iemanjá e um tipo de Oxum.

 

8. O que é pemba?

Em sua origem, é um calcário extraído da terra, cuja finalidade é riscar os pontos que identificam a linha vibratória da entidade. Há de diversas cores. A mais comum é a branca, que serve para todos, pertencente a Oxalá.

 

9. Quais são as leis de Umbanda?

São 10 os princípios básicos que regem a Umbanda:

 

9.1 Crença em um Deus único, omnipotente, eterno, incriado, potência geradora de todo o Universo material e espiritual, adorado sob vários nomes.

9.2 Crença em entidades superiores: Orixás, anjos e santos que chefiam falanges.

9.3 Crença em guias, em planos médios, mensageiros dos Orixás, anjos e santos.

9.4 Existência da alma e sua sobrevivência após a morte.

9.5 Prática da caridade desinteressada, na busca de aliviar o carma do médium.

9.6 Lei do Livre-Arbítrio (da livre escolha), pela qual cada um escolhe fazer o bem ou o mal, e o ser humano afiniza com sua faixa vibratória e a do ambiente que o cerca.

9.7 O ser humano é a síntese do Universo.

9.8 Crença na existência de vida inteligente em todo o Universo, vivendo e habitando.

9.9 Crença na reencarnação, na lei cármica de causa e efeito.

9.10 Direito de liberdade de todos os seres.

 

10. O que é reencarnação?

A crença no renascimento do espírito em um novo corpo, em eterno aprimoramento e evolução. Eterno porque perfeito é apenas Deus, pois, se não, já haveria muitos Deuses na Criação.

Não se aceita a metempsicose (a reencarnação de um homem em corpo de um animal), pois haveria o retrocesso no aprendizado em determinado momento da evolução de cada indivíduo.

 

11. O que é a Lei de Causa e Efeito?

Todo efeito tem uma causa, assim como todo o malfeito é atraído de volta por sintonia fluídica, assim como o bem. Devemos entender que as pessoas são como ímãs que se atraem por afinidade de idéias e ambientes. É o popular “Colhe-se o que se planta” ou “Dize-me com quem andas e te direi quem és”.

 

12. O que é Chacra?

São os locais de concentração de magnetismo no corpo, onde se aglomera os centros nervosos do corpo humano.

 

13. O que são as Linhas Auxiliares?

Como o nome diz, são os auxiliares dos guias. Normalmente, são os espíritos que tiveram sua última reencarnação em período mais actual. Os marinheiros actuam na Linha das Águas, como activos auxiliares nos tratamentos de purificação, tais como vícios de qualquer espécie. Os baianos são o elo de ligação dos guias à Terra. Os boiadeiros cuidam da harmonia entre os médiuns durante os trabalhos.

 

14. O que são os boiadeiros?

Entidades responsáveis pelo bom andamento dos trabalhos e por tornar o grupo mediúnico harmonizado entre si. São conhecidos também por oguns, guardiões, vigilantes (dentro da literatura espírita, vistos em Nosso Lar, de André Luiz e outros).

 

15. O que é um ponto riscado?

Já vimos que o ponto cantado auxilia na sintonia mental com a linha vibratória que estamos invocando. O ponto riscado identifica a origem da entidade, quais os seus domínios e a quem é subordinada. Risca-se com a pemba.

 

16. Orixá é entidade?

Segundo os pesquisadores, não. Um Orixá é energia vinda de um elemento primordial. Existem entidades que trabalham com essas energias e são especializadas nelas. São com tais energias que os umbandistas trabalham. Assim, mesmo que a entidade se identifique como Oxóssi ou Odé, não é o Orixá em si, mas está se identificando em sua linha vibratória. Isso explica porque pode, em um mesmo trabalho ou simultaneamente em vários locais, haver entidades com o mesmo nome.

 

17. Existem proibições alimentares a filhos do mesmo santo?

Por uma questão de formação básica dos corpos, de afinidade das entidades, as proibições existem. Daí os africanos criarem as muitas lendas, tão conhecidas no Candomblé. Os filhos de Oxalá, tenho visto, têm verdadeira indigestão com o azeite-de-dendê. As entidades chamadas do Oriente detestam quando seus médiuns ingerem, no dia de trabalho, carnes vermelhas e alimentos picantes, sob a explicação do excesso de fluidos pesados que ficam no corpo do médium, sendo necessárias verdadeiras limpezas espirituais e físicas, antes da incorporação.

 

18. Umbanda é religião cristã?

Em seus princípios (leis de Umbanda), há a crença em um Deus único e a caridade desinteressada, visto nos mesmos princípios do Evangelho de amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Jesus, por sua vez, ocupa seu lugar nas preces como o divino coordenador ou mesmo na figura excelsa de Oxalá, sendo Deus, Ifá (1). Por que, então, não considerá-la cristã?

 

19. O que são quiumbas?

Seriam os espíritos de mortos sem luz ou esclarecimento, escravizados pelos seus próprios sentimentos em grande ódio e revolta. São as levas de obsessores existentes na espiritualidade, que induzem idéias maléficas aos vivos, apreciam fingir que são entidades iluminadas, quando não o são. Da mesma forma, são os verdadeiros executantes da magia negra e os vampiros do astral.

 

20. E os mortos?

Não são Orixás, podendo se tornar um guia, Exu, auxiliar ou anjo, de acordo com sua elevação espiritual. São chamados de Eguns.

 

(1) Ifá, segundo os mitos, teria sido o primeiro babalaô (adivinho) e é confundido com a própria figura de Orunmilá, por alguns autores.

Para outros, Orunmilá seria Deus. Na realidade, Deus é conhecido como Olodumare ou Olorum (na mitologia iorubá) ou ainda Zambi (na mitologia banto). Orunmilá é um Orixá/Imolê da categoria dos funfun (Orixás brancos).(Nota da autora).

 

21. O que é amaci?

Banho purificatório na cabeça, feito com folhas, flores, mel,  perfumes e outros, de acordo com orientação dada pelo diretor dos trabalhos. Sua finalidade é auxiliar na incorporação e assentar” a mão do guia espiritual.

 

22. O que é amuleto e talismã?

Nada mais é do que um objecto magnetizado. O amuleto serve para afastar fluidos pesados, alguns exemplos são: medalhas, figuras, imagens, inscrições ou objectos variados. O talismã serve para atrair bons fluidos. O patuá seria um dos mais populares amuletos, feito com material preparado, costurado em tecido, sob a forma de saquinhos, papel, etc.

 

23. O que é Aruanda?

Lugar onde moram os Orixás e as entidades superiores. No Catolicismo é o Céu. No Espiritismo são as colónias espirituais.

 

24. O que é uma oferenda?

Na Umbanda trabalha-se com os quatro elementos da Natureza: água, fogo, terra e ar, como matéria-prima básica. Manejados convenientemente, por entidades especialistas, promovem o equilíbrio, o descarrego, a harmonia. Na Umbanda, em respeito à Natureza, nada pode ser retirado sem uma restituição ao elemento básico. Muitas vezes, ao entregar-se determinada oferenda, por afinidade fluídica, a mesma fica saturada dos fluidos densos retirados do solicitante, pelas entidades. Assim, os Exus utilizam o álcool com fins de evitar os vícios no médium; o dendê, para evitar a desordem psíquica; a farofa, para trazer bens materiais (alimentação); a pipoca, para atrair doenças cármicas dirigidas ao médium.

 

25. Existe o feitiço?

Infelizmente, sim. São trabalhos feitos pela quimbanda com fins de prejudicar alguém, perfeitamente lógicos, dentro do ponto de vista magnético.

 

26. Pode-se evitar o feitiço?

Já vimos no conceito de magnetismo que, dependendo da sintonia que vibre em cada um, pode-se assimilar o feitiço ou não. Nesses casos, quando a pessoa tem “um santo forte”, ou seja, vibra em frequência mais elevada, a onda do mal emitida tende a ricochetear e, muitas vezes, retorna a quem o emitiu, que, na realidade, vibra nessa faixa, pelo simples fato de Ter desejado o mal.

 

27. Qual o valor das palavras na Umbanda?

A palavra, no Antigo Egipto, era sinónimo de criação. Tanto é verdade, que uma palavra exprime uma idéia. Uma idéia, um pensamento. E um pensamento é onda que é emitida. Daí usar-se algumas palavras que exprimem complexos sentimentos carregados de amor, nos trabalhos de Umbanda. São os conhecidos mantras, na Índia.

 

28. O que é um ritual?

É um processo gradativo, onde se utilizam acessórios, os mais diferentes possíveis, até ser atingido o clímax desejado. Na verdade, assemelha-se a uma subida em uma escada, degrau a degrau, frequência a frequência, até a sintonia com as falanges desejadas, cujos objectivos podem variar sobremaneira.

 

29. Existe maldição ou praga?

Seria a mesma explicação dada na questão 27. As famosas pragas de mãe e madrinha nada mais são que palavras emitidas com poderoso influxo magnético acolhidas e re-alimentadas por quem as recebe, em baixo padrão vibratório. Como todas as coisas já vistas, o que pode repelir todas as coisas dirigidas ao mal é a elevação do pensamento, do teor vibratório, rechaçando por não afinidade magnética.

 

30. Há nomes que não devem ser ditos na Umbanda?

No Candomblé, o nome Xapanã, por exemplo, não deve ser pronunciado. No Sul do país popularizou-se, inclusive, abafando os nomes de Omolu e Obaluaiê, comuns no resto do país. Cada letra possui um som. Cada som produz uma frequência. A soma das letras produz um nome que poderá, ou não formar uma melodia harmoniosa do ponto de vista espiritual. Todavia, antes de mais nada, não produz efeitos desastrosos se comparados ao teor de pensamento que exprime a palavra.

 

31. Por que é tão comum colocar-se, na magia negra, objectos dentro de colchões, travesseiros, cobertas ou escondidos dentro das casas?

No primeiro caso, na tentativa de o objecto magnetizado ficar, o maior tempo possível, em contacto com a pessoa visada. No segundo, para continuar irradiando, o maior tempo possível, sem ser descoberto no ambiente.

  

32. O pensamento tem cor?

Por incrível que pareça, tem. Segundo Ramatis: “A qualidade do pensamento determina-lhe a cor; a natureza do pensamento compõe-lhe a forma; e a precisão do pensamento determina-lhe a configuração exata”. (Magia de Redenção, página 64, citado na bibliografia). Dependendo da intensidade do mesmo, podem-se criar as conhecidas formas-pensamento, citações estas com volume, cor, som, verdadeiros marionetes espirituais de quem os criou. Na maioria das vezes, exprimem o verdadeiro interior de cada um, visíveis pelos guias que as analisam. São percebidas, também, pelos médiuns videntes e, muitas vezes, confundidas com entidades.

 

33. Por que é tão comum despachar-se objectos em água corrente?

Sabemos que a água é um dos mais poderosos elementos da natureza, no que se refere a sua capacidade de excelente condutor de electricidade e fluidos quaisquer, sendo um poderoso solvente. Ao atirar-se o objecto saturado, a água de imediato absorve esse teor magnético, levando-o para longe do enfeitiçado (ou aquele que quer desvincular-se de objectos imantados). Assim, quebra os vínculos que antes existiam, por proximidade ou assimilação do dono.

 

34. E água fluida?

É digna de um livro sobre o assunto, tal sua complexidade e utilização. Já vimos que a água é um solvente magnífico, por sua formação molecular e magnética de elevado poder. É usada amplamente pelos marinheiros no tratamento de perturbações psíquicas e vícios. A água fluida nada mais é do que um veículo preparado com elementos espirituais e da natureza, saturada por hábeis manipuladores do astral, com fins terapêuticos. Pessoalmente, já tive a oportunidade de acompanhar os trabalhos de um preto-velho que, preparando vidros de água fluida, curou indivíduos minados de vícios de toda a espécie.

 

35. E o Sol? Por que há trabalhos antes e depois do entardecer?

A vida terrestre gira em torno do Sol. Sua radiação magnética de calor e luz são conhecidas. As de carácter espiritual, muito pouco. São nesses horários, antes e depois do pôr-do-sol que observamos a maior intensidade de raios infravermelhos (verdes, no plano espiritual) capazes de dissolver, especialmente, as formas nocivas de trabalhos dirigidos ao mal.

 

36. Por que se utilizam de unhas e cabelos da vítima em trabalhos?

São os conhecidos “endereços-vibratórios”, tão citados em obras. Por trazerem em si idêntico magnetismo da pessoa visada, servem, no plano espiritual, como verdadeiro roteiro para encontrá-la. Um exemplo são os médiuns que, tocando objectos pertencentes a alguém, localizam vítimas, locais, ou descrevem o portador com detalhes, o que fazia e sentia.

 

37. E as benzeduras?

Nada mais são do que passes magnéticos. Nossos pretos-velhos eram eficazes, assim como nossos índios. Utilizam-se de metais (tesouras, facas, excelentes condutores de electricidade), água, ervas, saliva, etc. como condutores desse magnetismo curativo.

 

38. E os quebrantos? O olho-grande ou gordo?

Funcionam similar às pragas. Há pessoas que, de baixo teor espiritual e magnético, emitem algumas sem o desejar, poderosos feixes de carácter nocivo, capazes de matar plantas, animais ou causar mal-estar em pessoas. Desde criança ouvia uma história de um galo, muito bonito, vítima desse tipo de enfeitiçamento verbal, morto imediatamente após Ter sido emitido pela pessoa que o admirou.

 

39. E as figas, cruzes, elefantes de gesso e outros?

Objectos os mais variados possíveis em todo o mundo, tornam-se populares como “quebradores” de olho-grande. Ao serem colocados em locais visíveis, alguns preparados para dissolver descargas negativas, são a primeira coisa a ser vista por aqueles portadores desse tipo de magnetismo pesado, recebendo, em primeiro lugar, a descarga do mesmo. Ou seja, viram objectos de “descarrego” da limpeza, absorvendo ou dissolvendo tais vibrações na entrada das residências.

Todos esses objectos e práticas auxiliam muito como paliativos, no teor magnético existente nas casas. Todavia, o mais importante é o tipo de ambiente que é criado pelas mentes que ali habitam. Se não, tornam-se inúteis ou de muito baixa influência.

 

40. Por que se sintam as figas de vermelho e outros objectos, na Umbanda?

Na escala de cores, cada qual possui uma frequência específica. O vermelho, entre as cores visíveis por nossos olhos, possui a mais baixa, de teor mais pesado, em comparação com as demais. As entidades das zonas umbralinas, do “inferno”, como são chamadas essas regiões no plano astral, costumam vestir-se de vermelho, cor enervante, sanguínea, que exprime as paixões inferiores, como nos cita André Luiz, na obra Libertação. Dentre as cores, misturadas, é a que primeiro chama a atenção, tal qual um perfume forte. Daí ser escolhida para trabalhos ou usada pelas entidades que se utilizam dos fluidos mais pesados, como vestuário, na espiritualidade.

 

41. E os objectos de cera, e as velas?

A cera natural, vinda das abelhas, é impregnada dos fluidos existentes nas flores, em grande quantidade.

Este elemento, vindo da natureza, é utilizado na prática do bem e do mal como matéria prima poderosa para somar-se com os teores dos pensamentos, tornando eficaz o trabalho e o objectivo ao qual se propõe. Comparada a uma bateria, uma pilha natural, a cera sempre foi utilizada em larga escala na magia.

 

42. E a vela?

É considerada, na espiritualidade, como uma das melhores oferendas por Ter, em sua formação, os quatro elementos da natureza activos, desprendendo energia. O fogo da chama, a terra (através da cera), o ar aquecido queimando resíduos espirituais.

O umbandista não deve, jamais, retirar nada da natureza sem deixar, ao menos, uma vela para repor aos elementais o fluido retirado do seu ambiente, em profundo respeito à criação divina.

 

43. E os elementais?

Sem eles a Umbanda não existiria. São entidades primárias, quase infantis na espiritualidade, sempre dirigidas por entidades superiores, habitando um dos quatro elementos. No fogo, as salamandras que trabalham na área relacionadas ao amor, ao sexo, à amizade, à agressividade e protecção. Na terra há vários, sendo os mais conhecidos os gnomos, cuja actividade relaciona-se ao trabalho, à criatividade, à perseverança e aos bens materiais. As ondinas, nas águas, actuam na sabedoria, na doçura, nas actividades espirituais e mediúnicas. No ar, os silfos, ágeis e inquietos, dominam as áreas da saúde, da cura e do equilíbrio físico e mental.

Todos eles participam dos trabalhos umbandistas como auxiliares valiosos e nas outras doutrinas e religiões, muitas vezes, em discreto anonimato.

 

44. E os elementares?

São diferentes dos elementais. São entidades muito primitivas em situação intermediária entre o animal e a racionalidade. Dirigidos por entidades, colaboram na limpeza, na guarda, tomando formas as mais variadas possíveis. São colaboradores dos Exus e boiadeiros, principalmente.

 

45. E a aura humana?

Sem ela fica muito difícil compreender a origem das energias existentes no magnetismo humano, principal responsável nos fenómenos do mau-olhado, do passe, na imantação dos objectos. É resultante da mistura e união das energias caloríficas e luminosas do sol, dos minerais subterrâneos, da radiação atómica na natureza, da água ingerida e da assimilação de energias de outros corpos, tais como plantas, animais e o próprio homem. Irradia, em torno do corpo físico, uma luminosidade que, pela análise de cor, varia do tom mais brilhante que, pela análise de cor, varia do tom mais brilhante ao mais escuro, se doente. É distinta da aura existente no duplo etéreo (perispírito, Ba egípcio, duplo, etc.), que é o elo de ligação semi-material do espírito ao corpo físico. Pelo teor dos pensamentos e sentimentos do espírito, varia dos tons azulados e dourados, mais sublimes, aos tons avermelhados e escuros das paixões inferiores e doenças espirituais. O tamanho da aura do duplo etéreo varia em proporção ao grau de elevação espiritual do indivíduo.

 

46. E as crendices?

Onde há fumaça, há fogo, diz o ditado popular. Há crendices verdadeiras e falsas. Quando muitos dizem que determinada actividade é correcta, deve-se analisar os fundamentos do ponto de vista científico e espiritual. Ou seja, devem ser analisadas friamente, sem serem repetidas, mecanicamente, sem discussão prévia. Certa vez ouvi que determinada imagem, dentro de casa, produziria efeito negativo na sexualidade feminina e coisas do género. Já falamos repetidamente que o que vale são os pensamentos e a magnetização dos objectos. Como foi comprovado, mais tarde, a dita imagem nada produziu de negativo, muito pelo contrário.

 

47. Por que se fala tanto em arruda, guiné e outras ervas?

São ervas que, pela utilização popular e orientação espiritual, ficaram muito conhecidas. As ervas, ao crescerem, absorvem as radiações do Sol, da Lua, dos minérios, enfim, de toda a natureza, e dos elementos espirituais, à semelhança da aura humana. A arruda é conhecida por murchar e secar em casas, terrenos ou regiões onde há abundância de fluidos danosos. Um verdadeiro termómetro da natureza.

 

48. E defumação?

Nada mais é do que plantas que, com todo o magnetismo absorvido da natureza, ao serem queimadas e suas emanações dirigidas por entidades encarregadas da purificação de ambientes, diluiriam fluidos pesados ou atrairiam boas vibrações. Usam-se desde a tradicional arruda ou outras ervas, cascas de alho, açúcar, resinas aromáticas, etc.

 

49. Por que incorporar Exu ou Pombagira?

É comum ouvir-se frases do tipo “deve-se deixar vir o povo de rua para ‘desamarrar’ a vida”. Ao incorporar um Elebara (Exu ou Pombagira), o médium é alertado conscientemente ou inconscientemente para não desenvolver os seus piores instintos ou evitar que esses comandem suas vidas. Pela assimilação magnética, os Elebaras costumam carrear excessos de fluidos pesados. Ao incorporar, no médium, em franca operação de limpeza, diz-se que “carregam” ou “assumem” parte do carma do mesmo, desta forma. Esclarece-se que eliminar o carma é impossível, mas aliviar o destino que daremos a nossas vidas é perfeitamente viável. Por isso, podemos afirmar que minimizam, reduzem, aliviam acidentes, minoram doenças, criam convicções de boa conduta e correção de caráter. São verdadeiros faxineiros do astral e preciosos amigos.

Devido a seu caráter zombeteiro e brincalhão, alguns “pedichões” de oferendas, por falta de esclarecimento dos guias e médiuns, são vistos de soslaio com muita desconfiança nas casas ditas “não-cruzadas”, ou seja, onde não há trabalho específico dos Exus com o público (giras) e sacrifícios. São, infelizmente, muito confundidos com obsessores, arruaceiros, entidades “primitivas” e “ignorantes”, como são chamados. O que podemos dizer é que se deve observar o conteúdo das mensagens dessas entidades, o comportamento, o comprimento das promessas (sobretudo, o aval dos guias), conduta da casa e do grupo mediúnico, naqueles parâmetros do bom senso. Não devem ser temidos, mas respeitados.

Em suma, pode-se afirmar que os Exus garantem, assim, muito maior protecção, uma vida menos problemática, um salutar vínculo de amizade criado entre trabalhadores de ambos os lados da espiritualidade.

 

50. Ouve-se muito falar nas fases da Lua propícias a trabalhos. No que se fundamenta?

A ação electromagnética da Lua é conhecida desde a mais remota antiguidade nos fenómenos das marés, na germinação e crescimento das plantas, na poda de plantações, na fecundação dos seres, nas alterações de humor e um sem-número de fenómenos. Já que se trata de trabalhos, com fins quaisquer, é natural que se escolham dias em que a força electromagnética da Terra, sob a influência lunar, crie um ambiente mais propício ao crescimento, ou não, do teor magnético nocivo ou benigno desses mesmos trabalhos.

 

51. Afinal, qual a diferença entre Exu e quiumba?

Os quiumbas são malfeitores do astral, avessos ao bem e altamente perturbadores. Tanto que há concordância entre autores quanto ao fato de serem eles os verdadeiros executores dos trabalhos destinados ao mal. São os costumeiros “encostos” ou “rabos de encruza”.

Fazem-nos pensar que muitos quiumbas mistificam, fingindo, em casas desatentas, serem Exus ou até mesmo Orixás, com fins de alcançar seus objectivos.

Os Exus, não. São eles que desmancham os trabalhos de magia negra, transportando magneticamente as mazelas, as dores e doenças físicas e espirituais, aliviando carmas. Alguns Exus, por estarem ainda no início de sua evolução, como trabalhadores do bem, necessitam orientação e doutrina, tanto pelo médium como pelos diretores dos trabalhos (cacique, chefe ou babalorixá) e devem ser colocados na disciplina da casa. Daí temos os Exus orientados, que não pedem sacrifícios, com oferendas mais simples, e aqueles que não tiveram uma colocação correta, que se acostumam com extravagâncias e exigências repletas de vaidades humanas.

 

52. Por que os Exus aparecem nas imagens em formas tão assustadoras?

Foi-nos explicado em uma consulta com entidades de sua linha. Os Exus costumam tomar tais formas como meio de impor respeito e medo a espíritos inferiores (quiumbas) e, desta forma, facilitar o controle e vigilância que obtêm sobre estas mentes vinculadas ao mal, para que não perturbem trabalhos ou até mesmo lares e locais.

 

53. O que é Umbanda de Branco, Umbanda Branca ou de Cáritas?

Na verdade, varia infinitamente, de casa para casa.

Mas seus fundamentos básicos são que algumas casas recusam-se a trabalhar com giras de Exus, por considerá-los indisciplinados e só trabalharem com sacrifícios sangrentos, coisas que já sabemos incorrectas, apesar de serem idéias muito confundidas.

Existem sete falanges, dominadas por Orixás, Yorimá (Pretos-Velhos) e Yori (Crianças). Na legião de Iemanjá haveria Orixás comandando suas subdivisões, tais como Oxum, Iansã e Nanã. Em alguns locais, os Orixás não “descem” pessoalmente, mas são representados por Pretos-Velhos (antigos escravos), Caboclos (indígenas) e espíritos de Crianças (entidades evoluídas que se apresentam sob a forma infantil). Há rituais em matas, praias, pedreiras, cachoeiras, etc. Nela foram abolidos rituais com sangue (sacrifícios) e magia negra.

 

54. O que é Umbanda Cruzada?

Chamada de Quimbanda pelos umbandistas (ditos de linha branca) e macumba, os seus trabalhos ou feitiços. Cultuam de dez a doze Orixás, dependendo da nação africana de origem, sendo que os Orixás “descem” pessoalmente, podendo haver, ou não, giras de caboclos e pretos-velhos em outros dias, intercalados. Fazem comidas (oferendas) mais elaboradas que na Umbanda Branca e sacrifícios animais. Nela é comum o jogo de búzios e rituais assemelhados ao Candomblé, feitos pelo pai ou mãe-de-santo ou babalorixá ou yalorixá. O vestuário é elaborado, há toque de instrumentos (algumas casas de Umbanda Branca aboliram), seu cerimonial e ritualística possuem maior quantidade de preceitos, proibições e quizilas (proibições alimentares).

Cultuam-se, obremaneira, os Orixás ligados à morte e aos cemitérios, fonte energética de muitos trabalhos de magia negra, como Xapanã (Omolu ou Obaluaiê), Exu (Elebaras) e Iansã como dominadora de Eguns.




Nação Nagô no Sul, resistência cultural de um povo

A Nação Nagô no Rio Grande do Sul é uma das modalidades do Batuque, uma religião voltada ao culto dos Orixás. Bem, minha intenção com este comentário é mostrar que esta nação não foi extinta como muitos pensam e que ela não sofreu processo de aculturação, ao contrário do que ocorreu com outras nações. Uma das principais marcas desta nação é que o transe para ela não é um tabu como nas demais; os filhos sabem que foram pegos pelo Orixá. Muito parecida com o candomblé em muitos aspectos, dentre eles, a nomenclatura dos cargos e o seu panteão que é mais numeroso do que nas demais nações. Esta nação buscou preservar suas origens, sendo por isso, uma nação fechada. Não há aglutinação de divindades como ocorre nas outras nações onde Ibeji é qualidade de Oxun e Xangô, Nanã é qualidade de Iemanjá, Olokun e Orumilá são qualidades de Oxalá, na Nação Nagô estes Orixás mantém sua individualidade.

Uma referência a esta Nação é o Ilê Axé Oba Oluorogbo, casa de Nação Nagô de Pelotas-RS dirigida pelo Babalorixá Eurico de Oxalá. O Panteão desta casa é bem diferente do convencional observado em outras casas. Os Orixás cultuados no Ilê Axé Oba Oluorogbo são:

Exu, Ogum, Odé-Otin, Logunedé, Xangô, Obaluaiê, Oxumaré, Ossaim, Oyá, Oxum, Yemanjá, Nanã, Ewá, Obá, Ibeji, Onilé, Oxalá, Orunmila-Ifa, Olokun.

Também quanto aos cargos que em outras nações não existem, e no Nagô é usado:

-Babalorixá ou Yalorixá: A palavra iyá do yoruba significa mãe, babá significa pai. É o título sacerdotal.

-Iyakekerê (mulher): mãe pequena, segunda sacerdotisa.

-Babakekerê (homem): pai pequeno, segundo sacerdote.

-Egbomis: são pessoas que já cumpriram o período de sete anos da iniciação (significado: “meu irmão mais velho”).

-Elegùn: filho-de-santo que já entra em transe.

-Abiã ou abian: novato.

-Ogãs ou Ogans: cargos a confirmar

-Ekedi: camareira do Orixá (não entra em transe).

Esta Nação muito linda, mas infelizmente incompreendida por parte de zeladores das demais nações, é uma boa referência, aqui no Rio Grande do Sul, da conservação da Cultura Africana.

Nas cerimônias os Orixás chegam e dançam ao som das cantigas, as roupas são simples, não há paramenta, os filhos dançam apenas com roupas nas cores de seus Orixás.

O processo de iniciação nesta modalidade também é diferente do que nas demais nações e se aproxima muito da iniciação do Candomblé, com Obí e tudo mais.

“Cada orixá possui “qualidades” ou “caminhos” que irão expressar aspectos ligados a ele, a exemplo uma passagem enquanto jovem, uma passagem enquanto de mais idade, uma passagem de conquista, seja por um titulo honorifico, seja por um cargo (Rei de determinada região). Cada qualidade portanto, trará consigo informações de culto, tais como: Local de origem, cores, números, ferramentas e tipos de ofertas. Há também “qualidades” cuja origem são Orixás independentes aglutinados a categorias de Orixás “maiores”.” (Babá Eurico D’Oxalá)

Etimologia 

Olodumaré
Oló = senhor
Odu = destino
Maré = supremo = deus, senhor do destino supremo.

Correspondente á personalidade de Deus com o nome de Shadai ou Alhim Tsebaoth (kaballah) – Referencia para leigos entenderem.

Ododúwa – odú (tio) = recipiente, auto gerador.

Da = criador

Iwa = existência – Odudúwa, o ser criador da existência terna (vida) correspondente á figura de Orinxala.

Os tambores chegaram ao Brasil, com uma família real africana

Religião natural, significando o culto dos seres da natureza, ou seja ainda, o culto á terra, ar, fogo e água compreendidos todas as suas proporções, e que o “ocultismo” divide em 7 reinos, compreendendo três reinos elementais.

Os Bantús rendem culto aos antepassados, cuja origem remontam a um grande ser estranho que existiu “só”, num tempo EM QUE AINDA NÃO EXISTIA O TEMPO (manifestação visível do universo criado) correspondendo ao mito bíblico: “no principio era o caos…”.

No conceito Yoruba, existiu um ser dotado de dois sexos, ao qual poderia gerar tudo que podemos ver ou sentir, seu criador teria o nome de (Olorum – é a causa sem causa e Obatalá – é a manifestação, deus que pode se adorar), como toda cultura por mais que se distancie em seus dogmas mesmo assim sequem a mesma linha como se surgissem de um só fio para se abrir em vários ramos com varias cores, a cultura Yoruba seque a mesma concepção do que temos conhecimento.

A evolução sobe uma escala sem pressa, vamos verificar. No período paleolítico de duração desconhecida, o homem habita cavernas e utensílios a pedra lascada e os ossos de animais. No neolítico, sabe polir a pedra, confeccionam utensílios novos para novos usos, abandona as cavernas, constrói tendas e cabanas e mesmo aldeias lacustres e já domestica o boi, o carneiro, a cabra e o cão. Surge a cerâmica, barcos, vestuários de pele, linho, lã e algodão. Um passo mais… utiliza o cobre e estanho e por fim o ferro. Sua concepção religiosa se aperfeiçoa, deixaram na face da terra os resquícios de uma cultura que escavamos e descobrimos nossas raízes. Descobriu-se que o Egito manuseou metais por meados de 6.000 A.C., na China e Grécia trinta séculos; na Gália e Suíça, vinte e cinco; na Scandinávia, vinte; e, na Finlândia, três.

A tradição dos chineses alcança uma duração de 80 a 100.000 anos, embora os dados positivos contem somente 17.000.

Os egípcios abraçam uma duração de 30.000 anos. A dos hindus, variável com a região, orça entre 13.000 a 19.000 anos.

Plínio faz referencia a uma época em que os egípcios não tinham como arma de defesa nas tribos africanas, senão os seus bastões.

No mesmo sentido, dessas origens, poderiam ser citados Platão, Aristóteles, Bérosio, Sallustio, Strabão.

Perfurações e sondagens no solo do vale do Nilo, em 1854, Burmeister calculou que o Egitp era habitado pelo homem há mais de 72.000 anos, época em que a Europa era habitado por selvagens.

As mudanças que ocorram no Egito por volta de 8000 A.C. transformaram definitivamente a evolução da humanidade. Estas mudanças culminaram com a invenção da agricultura e da pastoreia perto do Egito, no Próximo Oriente e no Sudão.

A cultura Egípcia teve o seu início pouco antes da época pré-dinástica, que a levaria para o auge das épocas faraônicas. Por volta de 5000 a.C. apareceram as primeiras evidências de organização. Apesar de serem escassas, estas mostram-nos que por esta altura já existiam povoados em que a agricultura era a sua principal atividade. A caça não era uma forma de subsistência para estas primeiras povoações, já que estas já possuíam animais de pasto. Alguns artefatos de pedra, metal e cerâmicas encontradas vêm com inscrições e desenhos de animais domésticos, prova que estes povos eram já de fato pastores. Assim a transição da forma mais primitiva de civilização de tribos nômades para a civilização tradicional estava completa.

Um dos mais interessantes aspectos deste período de transição eram os seus costumes funerários. Antes desta transição, as tribos nômades sepultavam os seus mortos da forma mais conveniente, que freqüentemente era perto dos seus acampamentos, ou mesmo dentro deles, como os cemitérios encontrados em Jebel-Sahaba.

Os tambores falam de festas, coroações, tristezas, guerras e cultos, grande variedades de batidas muitas vezes transportam os nativos a reinos espirituais, o majestoso orgulho de ser negro e dançar com graça e leveza, a cultura negra se orgulha da herança que carrega mesmo que tenham levado seu ouro, suas terras seus animas e sua liberdade, o étnico levanta sua cabeça e baila com pés descalços e poucos tecidos envoltos no corpo.

A mais antiga das religiões traz ancestrais que remota a era da história falada, onde não tinha material para registra nem escrita para perpetuar tradições, os mais velhos passaram de boca em boca para os mais novos ate que descobriram formas para registrar os deuses, sacrifícios e rituais.

No mundo todas as religiões originam de um mesmo principio divino, somos um só povo com varias personalidades espirituais, o ser divino que criou o macrocosmo é o mesmo que governa o microcosmo, para os seres inteligentes, varias formas expressas provam suas existência e contradizem sua divindade.

Na cabala antiga temos exemplos da presença do criador.

O numero 1
Representado por um ponto, significa o universo o macrocosmo e o microcosmo, representando o ser individual e único em sua divindade. O principio do movimento porem ele não é perfeito se continuar único, porque a vida não terá sentido sem outra vida para compartilhar.

O numero 2
De dois ponto temos uma reta, de um lado o principio do outro o complemento, uma reta, nos da o movimento, e a duplicidade do ser e o compartilhamento das forças

O numero 3
De triangulo, tem a origem divina, o inicio, a dualidade e o trio da santidade, a perfeição do espírito e da humanidade, diz os mais antigos que o homem era dotada de divindade com sua ganância foi se afastando e com a historia na humanidade esta a graça divina se perdeu, os ocidentais foram os mais afetados e na atualidade busca o elo perdido da sabedoria interior.

Uma busca que talvez seja em vão, onde a tecnologia contesta e sufoca a tradição. Somos filhos de uma geração de dotados espirituais esquecidos, nossas células ainda guardam lembranças ancestrais, mesmo sendo difícil alcançar novamente o homem luta pela sua herança perdida.

Dizem os mais antigos que o mundo teve origem de uma palavra que continha as letras que movimentaram pela primeira vez as moléculas do universo, tal palavra foi passada de boca a ouvido pelos sacerdotes e pelos membros das antigas escolas de mistério, porem se é verdade, poucos podem afirmar, porque a palavra é tão bem guardada que se duvida da sua veracidade, conversando com antigos mestres de escolas tradicionais e templos, ao tocar no assunto apenas mudam de conversa e ficam sérios, com sua atitude e comportamento da para se ver que tem algo misterioso e bem guardado, homens sérios saudáveis mentalmente respeitáveis, não saberiam mentir, o conhecimento traz responsabilidades que temos que respeitar, mas como saber a verdade, talvez nós, os menos privilegiados não tenhamos a oportunidade de tocar um milésimo da verdade.

Antigos templos guardam escritos que contradizem a verdade da humanidade, como isso pode ser, uma pequena coincidência esta em escrituras que traz a origem do homem no pó, acredito que tal pó venha das estrelas, os cientistas estão estudando a possibilidade da vida ter surgido na terra de poeiras estrelares, esta verdade hoje em dia esta perto de ser desvendada, e talvez possamos afirmar que nossos genes vêm de planetas distantes, mas não se empolguem achando que somos e.t.

Quem poderá afirmar a verdade, eu não sei, mas tenho que me preocupar como a verdade é moldada, o que será um bem feito para mim, talvez possa prejudicar outras pessoas por isso temos que ter cuidado com nossos desejos e atos para não prejudicar nossos semelhantes.

Um povo inteiro desaparece no antigo mundo sem sabermos o que aconteceu realmente, apenas historia contada por poucos sábios que publicaram em pedra e papiros os costumes e ritos da época, mesmo assim corremos o risco de perder tudo que temos e sofrer o mesmo destino a qualquer momento, pois o poder que se encontra nas mãos de alguns homens pode matar milhões de pessoas em questão de segundo sem que destrua suas casas, imagina o poder de morte e vida.

O momento de nascer é um poder que o homem ainda não dominou ele pode matar se apossar, mas ainda não temos poder de gerar a vida e criar o espírito, mas por quanto tempo?

Não sabemos onde iremos parar, só sabemos é que estamos pagando o preço de nossos atos. E não temos o pleno domino dos nossos destinos, podemos comprar uma terra, roupa ou jóias, mas não seremos os verdadeiros donos, somente temos emprestado aquilo que podemos pagar, um dia quando morrermos não levaremos nada para o tumulo, somente nossa sabedoria e fé, mais nada.

A Bahia é a terra santa dos orixás, mas foi no rio grande do sul que me influenciei pelos Orixás, seres encantados que os africanos cultuam, são ancestrais e deuses que sincretisam com a natureza.

São Paulo uma cidade grande que guarda em cada esquina um terreiro, da periferia ao bairro mais nobre, temos muitos templos nesta terra de cimento.

Pesquisa realizada nos livros:
O batuque na umbanda Editora Aurora
Dicionário Yorubá Nagô Português
Baba Agnaldo de Xapanã – Nação Nagô – Oyó

 *Atenção – alguns dados publicados nesta matéria contem informações retirados da Kabalah, para ilustrar, não quer dizer que foi gerado no mesmo tempo e época.

“Religiões Africana no Brasil ou chamadas

de Afro-Brasileira”

 

 

Sintetizando: 

 

        Elucidando, que os negros escravos que vieram para o Brasil trouxeram enormes bagagens culturais, como: arte, gastronomia e de religiões, com seus usos e costumes sagrados, linguajar próprio, ritmos e vozes. 

        Dos estudos já realizados, reconhece-se desde o séc. XVI a presença no Brasil de africanos de origens de Nações “Bantu”, a esse grupo pertenciam os negros chamados e de Nações:  do Kongo; Angola; Moçambique; Makuas; Kabinda; Benquela; Monjolo, Musikongos, Rebolos, Munjolos etc… Mais tarde, a vinda dos povos de Nações Sudaneses com o seu linguajar de origem Yorùbá, a “língua geral” dos escravos, em muitos Estados do Brasil, tendo dominado as línguas faladas pelos escravos de outras Nações existentes em nosso País. Para melhor definição do idioma Yorùbá: pertence ao grupo “Kwa” de Línguas Sudanesas e ao grupo Nígerokameruniano, compreende vários sub-grupos e dialetos, e entre os quais o “Egbá” que inclui  a Nação de Keto (Kétu) –  e a Nação de Ijexá (Ìjèsà) – e a Nação de Òyó, sendo a mesma, a Região e Cidade da Nigéria, África Ocidental, antiga Capital Política do reino de idiomas Yorùbá e a de maior importância cultural e religiosa entre os povos sudaneses; desta Nação, região e cidade vindo negros escravos com ritos próprios, subsiste até hoje no Estado do Rio Grande do Sul, assim como, povos de Nação Ewe ( evoes) também chamados de “anago” – nome dado pelos “daomeanos” aos povos que falavam o Yorùbá, tanto na Nigéria como no Daomei, Togo e arredores e que os franceses chamavam apenas de “Nagô”. Portanto, Nagô não é uma Nação Africana e sim todo os povos Sudaneses que falam o idioma Yorùbá. Com os povos africanos, vieram também os cultos religiosos de cada região de sua origem, e, que devido aos empórios de escravos e a mistura destes, e também de rituais, originaram as chamadas religiões, hoje, chamadas por muitos de afro-brasileiras, eu prefiro, chamar de africanistas. 

 

            A história nos narra, que nos navios negreiros, os cantos de lamentações e de apelações aos Orixás (Òrìsàs / Voduns) se confundiam com o barulho do mar e os açoites sofridos pelos negros. Era o maior castigo, que um ser humano poderia suportar.

Já no Brasil, após os empórios de escravos; e, com suas convicções religiosas, levaram um bom tempo para adaptá-las ao Novo Mundo; misturando-se à religiosidade de seus patrões, aglutinando os Orixás aos Santos Católicos (sincretismo), e que também mais tarde, houve a inclusão a religiosidade do ameríndio (nativo do Brasil).

Das sobrevivências culturais africanas no Brasil, as maiores influências inicialmente foram no Nordeste e depois se estendendo há todo o País. A contribuição da África, recebidas em nosso País, está em todas as “divindades” que recebemos “direta ou indiretamente do Povo Africano / Negro – Sudaneses (Nagô / Anago) e Bantus”.

No Brasil, a cultura dos povos e Nações Sudanesas Africanas recebeu o nome de “Nagô” e com a inclusão da Nação Ewe (Avoes) do Daomei (Jèje) que são chamados de “Anago” e que ainda subsiste em uma pequena minoria no Estado do Rio Grande do Sul, e são chamados Nação de Jèje ou Nagò – Vodú.

Qualidade de Orixás

Sobre as Qualidades de Orixas”

Existe sem duvida no Brasil uma questão muito polêmica sobre as multiplicidades dos orisas chamada por todos de qualidade de orisa

Para melhor entendimento é que na África não há qualidade de orisa; ou seja, em cada região cultua-se um determinado orisa que é considerado ancestral dessa região e, alguns orisas por sua importância acaba sendo conhecido em vários lugares como é o caso de Sàngó, Orumila, etc.
É de se saber que Esu é cultuado em todo território africano, da forma que  Osun da cidade de Osogbo é Osun Osogbo, da região de Iponda é a Osun de Iponda, Ogún da região de Ire é Ogún de Ire (Onire: chefe de ire), do estado de Ondo é Ogún de Ondo,etc. Na época do tráfico de escravos veio para o Brasil diversas etnias
Ijesas, Oyos, Ibos, Ketus,etc e cada qual trouxe seus costumes juntos com seus orisas digamos particulares, e após a mistura dessas tribos e troca de
informações entre eles cada sacerdote ou quem entendia de um determinado orisa trocaram fundamentos e a partir daí surgem todos esses aspectos, e essa quantidade de orisa presente aqui no Brasil, sendo que o orisa é o mesmo com origens diferenciadas.
É claro que por ter origens diferenciadas seus cultos possuem particularidades religiosas e até mesmo culturais por exemplo Oyá Petu tem seus fundamentos assim como Oyá Tope terá o seu, isso nada mais é, que uma passagem do mesmo orisa por diversos lugares e cada povo passou a cultuá-lo de acordo com seus próprios costumes. Um exemplo mais nítido é que aqui fazemos muitos pratos para Osun com feijão fradinho, entretanto num determinado país nãohá esse feijão portanto foi substituído por um grão semelhante e assim puderam continuar com o culto a Osun sem a preocupação de importar o feijão fradinho.
Outro exemplo de orisa transformado em qualidade no Brasil é Osun kare, Kare é uma louvação à Osun quando se diz: Kare o Osun! A palavra kare também é uma espécie de bairro na África, logo Osun cultuada em kare é Osun kare, e por vai surgindo desordenadamente essa quantidade de orisa aqui no Brasil. Imagine um rio que atravessa todo território Nigeriano e, em suas margens diversas etnias que num determinado local algumas pessoas diria que ali é a morada de Osun Ijimu (cidade de Ijumu na região dos Ijesa), mais para frente em Iponda diria aqui é a morada de Osun Iponda, mais para frente, em Ede esse rio terá o culto de Ologun Ede, o chefe de guerra de Ede segundo sua mitologia, e serão diversos orisas cultuados num mesmo rio por diversas etnias com pequenas particularidades. Isso acontece com todos orisas e suas mitologias fazem alusão a essas passagens e constantes peregrinação de seus sacerdotes quer por viajens comercias ou por guerras intertribais sempre espalharam seus orisas em outras regiões.
Outro fato interessante é títulos que algumas divindades possuem e foram transformadas em qualidades, por exemplo Ossosi akeran, akeran é um titulo de um determinado caçador (ancestral) com isso vamos na próxima edição analisar esses fatos e informar todas qualidades de orisa da nação keto que o sacerdote pode ou não mexer de acordo com o conhecimento de cada um, pois o nosso dever é informar sem a pretensão de nunca ser o dono da verdade Na próxima edição vamos diferenciar, títulos de nomes de cidades, nomes tirados de cânticos que as pessoas insistem em dizer que é qualidade de orisa.
Sobre a multiplicidade dos orisa. 
Vamos separar a qualidade como é chamada no Brasil (em Cuba chama-se caminhos), dos títulos e de nomes tirados de cantigas como insistem pseudo sacerdotes. Já sabemos que os orisa são venerados com outros nomes em regiões diferentes como: Iroko (Yoruba), Loko (Gege), Sango (Oyo), Oranfe (Ife), isso torna o culto diferente. Temos também o segundo nome designando seu lugar de origem como Ogun Onire (Ire), Osun Kare (Kare),etc, também temos os orisa com outros nomes referentes as suas realizações como Ogun Mejeje refere-se as lutas contra as 7 cidades antes dele invadir Ire, Iya Ori a versão de Iyemanja como dona das cabeças, etc. Há portanto uma caracterização variada das principais divindades, ou seja, uma mesma divindade com vários nomes e, é isso que multiplica os orisas aqui no Brasil.
Vamos começar com Esu o primogênito orisa criado por Olorun de matéria do planeta segundo sua mitologia, ele possui a função de executor, observador, mensageiro, líder, etc. Alem dos nomes citados aqui que são epítetos e nomes de cidades onde há seu culto, ele será batizado com outros nomes no momento de seu assentamento, ritual especifico e odu do dia. Não será escrito na grafia Yoruba para melhor entendimento do leitor.
Oba Iangui : o primeiro, foi dividido em varias partes segundo seus mito.
Agba: o ancestral, epíteto referente a sua antiguidade.
Alaketu: cultuado na cidade de ketu onde foi o primeiro senhor de ketu.
Ikoto: faz referencia ao elemento ikoto que é usado nos assentos esse objeto lembra o movimento que esu faz quando se move do jeito de um furacão.
Odara: fase benéfica quando ele não está transitando caoticamente.
Oduso: quando faz a função de guardião do jogo de búzios.
Igbaketa: o terceiro elemento, faz alusão ao domínios do orita e ao sistema divinatório.
Akesan: quando exerce domínios sobre os comércios.
Jelu: nessa fase ele regula o crescimento dos seres diferenciados. Culto em Ijelu.
Ina: quando e invocado na cerimônia do ipade regulamentando o ritual.
Ona: referencia aos bons caminhos, a maioria dos terreiros o tem, seu fundamento reza que não pode ser comprado nem ganhado e sim achado por acaso.
Ojise: com essa invocação ele fará sua função de mensageiro.


Eleru: transportador dos carregos rituais onde possui total domínio.
Elegbo: possui as mesmas atribuições com caracterizações diferentes.
Ajonan: tinha seu culto forte na antiga região Ijesa.
Maleke: o mesmo citado acima.
Lodo: senhor dos rios, função delicada dado a conflitos de elementos
Loko: como ele é assexuado nessa fase tende ao masculino simbolizando virilidade e procriação.
Ogiri Oko: ligado aos caçadores e ao culto de Orumila-Ifa.
Enugbarijo: nessa forma esu passa a falar em nome de todos os orisas.
Agbo: o guardião do sistema divinatório de Orumila.
Eledu: estabelece seu poder sobre as cinzas, carvão e tudo que foi petrificado.


Olobe: domina a faca e objetos de corte é comum assenta-lo para pessoas que possuem posto de Asogun.


Woro: vem da cidade do mesmo nome.


Marabo: aspecto de esu onde cumpre o papel de protetor Ma=verdadeiramente, Ra=envolver, bo=guardião. Também chamado de Barabo= esu da proteção, não confundi-lo com seu marabo da religião Umbandista.
Soroke: apenas um apelido, pois a palavra significa em português aquele que fala mais alto, portanto qualquer orisa pode ser soroke.
Ogún, Òsòósí e Ode lembrando que nem todos caçadores tomaram o titulo de Òsòósí e, na África, Òsòósí em certas regiões é feminino tomando o aspecto masculino no antigo reino de Ketu. Ode que dizer caçador, porém, nem todos Ode’s são Òsòósí; Ijibu Ode, Ikija, Agbeokuta, são alguns lugares onde houve seu culto, pois seu culto, expandiu-se mesmo aqui no Brasil onde ele é lembrado como rei de Ketu, Ogún em outro aspecto foi chefe dos caçadores (Olode) entregando essa função mais tarde para seu irmão caçula Òsòósí para partir em buscas de suas inúmeras batalhas.
Já em certas mitologias o caçador passa a ser sua esposa Òsòósí L`Obirin Ogun, ou seja, Òsòósí é a esposa de Ogún, segundo o verso desse mito.
Isso afirma o chamado enredo de santo aqui no Brasil quando se diz que para assentar Òsòósí temos que assentar Ogún e vice versa. Era costume africano quando os caçadores tinham que partir em busca de suas presas, louvarem Ogún para que tudo desse certo, de òrìsà secundário na África Òsòósí, passou a uma condição importantíssima no Brasil sendo òrìsà patrono da nação Keto, senhor absoluto da cerimônia fúnebre do asesé, alguns cânticos fazem alusão a essa condição: Ode lo bi wa, ou seja, o caçador nos trouxe ao mundo. Eis alguns nomes de Ogún/Òsòósí/Ode conhecidos, sobretudo no Brasil e seus aspectos, características, origem e particularidades:
Ogún Olode: epíteto do òrìsà destacando sua condição de chefe dos caçadores.
Ogún Je Ajá ou Ogúnjá como ficou conhecido: um de seus nomes em razão de sua preferência em receber cães como oferendas, um de seus mitos o liga a Osagìyán e Ìyémojá quanto a sua origem e como ele ajudou Osalá em seu reino fazendo ambos um trato.
Ogún Meje: aspecto do òrìsà lembrando sua realização em conquistar a sétima aldeia que se chamava Ire (Meje Ire) deixando em seu lugar seu filho Adahunsi.
Ogun Waris: nessa condição o òrìsà se apresenta muitas vezes com forças destrutivas e violentas. Segundo os antigos a louvação patakori não lhe cabe, ao invés de agradá-lo ele se aborrece. Um de seus mitos narram que ele ficou momentaneamente cego.
Ogún Onire: Quando passou a reinar em Ire, Oni = senhor, Ire = aldeia.


Ogún Masa: Um dos nomes bastante comum do òrìsà, segundo os antigos é um aspecto benéfico do òrìsà quando assim ele se apresenta.
Ogun Soroke: apenas um apelido que Ogún ganhou devido a sua condição extrovertida, soro = falar, ke= mais alto. Nossa historia registra o porque o
chamam assim.
Ogún Alagbede: nesse aspecto o òrìsà assume o papel de pai do caçador e esposo de Ìyémojá Ogunte (uma outra versão de Ìyémojá) segundo um de seus inúmeros mitos.
Há vários nomes de Ogún fazendo alusão a cidade onde houve seu culto como Ogún Ondo da cidade de Ondo, Ekiti onde também há seu culto, etc. O òrìsà possui vários nomes na África como no Brasil e com isso ganha suas particularidades e costumes.
Ode/Ososi.
Há uma síntese sobre esse orisa na edição anterior, eis então suas várias formas de se apresentar:
Ososi akeran = um titulo do orisa;
Ososi Nikati = um de seus nomes;
Ososi Golomi = um de seus nomes;
Ososi Fomi = um de seus nomes;
Ososi Ibo = um de seus mitos o liga a Ossaniyn;
Ososi Onipapo = um dos antigos, tem culto a mais de um século no país;
Ososi Orisambo = possui seu assentamento diferente dos demais;
Ososi Esewi/Esewe = seu mito o liga a Ossaniyn e as vezes a Osala segundo os “antigos”;
Osossi Arole = uns de seus epítetos;
Ososi Obaunlu = segundo registro há um assentamento deste orisa aqui no Brasil desde 1616 no ase de D.
Olga de alaketu, é considerado o patrono de ketu;
Ososi Beno = um dos mais antigos, detalhe tem assento aqui em São Paulo, cidade considerada emergente para tradições do candomblé Keto, com poucas casas antigas.
Ososi DanaDana = aquele que ateou fogo ou roubou, um epíteto dos mais perigosos dado ao caçador.
Ode Wawa = epíteto do caçador;não se tem notícia do seu culto no Brasil;
Ode Wale = epíteto do caçador, não se tem notícia de seu culto no Brasil;
Ode Oregbeule = é um Irunmale, portanto acima do orisa foi um dos companheiros de Odudua em sua chegada na terra segundo sua mitologia;
Ode Otin = outro caçador confundido com Ossosi, sua lenda o identifica ora como uma caçadora ora como um caçador, contudo sua ligação com Ossosi é fato, Otin se apresenta sempre junto com ele a ponto de confundi-los;
Ode Karo = um do caçadores que também mora as margens de um rio é irmão de Igidinile.
Ode Ologunede = o chefe de guerra de Ede, titulo ganhado quando seu pai o entregou aos cuidados de Ogún;
Olo = senhor, gun = guerra, Ede = um lugar na áfrica.É filho de um outro caçador chamado Erinle tendo como mãe Osún Iponda. O posto de asogun, a priori, surge desse mito que o liga a Ogún companheiro de seu pai.
Possui outros nomes como Omo Alade, ou seja, o príncipe coroado. Não há qualidades de Logun como acreditam alguns tais como locibain, aro aro, etc., são apenas nomes tirados de cânticos, aliás aro quer dizer tanta coisa menos nome de orisa. O nome Ibain é de um outro caçador homenageado nos cânticos de Ologun, esse caçador inclusive é o verdadeiro proprietário dos chifres tão importantes no culto. Oba L`Oge é um outro nome para esse orisa. É da região de Ijesa;
Ode Erinle = outro caçador confundido com Osossi no Brasil. Seu assento é completamente diferente dos demais, pois Erinle ou Inle é um orisa do rio do mesmo nome, o rio Erinle que corta a região de Ilobu na Nigéria. Encontra-se seus mitos no odu Okaran-Ogbe e Odi-Obara. Sua esposa é Abatan pois é considerado médico e ela enfermeira, seu culto antecede o de Ossayn, o pássaro os representam. Ibojuto é a sua própria reencarnação representado pelo bastão que vai em seu assentamento e tem a mesma importância do Ofa de Ossosi.Tem uma filha chamada Aguta que às vezes se apresenta como irmã ou como filha sendo sua mãe Ainan. Ode Otin se apresenta como sua filha, às vezes e ai é representado por uma enguia. Ainda temos Boiko como seu guardião, Asão seu amigo e Jobis seu ajudante. No Brasil o ligam a Osún e a Iyemanja pois segundo sua lenda é pela boca dela que ele fala, Erinle é um orisa andrógino e considerado o mais belo dos caçadores;
Ode Ibualama = uma outra versão para Erinle quando ele se apresenta mais ao fundo do rio, há um templo com esse nome na África fazendo alusão ao seu fundador. Aliás há vários templos mas todos são de um orisa só: Erinle nessa situação o caçador traça um outro caminho e pactua seus mitos com Omolu, Osumare, Nana,etc. A montagem de seu Igba (cuia) também difere de um simples alguidar com um ofa para cima como é comum as pessoas não esclarecidas assim fazer.
Ossaniyn, Omolu, Oluaye, Osumare, Nanan e Iroko.
Ossaniyn = Também chamado Baba Ewe, Asiba, que são epítetos do orisa. Possui seu próprio sistema divinatório; o orisa exerce suas funções interligadas a Esu composto ao mesmo tempo em que ele. Kosi ewe, kosi orisa: Sem folhas, sem orisa.
Osumare = Chamado Araka seu epíteto. É o orisa do arco-íris e da transformação, não deve ser confundido com o vodun Becem que se apresenta como Dangbe, Bafun, Danwedo todos da família Danbira e cultuados em outra nação.
Omolu / Obaluaye = É como se apresenta o orisa sapata transmutando-se para formas conhecidas tais como: Agoro, Telu, Azaoni, Jagun, Possun, Arawe, Ajunsun, Afoman, etc, cada qual com suas particularidades.
Nanan = apresenta-se nas formas conhecidas como: Iyabahin, Salare, Buruku, Asainan, sem culto no Brasil. É sempre bom lembrar que muitos nomes são de lugares onde se cultua o orisa. Por exemplo: Ajunsun é o Rei de Savalu, assim como Dangbe é o Rei do Gege, portanto são nomes que dão origem as suas formas. :
Iroko = orisa da gameleira (no Brasil), controla a hemorragia humana.
Iyabas  são os orisá feminino.
Oba = orisa guerreira é única em seu aspecto.
Iyewá = orisa guerreira única em seu aspecto.
Osún Opara = a orisa se apresenta jovem e guerreira.


Osún Iponda = jovem e guerreira, da cidade de Iponda.
Osún Ajagura = jovem e guerreira, nação nagô – Oyo, Pernambuco.
Osún Aboto = aspecto maduro da orisa.
Osún Ijimun = aspecto idosa e dada as feitiçarias, ligação com Iami Eleye.
Osún Iberin = aspecto maduro da orisa, nessa forma não desce nas cabeças.
Osún Ipetu = aspecto maduro da orisa.
Osún Ikole = seu mito a liga a Iemanjá e Ode Erinle, transformou-se numa ave.
Osún Popolokun = Conta os antigos que não vem mais, será?.
Osún Osogbo = ela deu oringem ao nome da cidade de Osogbo.
Osún Ioke = Se apresenta como caçadora.
Osún Kare = Um de seus títulos, Kare tem seu próprio nome que poucos conhecem.
Iyeyeo Ominibu = epíteto da Osún.
Iyemoja Ogunte = orisa se apresenta jovem e guerreira.
Iyemoja Iyasesu = assume a maternidade de Sàngó é ranzinza e respeitável.
Iyemoja Saba = uma das formas da mãe.


Iyemoja Maleleo = não se obteve noticias desse aspecto no Brasil.
Iyemoja konla = seu mito conta que ela afoga os pescadores.
Iyemoja Ataramaba = Nessa forma ela está no colo de sua mãe olokun.
Iyemoja Ogunde = aspecto da orisa cultuado no Nagô em Pernambuco.
Iyemoja Iyá Ori = nessa forma ela assume todas as cabeças mortais.
Iyamase = forma de quando ela é definitivamente mãe de Sàngó.
Iyemoja Araseyn = fuxico com Ossayn.
Oyá Leseyen = uma das Igbales que mora no próprio Lesseyen.
Oyá Egunita = orisa Igbale.
Oyá Foman = orisa Igbale.
Oyá Ate Oju = orisa Igbale aspecto dificil de Oyá quando caminha com Nana.
Oyá Tope = uma de suas formas.
Oyá Mesan = um de seus epítetos.
Oyá Onira = rainha da cidade de Ira.
Oyá Logunere = uma de suas formas.


Oyá Agangbele = esse caminho mostra a dificuldade quando a geração de filhos.
Oyá petu = nesse aspecto ela convive com Sàngó.


Oyá Arira = uma de suas formas.
Oyá Ogaraju = uma das mais antigas no Brasil.
Oyá Doluo = eró ossayn; culto Nagô.
Oyá Kodun = eró com Osaguian.
Oyá Bamila = eró Olufon.
Oyá Kedimolu = eró Osumare = Omolu.
Texto Adaptado por Ifatolá

“Religiões Africana no Brasil ou chamadas

de Afro-Brasileira”

 

 

Sintetizando: 

 

        Elucidando, que os negros escravos que vieram para o Brasil trouxeram enormes bagagens culturais, como: arte, gastronomia e de religiões, com seus usos e costumes sagrados, linguajar próprio, ritmos e vozes. 

        Dos estudos já realizados, reconhece-se desde o séc. XVI a presença no Brasil de africanos de origens de Nações “Bantu”, a esse grupo pertenciam os negros chamados e de Nações:  do Kongo; Angola; Moçambique; Makuas; Kabinda; Benquela; Monjolo, Musikongos, Rebolos, Munjolos etc… Mais tarde, a vinda dos povos de Nações Sudaneses com o seu linguajar de origem Yorùbá, a “língua geral” dos escravos, em muitos Estados do Brasil, tendo dominado as línguas faladas pelos escravos de outras Nações existentes em nosso País. Para melhor definição do idioma Yorùbá: pertence ao grupo “Kwa” de Línguas Sudanesas e ao grupo Nígerokameruniano, compreende vários sub-grupos e dialetos, e entre os quais o “Egbá” que inclui  a Nação de Keto (Kétu) –  e a Nação de Ijexá (Ìjèsà) – e a Nação de Òyó, sendo a mesma, a Região e Cidade da Nigéria, África Ocidental, antiga Capital Política do reino de idiomas Yorùbá e a de maior importância cultural e religiosa entre os povos sudaneses; desta Nação, região e cidade vindo negros escravos com ritos próprios, subsiste até hoje no Estado do Rio Grande do Sul, assim como, povos de Nação Ewe ( evoes) também chamados de “anago” – nome dado pelos “daomeanos” aos povos que falavam o Yorùbá, tanto na Nigéria como no Daomei, Togo e arredores e que os franceses chamavam apenas de “Nagô”. Portanto, Nagô não é uma Nação Africana e sim todo os povos Sudaneses que falam o idioma Yorùbá. Com os povos africanos, vieram também os cultos religiosos de cada região de sua origem, e, que devido aos empórios de escravos e a mistura destes, e também de rituais, originaram as chamadas religiões, hoje, chamadas por muitos de afro-brasileiras, eu prefiro, chamar de africanistas. 

 

            A história nos narra, que nos navios negreiros, os cantos de lamentações e de apelações aos Orixás (Òrìsàs / Voduns) se confundiam com o barulho do mar e os açoites sofridos pelos negros. Era o maior castigo, que um ser humano poderia suportar.

Já no Brasil, após os empórios de escravos; e, com suas convicções religiosas, levaram um bom tempo para adaptá-las ao Novo Mundo; misturando-se à religiosidade de seus patrões, aglutinando os Orixás aos Santos Católicos (sincretismo), e que também mais tarde, houve a inclusão a religiosidade do ameríndio (nativo do Brasil).

Das sobrevivências culturais africanas no Brasil, as maiores influências inicialmente foram no Nordeste e depois se estendendo há todo o País. A contribuição da África, recebidas em nosso País, está em todas as “divindades” que recebemos “direta ou indiretamente do Povo Africano / Negro – Sudaneses (Nagô / Anago) e Bantus”.

No Brasil, a cultura dos povos e Nações Sudanesas Africanas recebeu o nome de “Nagô” e com a inclusão da Nação Ewe (Avoes) do Daomei (Jèje) que são chamados de “Anago” e que ainda subsiste em uma pequena minoria no Estado do Rio Grande do Sul, e são chamados Nação de Jèje ou Nagò – Vodú.

“As facções das religiões de origem Africana”

Após vários estudos realizados por sociólogos, antropólogos e etnógrafos. Notou-se que a Religião e Rituais aos Òrìsàs / Voduns no Estado do Rio Grande do Sul, chamado de “Batukàjé – Batuque” venha ser, os mais idênticos aos da Religião dos Òrìsàs / Voduns “Anagos e Bantus” praticados na África. Por vários fatores, enumerando alguns: Por ter sido um dos últimos Estados, deste País, a receber escravos africanos; o rigor e rigidez de julgamento e provas as “Divindades” e de seus Rituais; julgamento de Ebós e de Feituras de Òrìsàs / Voduns através do “Emissò Kássum” (Julgamento, através da roda humana, de pessoas selecionadas que possui assentamento de “Divindades com animais com quatro patas”);  a integração universal (Natureza – Divindades) através do Ritual, em um só momento, ou seja, a representação Universal, através das Divindades no bàsá (sala / salão); após uma doutrina e feitura completa da Divindade é concedido através de provas, a liberdade de expressão das “Divindades” em língua africana e brasileira; a inexistência de luxo e deslumbramentos, através pessoas, em seus rituais; o não, poder saber de uma pessoa de que recebe (ocupar-se) uma Divindade, preservando assim o Fundamento e Rituais assim como, a própria Religião de Matriz Africana.  Assim, poderíamos citar vários fatores; mas, não é nosso objetivo desfazer os Rituais realizados em outros Estados do País, e sim, de mostrarmos as características do Batukàjé – Batuque, visto, pela maioria dos etnógrafos.

“Sincretismo, Candomblé, Afro-Brasileiro”

 

        Subjetivo, é a mídia dizer, bem como, os desinformados que o Candomblé venha ser a maior pureza dos cultos Nagô, veja, a origem do seu próprio nome (Candomblé), e a mídia informa, como sendo, os mais tradicionais em nosso País.

Os melhores pesquisadores das religiões afro-brasileiras e que não estão comprometidos com nem uma das facções religiosa, são unânimes em dizer que o Candomblé é uma mescla de sincretismos. Recebendo o apoio de Governos Estaduais (Bahia) e da mídia em geral, o que não ocorre em outros Estados, para fins comerciais e turísticos, chamados de folclóricos de orixás afro-brasileiros. Exemplo:

Na Bahia, as “Confrarias religiosas” –  os negros de Angola na “Venerável Ordem do Rosário de Nossa Senhora das Portas do Carmo”, fundada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário do Pelourinho.

Os Nagôs de Nação de Kétu; formaram, juntos, com a comunidade católica, duas irmandades: a) A de “Nossa Senhora da Boa Morte”, somente para mulheres. b) E outra, somente para os homens, chamada de : “Nosso Senhor dos Martírios”.

Já os de origem de Nações Bantu, em especial, a do Congo, associaram-se nas irmandades de “São Benedito e de Nossa Senhora do Rosário dos Negros Congos”, dizendo-se, ser vossa padroeira, já no cristianismo africano, por influência dos colonizadores portugueses.

“Candomblé – Origem – Funções”

Candomblé = Tendo como a origem de Nações Bantu, do idioma kimbundo. Se originando da palavra “Kandombe” (ka = costume, uso; + ndombe =  preto, costume dos pretos), que quer dizer em africano: Dança antiga africana de Nações Bantu, sem nenhum sentido religioso na África, espécie de batuque ou batucada, com vários instrumentos, inclusive com tambores. Dando a origem da palavra Candomblé na fronteira da Argentina, Uruguai com o Brasil (RGS) como dança de escravos nas fazendas (farra africana, como nem, hoje, são as rodas de sambas). Os baianos e outros; adotaram e copiando essa terminologia de origem espanhola Sul Americana, como sendo, o termo correto a dar aos cultos afro-brasileiros. E, os mesmos, desejam induzir que os cultos/rituais baianos e outros difundidos pelos mesmos, idênticos, ou seja, cópia fiel africana, se nem o nome é original africano! Isto, mais uma vez, prova que o Batukàjé – Batuque do RGS., sendo o mais próximo aos rituais religiosos praticados na África, ao menos, não temos nomes falsos ou de origem espanhola!

A função do Candomblé / Afro-Brasileiro (baianos e outros). Relaciona-se ao local onde se realizam as cerimônias de certos cultos que abrange rituais de origens africanas e o sincretismo católico e indígena (nativo do brasileiro). Com relação a certos rituais, como nem, o jogo de búzios, houve muita reserva, razão porque, hoje poucos são os que têm “mão-de-jogos” (oná – ifá = mão de Ifá / Òrìsà da adivinhação e do destino = odu). Hoje, no Candomblé / Afro-Brasileiro, o “jogo de búzios”, toda ação é procedida de um oráculo já pré-estabelecido, sendo a fórmula mais fácil de aprendizado. Dando, desde a origem da pessoa até os procedimentos cotidianos, passa-se pelo diagnóstico dos problemas que afetam a vida do consulente e pela prescrição dos sacrifícios de animais, caso sejam necessários à sua solução. Usando, na maioria das vezes, a feitura de orixás, como recurso pela inexperiência de outros recursos. Possuindo um custo elevadíssimo, totalmente fora dos recursos e padrão de vida financeira dos brasileiros, sendo poucos que possuem condições de realizá-los.

Orixás, afinal o que são? E quais são as posições ocupadas pelas divindades (Status)?

Os Orixás (Òrìsàs) são: Os que governam, à sua discrição, a vida e o destino dos seres humanos. São caprichosos, amam e odeiam, beneficiam e castigam, curam ou perseguem com doenças, e se fazem respeitar e temer. Têm suas cores, os seus animais prediletos e suas comidas, os seus toques e as suas andanças, as suas insígnias e os seus cânticos, as suas preferências e as suas antipatias – e ai! – daqueles que, devendo-lhes obediência, os irritar!

Embora sejam todos Orixás, há uma hierarquia poderosa e rígida em relação ao “status” – posições ocupadas pelas “Divindades”, os mais poderosos entre eles são, como na África: Òòsàálá => Oxalá (Brasil) => (ou Obàtálá / Odùdúwà); Óbara; Ògún; Oyá; Songó; Sakpatá ou Sakponã /Sapanã, também chamados de Homulú e Obaolúayé; Òsún (Oxum no Brasil); Yémonja (Yemanjá no Brasil).

Superior = Deus. Olóòrun (Olórun) que, depois de ter criado o mundo, dividiu o cosmo e deu a cada Òrìsà (Orixá) um domínio sobre o qual reinar.

            Obàtálá (deus criador do homem) / Odùdúwà (deus criador, distribuidor da justiça) => filhos de Olórun que, no Brasil, receberam o nome de Oxalá (Òòsàálá).

            Óbara => Aquele que, inicia ou termina / o que abre ou fecha. Sendo o pólo oposto ao de Òòsàálá. Sem Óbara, não se vai a lugar ou chega-se em algum objetivo almejado, pois sendo, o grande mensageiro entre os homens e as Divindades. Resumindo: Sem Óbara, não se faz nada ritualisticamente.

Intermediários = Orixás com muitos elementos, constituindo-se o resultado dos extremos como, por exemplo: Ògún; Oyá;  Songó; Sakpatá ou Sakponã / Sapanã; Òsún; Yémonja e sucessores.

Inferiores = (Culto aos Ancestrais). Egún ou Egúngun, espíritos, almas dos mortos que retornam a Terra, dependendo das cerimônias ritualísticas. Tanto pode ser da família, como antepassados da Religião Africana, e devem ser honrados. Já o Bàbá Eégún = São espírito reencarnado de uma Ancestral, que muitos chamam, somente, de Eégún. Esse, até pode ser, o primeiro grau de algumas iniciações, que podem variar de “uma” até “sete” cerimônias, mudando em cada delas a classificação do candidato.

            Exu = Em primeiro lugar, nunca foi de origem africana e sim, hebraico e de língua palli (o que quer dizer: o inverso de Deus), pois, os negros-africanos os temem. E nem tão pouco, como sendo, mensageiros entre deus e homens, como o Candomblé o apregoa, são personagens muito controvertidos. O surgimento desta “entidade” veio com a formação de Umbanda, pertencendo, principalmente, a facção de Quimbanda, o Exu como sendo escravo direto de Caboclos e Pretos Velhos e, sendo sim, está “entidade” o verdadeiro mensageiro dos homens para “Magia Negra”, bem como, nos rituais praticados na religião primitiva Celta e outras…. Africanos, evitam Exus; porque, os temem, em vista disto, consta em seus “orins” e “oríkìs” (rezas) a presença da “entidade Exu”. E tendo como, umas das atribuições principais, os Orixás Óbaras, com a obrigação de cuidar e de evitar os Exus. Não é como muita gente pensa, que Óbara é um Exu, isso não é verdade! Eles cuidam sim, dos Exus, para não perturbarem de modo geral o negro – africano e seus Rituais. Assim como, o Orixá Oyá cuida dos Egúns.

Observações: A verdadeira Doutrina dos Cultos de Religião de Matriz Africanas, e o aprendizado da mesma, por um Feitor ou Feitora, tem que ser paralelo, como nem trilhos de trem, ou seja, deve aprender todos os rituais de Orixás, assim como, cultuar seus Antepassados (Ancestrais), caso contrário, e nesses casos, os Feitores ou Feitoras, sempre, serão chamados de “pernetas” ou “manetas”! Como queiram….

Como esclarecimento, muita gente não conhece ou não sabe distinguir entre “Obàtálá Odùdúwà”:

Obàtálá = Nome africano de Oxalá (Òòsàálá), filho de Olórun, o Deus Supremo. Divindade às vezes masculina, às vezes hermafrodita, é o Orixá da “criação”.

            Mitos: Olórun começou o mundo e encarregou “Obàtálá” de terminá-lo. Também fez o “homem e a mulher”, grosseiramente, de barro, e Obàtálá deu-lhes membros e feições, tendo-lhes então Olórun insuflado a vida.

            Outro mito: Obàtálá é o único criador do primeiro casal humano, e ainda outro lhe atribui a formação da criança no ventre materno, sendo os portadores de defeitos físicos – albinos, coxos, corcundas etc… – vistos como erros seus e por isso seus protegidos, ou então um sinal de seu desagrado para com os pais.

            Devemos externar que seus fieis usam roupas brancas e comem só comidas brancas e manteiga vegetal (ori) que é branca, em lugar do óleo de dendê, vermelho. Também como os caracóis comestíveis ìgbín (conhecido no Brasil por “ebi”) são lhe oferecidos. Seus filhos usam colares brancos e são proibidos de beber vinho de palmeira e de se alimentar com alimentos contendo sal.

Importante: Deve constar em seu assentamento, entre outros objetos de seu culto “os bolos redondos de pembas (cal)” – nome africano => “sésé efun”; é sua arma de encantar.

            Título: Chamado de “Òrìsàálá (e no Brasil de Orixalá), cuja contração deu Oxalá (Òòsàálá), sendo seu nome chamado no Brasil.“Obàtálá” => deus criador do homem.

Odùdúwà: Orixá de origem dos povos sudaneses (nagô), ora masculino, ora feminino. Irmão de “Obàtálá” => Òòsàálá (Oxalá), esposa deste, simbolizando a “mãe terra” e Obàtálá o “céu”. Esta união é simbolizada por dois objetos formando uma bola (o Universo) que contém a vida e deve constar, dentro de um “Ilé”, e que traz prosperidade ao mesmo, sendo um “eró”, sendo proibido sua divulgação, só pode dar-se aquém têm àse (axé).

            Mito:Como irmão de Obàtálá, Odùdúwà, segundo os mitos, criou o mundo no lugar de seu irmão que dormia, em vez de cumprir a tarefa que lhe dera Olórun, embriagado pelo demasiado vinho de palmeira que bebera (razão pela qual esse vinho de palmeira, bem como, o óleo de dendê é proibido aos filhos de Obàtála / Òòsàála / Oxalá).

            Odùdúwà, ascendente dos povos Nagô, por seu filho “Òron Yòn” (pronunciando-se no Brasil como: Oranhiã) => deus progenitor dos povos Nagô (Nações Sudaneses Africanas). Seu nome verdadeiro era “Odé-dé” (caçador-chegado), dá longa vida, e aos anciãos honoráveis (africanos) que possuem um desses (símbolos) em sua casa (Ilé) abrem-na quando desejam morrer. É bom que se diga, no Brasil, de modo geral não é cultuado, ou seja, não existe culto e muito pouco lembrada. Porque, seu culto sempre se constitui, baseados, em grandes segredos africanos. Conhecemos alguns, mas nem todos! Por exemplo: Na Nação de Òyó (Pelotas – RS., e arredores) usa-se ou usava-se como Orixá de frente. Empregando-se o “awo eró” (segredos secretos). Odùdúwà => odù = cabaça para o àgbo + du = jorrou + wà = existe (cabaça [porongo] de onde jorrou a vida).Tendo sua atribuição como: Criador, distribuidor da justiça, neste Mundo.

Observação: Após está explanação ou de ter elucidado, os Orixás acima, com certeza, terá a preferência, homossexualismo, isto será lamentável. Desejo deixar claro, que não existe e nem deve existir comparações com os mitos de Orixás à personalidade ou escolha sexual de cada ser humano.

“Predominantes nos Cultos/Rituais Africanistas”

 

 

        Os aspectos predominantes nos Cultos/Rituais Africanistas são leitura de “búzios”; linguagem específica; de uso junto às “divindades” e de costumes africanos ou de africanistas (Brasil). Outros rituais, e de facções umbandistas/quimbandistas, bem como, madames que colocam cartas, todos são embuste à leitura de “búzios”, assim como, até africanistas pára-quedistas de cidade em cidade ou tenda em tenda à cata de clientes. Os africanistas só podem ler seus búzios em seu Ilé (Casa) e perante aos seus Orixás, caso contrário, é duvidoso ou logro, também são chamados de embusteiros.

Como também, são predominante e belo, as oferendas de frutas; flores; comidas de origem africanas e o respeitoso voto de sacralização de animais aos Orixás, sendo uma obrigação milenar, oriundo primitivo africano.

Vestuário de acordo com os Orixás (ornamentos, guias, cores, etc…), altar das Divindades; cerimônias públicas para diversos fins, inclusive para apresentação dos futuros seguidores; diversos instrumentos musicais primitivos e específicos.

Os Orixás, nos rituais e cultos africanistas, têm como predominante o seu grande repositório, dominando mar; céu; terra; cachoeiras; rios e o homem, bem como, todas as forças cósmicas do Universo. Têm suas preferências pela natureza, roupagem simples, cor, flores, grutas, nascentes, animais, dias, instrumentos de guerra e musicais, melodias e ritmos.

Em suas “lendas”, há tipos que se apresentam como figuras com características humanas como, por exemplo: Oyá; Yémonja; Òsún; Nanã; Ògún; Songó e Òòsàálá, significando, respectivamente, a mulher lutadora, a dona das águas do mar, a dos rios e cachoeiras, a mais velha, o guerreiro, como sendo o ministro da guerra, o julgador, justiceiro e também guerreiro e por fim o sábio experimentado.

Feitura – para não deixar dúvidas para muitas pessoas, com relação à feitura de Orixás pessoal. As pessoas, em sua maioria, só têm dois Orixás; mas, há possibilidade de até três, a fim de equilibrar a personalidade e a individualidade, caso contrário é piada! Ou, outros interesses, como financeiros etc…

            O Orixá de cabeça (Olórí) e o de frente / corpo (Eléèdá ou Eléèmí => Orixá protetor pessoal). Mas não é muito fácil compreender, devemos ir analisando vários fatores, após um estudo mais apurado e de confirmações com outros Feitores, dá-se melhores informações sobre os Orixás de cada um (pessoal).

“Umbanda”

 

 

        Pode-se dizer, hoje, como sendo, uma das religiões dos brasileiros. Tomando o significado geral da religião dos negros do Rio de Janeiro e também como em outros Estados do País.

É a religião, dos cultos de ancestrais (Egúns com luz), de caboclos, boiadeiros, pretos – velhos, certas falanges de ciganos, marinheiros e crianças, bem como, de escravos e subordinados aos demais, já citados, são os exus e também a exu fêmea (pomba-gira), destes nascendo a “quimbanda”, sendo esta, um dos caminhos, para tão chamada de “Magia-Negra brasileira”. É bom ressaltar, que este culto e ritual de quimbanda, nada tem haver com as doutrinas de cultos/rituais praticados pelos africanistas ou como chamados por muitos de afro-brasileiro.

Uma das diferenças existente e básica entre a Umbanda e com as demais, religiões de matriz africana, encontra-se (diferença) na doutrina de uma e de outra, bem como, também na concepção sacral e na explicação da experiência de mediunidade. A Umbanda, não deixa de ser um culto como os africanos intitulam, para Bàbá Eégún (Egúns com luz => Guias [caboclos; pretos velhos, etc...]). Já na tradição africana, é o Orixá (Òrìsà) que toma o corpo dos filhos de Orixás (omoòrìsàs); ao passo que, a Umbanda, é o espírito desencarnado de um ancestral ou antepassado que se manifesta no médium. Possuindo um linguajar bem diferente e misturando várias línguas, ou seja, falam através da matéria do médium. Ao passo que, em alguns rituais de origens africanos, principalmente, no Candomblé, o Orixá “não fala e nem canta, mas sussurra e grita”; porque, não existe no Candomblé (de forma geral) uma doutrina, assim como, de ensinamento do linguajar (idiomas) africano aos seus sacerdotes, e extensivo aos adeptos religiosos.

É bom, esclarecer, que no “Batukàjé” (batuque – RS.), em seu início, havia uma doutrina do linguajar africano, tanto de Nagô, Anago e Bantu e, com o tempo foi se perdendo e agravou-se na década de 60, pela discriminação racial nos USA. Isto, vindo a repercutir nos afro-descendentes, da época e até os dias de hoje, no Rio Grande do Sul e, os mesmos, passaram obliterar o linguajar africano em troca da língua oficial do País, em suas comunicações diárias; mas, ainda existe, pouco é verdade, não com a mesma intensidade do passado, nos cultos/rituais religioso. O linguajar africano, que aos poucos, estamos resgatando, principalmente, o idioma yorùbá.

A Umbanda tradicional ou de antigamente baseava-se nos ensinamentos dos orixás, dos guias e protetores, cuja essência era fornada pelo ABCDEF, como sendo a sigla representativa de amor; bondade; caridade; desprendimento; evolução e fé, tanto que seus rituais e trabalhos sérios não tiravam o caráter benevolente para com as pessoas.

Hoje, como a Umbanda cruzada ou também chamada de popular, e com o desenvolvimento de Quimbanda em nosso País, devido, as facilidades e influência de drogas e vícios existentes, a mesma, vem soterrando a própria Umbanda e demais religiões de matriz africanas em nosso País, na conquista de novos adeptos religiosos.

A base dos aspectos predominantes de Umbanda tradicional em no País, são rituais de várias origens; roupas simples e brancas; imagens de santos católicos; pretos-velhos; caboclos e índios; desenvolvimento de doutrinas umbandistas ao médium, através de freqüência permanente e de acordo com sua capacidade mental e espiritual, atinge graus ascendentes; com o auxílio dos palmeados e de instrumentos simples e rústicos. Cultuando às vezes, alguns orixás de origem africana e instrumentos como tambores e outros, sendo esta, chamada de popular ou cruzada.

O nome de Umbanda de Linha Branca é dado quando somente há magia branca, ou seja, elevação espiritual e mediúnica, não se utilizando a Linha da Esquerda (Preta) que trabalha com exus, praticando o mal, praticados por pessoas nódoas e sem escrúpulos e sendo escroques. Notificando, que vem nulificando a sublime, Umbanda tradicional. Desejo notificar; que ambas não têm nexo aos Cultos/Rituais Africanistas. Que a sociedade brasileira realiza sua judicatura envolvendo todas em uma só religião.

É de bom alvitre dizer que a Umbanda tradicional trabalha para a evolução espiritual; mental e mediúnica dos vivos. No século XXI, existe a necessidades de elucidar e de externar ao ser humano as facções de escroques existentes em nosso meio, confundindo o leigo. Em breve, a tendência é de unir as facções religiosas que trabalham para o bem e a evolução do homem.Temos que buscar na formação intelectual de cada pessoa e suas aptidões, sendo importante, para feitura de futuros sacerdotes. Já que a Umbanda não é um culto, mas sim uma religião popular. Caso contrário, será um niilismo para as religiões populares neste País.

A principal finalidade de Umbanda seria o serviço aos espíritos humanos “encarnados ou desencarnados”, seja por meio da doutrinação ou do auxílio espiritual, se destacando nas dificuldades materiais e morais, alívio ou cura de doenças.

“O Sincretismo”

Com a dificuldade dos africanos cultuarem seus costumes religiosos na nova Terra, optaram por fazer uma aproximação dos santos católicos aos Orixás, por eles, cultuados na África-Negra. Tornando-se assim, mais compreensível os usos e costumes dos escravos pelos seus patrões e representantes da Igreja Católica; mas, mesmo assim, com a perseguição e discriminação de muitos.

Assim, os escravos, embora “convertidos” ao catolicismo (cristianismo), continuavam a praticar seus rituais, com muitas restrições, em idiomas de origens de sua Nação – África-Negra.

É bom que se diga; as relações que os escravos faziam entre o Orixá e o Santo Católico eram interessantes e com muita esperteza, como por exemplo: Entre muitas, as comparações feitas, entre Ògún e São Jorge; Xapanã / Sakpatá e São Lazaro / São Roque; sendo este Orixá, o deus da varíola e, o santo tem o corpo coberto de feridas. Observação: Na verdade, o sincretismo nos leva apenas a comparações, havendo na conversão dos negros-escravos-africanos e seguido até pouco tempo por alguns afro-descentes ao catolicismo uma grande ilusão de catequese.  Hoje, lutamos para desfazer esse sincretismo; mas, o leigo insiste em mantê-lo! O sincretismo, criado na época como fuga ou disfarce, para o negro-africano poder cultuar seus rituais religiosos de origem. Hoje, não existe mais a necessidade, embora, ainda exista a discriminação religiosa neste País, principalmente, em um Estado como nem o Rio Grande do Sul, sendo colonizado, em sua maioria por povos de origens européias.

As religiões de matriz africana tiveram no Brasil, em seu princípio e até os dias de hoje, existindo perseguições e discriminações, embora, tenha um vasto campo de proliferação e sendo muito fácil, e como ainda sendo utilizado, por muitos, do sincretismo permanente. Embora, não exista mais essa necessidade. Assim, iremos encontrar no País:

Candomblé = Nome falso das origens dos negros-africanos, sendo de origem espanhola (Argentina / Uruguai). Se fosse o nome africano, seria então “kandombe” do idioma Bantu, dialeto Kimbundo => (costume dos pretos) dança sem fins religiosos na África-Negra. A prova do que o sincretismo está no próprio “Candomblé”, é só notarmos as “Confrarias religiosas na Bahia”. Aos leigos ou desinformados, o Candomblé se diz o núncio das verdadeiras religiões de matriz africana, estão nefando.

Bàbásuê = No Pará e Piauí, tendo fluência da Casa Grande das Minas (Jèje).

Tambor = Chamado de Tambor de Mina ou de Nagô. Culto de ritual “daomeano” principalmente no Estado do Maranhão.

Xangô = Nome usado por leigos para designar os cultos de matriz africana  em Recife e nas Alagoas.

Macumba = Nome dos Cultos afro-brasileiros, do Estado do Rio de Janeiro.

Catimbó = Nome dos Cultos relacionado à pajelança, com várias procedências. Muito comum no Nordeste Brasileiro.

Batukàjé = Nome original do idioma Bantu, dialeto Kimbundo. Passando a chamar-se; genericamente, ou de forma geral de “Batuque” no Estado do Rio Grande do Sul. Sendo este o Estado, um dos últimos a introduzir os serviços de escravos negros. E, em princípio, a maioria de escravos-negros de origem, de povos, sudaneses e depois os póstero escravos-negros, os de origem de povos Bantu, os quais, deram o nome dos Cultos e Rituais Religiosos de Matriz Africana no Rio Grande do Sul. Possuindo hoje, em nosso País, os rituais mais semelhantes e tradicionais existentes da África-Mãe. Mas, também existe, entre muitos, Africanistas o sincretismo, devido, há várias influências, perseguições e discriminações.

Por fim, devo elucidar para todos, que as Religiões de Matriz Africanas, de modo geral, encontram-se muito modificadas de seu princípio em nosso País, sofrendo grandes alterações no seu “Fundamento” e principalmente, em seus Cultos/Rituais a passo largo. Devido, a má preparação, hoje, dos futuros Bàbálóòrìsàs e Iyálóòrìsàs está comprometendo a continuação dos usos e costumes das tradicionais Religiões de Matriz Africana, sendo que as pessoas menos avisadas passam a adotar as deturpações através da persuasão dos sofisticados “Feitores de Orixás” que não têm qualquer preparo, negaceando e nocivo ao “Fundamento” e dos Rituais de Matriz Africana; aplicando um neologismo e niilismo do “Fundamento e Rituais”, fazendo de seus adeptos os néscios das Religiões de Origem Africana, visando sim, dos mesmos, somente o lado financeiro. O que acaba prejudicando as demais manifestações nobres e religiosas existentes em nossa Comunidade, Estado e País. Pois, a luta para neutralizar os falsos feitores é grande; mas, o leigo ignora esse fato. Cuidado! Com aquele ou aqueles que realizam vários rituais!!! Será que ele ou eles sabem realizarem um ritual por inteiro!? Cuidado, você poderá ser cobaia dos feitores escroques!

“Esclarecimento”

O que é Nagô – Anago – Bantu?

Tenho observado, erros cometidos por africanistas, assim como, de simpatizantes das Religiões de Matriz Africana, com relação ao emprego da palavra “Nagô”!

“Nagô”

Devemos iluminar há todos; que a palavra “Nagô” não significa uma Nação ou Reino Africano, e sim, sendo uma denominação dada pelos “franceses” aos povos africanos sudaneses que compreende as Nações: de Òyó; de Ijèsà; e de Kétu, todas elas de “Idiomas Yorùbá” que pertence aos grupos “Kwa ou Nígerokameruniano” de Línguas Africanas Sudanesas. Que também compreende vários sub-grupos e dialetos, entre os quais o “Egbá” – que inclui a Nações de Kétu e Ijèsà. Portanto, “Nagô” quer dizer; várias Nações Sudanesas Africanas, entre as quais, existem seus costumes e rituais religiosos.

Devido, aos “empórios de escravos no Brasil” e a misturas de crenças, costumes e práticas religiosas destes povos sudaneses africanos, chamados de negros Yorùbás. Também, deu-se, o mesmo, nome no Brasil, como nem os franceses, de “Nagô”. A religião que trouxeram estava poderosamente plantada na sua Terra Natal, servindo de modelo para outras Nações Africanas, onde nasceu o termo de “Anago”, formando-se com o Nagô mais as religiões das áreas vizinhas, e mais particurlarmente entre os povos “Ewes” (Evoes), conhecidos no Brasil como povo Jèje, os mesmos, são vizinhos dos Nagôs na África. Têm as mesmas divindades, mas com nomes diferentes, que conservam em oclusão. Uma das principais característica das “Casas de Cultos (Jèje) é a presença de “Dã”, serpente não venenosa, companheira de todos os voduns (divindades). Já na África, como a religião andava de mãos dadas com o poder civil, também a realeza, nos territórios de leste e a oeste, seguia os padrões “Nagôs”, com seus “reis” pagando tributo, real ou simbólico ao soberano Reino de Òyó. Sendo a Nação de Òyó, a principal Nação Sudanesa Africana (Nagô), tanto na África como no Brasil, devido, o “Fundamento e seus Rituais religiosos” em todos eles, existindo a lógica entre o Fundamento e os Rituais, por eles praticados.

“Anago”

Como já citei acima como se formou o “Anago” na África. Aqui no Brasil, damos, o mesmo, exemplo no início das Nações Religiosas Africanistas do Rio Grande do Sul e, em outros Estados do País. A princípio, no Rio Grande do Sul eram a maioria, hoje, já predominando os de Nações de Bantu (por exemplo: Kabinda). Devido, a facilidade nas feituras de adeptos, dando-se aproliferação desta Nação em nosso Estado.

“Anago”, é bom sempre esclarecer, que são as Nações Sudanesas (de Òyó; Ijèsà; Kétu) e mais a Nação de Ewe (Evoes), dita de Nação Jèje; o “Anago” também chamado no Brasil de “Nagô-Vodú” ou “Nagô – Jèje” => formou-se com a únião do povo Nagô com Ewe (evoe) Língua da África Ocidental, falada em parte da região da antiga Costa do Ouro (atual Gana), Rio Volta, Togo e Daomei (atual República Popular do Benin). Tem vários grupos dialetais e dialetos, como Ewe propriamente dito, “Fon” (Jèje do Dahomey); “Mina” (anexo, Popo, etc…); “Anlo”; “Inland”; “Fantis”; “Esantis”; “Camarões”; “Gabões”; habitantes da “Costa”, “Hauças”; “Maometanos”, etc…

Devemos ressaltar, para fins de “religião” – “Fundamento e Rituais”- e para formar-se o “Anago” pode ser uma só ou mais Nações Sudanesas acresentando-se mais a Nação de Jèje.

Ewe (Evoes) =>língua que pertence ao Grupo Kwa, foi falada juntamente com a Língua Yorùbá, no Brasil, pelos escravos vindos dessas regiões, especialmente os Dahomey => que tiveram o nome geral de Jèje. Embora tivessem sido muito influenciados pelos povos Nagô, deixaram algumas palavras, bem como, alguns rituais nos cultos religiosos e também certos dialetos ainda são falados por um ou por outro, em certas Nações de origem Jèje que exitem no Brasil, mas com a predominancia do Nagô (Yorùbá). É bom que se diga:

Entre os demais, os Nagôs sempre exerceram, do ponto-de-vista religioso, uma grande e inconstestada supremácia, devido, ao grande Reinado de Òyó na África, com relação a toda cultura religiosa africana, inclusive sobre aos povos Bantus, menos cultos aos costumes religiosos na África.

“Bantu”

É um Grupo ligüístico, chamado no Brasil de povos “Banto”, compreendendo milhões de africanos, com inúmeras línguas e quase 300 dialetos, possuindo aproximadamente 2/3 da África Negra.

A população escrava, vinda para o Brasil, era formada quase que totalmente dos negros de origem “Bantu”, e principalmente, os negros de “Angola” e “Congo”. Os escravos aqui chamados de: Banquelas ou Bangalas; Rebolos; Munjolos ou Monjolos; Makuas; Musikongos; Moçambiques; Kabinda, está última se destacando no Sul do País, (onde, juntamente com a Nação de Òyó, vinda em primeiro lugar ao Estado – RS.). Mas, eram poucos escravos, os procedentes das colônias portuguêsas de Moçambiques e da Guiné, vindos para o Brasil.

No momento da chegada dos “Nagôs”, um século e meio, já de escravidão no Brasil, os negros escravos existentes de origem Bantu, já haviam sido desafricanizados e apagando os seus costumes, as suas crenças religiosas, as suas línguas nacionais. A maioria dos escravos Bantus no Brasil, esse Grupo, e cujas línguas, Kimbundo e Kikongo, entre outras, são as que mais termos deixaram em nossa linguagem religiosa atual. Quanto aos costumes religiosos, associaram-se ou mesclaram-se com as demais, principalmente, no Rio Grande do Sul. O importante foi o nome dado pelo povo Bantu aos Cultos Religiosos do Rio Grande do Sul => do Batukàjé, que no passar dos tempos, originou o nome popular de Batuque dos gaúchos.

Como também devemos elucidar, pelos estudos até hoje realizados. Na África, os povos Bantus, houve tempo em que os de Nação de Angola (do Congo ou Kongo, Kabindas e Banguelas, inclusive) jamais passaram do nível de gênios ou demiurgos; a colonização portuguesa interrompeu o processo natural de codificação de crenças e práticas e, portanto, do surgimento de ordens sacerdotais; seminômades em grande parte, os negros de Nação de Angola e outras de povos Bantus, teriam os seus lugares de oração, mas não em templos. Tudo isto, os esperava, porém, no Brasil, graças aos Nagôs e Anagos. Tendo aceito a nova religião, como o fez toda a massa escrava, Kabindas, Banguelas, Rebolos e outros, reinterpretarem o modelo recebido pelos Nagôs e Anagos, fazendo aproximações entre as suas “divindades (do povo Bantus)” e as dos Nagôs e Anagos, adaptando aos seus costumes o ritual (muito rígido e mesmo hierático entre os Nagôs / Anagos, mais livre entre os povos Bantus).

É de bom alvitre dizer: Os três tipos de Religiões de Matriz Africanas realizadas em nosso País, ligam-se, em geral, entre si, elementos socialmente acomodados de emprego, de situação familiar estável, capazes de satisfazer as “Obrigações Religiosas” individuais e de acorrer às necessidades sociais das “Casas de Cultos Religiosos de Origem Africanas”.

Neste texto apresento alguns tópicos relativos às religiões afro-brasileiras do Rio Grande do Sul (RS) que contemplam ao mesmo tempo uma visão histórica e atual, com ênfase nas suas características que mais se destacam na atualidade.

Inicio com dados historiográficos sobre o ingresso do negro escravo no RS e sobre a estruturação do Batuque. Discorro então sobre os distintos “lados” desta religião ao mesmo tempo em que aponto alguns aspectos históricos e especificidades da Umbanda e da Linha Cruzada neste estado. Em seguida, me atenho a um personagem legendário do campo afro-gaúcho, um príncipe africano que residiu neste estado a partir de 1899 e aqui faleceu em 1935. Na seqüência, discorro sobre três importantes características atuais do campo religioso afro-gaúcho, a saber: a presença de “brancos” nas religiões de matriz africana; a transnacionalização do batuque e demais religiões afro-brasileiras para os países do Prata; e a aproximação dessas religiões no campo político estadual e municipal, sem, porém, ocorrer o ingresso efetivo na esfera política, como fazem, por exemplo, os evangélicos.

Os Negros e as Religiões Afro-Brasileiras no Rio Grande do Sul

Os negros africanos e seus descendentes participaram diretamente do desenvolvimento econômico dos dois primeiros séculos da história do Rio Grande do Sul. Segundo Beatriz Loner, “praticamente não houve profissão manual que não tivesse representantes dessa etnia em seu desempenho, tanto no período imperial quanto na República” (Loner, 1999:9). O mesmo, como se sabe, ocorreu nas demais capitanias e províncias do Brasil onde, como diz Prandi, os escravos africanos “foram sendo introduzidos [...] num fluxo que corresponde ponto por ponto à própria história da economia brasileira” (Prandi, 2000:52).1

O marco inaugurador do Rio Grande do Sul é a fundação do Forte de Jesus, Maria e José, na Barra de Rio Grande, no ano de 1737, pelo brigadeiro José da Silva Paes, em cuja tropa, formada por 260 homens, havia escravos e negros libertos.

A historiografia do Rio Grande do Sul ainda se debate em torno da questão de saber a procedência do negro escravo trazido para este estado. Há, no entanto, algum consenso de que essa população se dividia entre negros “crioulos”, ou seja, indivíduos nascidos no Brasil e para aqui transferidos, “ladinos”, isto é, indivíduos que já haviam trabalhado em outras regiões do país, e africanos, aqui chegados após terem passado por algumas regiões brasileiras, entre elas, Bahia, Pernambuco, São Paulo, Santa Catarina, e mesmo africanos que chegaram ao Rio Grande do Sul provenientes da Argentina e do Uruguai. A título de exemplo, um levantamento realizado junto aos Inventários da Freguesia de Pelotas, no período compreendido entre 1850 e 1880, mostrou que num universo de 1.604 escravos, 460 eram crioulos, 556 indeterminados e 590 africanos (Assumpção, 1990). Estes últimos, por sua vez, dividiam-se em diferentes nações ou grupos tribais. Por exemplo, por ocasião das comemorações da Abolição, desfilaram em Pelotas os “Filhos de Angola, Mina, Benguela, Erubé, Congo e Cabinda…” (Jornal Echo do Sul, 10/6/1888 apud Loner, 1999:8).2Seja como for, no Rio Grande do Sul “os banto vieram em número muito superior aos sudaneses” (Correa, 1998a:66).

A introdução do escravo no RS ocorreu a partir da primeira metade do século XVIII. Trabalhavam na agricultura, nas estâncias e, sobretudo a partir de 1780, na produção do charque, na região de Pelotas. Segundo Correa, os negros compunham cerca de 30% da população da Província em 1780, e 40% do total em 1814. Nesta data, os negros perfazem cerca de 51% da população de Piratini e 60% de Pelotas (ibidem:65-66). Porém, com o início da chegada dos colonos alemães em 1824 e dos italianos em 1875, verifica-se um aumento da população branca e uma redução na porcentagem da população negra em território gaúcho.

A produção das charqueadas — executadas pelo trabalho braçal escravo em condições bastante desfavoráveis em razão das condições climáticas, precariedade de infra-estrutura e exigências severas ditadas pelo próprio regime escravocrata — foi de tal monta que em 1861 o charque contribuía com 37,7% do total do que o RS exportava e os couros com 37,2% do total, juntos somando 74,9% do total da produção gaúcha para fora da Província (Assumpção, 1990). A relação entre o trabalho forçado dos negros e o desenvolvimento das charqueadas era tal que na medida em que se aproximava a Abolição também diminuiu o número de charqueadas. Assim, referindo-se a Pelotas, Loner lembra que “de um total de 34 charqueadas existentes em 1878 na cidade, elas reduziram-se a apenas 21 às vésperas da Abolição e a 18, dois anos depois” (Loner, 2001:7), ocasionando a diminuição do charque que servia de alimento dos escravos do sudeste e desta forma acarretando problemas no mercado de consumo deste produto.

A estruturação do batuque no Rio Grande do Sul constitui outro tema que aguarda um aprofundamento investigativo. Tudo indica que os primeiros terreiros foram fundados justamente na região de Rio Grande e Pelotas. Para o historiador Marco Antônio Lirio de Mello — que fez uma ampla pesquisa nos jornais de Pelotas e Rio Grande do século XIX — a presença do batuque é atestada nesta região desde o início do século XIX (Mello, 1995). Também Correa situa o período inicial do batuque nesta região entre os anos de 1833 e 1859 (Correa, 1988a:69). Se assim for, permanece a dúvida de se saber se a estruturação do batuque ocorreu posteriormente ou paralelamente à estruturação do candomblé, uma vez que o primeiro terreiro de candomblé teria surgido na Bahia no ano de 1830 (Jensen, 2001:2). Aliás, a mesma dúvida M. Herskovits havia levantado em 1942, por ocasião de uma “rápida viagem” pelo Rio Grande do Sul (Herskovits, 1948).3

No entanto, a partir das décadas de 70 e 80 do mesmo século, os jornais dessa região apresentam, com alguma regularidade, em suas páginas policiais, matérias sobre cultos de matriz africana. De fato, nos jornais Correio Mercantil e Jornal do Comércio, de Pelotas, bem como no jornal Gazeta Mercantil de Rio Grande, pode-se ler notícias, infelizmente as mais recorrentes sendo de prisão de “feiticeiros” e “feiticeiras”, como esta:

Foram presas à ordem da delegacia, duas pretas feiticeiras que atraíam grande ajuntamento de seus adeptos. Na ocasião de serem presas, encontrou-se-lhes um santo e uma vela, instrumento de seus trabalhos [...]“. (Jornal do Comércio, Pelotas, 9/4/1878, p. 2 apud Mello, 1995:26)

Quanto ao mito fundador do batuque, há duas versões correntes: uma que afirma ter sido o mesmo trazido para esta região por uma escrava, vinda diretamente de Recife; e outra que não associa a um personagem, mas às etnias africanas que o estruturaram enquanto espaço de resistência simbólica à escravidão.

Já as notícias relativas ao batuque em Porto Alegre4 datam, preferencialmente, da segunda metade do século XIX, isto sugerindo que ou sua origem, ou, o que é mais provável, o seu incremento pode ter ocorrido com a migração de escravos e ex-escravos da região de Pelotas e Rio Grande para a capital. Novamente, as principais fontes de referência são os jornais que reportam ações policiais contra os terreiros. Lilian Schwarcz transcreve, por exemplo, reportagem do Correio Paulistano, de 30/11/1879, intitulada “Os feiticeiros do RS — Grande Caçada”. Diz a reportagem:

a polícia tomou ontem em uma casa 42 pretos livres e escravos e 11 pretos minas. A caçada deu-se às 10h30 da noite no momento em que o preto João celebrava uma sessão de feitiçaria. Foi uma surpresa e um desapontamento que aqueles fiéis crentes jamais perdoarão a polícia [...]. A polícia apreendeu cabeças de galo e outros manipansos. Os principais atores da indecente comédia foram recolhidos à cadeia e os escravos castigados. (Schwarcz, 1989:126, ênfases minhas)

Inútil dizer que as perseguições aos terreiros não deixam de expressar um certo medo branco diante do poder de manipulação das forças sobrenaturais por parte dos escravos e seus descendentes. Obviamente que a perseguição era sempre precedida de um conjunto de estigmas lançados sobre essas religiões, visando justificar aquele procedimento.

Em Porto Alegre, a partir da segunda metade do século XIX, o maior contingente de negros se encontrava nas cercanias da cidade, no Areal da Baronesa, na cidade baixa, imediações da atual Rua Lima e Silva,5 e nas chamadas Colônia Africana e “Bacia”, atuais bairros Bonfim, Mont Serrat e Rio Branco.6 Estas últimas tratavam-se, em sua origem (“em torno da época da abolição”), de uma “zona insalubre, localizada nas bordas de chácaras e propriedades que ali existiam, de baixa valorização e de pouco interesse imediato para seus donos, que foi sendo ocupada por escravos recém-emancipados” (Kersting, 1998:111).7

Kersting mostra como, sobre essas áreas, foram criadas representações que as associavam a criminalidade, vícios, perigo, e seus habitantes tidos como membros de “classes perigosas”. Por isto mesmo, essas áreas foram deixadas a um relativo isolamento por parte das autoridades públicas e, ao longo das décadas do século passado, foram dissolvidas mediante um processo de “higienização urbana“.8 Evidentemente que por trás desta atitude existiam interesses imobiliários de ocupação dessas áreas da cidade para “modernizá-las”, o que começou a ocorrer ainda nas primeiras décadas do século XX, com o processo de branqueamento da população, simultaneamente à abertura de ruas e de construções em padrões arquitetônicos não populares. Por exemplo, parte da Colônia Africana começa a receber iluminação elétrica em 1911, algumas ruas são asfaltadas em 1912 e neste momento prevê-se também a construção de uma rede de esgotos. Reitero que esse processo de urbanização consiste fundamentalmente na descaracterização como área essencialmente negra “até se transformar em bairro saneado que se vê em 1922″ (ibidem:195). Este autor informa que a maioria dos não-negros que fixam residência na ex-Colônia Africana são judeus, enquanto os negros são expulsos para áreas mais periféricas e ainda desabitadas, como o bairro Mont Serrat, destino primeiro dos exilados da Colônia Africana e onde algumas famílias conseguiram estabelecer moradia até os dias de hoje.9

Simultaneamente a esse processo de modernização, justamente em 1912 a Colônia Africana passa a ser um bairro chamado Rio Branco. Embora seja uma homenagem ao Barão do Rio Branco, não deixa de ser irônico que um território anteriormente denominado Colônia Africana, em razão da presença maciça de negros, seja chamado de Rio Branco, caracterizando o predomínio de não-negros nesta área.

Há relatos da prática de cultos afro-brasileiros em todos os territórios negros referidos. Relativamente à Colônia Africana, por exemplo, o primeiro sacerdote da igreja de Nossa Senhora da Piedade, concluída e inaugurada nesta área em 1913, cônego Matias Wagner, “aponta para a presença desses cultos e para o fraco número de católicos realmente fiéis” (ibidem:184). Assim, em seu livro “Paróquia de N. S. da Piedade de Porto Alegre:1916-1958″, o referido cônego escreve: “Encontrei certa vez um homem que, dizendo-se muito católico, apostólico e romano, era também dono e Pai Santo de uma casa de batuque…” (apud Kersting, idem:186). O mesmo cônego refere também que foi alvo de despachos de “parte daquela gente de Umbanda”. Aliás, o pároco se refere às religiões afro-brasileiras pelos nomes de batuque, umbanda e espiritismo e, mais genericamente, pelos termos etnocêntricos e preconceituosos de crendices, superstições e feitiçarias.

No contexto das lacunas históricas sobre as religiões afro-brasileiras no Rio Grande do Sul figuram também dados estatísticos sobre os terreiros deste estado. Dispomos unicamente de informações parciais sobre o número de terreiros de batuque para Porto Alegre, durante 20 anos, de 1937 a 1952, apresentados por Carlos Krebs (1988:16).

Tais dados constam das estatísticas oficiais do Rio Grande do Sul, tendo o censo sobre a religião sido abandonado em 1952. Malgrado sua precariedade, pode-se perceber um crescimento quase que anual do número de terreiros em Porto Alegre, fato este que continua, segundo dirigentes de federações, até os dias de hoje, onde existem, no seu conjunto, cerca de dois mil terreiros na capital gaúcha.

O Batuque

Batuque é um termo genérico aplicado aos ritmos produzidos à base da percussão por freqüentadores de cultos cujos elementos mitológicos, axiológicos, lingüísticos e ritualísticos são de origem africana. O batuque é uma religião que cultua doze orixás10 e divide-se em “lados” ou “nações”, tendo sido, historicamente, as mais importantes as seguintes: Oyó, tida como a mais antiga do estado, mas tendo hoje aqui poucos representantes e divulgadores; Jeje, cujo maior divulgador no Rio Grande do Sul foi o Príncipe Custódio, sobre o qual falaremos mais abaixo; Ijexá, Cabinda e Nagô, são outras nações de destaque neste estado. Nota-se que o Keto esteve historicamente ausente no RS, vindo somente nos últimos anos a se integrar por meio do candomblé.

Vejamos alguns dados disponíveis sobre as mencionadas nações neste estado:

OYÓ. Segundo a tradição local, esta nação chegou a Porto Alegre vindo da cidade de Rio Grande. Foi cultuada no Areal da Baronesa e dali no Mont Serrat onde se situaram as principais casas deste culto.

M. Herskovits e R. Bastide, por ocasião de suas estadas em Porto Alegre, o primeiro em julho de 1942 e o segundo em 1944, referem-se carinhosamente à Mãe Andrezza Ferreira da Silva, da nação Oyó que, segundo Bastide, “formara-se com um velho babalorixá que ainda tinha à sua volta alguns africanos nativos” (Bastide, 1959:238). Segundo Carlos Krebs, Mãe Andrezza teria vivido de 1882 a 1951 (Krebs, 1988).

Hoje, como disse acima, trata-se de um culto praticamente em extinção, restando algumas poucas casas no estado. Segundo Pernambuco Nogueira,

[...] o último nome da antiguidade da nação Oyó que conhecemos foi Tim do Ogum, já falecido, e que foi o iniciador da Delsa do Ogum, casa ainda em atividade. Além deste vamos encontrar o Antoninho da Oxum e sua filha-de-santo a Moça da Oxum (Lídia Gonçalves da Rocha), como nomes de projeção. Distinguiu-se entre os praticantes do Oyó a figura de Fábio da Oxum quer pela beleza e suavidade do orixá que recebia, quer pelo fato de ter sido um dos raros pais-de-santo que não vivia da Religião (Nogueira, 2001b).

As especificidades da nação Oyó residiam, sobretudo, na ordem das rezas, uma vez que chamavam primeiro os orixás masculinos e a seguir os femininos, encerrando-se com as de Yansã (Oiá), Xangô e finalmente Oxalá, o destaque para os dois orixás resultando do fato de serem o Rei e a Rainha de Oyó. Também era próprio da nação Oyó os orixás conduzirem em suas bocas, ao término das obrigações, as cabeças dos animais oferecidos em sacrifício já em estado de decomposição; finalmente, segundo os mais antigos, no Oyó os ocutás eram enterrados, em vez de colocados em prateleiras (ibidem).

IJEXÁ. Trata-se da nação predominante hoje no estado. Os deuses invocados são os orixás e a língua ritualística é o iorubá. Renomados babalorixás históricos (já falecidos) como Manoelzinho do Xapanã e Tati do Bará, ambos iniciados na Cabinda, passaram mais tarde para o Jeje e seus descendentes ingressaram todos no Ijexá, dizendo-se então Jeje-Ijexá.

Segundo um depoimento colhido por Norton Correa junto ao já falecido tamboreiro Donga de Yemanjá, o Ijexá predominava nas regiões negras de Porto Alegre como o Mont Serrat e Colônia Africana (Correa, 1998a:76).

JEJE. No dizer de Pernambuco Nogueira,

[...] foi, durante muito tempo, a Nação que predominou no Rio Grande do Sul, em que pese o fato de jamais termos ouvido falar em voduns a exemplo dos cultuados em São Luis do Maranhão. Sempre ouvimos dos que se diziam jeje puros falar e invocar os orixás nagô. Dada a complexidade dos seus toques, a morosidade dos mesmos e a dificuldade na preparação dos tamboreiros que, inclusive, deviam usar os oguidavis, de difícil manejo, foram adotando as rezas do Ijexá [...]” (idem).

As figuras mais importantes desta nação foram Paulino do Oxalá Efan, que reiniciou no Jeje o Manoelzinho do Xapanã e Tati do Bará, oriundos da Cabinda, como disse acima. Um dos filhos de Paulino foi João Correia de Lima, Joãozinho do Bará Agelú, morador do Mont Serrat, talvez o primeiro e um dos mais importantes babalorixás que “exportou” o batuque para além das fronteiras do Rio Grande do Sul em direção aos países do Prata, como veremos abaixo. Outro importante babalorixá desta nação foi Idalino do Ogum, que faleceu com a idade de 104 anos. Enfim, outro personagem, este mitológico, da nação Jeje foi o famoso Príncipe Custódio de Almeida, sobre o qual falaremos a seguir.

Vale aqui registrar que a origem do termo “jeje” é bastante problemática. Lorand Matory, por exemplo, sintetiza uma série de autores que tentam esclarecer o “mistério” em torno deste conceito e propõe a hipótese de que se trata de uma construção transatlântica, ou seja, um nome aplicado pelos comerciantes e donos de escravos — alguns retornados, em suas idas e vindas entre Brasil, Cuba e Golfo da Guiné — “a todos os africanos que eles consideraram seus parentes, apesar de ser pouco provável que esses ‘parentes’ assim se identificassem inicialmente” (Matory, 1999:64).

CABINDA. Trata-se de uma nação Banto, originalmente de fala Kimbundo. O cemitério é o início da nação religiosa de Cabinda, diz um pai-de-santo e estudioso do batuque. Segundo ele,

[...] o culto aos Eguns nesta Nação é tão forte que dificilmente se encontrará uma casa-de-religião sem que tenha o devido assentamento de Balé (culto aos egunguns), ou Igbalé (casa dos mortos). (Ferreira, 1994:59)

Já para o babalorixá Pernambuco Nogueira, nos rituais de Cabinda que freqüentou no Rio Grande do Sul “jamais ouvimos falar de Inkices. O que sempre foi cultuado foi o Orixá iorubano” (Nogueira, 2001b).

Segundo consta, este culto foi trazido para o Rio Grande do Sul por um africano conhecido por Gululu, de cujas mãos saiu a figura mais marcante do culto Cabinda no Rio Grande do Sul: Waldemar Antônio dos Santos, do Xangô Kamucá. Dele descenderam as famosas Mãe Maria Madalena Aurélio da Silva, de Oxum Epandá Demun, que iniciou Romário Almeida, do Oxalá, e Henrique Cassemiro Rocha Fraga, de Oxum Epandá Bomi, todos falecidos, e Mãe Palmira Torres dos Santos, de Exum Epandá Olobomi, que iniciou João Cleon Melo Fonseca, do Oxalá, que é tido hoje como o mais importante herdeiro da tradição Cabinda do estado, embora, como diz Pernambuco Nogueira, “de sua origem mantém apenas o rótulo: o conteúdo é todo ele Ijexá” (ibidem).

NAGÔ. No dizer de Pernambuco Nogueira, [...] é uma nação que, tendo sido a origem do Culto no Rio Grande do Sul, hoje está praticamente extinta, restando pouquíssimas casas” (idem). Há, em Porto Alegre, o terreiro Nova Era, do pai Jader, que pretende ser a continuação dessa tradição longínqua no estado. Diferentemente dos demais terreiros, neste, “a chegada dos orixás se faz como no Candomblé (linha por linha, trabalhando e desincorporando) e a matança é procedida com o animal no chão e não suspenso” (idem).

Ainda segundo Pernambuco Nogueira, “talvez situa-se nesta casa a semente do culto africano plantada pelos escravos das charqueadas, desde a sua origem em Rio Grande…” (idem).

Ao que consta, não dispomos de informações numéricas sobre a incidência dessas nações no Rio Grande do Sul. O historiador Dante de Laytano, em pesquisa realizada sobre o batuque em Porto Alegre, em 1951, observou que as 71 casas por ele encontradas dividiam-se em 24 de nação Nagô, 21 Jeje, 13 Oyó, 8 Ijexá e 5 “mistos” (Laytano, s.d.:53). Na atualidade, porém, predomina no batuque do Rio Grande do Sul o lado Ijexá, “quer pela facilidade do toque como pela ausência de tamboreiros iniciados nos demais Cultos” (Nogueira, 2001b). Embora haja terreiros que se digam seguidores de outros lados, trata-se, segundo o babalorixá Adalberto Pernambuco Nogueira, “apenas de rótulos utilizados talvez para marcar a origem dos fundamentos” (idem).11

A Umbanda

A primeira casa de umbanda no Rio Grande do Sul foi também fundada na cidade de Rio Grande, em 1926. Chamava-se “Reino de São Jorge” e foi fundada pelo ferroviário Otacílio Charão.

Como em todo o Brasil, também no Rio Grande do Sul a umbanda surgiu defendendo padrões e comportamentos aceitos socialmente. No entanto, não escapou à repressão policial, a tal ponto, informa M. Caldas — um dos maiores intelectuais da umbanda e do espiritismo no Rio Grande do Sul, hoje falecido — que nos primeiros tempos o centro de Charão não possuía um endereço fixo, funcionando de forma itinerante (seu endereço mudava toda semana). Também o próprio espiritismo e o batuque se opuseram à umbanda nascente, o primeiro desqualificando suas práticas mediúnicas, o segundo não aceitando que seus orixás fossem invocados sem suas normas rituais, o que denuncia que estava em jogo uma disputa de bens simbólicos (Isaia, 1997:386).

De Rio Grande, a umbanda foi trazida para Porto Alegre, em 1932, pelo capitão da marinha Laudelino de Souza Gomes, que fundou nesta capital a Congregação Espírita dos Franciscanos de Umbanda, existente até os dias atuais. Neste caso, é dupla a razão do termo franciscano. Em primeiro lugar, pela sincretização entre São Francisco de Assis e Lokô (termo yorubá), ou Irokô (termo jeje), ou orixá tempo (Angola), isto é, a árvore gameleira branca; em segundo lugar, pelo uso que seus membros fazem de uma espécie de bata branca, com sandália e cordão em torno ao ventre, semelhante ao que consta na iconografia histórica atribuída a São Francisco.

Pernambuco Nogueira esclarece que tanto Charão quanto Souza Gomes não eram originários do Rio Grande do Sul e ambos estiveram na África por algum tempo. No entanto, dedicaram-se quase que exclusivamente à implantação e divulgação da Umbanda (Nogueira, 2001b). Outros importantes personagens divulgadores da umbanda neste estado foram Norberto de Oliveira, que a introduziu no município de Viamão; Jesina Furtado, fundadora da casa Mestre Quatro Luas; e Astrogildo de Oliveira, fundador do Templo Rainha Yemanjá Fraternidade Ubirajara. Segundo Pernambuco Nogueira, esta última casa possuía

[...] a peculiaridade de ter construído, nos fundos, uma miniatura de todos os reinos em que se efetuavam os rituais, inclusive uma calunga pequena (cemitério) para ali realizar os trabalhos sem sair do local do Templo, preocupado com as deturpações já então existentes. (ibidem)

Uma particularidade desses templos mencionados, e que hoje já não mais vigora, reside no fato de que

a abertura dos trabalhos era efetuada por uma linha que hoje não mais encontramos: a linha das Yaras que se apresentavam arrastando-se pelo chão, como o fariam as sereias em terra seca, e promoviam a limpeza do templo utilizando-se de água (idem).

No mais, na umbanda do Rio Grande do Sul são cultuados “caboclos”, “pretos-velhos” e “crianças” (Ibeji), aos quais não são realizados sacrifícios de animais.12 Outrora era também cultuada a “linha”, ou “povo do oriente”, hoje quase em extinção. Segundo a representação dos umbandistas, tratavam-se de entidades bondosas, bastante evoluídas e que transmitiam vibrações puras. Seus médiuns, incorporados, adotavam a postura corporal e os gestos dos povos do Oriente: chineses, indianos, árabes e ciganos. Nos trabalhos da casa de Pernambuco Nogueira manifestavam-se duas entidades indianas: Brahmayana e Nargajuna.

Hoje o “povo cigano” foi transformado em Linha de Exu. Quanto aos guias orientais, manifestam-se em poucas casas que trabalham com o que denominam de Junta Médica.

A Linha Cruzada

Trata-se de uma expressão religiosa relativamente nova, iniciada, tudo indica, na década de 1960. Constitui, porém, a que mais tem crescido neste estado, sendo cultuada hoje em cerca de 80% dos terreiros. Segundo Norton Correa, esta modalidade ritualística chama-seCruzada

[...] porque, enquanto o Batuque cultua apenas orixás e a Umbanda caboclos e pretos-velhos, a Linha Cruzada reúne-os no mesmo templo, cultuando, alem deles, também os exus e suas mulheres míticas, as pombagiras, provavelmente originários da Macumba do Rio de Janeiro e São Paulo. (Correa, 1998a:48)13

Ainda segundo Correa, as principais razões para o crescimento da Linha Cruzada seriam os seguintes: os custos dos rituais são mais baratos do que os do batuque; o aprendizado geral é mais simples do que o do batuque; seus membros podem reunir e somar a força mística do batuque com a da umbanda (ibidem:90).

A proliferação de terreiros cruzados tem se constituído num forte motivo de polêmica e de acusação mútua entre os membros das religiões afro-brasileiras do RS. Trata-se, em verdade, de um conflito em parte intergeracional, em que os “mais velhos” na religião tendem a considerar essa inovação como uma “deturpação” da religião dos orixás por parte dos mais jovens, ao mesmo tempo em que expressa em parte também um conflito entre os “conservadores” e os “modernos”, as mudanças sendo compreendidas pelos batuqueiros mais apegados à tradição como uma violação dos fundamentos da religião.

De uma maneira geral, são extremamente precários os números acerca dos terreiros existentes no Rio Grande do Sul, bem como a incidência de rituais dentro das três modalidades religiosas acima referidas. Seja como for, e para dar ao menos uma idéia de grandeza, sugiro que deva existir hoje cerca de trinta mil terreiros em atuação14 neste estado, onde, em cerca de 80% deles são celebrados rituais de Linha Cruzada, em 10% somente rituais de Umbanda (caboclos e pretos velhos) e em 10% somente rituais de Batuque (nação).

Neste estado, como já assinalou Correa (1996), a estruturação das três diferentes expressões religiosas afro-brasileiras acompanha, até certo ponto, as mudanças que atingiram a própria estrutura da sociedade.

De fato, o batuque floresceu na segunda metade do século XIX e adaptou-se às condições de um Rio Grande do Sul “tradicional”, eminentemente agrário, pois naquela forma religiosa a tradição regia a estrutura ritual com os orixás formando uma grande família patriarcal. Os sacrifícios de animais não ofereciam problemas num estado pastoril e em uma Porto Alegre onde havia ainda bairros “rurais”. As iniciações podiam ser longas, pois as relações de trabalho eram ainda relativamente frouxas.

Já a umbanda se instalou no RS na década de 30 num quadro social em que a implantação do capitalismo encontrava-se numa fase mais adiantada: a economia se monetarizava, iniciava-se o processo de industrialização, já ocorria o êxodo rural. O tempo tomava nova dimensão. As pessoas centravam suas vidas em tomo do trabalho. A umbanda se adequou aos novos tempos: seus rituais não se prolongavam noite adentro, não faziam uso de tambores e não realizavam sacrifícios de animais. Dessa forma, os fiéis podiam cumprir suas obrigações religiosas sem alterar o ritmo do cotidiano; não se prejudicava o sono dos vizinhos e se levava em conta a diminuição dos espaços para criar os animais que, além disso, se tornavam uma mercadoria cara.

A Linha Cruzada surgiu a partir da década de 60 numa fase de consolidação do capitalismo com o conseqüente incremento de graves problemas, tais como desemprego, insegurança, doenças, frustrações. Neste contexto, a Linha Cruzada torna-se uma religião prática, pragmática, de serviço, que se especializa nas soluções sobrenaturais daqueles problemas.

O Príncipe Custódio de Almeida

Detenho-me agora, mesmo que sucintamente, sobre um dos mais controvertidos personagens do campo afro-gaúcho, um príncipe africano, herdeiro do trono de Benin, que morou no Rio Grande do Sul de 1899, quando chegou à cidade de Rio Grande, até 1935, quando faleceu em Porto Alegre.

Segundo informações colhidas por Maria Helena Nunes da Silva junto a diferentes fontes — bibliográficas, intelectuais africanos e, sobretudo, dois filhos biológicos de Custódio — este descendia da tribo pré-colonial Benis, dinastia de Glefê, da nação Jeje, do estado de Benin, na Nigéria. Seu nome tribal era Osuanlele Okizi Erupê, filho primogênito do Obá Ovonramwen (Silva, 1999).

Há diferentes versões sobre sua saída da terra natal. Todas, porém, estão associadas à invasão britânica ao reino de Benin, em 1897, diante da qual não se sabe ao certo se Osuanlele teria resistido, ou fugido, ou, então, feito um acordo com os britânicos para deixar o país e viver no estrangeiro, onde receberia mensalmente uma pensão do governo inglês (a mais provável). De fato, Dionísio Almeida, filho de Custódio, relatou a Maria Helena que seu pai teria deixado Benin em direção ao Porto de Ajudá, acompanhado por oficiais ingleses e por parte do seu Conselho de Chefes, onde teria permanecido por cerca de dois meses, dali embarcando para o Brasil, tendo chegado ao porto de Rio Grande em 7 de setembro de 1899, com uma comitiva formada de 48 pessoas, em sua maioria membros do seu Conselho. Segundo aquele informante, antes de chegar a Rio Grande Custódio teria estado em Salvador, depois no Rio de Janeiro, tendo se estabelecido em Rio Grande por orientação dos orixás, através dos ifás.15 Custódio permaneceu nesta cidade até o dia 4 de outubro de 1900, quando se transferiu para Pelotas, e no dia 4 de abril de 1901 veio para Porto Alegre, a convite do então presidente do estado, Julio de Castilhos, que algumas semanas antes o teria procurado em Pelotas como último recurso para remediar um câncer que tomava conta de sua garganta. Como teve uma melhora temporária, teria convidado Custódio a morar em Porto Alegre para continuar a tratá-lo nesta cidade, o que não impediu, porém, a morte de Julio de Castilhos aos 43 anos de idade, em 1903.

Em Porto Alegre, Custódio morou durante 35 anos na rua Lopo Gonçalves, na cidade baixa. Mantinha-se com a pensão mensal que recebia do governo inglês, via Banco do Brasil. Consta que se apresentava em público sempre bem vestido, desfilava pela cidade com uma carruagem puxada por parelhas de cavalos brancos e pretos, dedicava-se ao seu esporte preferido, o turfe, possuía um haras, era proprietário e treinador de cavalos de corrida, nunca se casara e vivia em situação poligâmica. “Haras” e “harem”, sintetizam a vida do Príncipe Custódio em Porto Alegre, disse-me um velho e bem informado batuqueiro.

Consta também que a partir do seu primeiro contato para fins terapêuticos com o presidente da Província, este e outros políticos da época, e mesmo o sucessor de Julio de Castilhos, Borges de Medeiros, bem como Getulio Vargas, teriam visitado o Príncipe em sua casa e este teria estado em várias oportunidades no palácio do governo. Este é, porém, um tema controvertido, uma vez que à primeira vista parece difícil que aqueles políticos, fervorosos positivistas, procurassem o “feiticeiro” africano. Mas não seria ilógico pensar que este nobre e político africano, durante os 35 anos de vida em Porto Alegre, não pudesse ter sido socialmente contatado pelos políticos ou por membros da elite local.

Também controvertido é o papel desempenhado por este Príncipe no que diz respeito aos membros da sua etnia. No campo político, enquanto por um lado diz-se que ele teria usado do seu prestígio para conquistar melhor espaço para os negros locais e contribuído para aliviar o preconceito e a discriminação que pesa sobre eles, por outro, recrimina-se que ele teria usado suas relações políticas unicamente em favor dos membros da sua família, empregando-os no serviço público, por exemplo, pouco ou nada fazendo para os negros em geral. No campo religioso paira a mesma controvérsia. Por um lado, muitos são os pais e as mães-de-santo de Porto Alegre que se dizem descendentes da linhagem religiosa do Príncipe, defendendo que ele teria contribuído decididamente para a estruturação do batuque na cidade, para o reconhecimento social do mesmo e para diminuir as perseguições policiais; mas, por outro lado, afirma-se também que ele não teria iniciado ninguém, pois sendo nobre não teria “posto sua mão” em nenhum plebeu, e que teria atuado como religioso somente para as elites e as pessoas de sua amizade e família.

Seja como for, segundo consta na sua certidão de óbito, Custódio morreu em 28 de maio de 1935, aos 104 anos, solteiro e deixando bens. Sua morte foi noticiada nos jornais locais e seu enterro foi bastante concorrido, contando inclusive com a participação de políticos da época.

Hoje o Príncipe Custódio constitui um mito no imaginário negro do Rio Grande Sul e, como escreveu N. Correa, “a figura ainda hoje mais legendária que a memória dos integrantes do Batuque guardam [...]” (Correa, 198a:77). No entanto, quanto à sua vida e realizações, e às várias controvérsias que as envolvem, trata-se de mais um tema à espera de pesquisadores que efetuem uma investigação transatlântica.

Os Brancos nas Religiões Afro-Brasileiras do Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul é uma sociedade multiétnica e pluricultural construída no “encontro de civilizações”, como diria Bastide, onde os nativos indígenas viram seu território sendo ocupado pelos portugueses e espanhóis, aos quais foram associados os escravos africanos e, posteriormente, os imigrantes europeus, com destaque para os alemães e ositalianos.16

Em termos gerais, hoje a composição multiétnica do Rio Grande do Sul é assim constituída: 86,8% são brancos, 4,1% negros, 8,9% pardos e 0,2% indígenas (PNAD, IBGE, 1999). Com estes números, o Rio Grande do Sul constitui o estado mais “branco” do Brasil, depois de Santa Catarina.17

Ora, neste território multiétnico, malgrado a posição superior que os brancos ocuparam em relação aos negros e aos índios, ocorreram, de alguma forma, trocas culturais em diferentes direções, sendo uma delas a aproximação dos não-brancos, de diferentes etnias e de diferentes camadas sociais, às religiões afro-brasileiras.

É praticamente impossível saber quando este encontro começou a ocorrer. Tudo indica, porém, que data ainda do século XIX, tendo aumentado nas primeiras décadas do século XX e se consolidado a partir da segunda metade daquele século, quando, então, há notícias de brancos que ocupam a condição de pais e mães-de-santo. Este fenômeno, como se sabe, ocorreu em praticamente todo o Brasil, chegando ao ponto em que hoje, em algumas regiões, como escreve Prandi, referindo-se a São Paulo, “o Candomblé é uma religião que não pode ser caracterizada como uma religião de negros” (Prandi & Silva, 1987:4). Trata-se, antes, de religiões multiétnicas e universais (Prandi, 1991).

A procura de terreiros por parte dos brancos pobres geralmente está associada à busca de solução para problemas práticos como doenças, desemprego ou dificuldade econômica, ou problemas legais, geralmente relacionados à sua condição desfavorável de classe. Já os brancos de maior poder aquisitivo o fazem na busca de solução de problemas existenciais como os de sentido, identidade, afetivos, etc. Também o caráter misterioso, exótico e fascinante da religião dos orixás, associado à sua eficácia simbólica, contribui para a atração de brancos.

Diga-se de passagem que as mesmas ou semelhantes razões apontadas para a aproximação dos brancos das camadas populares aos terreiros servem também para os negros ingressarem neles. No entanto, não se pode imaginar uma convivência harmônica entre negros e brancos nos terreiros multiétnicos gaúchos. Ocorre aqui uma espécie de tolerância mútua ou, como Silva e Amaral referiram para São Paulo, uma

espécie de negociação velada onde os brancos, com dinheiro, tornam-se necessários à própria sobrevivência do terreiro de maioria negra e, assim, o que é visto como negativo (a entrada dos brancos no candomblé) acaba adquirindo sinal positivo, já que a concessão é necessária à manutenção das despesas da casa. (Silva & Amaral, 1994:17)

Em outras palavras, parece prevalecer no Rio Grande do Sul a representação negra segundo a qual é importante a presença simultânea de brancos e de negros nos terreiros por serem, os primeiros, detentores principalmente de capital econômico e os segundos principalmente de capital simbólico, religioso, dado pela tradição. Evidentemente que os atores sociais implicados no processo nem sempre possuem esta consciência dos fatos. É mais recorrente neles a afirmação de que “o axé não tem cor”.

No entanto, há terreiros multiétnicos onde o preconceito de cor tende a se manter. Isto se dá especialmente quando os brancos implicados na religião detêm pouca consciência da origem africana desta e não realizam uma aproximação mais efetiva com a etnia negra. Há outros terreiros multiétnicos, porém, onde até certo ponto e por um tempo limitado parece haver uma suspensão dos preconceitos raciais; neste caso, negros e brancos juntam-se no espaço religioso para se divertir, rezar e fortalecer uma identidade social comum.

Os terreiros multiétnicos a que me refiro reúnem especialmente pessoas das camadas populares. Isto porque os terreiros de camadas médias tendem a ser predominantemente freqüentados por brancos, enquanto os terreiros de camadas altas são freqüentados quase que exclusivamente por brancos. Em todos eles, como mostrei em outro lugar (Oro, 1998), são reproduzidas as desigualdades raciais encontradas na sociedade gaúcha (e brasileira).

A Expansão das Religiões Afro-Brasileiras para os Países do Prata

Um outro aspecto que sobressai no estudo do atual campo religioso afro-gaúcho consiste na importância que ele tem para o ressurgimento e introdução das expressões religiosas de matriz africana nos países do Prata. Com efeito, a Argentina já teve uma história de reprodução dessas religiões até o final do século XIX, quando os atabaques, tocados até então pela comunidade afro-argentina, silenciaram em razão do abrupto declínio destapopulação.18 Já no Uruguai, não consta ter havido uma histórica prática religiosa africana, mas importantes expressões musicais de origem africana como o candombe.19 No entanto, em ambos os países, a partir da década de 60 do século passado, verifica-se o reingresso (na Argentina) e a introdução (no Uruguai) das religiões de matriz africana, sobretudo através do Rio Grande do Sul.

Este processo ocorreu primeiramente nas cidades platinas fronteiriças com o Rio Grande do Sul e dali alcançaram as capitais federais. Deveu-se a iniciativas que partiram de ambos os lados da fronteira, ou seja, de pais e mães-de-santo brasileiros que procederam à expansão da religião para os países platinos e de cidadãos desses países que procuraram terreiros brasileiros.

Na década de 70, o fluxo se estendeu até Porto Alegre, onde se localizava o maior número de renomados batuqueiros que passaram a ser visitados por argentinos e uruguaios. Estes para aqui vinham em busca de iniciação religiosa junto a um famoso pai ou mãe-de-santo, ao mesmo tempo em que buscavam o reconhecimento oficial da sua condição de iniciados, ou sacerdotes, junto a uma federação local. Sem tais documentos, tinham muitas dificuldades de praticar a religião em seus países, sobretudo na Argentina, podendo até mesmo sofrer perseguições policiais.

O período áureo das relações religiosas internacionais platinas ocorreu na década de 80. Em relação à Argentina deu-se sobretudo após o retorno à vida democrática, em 1983 (Frigerio & Carozzi, 1993), enquanto no Uruguai o crescimento do número de terreiros e o incremento das relações religiosas com o Brasil coincidiram com o período ditatorial, que se estendeu até 1985 (Hugarte, 1993).

Na década de 90 ocorreu um arrefecimento das relações religiosas entre gaúchos e platinos e isto se deveu, segundo o discurso dos pais e mães gaúchos, à crise econômica que se abateu sobre aqueles países, sobretudo na Argentina, que reduziu os investimentos das pessoas na religião, embora não tenha diminuído o interesse pela mesma. Mas há um não-dito: o arrefecimento também se deveu à concorrência religiosa que estão sofrendo naqueles países. Ou seja, se até o início da década de 90 havia uma relação relativamente assimétrica, mas aceitável, entre os pais e mães gaúchos e seus filhos platinos — os primeiros colocando-se numa posição hierárquica superior — a partir deste período estabeleceu-se uma relação conflituosa entre alguns, senão a maioria dos pais-de-santo gaúchos (cerca de 15 pessoas), que participam do circuito religioso platino, sobretudo argentino, e os seus colegas deste país, posto que estes últimos passaram a disputar poder pela ocupação do espaço religioso afro-brasileiro e pelo exercício legítimo do sacerdócio naquele país.

Apesar disto, nos dias atuais continuam as viagens de membros das religiões afro-brasileiras nos diferentes sentidos e foram criadas verdadeiras redes internacionais de parentesco simbólico, as quais constituem denominadores de fronteiras sociais e simbólicas que contribuem para a construção de verdadeiras identidades transnacionais. Ao mesmo tempo, essas redes constituem uma forma de integração regional/internacional, legitimada religiosamente, mediatizada pelas religiões afro-brasileiras, onde a nacionalidade e as diferenças sociais e ideológicas não são anuladas, mas superpostas à religiosa.

Evidentemente que a construção de identidades não significa a formação de comunidades (no sentido tradicional do termo) internacionais. Igualmente, a integração e a formação internacionais de redes de famílias-de-santo não significa que as relações entre os seus membros sejam harmônicas. Elas continuam a reproduzir o ethos de rivalidade e aliança que caracteriza o campo religioso afro-brasileiro.20

As Religiões Afro-Brasileiras no Rio Grande do Sul e suas Relações com o Poder Político Local

Nos últimos anos, as religiões afro-brasileiras parecem ter conseguido, em Porto Alegre, uma aproximação não alcançada até então, e em nenhum outro local do estado, com o poder público local. É sobretudo nas gestões do PT na prefeitura, especialmente na segunda e na atual, em que o chefe do Executivo é Tarso Genro,21 que aquelas religiões conseguem lograr apoios e interagir diretamente com o gabinete do Prefeito e com algumas secretarias, como da Cultura e do Meio Ambiente, tudo isto ocorrendo, porém, não sem conflitos.22

Assim, em Porto Alegre, mediante Lei Municipal, e por intermediação da Secretaria Municipal da Cultura e da Câmara Municipal de Porto Alegre, desde o ano de 1996 comemora-se a Semana da Umbanda e dos Cultos Afro-Brasileiros.Os eventos desta Semana são compostos de palestras e rituais, celebrados no Parque da Harmonia, no centro da cidade. Iniciam-se no dia 15 de novembro com uma sessão de Umbanda e encerram-se em 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, com uma sessão de Batuque. Nestes eventos comparecem autoridades civis, membros das religiões afro-brasileiras, além de simpatizantes, curiosos e o povo em geral.

Outra atividade pública semelhante a essa, e que também consta como Lei Municipal de Porto Alegre, é a Festa da Oxum, celebrada desde 1996 em todos os dias 8 de dezembro, na praia de Itapema, diante da imagem deste orixá erguida à beira do Rio Guaíba. Nesta ocasião ocorre também uma sessão religiosa na praia em homenagem à deusa das águas doces.

É digno de nota que ambas as atividades referidas, a Semana da Umbanda e a Festa da Oxum, constam no calendário de eventos da prefeitura de Porto Alegre.

Outra iniciativa de parceria com o poder público ocorreu entre as três maiores federações do estado (Conselho Superior da Umbanda e dos Cultos Afro-brasileiros, Afrobras e Aliança Umbandista e Africanista do Estado) e as Secretarias Estadual e Municipal do Meio Ambiente, ao editarem um caderno de orientação intitulado “A Educação Ambiental e as Práticas das Religiões Afro-Umbandistas”, com o objetivo de “orientar as Casas de Religião e funcionários do poder público municipal e estadual sobre procedimentos em relação a cultos e colocação de trabalhos religiosos no meio ambiente”. Trata-se de um manual de aconselhamentos em relação às oferendas, tendo como pressuposto a preservação da natureza.

As federações acima mencionadas também conseguiram, junto ao poder público municipal e à Assembléia Legislativa do estado, o apoio financeiro e logístico para realizar anualmente um Seminário Cultural e Teológico da Umbanda e dos Cultos Afro-Brasileiros do Estado do Rio Grande do Sul. Trata-se de um seminário que desde a sua primeira edição, em 1996, é celebrado no salão nobre da Assembléia Legislativa do estado e conta com palestrantes oriundos do próprio campo religioso em questão e de pesquisadores dos mencionados cultos, provenientes de diferentes regiões do Brasil e dos países do Prata. O seminário tem duração de três dias e dele participam em média 400 pessoas.

Principalmente neste evento, mas também nos demais referidos, nota-se sempre a presença de políticos, dos Executivos e Legislativos, municipal e estadual, de distintos partidos.

Outra forma de aproximação do campo religioso afro-brasileiro com o político ocorre através de outorga de comendasetítulos honoríficos, com que os governos locais distinguem alguns líderes destas religiões. Assim, por exemplo, o babalorixá Cleon (Fonseca) de Oxalá recebeu das mãos do então governador do Estado do Rio Grande do Sul, Antônio Brito, em 30/6/1996, a medalha Negrinho do Pastoreio, a mais alta comenda do estado. Três pais-de-santo receberam na Câmara Municipal de Porto Alegre o título de cidadãos de Porto Alegre. São eles: Ailton (Albuquerque) da Oxum, Jorge (Verardi) de Xangô e Adalberto Pernambuco Nogueira — o primeiro nascido em Pelotas (RS), em 3/11/1945, o segundo em Cruz Alta (RS), em 19/10/1949, e o terceiro em Belém do Pará, em 3/11/1928.

O último agraciado, Adalberto Pernambuco Nogueira, é presidente do Conselho Estadual da Umbanda e dos Cultos Afro-Brasileiros do Rio Grande do Sul (CEUCAB/RS), e uma das maiores lideranças desta religião no estado. Devido o seu carisma e bom trânsito na esfera pública, tem contribuído para as religiões afro-brasileiras conquistarem maior e melhor espaço tanto no campo político quanto no campo religioso institucional. Na área política tem participado, enquanto representante das religiões afro-brasileiras, no Conselho Político de Campanha da Frente Popular (formado então por cerca de 160 pessoas de destaque das várias áreas de atuação social e profissional) por ocasião das últimas eleições municipais de 2000, e atualmente integra o Conselho Político de Governo da Frente Popular (formado por cerca de 300 pessoas). Igualmente, a partir de janeiro deste ano foi escolhido como membro do Conselho Municipal de Cultura.

Além destas atividades no meio político, Pernambuco Nogueira é o representante mais solicitado das religiões afro-brasileiras por ocasião de celebrações ecumênicas, ocorridas, por exemplo, por ocasião das posses do governador do estado e do prefeito municipal, no dia do aniversário da cidade de Porto Alegre (26 de março), no dia das Mães e na celebração de 25 de agosto, dia de São Cristóvão, padroeiro dos motoristas.

Em tais cultos ecumênicos comparecem representantes da igreja católica, da igreja luterana, do islamismo, do budismo, do judaísmo, do espiritismo, além dos cultos afros.

Mas, se, de um lado todos os fatos acima mencionados revelam uma aproximação — que, como já disse, não ocorre sem tensões — entre as religiões afro-brasileiras e o poder político no Rio Grande do Sul, por outro lado, os representantes dessas religiões não logram ingressar diretamente no campo político mediante a condução pelo voto. Ou seja, malgrado as tentativas para sua viabilização de parte de alguns renomados pais, não conseguiram eleger nenhum seu representante nas Câmaras Municipais e muito menos na Assembléia Legislativa do estado. O único precedente neste sentido data da década de 1960, quando o umbandista Moab Caldas foi eleito para a Assembléia Legislativa do estado, pelo PTB de Leonel Brizola e Jango Goulart, e reeleito nos anos de 1964 e 1968. Foi cassado em 1968, vindo a falecer em 1997.23 Também no ano de 1960 foram eleitos 3 prefeitos e cerca de 20 vereadores umbandistas no Rio Grande do Sul.

Após este período não parece ter havido mais presença efetiva de membros desta religião em cargos eletivos no Rio Grande do Sul, malgrado algumas tentativas, como a do babalorixá Ailton Albuquerque, de Porto Alegre, que se apresentou às eleições legislativas gaúchas nas últimas eleições de 1998 pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Não logrou se eleger, tendo obtido 3.425 votos, quando o mínimo necessário situa-se em torno de dez mil, dependendo da situação da legenda.

Nas eleições de 2000 não consta ter havido algum líder desta religião que tenha sido eleito em algum município do Rio Grande do Sul. Em Porto Alegre, entre os 411 candidatos a vereador para a Câmara Municipal, havia 5 representantes das religiões afro-brasileiras, 4 pais-de-santo e 1 presidente de um famoso terreiro. Foi, entre eles, o presidente da Federação Afrobras quem obteve o maior número de votos, 1.994, este montante representando, porém, somente um quarto dos votos necessários para ser eleito. Os demais candidatos obtiveram 1.668, 1.109, 451 e 421 votos, totalizando, juntos, 5.643 votos, quantia insuficiente para eleger um único candidato.24

O discurso eleitoral veiculado pelos pais-de-santo de Porto Alegre para dentro da “comunidade” afro-umbandista era fundamentalmente o mesmo: a necessidade de a “religião” ter representantes no legislativo municipal para defender os seus direitos e para mostrar sua força perante a sociedade e, sobretudo, perante os evangélicos (pentecostais), que estão ampliando seu espaço na política e se mostrando abertamente críticos em relação às religiões afro-brasileiras. Ora, este discurso não produziu a eficácia esperada pelos candidatos e, a meu ver, isto se deve, sobretudo, à própria estrutura e ao ethos das religiões afro-brasileiras.

De fato, o modelo organizacional das religiões afro-brasileiras repousa sobre uma variedade de federações e uma pulverização de terreiros, sendo todos ao mesmo tempo autônomos e rivais entre si. Como não existe, no âmbito desta religião, uma única hierarquia religiosa, um poder centralizador e aglutinador dos centros religiosos, estes constituem-se autônomos e, por isso mesmo, concorrentes entre si. Em conseqüência disso, reconhece o candidato a vereador Jorge Verardi, presidente da Afrobras, “cada um procura sua própria autopromoção”. “Não temos a organização dos aleluia”, disse uma mãe-de-santo.

Ora, este ethos constituído de permanente disputa, rivalidade entre terreiros e desqualificação do outro, torna, como reconhece R. Prandi, bastante remota a possibilidade de união entre terreiros e grupos, mesmo em se tratando de proveito para a religião (Prandi, 1991:163).25

Considerações Finais

Malgrado os avanços alcançados nos últimos anos pelas ciências sociais e humanas na compreensão da história e do presente do negro e sua cultura no Rio Grande do Sul, muita coisa ainda resta a ser investigada.

Talvez não pese hoje tão forte como há alguns anos atrás a frase escrita em 1940 pelo historiador D. de Laytano quando afirmava que “os nossos cronistas, os historiadores de compêndios oficiais e toda a literatura gaúcha não se ocuparam do negro senão acidental, ligeira e negligentemente” (Laytano, 1940). No entanto, malgrado produções recentes, permanece atual a exortação de outro historiador, Mário Maestri Filho: “a história do escravo sulino, proto-história do proletariado gaúcho, ainda está por escrever-se” (Maestri Filho, 1979:67). Especificamente sobre as origens do negro gaúcho, escreveu que “não sabemos rigorosamente nada” (idem, 1993:30), enquanto Norton Correa afirmou que “ainda não foram perfeitamente esclarecidas as origens das populações trazidas como escravos para o Rio Grande do Sul” (Correa, 1998a).

A explicação para a desconsideração do negro pela academia, mas não só ela, pode residir, como salienta R. Oliven, no próprio processo de construção política e cultural do Rio Grande do Sul, onde ocorreu um interesse massivo e concentrado em torno da figura do gaúcho — que foi elevado à condição de “autêntico” representante desse território — e do colonizador europeu, em detrimento de outros grupos sociais aqui presentes desde o princípio da colonização, como os negros e os índios. Estes parecem condenados ao silêncio e ao esquecimento e comparecem no âmbito das representações de uma forma extremamente pálida. Particularmente quanto ao negro prevalece uma invisibilidade social e simbólica (Oliven, 1996) ao mesmo tempo em que ainda predomina, no Rio Grande do Sul, a auto-imagem de um estado branco e moderno, construído pelas figuras “heróicas” dos gaúchos e dos imigrantes europeus e seus descendentes.

No contexto de exclusão do negro e sua cultura no Rio Grande do Sul figura também o batuque, cuja história, linhagens, tradições religiosas e repressão policial, permanecem ainda com lacunas, incógnitas e dúvidas não resolvidas, como pudemos constatar neste trabalho.

Notas

1. Por se tratar de um texto que pretende ser, até certo ponto, um vôo panorâmico sobre as religiões afro-brasileiras no Rio Grande do Sul, este será, necessariamente, superficial em alguns aspectos; porém, essa deficiência poderá ser em parte sanada com as indicações bibliográficas respectivas para os interessados.

2. Ou seja, atuaram como mão-de-obra nos engenhos de açúcar de Pernambuco e Bahia, na mineração aurífera de Minas Gerais, nos campos de fumo e cacau da Bahia e Sergipe, no cultivo do café do Rio de Janeiro e São Paulo, no algodão do Maranhão e Pará, nas plantações de café também cultivado no Espírito Santo, na agricultura e pecuária do Rio Grande do Sul e na mineração de Goiás e Mato Grosso.

3. Sabe-se que durante algum tempo o envio para o Sul era tido como um pesado castigo e forte ameaça aos escravos desobedientes, por parte dos patrões de outras regiões do Brasil.

4. De fato, ao efetuar uma comparação entre o candomblé da Bahia e o batuque o Rio Grande do Sul, Herskovits propunha a hipótese de que a existência do africanismo no Rio Grande do Sul resulta de um trabalho independente e paralelo, “de idênticos impulsos culturais africanos primitivos”. Ponderava, porém, de que tal hipótese deveria ser revista com os avanços dos estudos historiográficos “sobre a migração negra dentro do Brasil e da procedência tribal africana dos negros importados para a parte sul do país” (Herskovits, 1948:64).

5. ”Embora ocupada desde os meados do século XVIII por colonos açorianos, Porto Alegre só começou a se desenhar após 1772, quando se deu a primeira demarcação do espaço urbano e a distribuição de datas de terras para esses açorianos. Só então a condição de ponto estratégico daquele sítio vai transfigurar-se em funções comerciais e político-militares” (Kersting, 1998:61). A instalação de Porto Alegre como capital da província ocorre em 1773. Sua população era de 1.500 habitantes em 1780 e 12.000 em 1820.

6. ”Era uma região insalubre, fora do centro urbano, habitada por uma população pobre, essencialmente negra, estigmatizada pelos órgãos oficiais, pela imprensa e por tudo aquilo que era considerado sociedade na época” (Kersting, 1998:148). A palavra “Areal” tem sentido ambíguo. Trata-se de uma corruptela da palavra Arraial, mas também área de depósito de areia do fluxo da foz do riacho Ipiranga com o rio Guaíba. A palavra “Baronesa” refere-se à proprietária dessa chácara, de então, a Baronesa do Gravataí.

7. ”Como limites mais ou menos definidos da Colônia Africana, podemos estabelecer a Rua Ramiro Barcelos, a Avenida Protásio Alves (antigo Caminho do Meio) até a altura da Rua Dona Leonor, seguindo pela parte alta até aproximadamente o atual Instituto Porto Alegre (IPA), e deste até a rua Castro Alves, descendo por essa até a Ramiro Barcelos, de onde partimos” (Kersting, 1998:102).

8. O número de moradores dessas áreas não é preciso. Relativamente à Colônia Africana, era de 3.460 em 1910; 4.299 em 1912 e 5.636 em 1917. Estes números correspondem respectivamente a 2,66%, 2,92% e 3,15% do total da população de Porto Alegre nesses anos (Kersting, 1998:128-129).

9. Este autor mostra como a análise dos registros de ocorrências policiais da virada do século em relação à Colônia Africana não são superiores às de outras áreas da cidade, mesmo o centro, considerado “civilizado” e “moderno”. Entretanto, sobre este não foram construídas representações sociais excludentes como em relação àquele território negro da cidade (Kersting, 1998).

10. A expulsão se dá mediante a expansão da cidade com a conseqüente valorização da área, que implica em aumento de impostos, impossível de ser pago por moradores de baixa renda.

11. São os seguintes os principais orixás cultuados no batuque: Bará, Ogum, Oiá, Xangô, Odé (Otim), Ossanha, Obá, Xapanã, Bêdji, Oxum, Iemanjá e Oxalá. O anexo I apresenta um conjunto de elementos vinculados a cada um desses orixás, segundo a tradição batuqueira gaúcha.

12. Segundo Paulo Tadeu B. Ferreira, na Nação Cabinda, por exemplo, a língua ritualística deveria ser o Bantu (Kunbundo) e os deuses chamados de Inkices. Na prática cultuam-se os orixás em lingua yorubana. Na Nação Jeje (Jeje), a língua deveria ser o Ewe e os deuses os voduns. Na prática adotam o mesmo procedimento da Cabinda, que é o mesmo do Ijexá e do Oyó (Ferreira,1997:42).

13. O anexo II apresenta algumas especificações das entidades acima mencionadas.

14. O anexo III apresenta os nomes e algumas concepções relativas às principais entidades da Linha Cruzada praticada no Rio Grande do Sul.

15. Este montante é aproximado, mesmo porque “terreiro” é uma categoria ampla que reúne desde um congá familiar onde seu dono recebe clientes para “jogar”, até um espaço onde são realizados rituais de distintas expressões religiosas afro-brasileiras no âmbito de uma comunidade religiosa local. Seja como for, mesmo os terreiros no Rio Grande do Sul, segundo esta última observação, podem ser considerados de tamanho pequeno ou médio, pois o número médio de freqüentadores situa-se entre 10 e 30 pessoas, sendo reduzidos os terreiros que reúnam num único espaço ritualístico em torno de 100 pessoas.

16. Eis, textualmente, o depoimento de Dionísio:
“[...] o Forte de São João Batista de Ajudá era comandado por um baiano, o qual tornou-se amigo do papai e indicou-lhe a Bahia como lugar adequado para viver no Brasil. Isto porque José Maria só conhecia a Bahia, nada sabendo dos outros estados brasileiros. Quando Osuanlele chegou à Bahia ele jogou novamente seus ifás e, em resposta, obteve que ainda não era aquele lugar o escolhido. Da Bahia ele foi para o Rio de Janeiro. Conheceu algumas pessoas que professavam a religião africana. Bem, na Bahia ele também conheceu importantes figuras que estavam ligadas diretamente à religião africana. Lembro que ele nos dizia que tinha muitas coisas que ele entendia sobre a sua religião. Homenagens foram feitas a ele” (Dionísio, 13/5/1988 apud Silva, 1999:71).

17. De fato, os alemães desembarcaram no Rio Grande do Sul a partir de 1824, tendo chegado a mais de 60.000 indivíduos até 1939. Os imigrantes italianos, por sua vez, chegaram a partir de 1875 e a última vaga desembarcou em 1914. Neste período, entre 70.000 e 100.000 italianos se estabeleceram no Rio Grande do Sul.

18. Segundo a mesma fonte, a distribuição étnica de Santa Catarina é de 91,0% de brancos, 2,1% de pretos, 6,4% de pardos e 0,5% são índios (PNAD, IBGE, 1999).

19. O último depoimento sobre um ritual religioso de tipo afro-americano em Buenos Aires é de 1903 (Segato, 1991). Ainda segundo esta autora, a população negra era de 30% em Buenos Aires no início do século passado e caiu para 2% no final do mesmo século. As causas mais importantes do desaparecimento dessa população foram as guerras e as pestes. É possível também que seus últimos componentes tenham emigrado para o Sul do Brasil. Rita Segato aponta, no entanto, que o desaparecimento do negro na Argentina foi antes ideológico, cultural e literariamente construído, do que propriamente físico. Ou seja, na imagem que os políticos e os intelectuais argentinos se fizeram de nação homogênea e depurada não havia lugar para o negro (id. ibid.).

20. Para uma análise sobre o candombe uruguaio ver Ferreira (1997).

21. Para uma análise mais aprofundada do processo de transnacionalização das religiões afro-brasileiras do Rio Grande do Sul para os países platinos ver Oro (1999).

23. Talvez o conflito maior resida na própria administração municipal e, sobretudo, no interior do PT, onde vozes do partido, movidas por brios ideológicos, se erguem em desaprovação às relações estabelecidas pelos organismos executivos com as religiões afro-brasileiras e, mesmo, com as religiões em geral.

24. Diana Brown recorda que em 1960 os umbandistas também elegeram para a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro Atila Nunes — um radialista umbandista que havia sido eleito vereador em 1958 (Brown, 1985). Maria Helena Villas-Boas Concone e Lísias Nogueira Negrão fazem uma análise histórica dos distintos momentos da relação da umbanda com a política e o estado, onde prevaleceu a perseguição até o golpe de 1964 e a sua cooptação política a partir de então. Mais especificamente analisam o envolvimento político-partidário da umbanda paulista nas eleições de 1982 e analisam a derrota dos candidatos umbandistas (Concone e Negrão, 1985).

25. No entanto, não estamos emitindo nenhum juízo de valor sobre este permanente conflito entre líderes de terreiros das religiões afro-brasileiras. Há mesmo alguns autores, como N. Correa que, baseado em G. Simmel, levanta a hipótese de que o conflito referido não representa algo negativo na vida social dessas religiões, posto que ele constitui a chave para explicar a permanência histórica e o crescimento das religiões afro-brasileiras, em razão do seu papel também construtivo e agregador em termos sociais (Correa, 1998b).

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*Este texto foi originalmente apresentado na 53ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em Salvador, Bahia, de 14 a 17 de julho de 2001, no Simpósio: Afro-Diversidade no Brasil, coordenado por Reginaldo Prandi (USP).

Candomblé Muxicongo

Terreiro de Jauá

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Entrada do Terreiro de Jauá, candomblé nação Angola-Muxicongo emCamaçariBahia.

Terreiro de Jauá, ou Manso Kilembekueta Lemba Furaman, localiza-se em Abrantes, Camaçari, no estado daBahia, no Brasil.

É um terreiro de candomblé Bantu, da nação Angola-Muxicongo, e encontra-se tombado pelo Instituto Patrimônio Artístico e Cultural(IPAC) desde 11 de Novembro de 2006[1].

História

O terreiro foi fundado em 1967 no Rio de Janeiro por Laércio Messias Sacramento, o Tata Laércio de Lemba[2]. Em 1990, Laércio foi a Salvador para cumprir uma obrigação religiosa noTerreiro Bate Folha e acabou ficando na capital. Três anos depois, transferiu o terreiro para Jauá. Desde então mais de cem pessoas já foram iniciadas no local.

O nome do terreiro, Manso Kilembekweta Lemba Furaman, dá a dimensão do trabalho desenvolvido ali. Manso significa casas, Kilembekweta quer dizer sombras e Lemba Furaman é o nome do Nkisi (forças da natureza cultuadas pelos adeptos, nesse caso o da fecundidade). O candomblé de Jauá ocupa um espaço de 15 mil metros quadrados, com vegetação nativa e árvores sagradas africanas, como o baobá, além de uma lagoa de animais silvestres, como patosgansos e pássaros da região.

O terreiro participa de projetos de cunho ambiental. Um exemplo é o Família Artesão, que ensina a cerca de 20 moradores da região a produção de artesanato com cipós da região. Outro é o Roupas de Sinhá, um projeto que beneficia cerca de 30 pessoas, entre costureiras ebordadeiras, no qual se confeccionam panos da costa e indumentárias para os Minkisis e para os filhos-de-santo da casa.

Há ainda serviços prestados para inclusão social e educação voltada para a manutenção, como ensino da língua quibundo para serviços religiosos pelo Centro de Estudo e Pesquisa da Tradição da Origem Bantu, instalado no terreiro.

Descrição

O Manso Kilembekweta Lembafuraman, assim como as casas de culto pertencentes ao Candomblé, realizam um ‘culto à natureza‘, onde elementos naturais como árvorespedras e lagos se transformam em epifanias divinas, e reporta-se aos Inkisis; acentua a relação intensa entre o homem e a natureza e sacraliza o espaço físico cotidiano, dando-Ihe novos significados e modificando a percepção dos seus praticantes. A casa corresponde a um modelo ideal de configuração espacial de terreiros, permitido pela qualidade ambiental da área onde se encontra instalado aliado a sua dimensão, portando ecossistema aquático e terrestre no seu interior. Os assentamentos encontram-se distribuídos de acordo com uma lógica inerente a prática religiosa da nação angola, onde encontramos em seqüência.

Os assentamentos de Nzila ao lado dos Caboclos; seguidos por Nkossi MukumbiKatendêAngorô e Kavungo; próximo a lagoa onde é cultuado Luenji pelo reflexo do assentamento na água; a direita ficam os sacrários de TempoLuango e Matalumbô.

A construção principal, onde se encontra O Barracão possuí os santuários de BamburucemaKukuetoKisimbeLemba e Zazi, além do sacrário principal, de Lemba Furaman. Protegidos visualmente por uma cerca de nativos, fica a área do Umbakisi, espaço reservado a ritos iniciáticos específicos. A seguir encontra-se a casa de Ankita, de Vumbe, do Inkisi Nkondi, e Mbanza de Nzilas.

A área possui uma relação bastante equilibrada entre urbanização e preservação de ambientes naturais, condição fundamental para a manutenção do culto, onde se busca a manutenção de toda a flora necessária nos seus rituais.

Assim, o sítio que representa o Manso Kilembekweta Lembafurama corresponde a um modelo de estabelecimento característico da religião afro-brasileira, onde os elementos da natureza são considerados sagrados, tornando-se, portanto, parte inseparável do conjunto construído correspondente à estrutura definitiva da configuração espacial dos terreiros. Nestes modelos de estabelecimento, por razões de culto, sempre se busca manter (idealmente) no seu âmbito um trecho de “mato” e quando possível um manancial conservado e outros elementos naturais, determinados por sua cosmovisão.

Candomblé de Angola

O tráfico de escravizados africanos ao Brasil fez com que homens, mulheres e crianças, pertencentes a reinos, nações, clãs, linhagens, aliados e inimigos, caçadores, sacerdotes, guerreiros, príncipes e princesas, mães e pais de famílias se encontrassem e redimensionassem as suas tradições culturais, sociais, familiares e religiosas. Essa era a única maneira de confrontar a opressão religiosa católica que se fez acompanhar não apenas dos grilhões de ferro que aprisionavam os corpos dos negros, mas também do “aspergir” da água benta, do nome novo marcado a ferro em brasa nas regiões corporais, onde a carne não fosse comprometida e perdesse seu valor de compra e venda de mercadoria e ainda na permissividade e omissão diante dos desmandos e das ações dos senhores (algozes) cristãos no novo mundo.Religião, catequese e escravidão andavam juntas desde os embarques nos navios negreiros, quando eram batizados, até nos troncos, quando os africanos e seus descendentes, que nem eram vistos como humanos, aos olhos da teologia da época, eram levados sem que houvesse, por parte da igreja nenhuma manifestação contra aquela situação desumana.Todos os valores que os africanos traziam, fossem religiosos ou culturais eram banidos ou rotulados como coisas do demônio, magia pagã ou feitiçaria.Mas, por muitos meios e artifícios os africanos e seus descendentes se apropriaram dos valores dos seus escravizadores ou usaram sua estrutura para se organizarem em irmandades, onde o branco cristão europeu não participava, como é o exemplo da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e da Boa Morte. Estas irmandades funcionavam até como agremiação para angariar fundos para pagar a alforria de seus “irmãos”, além de servir de um intercâmbio de africanos, e das suas tradições culturais, lingüística e religiosas, sendo um dos primeiros berços para a resistência e para a manutenção das crenças dos seus antepassados africanos na terra que tinha lhe recebido com o chicote na mão.A religião nativa dos africanos foi interpretada à luz da teologia católica que se considerava superior, deferindo títulos de pagãs, idólatras, satânicas,animistas e politeístas, gerando, senão no africano que aqui chegava, que tinha o conhecimento de seus antepassados, mas a partir de seus descendente uma inferiorização da fé e crença trazidas na alma de seus pais.Na maioria dos casos, na África, o culto tinha um caráter familiar e era exclusivo de uma linhagem, clã ou grupo de sacerdotes. As divindades iorubás eram cultuadas em suas cidades: Xangô, em Oió; Oxossi, em Ketu; Oxum, em Ipondá, e assim por diante. Bem como divindades de origen Bantu como Nzazi, Mutakalambô, Ndandalunda eram cultuadas por grupos próprios, embora os bantu tivessem uma idéia de transcendência de seus cultos e buscasse esta ou aquela divindade como intermediária entre ele e Nzambi Mpungu (Deus Todo Poderoso), de acordo com a situação real e a área de atuação de cada energia.Com a vinda ao Brasil e a separação ardilosa das famílias, das nações, das etnias, essa estrutura religiosa não pode se repetir e se fragmentou. Mas os negros criaram uma unidade nesta diversidade e pluralidade e puderam partilhar e comungar os cultos e os conhecimentos diferentes em relação aos segredos rituais de sua religião e cultura. E desta nova maneira de ser e viver, aberta a todos, surgiu a forma acabada do que se chama hoje candomblé.

O vernáculo Candomblé, não mantém sob sua sombra uma unicidade e sim uma diversidade religiosa e cultural, que talvez até hoje não tenhamos a verdadeira dimensão de sua abrangência, em termos de origem étnica, clã, reinos, povos e organizações sociais e religiosas africanas que foram trazidas para o Brasil.

Reúne, sob o mesmo título a idéia genérica para os diversos troncos religiosos na experiência dos muitos povos trazidos do continente africano para as terras brasileiras. Na sua etimologia advém do étimo bantu ndombele para a variação kandombele, e, portanto, vem a denotar um equivalente próximo ao verbo “adorar” “falar” (existem outras interpretações para o termo, mas preferimos esta).

Os aqui chegados, vindo da longínqua terra dos seus antepassados e submetidos ao regime de escravatura de produção comercial de bens e riquezas, não tiveram tempo de trazer seus objetos rituais e sagrados, visto terem sido forçados a abandonar seu espaço de origem, além de muitos povos terem perdido o vínculo com os seus sacerdotes. Porém, não houve como impedir que transportassem suas crenças, cultos, ritos, mitos e cosmogonias em suas almas, fazendo retumbar em seus corações o som dos ngomas/atabaques ancestrais de seus povos.

Então, como antes tinha se organizado sob o manto das irmandades cristãs, agora, no momento próprio se irmanam sob o manto da nova identidade, que viria a ser conhecida como Candomblé.

Os africanos de maioria bantu (durante os dois primeiros séculos do tráfico dos negros), largamente assentados na região nordeste do Brasil (Alagoas, Pernambuco, Maranhão), no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, utilizados na lavoura e pastoreio, pois já na África eram grandes criadores e cultivadores do solo, além de serem mestres na fundição de metais, influenciaram em todas as áreas a cultura do país nascente, que nascia sob o fertilizado solo regado pelo suor da pele negra, e sob a riqueza gerada pelos músculos africanos. Alguns historiadores defendem que os africanos que desembarcaram na Bahia eram da África sudanesa (Yorubás, dahomeanos, malês…), e que em muitas lutas de resistência se refugiavam em quilombos baianos. O que se tem certeza é que os primeiros a chegarem por aqui, quando a escravidão era mais desumana, foram os bantu.

Na religião não foi diferente. Influenciaram e foram influenciados. Ou conscientes, ou por aproximação de cultos e tradições, ou por necessidade de recriar seu universo mítico, se amalgamaram às novas experiências e resistiram aos valores religiosos dos escravizadores.

A própria concepção de Nzambi ou Nzambi-Mpungo para os bantu, a quem se chama, no Ocidente, Deus – Nzambi: o que fala; Nzambi-Mpungo (ou ainda Zambiapungo):

aquele que, por excelência, fala (Mpungu é uma ave que voa muito alto, fornecendo, deste modo, a derivação semântica de “maior”, “eminente”, “excelente”) Os bantos (bantu) são povos que habitam a África do Sul Equatorial. Falam dialetos diferentes (a língua é igual) e pertencem a etnias diferentes. Cerca de 274 dialetos e línguas são falados. A influência dos bantos invadiu a cultura brasileira, trazendo sua mitologia, culinária, religião além de elementos folclóricos como a congada, recordando a rainha Ginga de Angola; o maracatu de Cambinda Velha; a capoeira e o primitivo samba (semba).

Claro que muitas coisa tidas hoje como folclóricas, são na verdade uma tentativa de reformular nas novas terras uma dinastia desfeita pela escravização como é o caso da formação da corte do Congo (congadas).

Hoje o candomblé abriga em suas lides várias tradições religiosas conhecidas como Nações.

A nação Ketu, que tomou o nome de um dos povos yorubanos, onde a familia Arô reinava, quando da escravização e do tráfico para o Brasil, e que cultua Orixás de várias origens daquele povo, além de diversas divindade de povos que eram seus vizinhos na África e se influenciaram mutuamente tanto na sua terra natal, quando na diáspora. De forte expressão na Bahia e em Pernambuco, através do Xangô do Recife, uma variação religiosa correspondente ao candomblé.

A Naçaõ Jêje, que tomou o nome de um “apelido” que lhe era dado pelos yorubanos. São de origem Ewe Fon, de povos do antigo Daomé, que cultua Voduns, além de divindades comuns com a nação ketu. Teve sua grande expressão na Bahia, através de casas antigas e no Maranhão através do Tambor de Mina, uma organização religiosa corresponde ao candomblé.

A nação chamada Candomblé de Caboclo, que se originou do intercâmbio de ritos fundamentalmente de origem bantu com os ritos e mitos dos nativos brasileiros.

Nação hoje quase extinta, devido ao forte movimento de re-africanização que as religiões afro-brasileiras sofreram a partir da década de 80.

Entre os grupos que se identificam nas “Nações” acima, temos as variantes que trafegam entre uma e outra, como, por exemplo, os que se identificam como “Nagô-Vodum”.

E a nação Angola/Angola-Congo ou Muxicongo, que tem como base lingüística o kimbundo e cultua Nkisi/Mukixi. Esta com seus ritos fundamentados nas tradições e cosmogonias mantidas a duras penas pelos antepassados bantu, vindos de muitos povos distintos como ngola, cambinda, lunda, makuá, kassange, essange, munjolo, rebolo, angico, e povos menores originários da contra-costa, além, é claro, da influencia de outros povos africanos, como os yorubás e ewe fom, formando assim tradições diferente, dentro do prórpio grupo conhecido como Candomblé de Angola, como Tumba Nsi, Tumba Junsara. Bate-Folha, Angolão, Angola Paketá, Kassange, Angola da Mariquinha e Goméia (que apesar de forte influencia yorubana, se identificava como angoleiro e seu fundador, o Sr. Joazinho da Goméia, foi considerado por muitos como o Rei do Candomblé no Rio de Janeiro).

Ainda temos o Omolocô, uma tradição afro-brasileira antiga e respeitada, que em muitas casas está mais próximo das tradições yorubanas/daomeanas e em outras das tradições de origem bantu

Devemos entender estas “nações” em momentos históricos próprios e que todas se influenciaram entre si. Em alguns lugares, como no Maranhão, temos casas que foram fundadas por africanas canbindas e daomeanas, embora, por algum motivo prevaleceram as tradições daomeanas e em outros casos as tradições yorubanas, embora, em qualquer “Nação”, sempre exista elementos, deste ou daquele povo, que em muitos casos são mantidos por tradição e respeito aos antepassados, embora se conheça as diferentes origens. E, em alguns casos, os seus praticantes não têm o mínimo de consciência das origens diversificadas, identificando somente como tradições africana, fazendo assim uma leitura “unificada e unificadora” de um continente tão diverso, como o Africano.

Pelos registros temos como o primeiro sacerdote iniciado no Brasil, de origem bantu, que mais tarde seria conhecida como Nação Angola-Congo, o Sr. Roberto Barros Reis, que foi o Iniciador da Sra. Maria Genoveva do Bonfim, conhecida como Maria Neném. A Sra. Maria Neném tinha o nome iniciático de Twenda Nzambi e Fundou uma casa de candomblé que chefiou até 1945.

De suas mãos saíram Manoel Ciriaco de Jesus, Tata Nludiamugongo, que teve casa de candomblé no Engenho Velho e depois assumiu a terreno da Ladeira da Vila América (ou Alto do Corrupio), que era do Sr. Manoel Kambambi, filho do Nkisi Nkosi. Foi Tata Ciriaco que formou a grande família hoje conhecida como Tumba Junsara, deixando a casa nas mãos de sua filha de santo e sobrinha de Tata Manoel Kambambi, Mam’etu Deré Lubdi, grande sacerdotisa. Hoje a casa é chefiada pela Nengua ria Nkisi/Mukixi Sra. Iraildes Maria de Jesus, filha do Nkisi Kindembo (Tempo), onde se celabra uma grande festa todos os anos no final de semana mais próximo ao dia 10 de agosto. Da raiz Tumba Junsara se espalharam várias casas em todo Brasil e no exterior.

Também das mãos de sacerdotisa Twenda Nzambi (Maria Neném) saiu o Sr. Manoel Bernardino, fundador da casa de Angola-Congo Bate Folha, na Mata escura, que também gerou um enormidade de filhos e casas que seguem esta tradição em todo o país e em vários país estrangeiros.

Além, é claro, de várias outras casas e famílias, que de acordo com os estudos e com os mais velhos são todos descendentes da sacerdotisa Maria Neném, pois foi ela que fundou a primeira casa de Candomblé de Angola – Muxicongo.

Embora, cada família se identifique como Angola-Congo, Angola Muxicongo, etc., existem tradições diferenciadas. Algumas cultuam um nkisi/mukixi que não é cultuado por outras. Algumas tem festas que não são realizadas por outras, mas a essência é a mesma: Nzambi Mpungu ou Suka Kalunga (um dos seus muitos nomes), que mora na Sanzala Kasembe Diá Nazambi (Aldeia encantada de Deus)/Duilo (céu), é o Deus Supremo e criador de todas as coisas. Quando do seu movimento de expansão e de criação, gerou o universo e consequentemente o planeta terra, que foi gerado pela energia e criação dos Nkisis/Mukixis que se manifestam nas diferentes partes da natureza e também regem a natureza humana. Através do culto aos Nkisi/Mukisi, já que Nzambi, está acima de qualquer forma existencial e de qualquer representação e culto, pois é completo em si mesmo, o ser humano consegue o equilíbrio e ascende espiritualmente como iniciado, até que chegue o momento de ir morar nas Aldeias dos Antepassados, onde se mantém vivo. Onde os campos são verdes e os rebanhos fartos. Onde são felizes e mantém o intercâmbio com os mundo dos humanos, que é sua continuidade. Os antepassados, também, são respeitados e invocados como intercessores e intermediários entre os seres humanos e Nzambi. A eles são devidos todo o respeito e todo ação de culto dentro de uma nzo (casa), que deve sempre iniciar com a invocação e homenagens aos antepassados.

  1.  Rubens SaraceniCódigo de Umbanda. [S.l.]: Madras, 2008. 21 p. ISBN 978-85-370-0338-1
  2.  Ismael Pordeus, artigo Terceiro Centenário – Religião, publicano no jornal cearense O Povo em 2008-11-16, reproduzido no site daFaculdade de Teologia Umbandista [em linha]
  3.  A. B. EllisYoruba-Speaking Peoples of the Slave Coast of West Africa (1894), Chapter II, Chief Gods [em linha]
  4.  Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada, Rubens Saraceni

CARNEIRO, Edison. Candomblés da Bahia. São Paulo: Editora Tecnoprint, 1982.

MARTINS, João Vicente. Os bakongos ou tukongos do nordeste de angola.Lisboa:Imprensa Nacional-casa da moeda, 2008.

MARTINS, Joaquim. cabindas – história – crenças – usos e costumes. Disponível em http://www.cabinda.net.

PRANDI, Reginaldo. Os Candomblés de São Paulo. São Paulo: EDUSP, 1991

TURNER, Victor. Floresta de Símbolos – aspectos do ritual Ndembu.Tradução de Paulo Gabriel Hilu da Rocha Pinto. Editora da Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2005.
[1] Catiço é nome que se dá aos espíritos conhecidos como Exu e Pomba-Gira, ou aos boiadeiros, marinheiros e índios.
[2] Sakulupemba também chamado de sacudimento ou por influência da milonga de ebó
[3] Giz branco usado no lugar da argila branca, essa sim usual em África.
BASTIDE, Roger. As religiões africanas no Brasil, 2 vols. São Paulo: Pioneira/EdUSP, 1974).
PARÉS, Luís Nicolau. A formação do candomblé: história e ritual da nação jeje na Bahia. Campinas: Editora da Unicamp, 2006.
SERRA, Ordep. Águas do rei. Petrópolis: Vozes/Rio: Koinonia, 1995.
SILVEIRA, Renato da. O candomblé da Barroquinha: processo de constituição do primeiro terreiro baiano de keto. Salvador: Edições Maianga, 2006.

Candomblé Xambá

Heranças africanas da invenção da liberdade
Nos terreiros do Recife, a nação Xambá reconstitui sua africanidade no século XXI relembrando a identidade de seus antepassados



Parte das denominações associadas às identidades, às nações e às etnias africanas inventadas ao longo da escravização como forma de resistência ao cativeiro, ao se aproximar a Abolição em 1888, perdeu o sentido, ficando o termo genérico “africano” como sinônimo da configuração étnica. Neste debate, os terreiros de cultos aos orixás são merecedores de atenção particular. Esses espaços de prática religiosa passaram a ser também campo dessas re-significações identitárias. As nações nagô, jeje, congo, angola, mina, xambá, que comumente são rememoradas nos terreiros, poderiam ser entendidas dentro da lógica de experiência do tráfico e escravização atlântica, reinventadas por africanos e crioulos para reestruturar suas “raízes” étnicas, culturais e religiosas esgarçadas na diáspora.
No Recife, em bairros como São José, antigo refúgio de africanos e crioulos em busca da liberdade, as nações, vocabulários e rituais litúrgicos foram reconfigurados nos Terreiros de Xangô, como são denominadas as religiões afro-descendentes em Pernambuco, simbolizando resistência social e cultural. No início do século XX, na medida em que políticas de urbanização e industrialização se materializavam nas ações de perseguição e repressão à cultura negra, os terreiros foram deslocados do centro para os arrabaldes da cidade. O povo-de-santo passava a reconfigurar a cidade, recriando ruas, vielas, becos, redesenhando espaços não pensados por urbanistas e instâncias oficiais. Bairros como Beberibe, Água Fria, Casa Amarela foram se estruturando por ações individuais e coletivas dos afro-religiosos.
No início dos anos 1920, o alagoano Artur Rosendo Pereira (Pai Rosendo), que dizia ter habitado por quatro anos a Costa Ocidental da África, chegou ao Recife escapando da repressão e perseguição policial em Maceió, estabelecendo-se com sua família no bairro de Água Fria. Conhecido como precursor do culto xambá em Pernambuco, Pai Rosendo iniciou várias pessoas em sua prática religiosa, que depois abriram seus próprios terreiros, como Maria das Dores da Silva (Maria Oyá) e Severina Paraíso da Silva (Mãe Biu). Entretanto, ao falecer o Babalorixá em 1949, seus inúmeros filhos-de-santo migraram para outros cultos. O Terreiro Santa Bárbara, nação Xambá, comandado por Mãe Biu, passou a ser o principal espaço de continuidade dos seus ensinamentos. No início dos anos 1950, o Recife assistia à consolidação da ocupação urbana das áreas de seus morros, que se transformavam em espaços de poder do povo-de-santo. Mãe Biu, na busca de um terreno próprio, deslocou-se da localidade de Santa Clara, no bairro de Dois Unidos, para as proximidades da antiga Estrada do Matumbo, onde se localiza o Portão do Gelo, no bairro de Beberibe, área até então desabitada. Sua ação inaugurou as estratégias cotidianas de garantia de espaços (físicos, sociais, políticos, culturais) para sua comunidade, bem como do surgimento de um bairro negro no Recife.

À esquerda, foto de Eugênia Ana dos Santos a Mãe Aninha (1869 – 1938), importante figura do Candomblé. À direita, terreiro de Xangô

À medida que as políticas de urbanização e industrialização se materializavam nas ações de perseguição à cultura negra, os terreiros foram deslocados para os arrabaldes da cidade

Mãe Biu, com seus familiares, filhos-de-santo e amigos, comprou lotes de terrenos, construiu casas, quartos em torno do terreiro. Nessa empreitada liderada pela Yalorixá, destacaram-se: José Martins da Silva, operário (esposo); madrinha Tila, costureira (irmã); tio Luís, sapateiro (irmão); tio Sandoval, motorista (cunhado); pai Tonho (cunhado); tia Luíza, enfermeira (irmã), que fundou a primeira Associação de Moradores do bairro; tia Laura, costureira e irmã de padrinho Pedro, alfaiate; seu Cavaquinho, pedreiro, que, junto com padrinho Pedro, se encarregou da construção do terreiro; dona Belmira de Ogum, filhade- santo, que articulou um emprego de estivador para Adeíldo Paraíso (filho legítimo de Mãe Biu), trabalho que lhe garantiu atuar por 20 anos como presidente do Sindicato dos Estivadores de Pernambuco. Em razão dessas ações, o local conhecido como Portão do Gelo ficou popularizado como Xangô de Mãe Biu. Após a morte da Yalorixá, a rua onde foi sediado o terreiro e construídas as primeiras casas de seus parentes e filhos-de-santo passou a se chamar Severina Paraíso da Silva, em homenagem àquela que procurou preservar o culto xambá e garantir espaços de moradia e trabalho aos membros de seu terreiro.
Tchambá, Chambá, ou simplesmente Xambá, seria um grupo étnico africano, habitante dos montes Adamawa, próximos ao rio Benué – rio de Iansã, orixá patrono do Terreiro Santa Bárbara. Na Nigéria, Senegal e Camarões, algumas famílias, cujos membros lutaram nas guerras de independência de suas nações, carregam o tchambá como sobrenome. Seria um povo que habitou o norte da África, onde estavam localizados os haussás, baribas, tapas, situados na Bacia do Benin. A verdade é que, sobre essa elaboração étnica, pouco sabemos. Para os membros do Terreiro Santa Bárbara, são eles descendentes étnico-religiosos do ocidente africano, para onde Pai Rosendo viajou nos primeiros anos pós-1888, trazendo os axés do Xambá da Costa da África. Essa memória institucionaliza a identidade dos herdeiros de Mãe Biu, que sob a auto-adscrição de nação Xambá, afirmam sua africanidade.

VALÉRIA GOMES COSTA concluiu o seu mestrado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atualmente é aluna do Doutorado em História na Universidade Federal da Bahia (UFBA).

FOTOS: WIKIPEDIA
Foto da década de 1940, acima, mostra terreiro de Candomblé de Angola, na Bahia. Abaixo decoração recente de um terreiro

Mãe Biu, com seus familiares, filhos-de-santo e amigos, comprou lotes de terrenos, construiu casas, quartos em torno do terreiro. Nessa empreitada liderada pela Yalorixá, destacaram-se: José Martins da Silva, operário (esposo); madrinha Tila, costureira (irmã); tio Luís, sapateiro (irmão); tio Sandoval, motorista (cunhado); pai Tonho (cunhado); tia Luíza, enfermeira (irmã), que fundou a primeira Associação de Moradores do bairro; tia Laura, costureira e irmã de padrinho Pedro, alfaiate; seu Cavaquinho, pedreiro, que, junto com padrinho Pedro, se encarregou da construção do terreiro; dona Belmira de Ogum, filhade- santo, que articulou um emprego de estivador para Adeíldo Paraíso (filho legítimo de Mãe Biu), trabalho que lhe garantiu atuar por 20 anos como presidente do Sindicato dos Estivadores de Pernambuco. Em razão dessas ações, o local conhecido como Portão do Gelo ficou popularizado como Xangô de Mãe Biu. Após a morte da Yalorixá, a rua onde foi sediado o terreiro e construídas as primeiras casas de seus parentes e filhos-de-santo passou a se chamar Severina Paraíso da Silva, em homenagem àquela que procurou preservar o culto xambá e garantir espaços de moradia e trabalho aos membros de seu terreiro.
Tchambá, Chambá, ou simplesmente Xambá, seria um grupo étnico africano, habitante dos montes Adamawa, próximos ao rio Benué – rio de Iansã, orixá patrono do Terreiro Santa Bárbara. Na Nigéria, Senegal e Camarões, algumas famílias, cujos membros lutaram nas guerras de independência de suas nações, carregam o tchambá como sobrenome. Seria um povo que habitou o norte da África, onde estavam localizados os haussás, baribas, tapas, situados na Bacia do Benin. A verdade é que, sobre essa elaboração étnica, pouco sabemos. Para os membros do Terreiro Santa Bárbara, são eles descendentes étnico-religiosos do ocidente africano, para onde Pai Rosendo viajou nos primeiros anos pós-1888, trazendo os axés do Xambá da Costa da África. Essa memória institucionaliza a identidade dos herdeiros de Mãe Biu, que sob a auto-adscrição de nação Xambá, afirmam sua africanidade.

VALÉRIA GOMES COSTA concluiu o seu mestrado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atualmente é aluna do Doutorado em História na Universidade Federal da Bahia (UFBA).

PERCEPÇÃO DOS QUILOMBOLAS NAÇÃO

Memorial Severina do Paraíso – Casa de Xambá

O Memorial é composto por fotografias, textos, objetos, documentos e indumentárias que resgatam e divulgam a história do Terreiro de Santa Bárbara. Objetos pessoais, instrumentos musicais e outras peças utilizadas no terreiro, retratam fatos notáveis e personagens marcantes da história da Nação Xambá.

XAMBÁ ACERCA DA EDUCAÇÃO EM
ESCOLAS CIRCUNVIZINHAS.
Elizabeth Rodrigues Alexandre
1
, Marcos Francisco de Araújo Silva
1
, Mirella Gabriela Lira de Arruda
1
,
Marcos Antonio Bezerra Figueiredo
2
________________
1.Graduanda em Licenciatura em Ciências Agrícolas do Departamento de Educação, Universidade Federal Rural de Pernambuco. Rua Dom Manoel
de Medeiros, s/n, Dois Irmãos, Recife, PE, CEP 52.171-030. E-mail: beth.agrofito@hotmail.com.
1.Graduando em Licenciatura em Ciências Agrícolas do Departamento de Educação, Universidade Federal Rural de Pernambuco. Rua Dom Manoel
de Medeiros, s/n, Dois Irmãos, Recife, PE, CEP 52.171-030.
1.Graduanda em Licenciatura em Ciências Agrícolas do Departamento de Educação, Universidade Federal Rural de Pernambuco. Rua Dom Manoel
de Medeiros, s/n, Dois Irmãos, Recife, PE, CEP 52.171-030.
2.Professor Assistente do Departamento de Educação, Universidade Federal Rural de Pernambuco. Rua Dom Manoel de Medeiros, s/n, Dois Irmãos,
Recife, PE, CEP 52.171-030.
Introdução
A abordagem das manifestações culturais
quilombolas em escolas circunvizinhas ao Quilombo
Urbano Portão do Gelo Nação Xambá em Pernambuco
é objeto para o desenvolvimento deste artigo. A partir
do trabalho realizado pelos alunos do curso de Ciências
Agrícolas da Universidade Federal Rural de
Pernambuco, pôde-se pensar se as escolas trabalham
aspectos da realidade local e se a comunidade percebe
as metodologias aplicadas por estas escolas na
educação de seus integrantes.
O Decreto nº 4.887, de 20 de novembro de 2003,
assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
conceitua quilombos urbanos. Neste documento,
entende-se que a resistência cultural concentrada em
um determinado espaço, mesmo que a sua população
tenha tido mobilidade ao longo do tempo, é uma
característica quilombola. [1]
A organização de habitação religiosa e políticosocial Portão do Gelo – Nação Xambá, é uma
comunidade quilombola localizado no bairro de
Beberibe Olinda – Pernambuco, fundada em 1950 e
obteve a certidão de autoreconhecimento na
comunidade como o primeiro Quilombo Urbano de
Pernambuco em 27 de setembro de 2006 pela
Fundação Cultural Palmares/MinC em conjunto com o
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(Iphan/MinC). Neste espaço trinta famílias integralizam
a comunidade, onde a tradição oral é o principal meio
de transmissão da ancestralidade, das tradições e
práticas culturais próprias.
De um modo geral, sabe-se que por princípio, as
escolas ocidentais colonizadas como no caso do Brasil
nunca se preocuparam com abordagem das questões
sobre a diversidade cultural, as identidades dos grupos,
etc, nas comunidades escolares de forma que ainda não
sabem como lidar com o cotidiano e com as diferenças
que surgem em cada região em que as escolas são
instaladas por um contexto conflituoso que vai do
simples preconceito religioso às políticas educacionais
cristalizadas.
Mesmo vivendo seguidas reformas educacionais
reafirmando o carater laico da educação nacional, as
escolas brasileiras sempre tiveram, na prática, o
cristianismo como aliado no processo de educação.
De acordo com Saane Souza [2], as escolas
posicionam-se claramente contra conteúdos escolares
que possam veicular valores e práticas culturais que
possam colocar em risco a hegemonia cristã. Assim
diante desta realidade, o presente trabalho fundamentase na caracterização e identificação das manifestações
culturais no contexto da pedagogia adotada pelas
escolas circunvizinhas do grupo etnico comunidade
quilombola Nação Xambá.
Material e Métodos
O presente trabalho constituiu-se de um estudo de
caso com roteiro aberto onde pretendeu-se observar
dois aspectos da percepção da educação realizada pelas
escolas ( Escola Municipal Dom Azeredo Coutinho e
Escola Estadual Padre Francisco Carneiro) próximas a
comunidade, sob o ponto de vista dos alunos e líderes
da comunidade. No dia 19 de junho de 2009, na
comunidade Portão do Gelo – Nação Xambá Olinda –
PE, foi entrevistado um dos líderes sociais da
comunidade e um aluno recém concluinte do ensino
médio de umas das escolas.
Resultados e Discussão
Disciplinas
As escolas em suas disciplinas não abordam as
manifestações culturais (mitos, personalidades, danças,
comidas típicas, identidade social e etno-racial) em
suas práticas pedagógicas, apesar de já se observar um
diálogo entre a comunidade e a escola.

Oliveira [3] em trabalho realizado no quilombo, na
comunidade de Mangal Barro Vermelho, observou que
os conteúdos escolares que, tradicionalmente, compõe
o currículo proposto pela rede oficial é questionado e
transgredido, mesmo com os limites decorrentes da
formação do professor e da política educacional do
município.
Práticas pedagógicas
Em suas práticas pedagógicas os professores das
escolas não incluem os diferentes processos históricos
da formação da sociedade, não levando em cosideração
as questões da cultura local, religião, valores,
abordando apenas estes aspectos baseados em padrões
eurocêntricos.
De forma semelhante, Moraes [4], em um estudo
realizado com comunidades étnicas do Espírito Santo,
afirma que apesar da escola local abrigar grande
quantidade de alunos oriundos dos quilombos da
região, o planejamento escolar ignora a existência da
diversidade cultural. Criando desta maneira um conflito
na formação de suas gerações no contexto urbano.
Valorização da cultura
As escolas de maneira geral estão mais abertas as
questões culturais quilombolas, tendo em vista que
começaram a trazer para o ambiente pedagógico uma
conciliação da cultura local com a cultura tradicional
através da tradição oral, danças e ritos. Embora este
resultado demonstre disposição a aceitar a presença de
manifestações culturais no ambiente escolar, ainda é
muito pouco expressivo.
Segundo Moraes [4] o cotidiano escolar ainda não
revela tal conteúdo como uma prática estruturante e
constituinte da educação escolar. Moraes [4] ainda
afirma que existem duas visões historicamente
diferentes entre o que se deve ensinar no ambiente. De
um lado, a suposta cultura clássica, homogênea e
hegemônica veiculada pelas grandes organizações de
eventos e pela mídia em geral e de outro lado, a
especificidade regional, étnica e popular das
comunidades, presentes nas manifestações de cultura
popular.
Tradição oral
A difusão das tradições culturais na educação dos
jovens quilombolas nas escolas supracitadas vem sendo
mediada através da tradição oral, visto que a aceitação
da cultura local ainda é vista por uma concepção
preconceituosa, que colocam em risco suas identidades
culturais e suas relações sociais por meio de um
processo de educação institucional que ignora,
despreza, discrimina e combate seus conhecimentos
seus modos de vida.
Percebendo que a tradição oral é um instrumento de
suma importancia na transmissão do modo de vida
quilombola tendo em vista a fase inicial em que se
encontram o processo de difusão quebrando o
paradigma de que o quilombola tem apenas a cultura da
dança e roupas pomposas
1
.
Oliveira [5] possui uma visão diferente, afirma que o
processo de escrita como a inserção de uma nova
tradição, em práticas culturais de comunidade
quilombola associada ao reconhecimento de sua
remanescência está para além da fixação da história
que, naturalmente, a escrita promove, sobretudo em
atividades que só se realizavam oralmente.
Conclusão
Concluímos que apesar do esforço do diálogo entre
comunidade e escola os métodos de ensino ainda não
são os ideais para a formação dos indivíduos
quilombolas. Haja vista que o cotidiano escolar não
aborda as questões quilombolas como uma prática
estruturante e constituinte da educação escolar.
Referências
[1] AURELIANO, R. S. 2006. Quilombos Urbanos: Identidade
Territorial e Desenvolvimento Social no bairro da Mata Escura
Salvador-BA. X Seminário Estudantil de produção Acadêmica.
Universidade Salvador, Salvador. SEPA. Seminário Estudantil
de Produção Acadêmica, Vol, 10, Nº 1.
[2] SOUZA, S. 2006. Representação Social de lideranças
religiosas acerca da Educação Física. Vitória: Cefd.
[3] OLIVEIRA, S. N. S. 2006. Da Escola no Quilombo à Escola do
Quilombo: A luta da Comunidade de Mangal/Barro Vermelho
pelo controle político pedagógico da escola; VI Congresso
Luso-Brasileiro de História da Educação: Percurso e desafios
da pesquisa e do ensino de Histéoria da Educação, 1/1, 1,
ISBN:
[4] MORAES, A. C.; CUNHA, S. N. F.; MARQUES, F. B.;
SANTOS, T. M. 2007. Os quilombos urbanos versus educação
formal: a sobrevivência das práticas corporais. In: XV
Congresso Brasileiro e II Congresso Internacional de Ciências
do Esporte, 2007, Recife. Anais XV Congresso Brasileiro e II
Congresso Internacional de Ciências do Esporte. Recife :
CBCE, v. 15. p. 97-113.
[5] OLIVEIRA, E. S. 2006. Da tradição oral a escritura: A historia

Anais
V Simpósio Internacional do Centro de Estudos do Caribe no Brasil
Salvador – Bahia, 30 de setembro a 03 de outubro de 2008.
ÁUREA DAS AFRICANIDADES: 
IDENTIDADES ÉTNICO-RELIGIOSAS NOS TERREIROS DE XANGÔS EM 
PERNAMBUCO E ALAGOAS PÓS ABOLIÇÃO

*
Resumo:
Ao se aproximar os anos precedentes à Abolição, identidades africanas específicas – cassage,
baca, xambá – e/ou gerais – nagô, mina, jeje, angola – foram tomando novos significados. Nos
espaços religiosos como os terreiros de culto aos orixás, essas ressignificações identitárias
passaram a ser compreendidas também dentro da lógica de experiência do tráfico e escravização
atlântica que os ex-escravizados e seus descendentes foram reinventando para reestruturar suas
„raízes‟ étnicas, culturais e religiosas esgarçadas no movimento transatlântico. Esta comunicação
traz questões gerais de meu projeto de doutorado, no qual pretendo discutir como essas
(re)elaborações identitárias foram sendo reconfiguradas pelos africanos e crioulos, no período
pós-1888, nos terreiros de xangôs em Pernambuco e Alagoas, tendo naqueles que se identificam
como nagô, e em especial xambá, o ponto de partida para as análises.
Palavras-chave: Religiões afrodescendentes. Pós-Abolição. Identidades africanas.
Abstract:
When approaching the years preceding the Abolition, African specific identities – cassage, bacca,
xambá – and / or general – nagô, mine, jeje, angola – were taking new meanings. In religious

*
Doutoranda em História Social na UFBA, Mestra em História pela UFPE e Licenciada em História pela UFPE. E

Anais
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Salvador – Bahia, 30 de setembro a 03 de outubro de 2008. 2
spaces such as terreiros of worship to orixas, these remaining identity began to be understood
even within the logic of experience of trafficking and enslavement Atlantic that the former
enslaved and their descendants were reinventing to restructure its’ roots’ ethnic , cultural and
religious semi-destroyed in transatlantic movement. It brings broad issues of my project,
doctorate, in which I intend to discuss how these (re) elaborations identities were re-configured
by African and Creole, in the post-1888, the terreiros of xangôs in Pernambuco and Alagoas,
and those who identify as nagô, and in particuler xambá, the starting point for analysis.
Key-words: Afro-descendants Religions, Post-Abolition, African Identities.
O presente artigo é mais uma apresentação de minha proposta de tese do que resultados
de pesquisas mais aprofundadas sobre o assunto. Pretendo investigar como foram se
configurando as elaborações de identidades étnico-religiosas africanizadas, no período pósabolição da escravidão e primeira fase da República (1888 a 1937), pelos adeptos das religiões
afro-brasileiras, sobretudo africanos e crioulos, em meio às suas estratégias de organização dos
espaços urbanos em Pernambuco e Alagoas. Tomei como referência os terreiros de culto aos
orixás em Recife e Maceió, particularmente os que se identificam como de culto Xambá.
1
Desta
forma, antes de partir para o debate em torno de minhas hipóteses acerca das táticas e estratégias

1
Modelo ritualístico de culto aos orixás que, no Recife e em Maceió, ficou conhecido pelas suas particularidades:
cantos litúrgicos em iorubá „aportuguesado‟; roupas rituais da cerimônia de feitura-de-santo (yaô) semelhantes às
indumentárias dos autos alagoanos. No Terreiro Santa Bárbara – Nação Xambá, localizado no bairro de Beberibe
(Olinda/PE), Região Metropolitana do Recife, há uma cerimônia anual chamada de “Louvação de Oyá”, que ocorre
no dia 13 de dezembro, ao meio-dia, como memória de preparação das sacerdotisas filhas de Iansã/Oyá feita pelo
precursor do culto, Artur Rosendo Pereira. Os membros do Terreiro Santa Bárbara são conhecidos em Olinda e
Recife como “comedores de ebó”, por se alimentarem dos “axés” dos animais (partes vitais) oferecidos aos orixás,
enquanto a carne é compartilhada entre os demais membros presentes nas obrigações. (COSTA, 2006).

Anais
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de apropriação e organização de espaços urbanos por africanos e crioulos, tendo a religião como
eixo aglutinador de pessoas e idéias, farei breves esclarecimentos sobre as narrativas de
configuração étnica Xambá no território em estudo.
A nova historiografia da escravidão apontou as estratégias de configuração de identidades
que os escravizados elaboravam também como mecanismo de resistência ao cativeiro, ficando
algumas nações e/ou etnias africanas, comumente rememoradas nos terreiros de culto aos orixás,
como nagô, mina, jeje, angola, tidas como “guarda-chuvas étnicos” (REIS apud SOARES;
GOMES; FARIAS, 2005); enquanto outras, como bacca, savalu, xambá, puderam ser pensadas
como identificações mais específicas, preservadas pelos africanos ou (re)elaboradas dentro das
malhas de negociação da escravização, ou seja, frutos do processo de crioulização (PRICE, 2003;
PARÉS, 2005).
A nação Xambá aparece ainda como uma incógnita em minhas pesquisas. Afora as
narrativas dos membros do Terreiro Santa Bárbara – Nação Xambá, arrogando-se como
descendentes étnico-religiosos do povo Xambá (Tchamba, Chambá, Shamba), possivelmente
habitantes dos montes Adamawa, nas proximidades do rio Benué, no Ocidente africano, não há
referências documentais sobre a vinda de africanos desta procedência para Pernambuco e
Alagoas no período da escravidão.
2
Trabalhos recentes indicam a chegada de africanos xambás
no Brasil, no século XVIII, em regiões do Recôncavo Baiano no ano de 1778 (PARÉS, 2006, p.
67) e em Minas Gerais a partir de 1795 (REZENDE, 2006). Para Mariza de Carvalho Soares, os

2
Estou fazendo levantamento documental nos Arquivos Públicos de Pernambuco, Alagoas e Bahia, privilegiando
inventários, cartas de alforrias, ações de liberdade, processos-crimes, batismos, casamentos, óbitos, livros de
registros de passaportes pós-1850, que me dão pistas sobre os grupos de procedência africana que possivelmente
entraram em Pernambuco após 1850, uma vez que, anteriormente à proibição do tráfico, não há registros de
africanos da etnia Xambá em Pernambuco e Alagoas.

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chambás não podem ser definidos como grupo étnico “guarda-chuva”, uma vez que poucos
africanos desta procedência vieram na condição de escravizados para o Brasil, sobretudo no Rio
de Janeiro, onde aparece um número pouco significativo em termos demográficos (SOARES,
2007, p. 17). Robin Law ainda localiza os chambás na vizinhança com os haussás, ashantis,
baribas, borgus, tapas, no espaço geográfico da Baía do Benin (LAW, 2005, p. 109-131).
Por outro lado, os trabalhos de Olga Cacciatore, Waldemar Valente e René Ribeiro
encontraram, nos territórios pernambucano e alagoano, indícios desta procedência étnica como
identidade religiosa de alguns terreiros de xangôs
3
, no início do século XX. Enquanto Cacciatore
(1988) e Valente (1976) davam como extintas as práticas religiosas de nação Xambá, devido à
supremacia do culto Nagô no Recife na década de 1940, René Ribeiro apontava como baluarte
de preservação do rito xambá o alagoano Artur Rosendo Pereira. Segundo Ribeiro, Pai Rosendo
teria viajado para a Costa da África, mais precisamente para o Daomé, onde possivelmente teria,
por quatro anos, convivido com o povo somba, aprendendo a língua local e familiarizando-se
com as práticas que convencionou chamar de xambás em Dakar (O Cruzeiro, 1949)
O babalorixá alagoano, crioulo, nasceu no bairro do Jaraguá, em Maceió. Chegou ao
Recife no início dos anos 1920, na tentativa de burlar a repressão e perseguição policiais que as
religiões afrodescendentes estavam sofrendo em Alagoas. No Recife, passou a habitar o bairro de
Água Fria e depois o bairro da Mangueira, onde faleceu por volta do início dos anos 1950.
Nestas áreas suburbanas, Pai Rosendo aglutinou inúmeros filhos(as)-de-santo, cujas ações
políticas sinalizaram suas autoridades em seus respectivos bairros. Um exemplo é Lídia Alves, a

3
Em alguns estados do Nordeste, sobretudo Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte, os cultos de
orixás ficaram conhecidos como xangôs. Palavra que, além de designar o nome do Orixá do trovão e da justiça,
indica também os espaços de prática da religião e o próprio ritual (obrigações e toques festivos)

Anais
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mãe Lídia de Oxalá, no bairro de Campo Grande, que liderou abaixo-assinado dirigido à Câmara
de Deputados do Estado de Pernambuco, nos anos 1950, para que os cultos afro-brasileiros
tivessem os mesmos direitos que as demais religiões, argumentando que a legislação do país já
assegurava liberdade de culto.
4
Outro exemplo é Severina Paraíso da Silva, a “Mãe Biu do
Portão do Gelo”, que no início da década de 1950 liderou o empreendimento de organização de
sua comunidade religiosa na localidade do Portão do Gelo, em Beberibe, inaugurando o
surgimento de um bairro negro (COSTA, 2006). Mesmo popularizando o culto xambá em
Recife,
5
Pai Rosendo era muitas vezes questionado sobre sua real estada na África pelos demais
sacerdotes na Cidade, uma vez que quando trocava palavras em iorubá com eles se mostrava
contraditório.
Além de Pai Rosendo, outros babalorixás mencionaram suas possíveis viagens ao
Continente Africano como forma de legitimação religiosa de seus terreiros, como no clássico
caso de Felipe Sabino da Costa, o famoso Pai Adão, que se constituiu como referência da
tradição religiosa Nagô em Recife, sobre o qual irei falar an passant, mais adiante. Outras
pessoas vinculadas às práticas religiosas africanizadas buscavam ainda constituir sua
africanidade afirmando-se etnicamente, como Fortunata Maria da Conceição (Baiana do Pina),

4
SEITA africana. Recife, 1967. Fundo SSP, n. 7856, Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano (APEJE). Lídia
Alves nasceu em 1893, estando com 60 anos quando liderou essa ação.
5
Aportuguesando os orôs (toadas de fundamento), colocando em seus rituais elementos dos autos do folclore
alagoano. Cf. O Cruzeiro, 1949; Resultados da experiência com Rorschach com Dúdu em 9-4-54, Manuscritos de
René Ribeiro, 1954. Agradeço a Daniel Stone, do King‟s College – Londres, pelo repasse dos cadernos particulares
de René Ribeiro sob a guarda de Celina Ribeiro. Cf. também Fernandes (1937) e Ribeiro (1978)

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que se apresentava como natural da Costa;
6
Apolinário Gomes da Mota, que dizia ser sua casa o
primeiro terreiro de tradição Congo no Recife;
7
Mestre Félix, conhecido como “Negro Mina”,
em Maceió, procedente da Costa da Mina.
8
Pierre Verger e Gilberto Freyre foram os que primeiro falaram dessas narrativas de
africanos(as) e crioulos(as) libertos(as) que estabeleceram fluxos entre o Brasil e a África. Mais
recentemente, Luis N. Parés e Lisa E. Castilho (2007) constataram que essas narrativas de
trânsitos Brasil-África tiveram vários significados. Porém, a agência religiosa, por meio do
comércio de objetos rituais e aperfeiçoamento da liturgia, aparece com importância destacada.
Tudo isto, porém, refere-se às experiências na Bahia com os nagôs, jejes, minas, ficando espaços
como Alagoas e Pernambuco pouco ou quase nunca mencionados. Uma exceção é o exemplo de
Pai Adão, que teria nascido no Engenho da Torre (Recife-PE), em 1877, filho do africano Sabino
Costa. Ele assumiu a direção do Terreiro Obá Ogunté, conhecido como Sítio do Pai Adão, após a
morte de Inês Joaquina da Costa, negra de ganho que conquistara sua alforria por volta de 1875.
9
Segundo a versão dos funcionários do Serviço de Assistência a Psicopatas de Pernambuco, teria
Pai Adão seguido em um cargueiro para Lisboa, onde embarcou para Lagos, passando quatro

6
A Baiana do Pina declarou em entrevista a Pedro Cavalcanti, em 1932, ser oriunda da Costa da África, estando já
há muitos anos no Brasil. Antes de fixar residência no Recife, teria habitado também no Rio de Janeiro, Bahia e
Alagoas. (Arquivos da Assistência a Psicopatas de Pernambuco, Recife, 1935, p. 88).
7
O Terreiro de Apolinário foi estudado por Waldemar Valente nos anos 1950, por ser o Babalorixá tido como uma
das lideranças de referência de tradição afro-religiosa e social na comunidade. Cf. Valente (1976); Diário de
Pernambuco, 19 fev. 1954 e 06 out. 1956.
8
O Terreiro do Mestre Félix pode ser considerado um dos mais antigos de Maceió, pois já funcionava no início do
século XX, em 1906, afirmando-se como muito antigo. Formou muitos filhos-de-santo no bairro do Jaraguá, em
especial a famosa Tia Marcelina.
9
ARQUIVOS da Assistência a Psicopatas de Pernambuco, 1935; Diário de Pernambuco, 28 mar. 1936; RIBEIRO,
René. Resultados da experiência com Rorschach com Dúdu em 9-4-54. Manuscritos, 1954, p. 5.

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anos na companhia de seus parentes africanos.
10
Uma segunda versão sustenta que o Babalorixá
fora auxiliado por outros sacerdotes que eram africanos libertos e estavam ainda no Recife na
primeira década do século XX, como Tio Cassiano, Tio Claudiano, Tia Rita e o babalaô Pedro
Salustiano da Costa.
11
Com estas pessoas Pai Adão tivera viajado para a África, tendo a Cidade
de Salvador como caminho facilitador da viagem. Há também indícios de que posteriormente o
Babalorixá teria vivido em Salvador e Maceió, indo e vindo constantemente entre essas duas
cidades, em decorrência de seus empreendimentos religiosos.
12
A partir dessas narrativas sobre africanidades e trajetórias de experiências de africanos e
crioulos no fluxo e refluxo Brasil-África – ora para afirmar a legitimidade de seus terreiros, ora
para o aperfeiçoamento de suas práticas afro-religiosas, ou ainda para a educação filial segundo a
tradição da ancestralidade (PARÉS; CASTILHO, 2007) –, venho trabalhando a hipótese de que,
paralelamente a todo esse processo de construção de identidades africanas dos adeptos de culto
aos orixás, também ia se configurando a organização dos espaços urbanos por onde essas pessoas
passavam. Entre as diferentes localidades regionais e/ou locais que iam ocupando, engendravam
ações para garantir habitação, trabalho e lazer aos que lhes seguiam, concorrendo para o
surgimento de bairros negros, lugares de autoridade dessas lideranças religiosas.
Em Alagoas, alguns bairros de Maceió, como Jaraguá, Levada, Pajuçara, Bebedouro,
Trapiche da Barra, Farol, Ponta Grossa, Supapo, entre outros, mostram aspectos de ocupação e
estruturação urbana, social e religiosa afrodescendentes. Lideranças de Xangôs, como Mestre
Félix, Tia Marcelina, Manuel Geleilú, Manuel Coutinho, Chico Foguinho, João Catarina, José

10
ARQUIVOS da Assistência a Psicopatas de Pernambuco, 1935, p. 104.
11
Resultados da experiência de Rorschach com Dúdu em 9-4-54, op. cit.

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Bambirrá – do Cafundó, no Jaraguá, pai-de-santo de Artur Rosendo Pereira
13
– tornaram-se
nomes ligados à história de organização desses bairros.
14
Alguns, como Tia Marcelina, estavam
vinculados a questões políticas
15
, outros, como Artur Rosendo, recriavam tradições à medida que
ocupavam os espaços urbanos.
Em Pernambuco, bairros recifenses como Casa Amarela, Beberibe (trabalhados em
minha dissertação de Mestrado), Água Fria, Mangueira, Tejipió, Barro ficaram conhecidos como
“pedaço do povo-de-santo”, nas primeiras décadas do século XX. Antes deles, os bairros de São
José e Afogados, ao se aproximar os anos precedentes à Abolição, foram se constituindo a partir
das ações de africanos(as) e crioulos(as) libertos(as). Em São José, que se tornou lugar de
reconstrução dos “laços culturais e religiosos esgarçados pelo desenraizamento violento que foi o
tráfico atlântico de escravos” (CARVALHO, 1998, p. 87), ocorreram os primeiros assentamentos
de terreiros de xangôs. Ruas como Imperial, Concórdia, Peixoto, Flores e a Praça Sérgio Loreto
– limite entre São José e Afogados – fizeram parte da trajetória de crioulos(as) e africanos(as)
libertos(as), como Maria Helena da Costa, ex-cativa de ganho. Esta conseguiu se iniciar nos
preceitos religiosos nagôs após a aquisição de sua alforria, segundo sua neta Marcolina da Silva
Marques, que foi exaustivamente entrevistada por René Ribeiro, em 1954, quando estava com 75

13
Segundo José Benedito Maciel, o Pai Maciel, que diz ter nascido em 06 de julho de 1910, o babalorixá de Artur
Rosendo se chamava Mestre Inácio e residia no Jaraguá. Entrevista com Pai Maciel, Ponta Grossa – Maceió/Al, 28
fev. 2007.
14
Os terreiros dirigidos por esses líderes religiosos estavam concentrados nos bairro do Jaraguá, Trapiche da Barra e
Farol (RAFAEL, 2004).
15
Em 1912 Tia Marcelina teve seu terreiro fechado no episódio do “Quebra”, movimento político-policial que
ocorreu em Maceió e levou diversos terreiros de xangôs a serem depredados, fechados e seus líderes perseguidos.
Entre as motivações deste movimento, estão as relações pessoais que o então governador Euclides Malta mantinha
com pessoas adeptas das religiões afro-brasileiras em Alagoas. (RAFAEL, 2004).

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anos de idade.
16
Estas personagens marcaram a história do Terreiro Obá Ogunté – Sítio de Pai
Adão. Investigar suas trajetórias torna-se de suma relevância para a montagem do quebra-cabeça
das redes sociais tecidas pelos afrodescendentes na organização dos espaços urbanos e da
agência transatlântica, alimentada por produtos, pessoas e idéias.
Por fim, nas pesquisas iniciais que estou desenvolvendo nos livros de Passaportes e de
Entrada e Saída da Polícia do Porto em Savaldor-BA,
17
venho me deparando com um
significativo número de africanos(as) e crioulos(as) libertos(as), de Alagoas e Pernambuco, que
constantemente iam à África, tendo o porto de Salvador como passagem para esse “fluxo e
refluxo”. Entre os motivos dessas viagens, estavam os „negócios‟ desenvolvidos por esses(as)
libertos(as), sobretudo crioulos(as), que podem vir a corroborar minhas idéias preliminares
acerca dessas construções de africanidades nos terreiros de xangôs pernambucanos e alagoanos.
REFERÊNCIAS
CACCIATORE, OLGA G. Dicionário de cultos afro-brasileiros. 3. ed. Rio Janeiro: Forense
Universitária, 1988.
CARVALHO, Marcus J. M. de. Liberdade: rotinas e rupturas do escravismo no Recife (1822-
1850). Recife: Editora Universitária da UFPE, 1998.

16
Um de meus objetivos no trabalho final de Doutorado é construir trajetórias de africanos libertos e crioulos, como
Arthur Rosendo – até o presente momento o maior referencial de introdução das práticas xambás no Recife e
Maceió, que possivelmente viajou à África. Maria Helena da Costa, Pedro Salustiano da Costa, Inês Joaquina da
Costa e Felipe Sabino da Costa são minhas referências da organização do culto Nagô em Pernambuco que também
seguiram provavelmente para a Costa da África nos anos iniciais do pós-1888. Cf. Resultados da experiência com
Rorschach com Dudu 9-4-54, op. cit.
17
REGISTROS de Passaportes, Sessão Colonial, maços 5902 a 5910, de 1870-1889. Entrada e Saída de Passageiros
– Diretoria da Polícia do Porto, Sessão Arquivos Republicanos, v. 01-31 (entrada), v. 57 a 67 (saídas). Arquivo

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COSTA, Valéria Gomes. Nos arrabaldes da cidade: práticas de apropriação e estruturação dos
espaços no subúrbio do Recife pelo Terreiro Santa Bárbara – Nação Xambá (1950-1992).
Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2006.
FERNANDES, Gonçalves. Xangôs do Nordeste: investigações sobre os cultos negro-fetichistas
do Recife. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1937.
LAW, Robin. Etnias de africanos na diáspora: novas considerações sobre os significados do
termo „mina‟. Tempo, Niterói, v.10, n.20, p. 109-131, jan. 2006.
PARÉS, Luis Nicolau. O processo de crioulização no Recôncavo Bahiano (1750-1800). Afro-
Ásia, Salvador, n. 33, p. 87-132, 2005.
______. A formação do Candomblé: história e ritual da nação jeje na Bahia. Campinas:
UNICAMP, 2006.
______; CASTILHO, Lisa Earl. Marcelina da Silva e seu mundo: novos dados para uma
historiografia do candomblé Ketu. Afro-Ásia, Salvador, n. 36, p. 111-151, 2007.
PRICE, Richard. O milagre da crioulização: retrospectivas. Revista de Estudos Afro-Asiáticos,
Rio de Janeiro, n. 3, p. 383-419, 2003.
SOARES, Carlos Eugênio Líbano; GOMES, Flávio dos Santos; FARIAS, Juliana Barreto. No
labirinto das nações: africanos e identidades no Rio de Janeiro, século XIX. Rio de Janeiro:
Arquivo Nacional, 2005.
SOARES, Mariza de Carvalho (Org.). Rotas atlânticas da diáspora africana: da Baía do Benim
ao Rio de Janeiro. Niterói: EDUFF, 2007.
VALENTE, Waldemar. Sincretismo religioso afro-brasileiro. 2. ed. São Paulo: Nacional, 1976.
VERGER, Pierre. Fluxo e refluxo: fluxo e refluxo do tráfico de escravos entre o Golfo do Benin
e a Baía de todos os Santos. Salvador: Corrupio, 2002.

QUILOMBO URBANO: A NAÇÃO XAMBÁ 
COMO EXEMPLO DE RESISTÊNCIA CULTURAL
Fabio Henrique Cunha Amorim
1
, Daniel Menezes de Carvalho
2
,Gustavo de Lima Silva
3
e Marcos Antônio Bezerra Figueiredo
4
________________
1. Médico Veterinário formado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e graduando do segundo período de Licenciatura em
Ciências Agrícolas da UFRPE. Av. Dom Manuel de Medeiros, s/n, Dois Irmãos, Recife-PE. E-mail: fabiohorim1@yahoo.com.br
2. Graduando do nono período de Agronomia e primeiro período de Licenciatura em Ciências Agrícolas da Universidade Federal Rural de
Pernambuco. Av. Dom Manuel de Medeiros, s/n, Dois Irmãos, Recife-PE. E-mail: daniel.mcarvalho@hotmail.com.
3. Professor Adjunto do Departamento de Licenciatura e Ciências Humanas da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Av. Dom Manuel de
Medeiros, s/n, Dois Irmãos, Recife-PE. E-mail: mfigueiredoufrpe@gmail.com
Introdução
A invasão cultural promovida por países detentores
do poder econômico, potencializada com o avanço dos
meios de comunicação, constitui uma grande ameaça às
tradições locais, que em sua diversidade e riqueza
mantém a identidade local, a soberania e independência
social, religiosa e política de um povo. Diversos grupos
sociais lutaram pela preservação de suas tradições e
dentre eles os negros em seus quilombos, com suas
crenças e cultos. Segundo Sylvia Estrella, a palavra
quilombo vem de “ochilombo”, de um dialeto banto,
até hoje falado por certos povos em Angola, que
designava acampamento usado por populações
nômades. No Brasil, deu nome aos núcleos de
resistência à escravidão onde naturalmente havia uma
reafirmação da cultura e do estilo de vida africanos. Os
quilombos, deste modo, foram um fenômeno contraaculturativo, de rebeldia contra os padrões de vida
impostos pela sociedade oficial e de restauração dos
valores antigos [1].
No texto constitucional, utiliza-se o termo
“remanescente de quilombo,” na tentativa de orientar e
auxiliar a aplicação do artigo 68 do Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) da
Constituição [2]. A Associação Brasileira de
Antropologia (ABA) divulgou, em 1994, um
documento elaborado pelo grupo de trabalho sobre
comunidades negras rurais em que se define o termo
“remanescente de quilombo”, como: “grupos que
desenvolveram práticas de resistência na manutenção e
reprodução de seus modos de vida característicos num
determinado lugar ”[2].
Em Pernambuco, Olinda, no bairro de São Benedito,
Portão do Gelo, localiza-se o Terreiro Santa Bárbara, de
formação e origem afrodescendente da Nação Xambá,
provavelmente o último remanescente no país dessa
tradição originária da África Central. A comunidade
mantém suas tradições há mais de setenta anos, estando no
atual endereço desde 1951[3]. Em 24 de setembro de 2006
foi concedido pelo Ministério da Cultura e a Fundação
Cultural Palmares em conjunto com o Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) o título
de Quilombo Urbano à comunidade do Portão de Gelo,
Nação Xambá, sendo o terceiro quilombo urbano do Brasil
[4].
O presente trabalho tem o objetivo de destacar o
Quilombo do Portão de Gelo como um exemplo de
resistência e auto-afirmação da cultura local rica e
diversificada diante da cultura ocidental dominante
(positivista e cartesiana) que tem sido imposta há décadas a
esse grupo.
Material e métodos
Informações foram coletadas através da explanação de
Guitinho da Xambá – parente dos fundadores da
comunidade, estudante de sociologia e músico do grupo
Bongar – durante a palestra realizada em 28 de maio de
2009 sobre o quilombo urbano do Portão de Gelo. Também
foram obtidos dados através da cartilha da Nação Xambá e
de fontes bibliográficas.

Resultados e Discussão
No início da década de 1920, o Babalorixá Artur
Rosendo Pereira, fugindo da repressão policial às casas
de culto Afro-brasileiro, deixa Maceió e passa a morar
no Recife. Na capital de Pernambuco, na Rua da
Regeneração, no bairro de Água Fria, por volta de
1923, reinicia suas atividades de zelador dos Orixás,
segundo os rituais e tradições da Nação Xambá, cujos
ensinamentos foi buscar na Costa da África, em Dakar
no Senegal, onde permaneceu pôr quatro anos, segundo
René Ribeiro. Artur Rosendo iniciou muitos filhos de
santo e dentre eles, Maria das Dores da Silva (Maria
Oyá), que fez sua iniciação em 1927. Em fevereiro de
1928, Maria Oyá começa a cultuar os Orixás, na Rua
do Limão, em Campo Grande , tendo Artur Rosendo
como Babalorixá e Iracema, como Yalorixá,
inaugurando seu terreiro em 7 de junho de 1930. No
dia 13 de dezembro de 1932, Maria Oyá termina sua
iniciação[3].
Uma violenta repressão policial fecha o terreiro em
1938, que manteve o culto aos Orixás em sigilo. Em
1939, morre Maria Oyá. Em 16 de junho de 1950,
Severina Paraíso da Silva, a Mãe Biu (iniciada em
1934), reabre seu terreiro na estrada do Cumbe, 1012,
Santa Clara – Recife, e dá início ao reagrupamento da
família (dispersada em 1938). Em 07 de abril de 1951,
muda-se para o atual endereço, na antiga Rua Albino
Neves de Andrade, hoje Severina Paraíso da Silva, nº
65, no Portão do Gelo, São Benedito – Olinda. Após 54
anos dirigindo sua casa e mantendo as tradições e
rituais da Nação Xambá, Mãe Biu falece aos 78 anos,
no dia 27 de janeiro de 1993. Donatila Paraíso do
Nascimento, iniciada em 1932 por Artur Rosendo,
Mãe-pequena da casa desde 1933, sucede Mãe Biu
como Yalorixá, tendo como Babalorixá, seu sobrinho
(filho de Mãe Biu), Adeildo Paraíso da Silva (Ivo), que
continuam preservando as tradições do Terreiro Xambá
[3].
A Nação Xambá mantém sua tradição há mais de setenta
anos, mesmo diante das perseguições, discriminações e
retaliações que sofreu durante sua história. O quilombo é
composto por três tipos de pessoas: as que foram morar lá
pela religiosidade e por ser da família, as que foram pela
religiosidade, e as que tinham ligação afetiva com estas e
aquelas. O terreiro é o maior ponto de convergência, todos
compartilham a mesma crença e religião. Para Guitinho da
Xambá, ”a nação está se descobrindo”, “seu povo resistiu
às perseguições e preservou sua cultura”, diz ainda que
“sempre se reconheceram como quilombo e não como
remanescentes de quilombo, pela história que tiveram, e
que o que faz o povo ser reconhecido como quilombo é o
direito inerente de qualquer ser humano a liberdade”.
Hoje o Quilombo do Portão de Gelo, além das atividades
religiosas, traz um memorial, com museu e histórico de
suas tradições, registros dos primeiros filhos da Nação no
Brasil e peças tradicionais do culto candomblé. Sua música
vai do tradicional coco de São Pedro (29 de julho
anualmente) ao grupo Bongar, formado pelos jovens. A
casa é aberta ao público em geral para os toques e para o
coco de São Pedro. Em 2000 foi lançada uma cartilha sobre
a cultura Xambá, a segunda edição veio revisada e foi
lançada em 2005. O quilombo também desenvolve
atividades como a Ação Griô, que atua no resgate das
tradições orais, o Hoje Teve Alegria, que os jovens visitam
a casa das pessoas mais velhas para ouvir histórias da
comunidade, a capoeira, a construção de instrumentos de
percussão e aulas para aprender a tocá-los, e a transmissão
do culto religioso. Desta forma o Terreiro de Santa Bárbara
promove o resgate de sua cultura.
Conclusão
A única Casa Xambá do estado, mantém-se cada dia
mais viva e atuante, preservando seus ritos e tradições
religiosas, com a preocupação de transmiti-los aos seus
descendentes e ao público interessado, perpetuando-se
através do reconhecimento da importância de sua cultura.

Cultura Xambá resgatada em livro

Jornal do Commercio – PE, Tatiana Notaro, 18/11/2007
O cenário é o o terreiro de Mãe Biu, em Portão do Gelo, Olinda. A personagem, a nação Xambá. Seu enredo, os mistérios e descobertas que envolvem o povo pernambucano. Tudo está em Nação Xambá, do terreiro aos palcos, obra da jornalista Marileide Alves que envereda pelos segredos das religiões afros no Brasil. O lançamento acontece hoje, no cenário do livro, a partir das 17h.

Marileide conheceu o coco dos xambazeiros e todo sincretismo desse povo através do contato com Cleyton José da Silva, o Guitinho, vocalista do grupo Bongar. ‘Ele me pediu ajuda na produção do Bongar. Na época, eu estava fazendo pós-graduação em Jornalismo Cultural e decidi usar essa história como objeto da monografia’, explicou a jornalista. Os componentes do grupo Bongar têm entre 18 e 25 anos, são todos descendentes de Mãe Biu e aprenderam desde a infância a importância de seus ritos e tradições.

O culto Xambá era praticado pela minoria dos negros ‘importados’ para o Brasil. A partir da pesquisa, Marileide descobriu que, na narrativa dos historiadores, esse povo era citado como extinto ou quase-extinto. ‘Isso por que, em 1930, na época do Estado Novo, a repressão fechou muitos terreiros. A maior raiz do povo Xambá estava em Alagoas e o babalorixá veio fugido para Pernambuco. Aqui, ele iniciou Maria Oiá, mas em 1938, o terreiro foi fechado’.

Doze anos depois, o terreiro foi reaberto e repovoado pela Mãe Biu, que começou a trazer parentes e amigos. Semi-analfabeta, ela cultivou os costumes e consolidou a comunidade. No ano passado, eles foram reconhecidos como o primeiro quilombo urbano do Estado pela Fundação Cultural Palmares. Lá, prevalece o culto Xambá, com linguagem e ritos peculiares, sobrevivente apenas em Pernambuco.

Nação Xambá, do terreiro aos palcos vem para suprir a falta de informação a respeito desse povo. ‘Eles existem, mas eram anônimos. Tudo o que colhi para o livro foi passado pela oralidade, por xambazeiros mais velhos e pelos meninos do Bongar’, disse Marileide. A publicação tem patrocínio do projeto BNB Cultural, do Banco do Nordeste, e apoio da Prefeitura do Recife e Fundação Cultural Palmares.

O livro é a soma de histórias de pessoas simples que lutaram pelo direito à sua religião e não se deixaram levar pelas condições financeiras. ‘Dei ao meu trabalho um olhar muito emotivo. Eu sou espírita e, a partir desse contato com os xambazeiros, adentrei num ambiente de muita harmonia e energia, onde histórias de gente simples se transformaram em força e resistência’, disse a jornalista.

Para apresentar inspiração das 150 páginas de Nação Xambá, do terreiro aos palcos, o grupo Bongar faz um show intimista, durante o lançamento. O exemplar custa R$ 20. A Portão de Gelo fica na Rua Severina Paraíso Silva, 65, São Benedito, Olinda.

Nação Xambá

Diversos autores apontam o povo Xambá ou Tchambá, como povos que habitavam a região ao norte dos Ashanti e limites da Nigéria com Camarões, nos montes Adamaua, vale do rio Benué. Existem várias famílias com esse nome, nos Camarões, tendo inclusive participado nas lutas pela independência daquele país.

No início da década de 1920, o Babalorixá Artur Rosendo Pereira, fugindo da repressão policial às casas de culto Afro-brasileiro, deixa Maceió e passa a morar no Recife. Na capital de Pernambuco, na Rua da Regeneração, no bairro de Água Fria, por volta de 1923, reinicia suas atividades de zelador dos Orixás, segundo os rituais e tradições da Nação Xambá, cujos axés foi buscar na Costa da África, onde permaneceu pôr quatro anos, aprendendo com “Tio Antônio, que vendia panelas no mercado de Dakar, no Senegal”, segundo René Ribeiro. Artur Rosendo iniciou muitos filhos de santo e vários deles abriram terreiro posteriormente. Dentre esses filhos, Maria das Dores da Silva (Maria Oyá), que fez sua iniciação em 1927. Em fevereiro de 1928, Maria Oyá começa a cultuar os Orixás, na Rua do Limão,em Campo Grande , tendo Artur Rosendo como Babalorixá e Iracema  (Cema), como Yalorixá, inaugurando seu terreiro em 7 de junho de 1930.

No dia 13 de dezembro de 1932, Maria Oyá termina sua iniciação, com o recebimento das folhas, faca e espada. Ao meio dia, realizou-se o ritual de coroação de Oyá no trono, cerimônia tocante e belíssima, repetida anualmente, pôr Mãe Biu, sucessora de Maria Oyá.

Violenta repressão policial fecha o terreiro em 1938, que manteve o culto aos Orixás, à portas fechadas. Em 1939, falece Maria Oyá. Em 16 de junho de 1950, Mãe Biu (filha de Ogum e Oyá), reabre seu terreiro na estrada do Cumbe, 1012, Santa Clara – Recife, tendo como Babalorixá Manoel Mariano da Silva e Yalorixá Dona Eudóxia, Padrinho Luiz da Guia e Madrinha Dona Severina, esposa de Manoel Mariano. Em 07 de abril de 1951, muda-se para o atual endereço, na antiga Rua Albino Neves de Andrade, hoje Severina Paraíso da Silva, nº 65, no Portão do Gelo, São Benedito – Olinda.

Após 54 anos dirigindo sua casa e mantendo as tradições e rituais da Nação Xambá, Mãe Biu falece aos 78 anos, no dia 27 de janeiro de 1993. Donatila Paraíso do Nascimento, Mãe Tila, iniciada em 1932 por Artur Rosendo, Mãe-pequena da casa desde 1933, sucede Mãe Biu como Yalorixá, tendo como Babalorixá, seu sobrinho (filho de Mãe Biu), Adeildo Paraíso da Silva (Ivo), que continuam preservando as tradições do Terreiro Xambá.

Ao contrário do que afirmam Olga Caciatore e Reginaldo Prandi, o Culto Africano da Nação Xambá, está longe da extinção, pois o Terreiro do Portão do Gelo, em Olinda, mantém-se há mais 70 anos, vivo e atuante, preservando seus ritos e tradições religiosas, que se distinguem das casas de tradição Nagô do Recife. É verdade que, após o falecimento do Babalorixá Arthur Rozendo em1950, a maioria das Casas Xambá de Pernambuco fundiram-se com as da Nação Nagô, excetuando-se a fundada por Maria Oyá, o axé de Oyá Dopé.

Rua Severina Paraíso da Silva, 65, Portão de Gelo São Benedito, Olinda 53270-360, PE

Localidade

NAÇÃO XAMBÁ

Nação Xambá é uma religião afro-brasileira ativa em OlindaPernambuco. Alguns autores como Olga Caciatore (Dicionário de Cultos Afro-Brasileiros. Rio de Janeiro, Forense Universitária, 3ª Edição, 1988) e Reginaldo Prandi (Candomblés de São Paulo. São Paulo, HUCITEC, 1991) afirmam que culto Xambá no Brasil está praticamente extinto.

Historia

Com o falecimento da grande Iyalorixá do Xambá, Severina Paraíso da Silva “Mãe Biu”, como era mais conhecida em 1993, o herdeiro do trono do Xambá é o Babalorixá Adeildo Paraíso. Conhecido popularmente e pelos que fazem parte daquele terreiro como Ivo do Xambá, que convocou seus filhos de Santo: Profs. Antonio Albino, Hildo Leal e João Monteiro, para elaborarem um projeto arrojado e inovador, para o Terreiro Portão do Gelo, que seria o Memorial do Xambá, onde seriam reunidos e preservados documentos fotográficos e objetos ligados à vida e a atuação da grande líder religiosa, bem como da memória do “Terreiro Santa Bárbara Nação Xambá”.
Fugindo de Maceió, capital do estado de Alagoas, no início da década de 20 do século XX, o babalorixá Artur Rosendo Pereira, de acordo com a “Cartilha da Nação Xambá” (Hildo Leal Rosa,2000), devido à perseguição política às religiões Afro-brasileiras da época, se estabelece no Recife, mais exatamente na Rua da Regeneração, no bairro de Água Fria. Antes mesmo de fugir da repressão política e ainda residindo em Maceió, obabalorixá Artur Rosendo viaja à Costa da África onde permanece por quatro anos e com Tio Antonio, que trabalhava no mercado de Dakar, noSenegal vendendo panelas, segundo René Ribeiro. E por volta de 1923, seguindo as tradições da Nação Xambá, e já em Recife, reinicia suas atividades de zelador de Orixás.
babalorixá Artur Rosendo iniciou muitos filhos de santo, tendo muitos deles aberto terreiro.
Uma de suas filhas mais notáveis foi Maria das Dores da Silva “Maria Oyá” iniciada em 1928. A saída de iyawó de Maria Oyá foi realizada sem toque dos tambores e cantada em voz baixa por causa da perseguição. Logo após a iniciação de Maria Oyá, Artur Rosendo volta para Maceió.
Em 1930Maria Oyá inaugura seu terreiro na rua da Mangueira no bairro de Campo Grande em Recife. Com a conclusão de sua iniciação em 13 de dezembro de 1932, recebe no barracão as folhas, a faca e a espada das mãos de seu babalorixá que realizou ao meio dia o ritual de coroação de Oyá no trono. Cerimônia belíssima que ate hoje é repetida mantendo a tradição Xambá de Pernambuco.
Em 1932 Maria Oyá tira seu primeiro barco de três iyawôs. Ainda em 1932 ela inicia seu segundo barco de iyawôs, este maior e iniciando principalmente Donatila Paraíso do Nascimento que em 1933 assume o cargo de Mãe Pequena do terreiro Santa Bárbara vindo a falecer em 2003 aos 92 anos e passando 60 anos de sua vida no cargo sendo mais conhecida como Mãe Tila, uma outra filha ilustre foi Lídia Alves da Silva (Talabi).
Daí em diante a sucessão de iniciações crescem, o Xambá passa a brilhar ainda mais. Quando em junho de 1935 Maria Oyá inicia nos ritos a sua mais primorosa filha, a que lhe sucederá, Severina Paraíso da Silva, “Mãe Biu”.

Ilús Abertura Religiosa – Foto: Pejigan Clô D’Ogyian

Com o passar dos anos e com a violência policial do Estado Novo cada vez mais rígida. Em 1938 Maria Oyá é obrigada a fechar seu terreiro.Terreiro esse que não mais abrira suas portas guiado por aquela que pela mãos de Artur Rosendo Pereira trouxe o Xambá para Pernambuco. Pois em 1939 Maria Oyá se despede de sua vida terrena, deixando o Xambá órfão. É ainda nesse duro período de perseguições que juntamente com as outras nações de candomblé cultuadas em Pernambuco que todos os terreiros são fechados e seus fieis tolhidos, durante 12 longos anos até 1950, daquilo que lhes é mais precioso, do culto de seus OrixásInkices e Voduns.
Porém, como depois de uma guerreira de Oyá há de vir uma outra guerreira para continuar a luta por seus ideais, pela conservação dos ritos e mitos de uma tradição, Mãe Biu de Oyá Megué reabre o terreiro Xambá em 1950 na Estrada do Cumbe, 1012 no bairro de Santa Clara na cidade do Recife. Tendo como seu babalorixa o Sr. Manoel Mariano da Silva, como Iyalorixá D. Eudoxia, como padrinho o Sr. Luiz da Guia e madrinha D. Severina. Tendo permanecido nesse endereço por apenas dez meses, no dia 7 de abril de 1951 o terreiro se muda para o atual endereço na antiga rua Albino Neves de Andrade, hoje em homenagem a sua grande Mãe Biu, rua Severina Paraíso da Silva, 65 na localidade do Portão do Gelo, bairro de São Benedito – Olinda – Pernambuco.
Com o falecimento de Mãe Biu, que durante 54 anos dirigiu o Terreiro Xambá, auxiliada por sua fiel e inseparável irmã e amiga Mãe Tila que então assume o cargo de Iyalorixá do Xambá por um período de 10 anos, tendo como babalorixá seu sobrinho carnal Adeildo Paraíso, filho carnal de Mãe Biu. Hoje em 2004 com o falecimento de Mãe Tila, assume o Trono do Xambá a Iyalorixá Maria de Lourdes da Silva de Iemanjá, iniciada por Mãe Biu em 18 de maio de 1958.
A jovem guarda do Xambá de Pernambuco orgulha-se de seu terreiro, do seu povo, de sua simplicidade sem invenções modernas, sem sequer mudar uma linha do que lhes deixou seu propulsor e suas grandes e humildes mães de santo. O terreiro Xambá está lá no no bairro Portão do Gêlo, preservado, conservado e servindo de exemplo para muitos terreirostradicionais. O Memorial do Xambá foi criado de acordo com a solicitação de seu babalorixá aos seus filhos, para contar a historia de um povo aguerrido e ordeiro. O Grupo Bongar é formado por seis percussionistas e cantores da Nação Xambá, realiza um trabalho de resgate e divulgação da cultura e religião Xambá e de sua dança tradicional o coco.[1]

Orixás

Apesar dos Orixás serem praticamente os mesmos do Candomblé, existe bastante diferença na forma de culto.
Orixás cultuados na tradição Xambá:
Exú – Ogum – Odé – Bêji – Nanã – Obaluaiê – Ewá
Xangô – Oyá – Obá – Afrekete – Oxum – Yemanjá – Orixalá

Ritual

O ritual é semelhante ao do Candomblé.
Calendário de festas:
Toque de Obaluaiê – 21 de janeiro
Toque de Oxum – 11 de fevereiro
Toque de Ogum – 29 de abril
Toque de Yemanjá – 27 de maio
Toque de Xangô – 17 de junho
Coco da Xambá – 29 de junho – Aniversário de Mãe Biu
Toque de Orixalá – 29 de julho
Aniversário do Babalorixá da Casa – Ivo do Xambá – 06 de agosto
Dia do Quilombo Urbano do Portão do Gelo[2] – 24 de setembro
Toque de Bêji – 30 de setembro
Toque do Inhame – 28 de outubro
Dia da Consciência Negra – 20 de novembro
Louvação de Oyá – 12:00 – 13 de dezembro
Toque de Oyá – 16 de dezembro
Os toques sempre são as 16 horas da tarde. Em todos os toques é servido aos filhos de santo da casa e aos convidados um café com manguzá, que é tradição da casa.
Aos visitantes:
  • Não é permitido uso de roupas pretas
  • O homem deve se vestir de calça (nunca bermuda, short ou camiseta regata)
  • A mulher deve se vestir de saia ou vestido abaixo do joelho (nunca de calça nem camiseta)

Candomblé Ijexá

Nação Ijexá do Candomblé

Ijexá é uma nação do Candomblé, formada pelos escravos vindos de Ilesa na Nigéria, em maior quantidade na região de SalvadorBahia.

Babalorixá Eduardo de Ijexá foi o mais conhecido dessa nação. Como também o Babalorixá Severiano Santana Porto, ambos do mesmo orixá, Logum Edé.

Ritmo africano

O Ijexá resiste atualmente como ritmo musical presente nos Afoxés.

O Ijexá, dentro do Candomblé é essencialmente um ritmo que se toca para OrixásOxum[1]OsainOgumLogum-edéExuObaOyá-Yansan e Oxalá.

Ritmo suave mas de batida e cadência marcadas de grande beleza, no som e na dança. O Ijexá é tocado exclusivamente com as mãos, osaquidavis ou baquetas não são usados nesse toque, sempre acompanhado do  (agogô) para marcar o compasso. O Afoxé Filhos de Gandhi da Bahia, é talvez o mais tenaz dos grupos culturais brasileiros na preservação desse ritmo.

Afoxé Filhos de Gandhi basicamente só toca Ijexá e assim ele se mantém vivo. Herança de África, viva aqui na Latinamérica.

Na música popular o ritmo se manifesta em gravações como ¨Beleza Pura¨ de Caetano Veloso, ¨Palco¨ (versão do Acústico Unplugged) deGilberto Gil, ¨É d´Oxum¨ de Gerônimo e Vevé Calazans, gravada por Gal Costa e por vários outros intérpretes da música brasileira. Presente também em uma música do DVD Jorge Vercilo ao vivo, no qual ele cita o ritmo. Pode se encontrar traços do ritmo em outra canções populares brasileiras, como “O que foi feito de vera, O que foi feito deverá” de Milton Nascimento. Também pode ser encontrado na música “Ijexá” , na voz de Clara Nunes.

Orixás da Nação Ijexá

Origens

No período da escravidão, os escravistas eram interessados exclusivamente na força de trabalho do africano, mas nos porões dos navios negreiros, além de músculos, vinham ideias, sentimentos, tradições, mentalidades, hábitos alimentares, rituais, canções, crenças religiosas, formas de ver a vida, e o que é mais incrível, o africano levava tudo dentro de sua alma, pois não lhe era permitido carregar seus pertences.

Da Nigéria e do Benin vieram as principais raízes dos cultos afro-brasileiros, o Candomblé da Bahia, o Xangô de Pernambuco, o Tambor de Mina do Maranhão e o Batuque do Rio Grande do Sul, os quais possuem fortes vínculos de origem com as crenças religiosas dos povos de língua iorubá e fon.

Em Ouida, onde ficava um dos grandes portos de embarque de escravos, os negros percorriam um caminho de cinco quilômetros da cidade até o porto. Neste percurso todo escravo que era embarcado, eram obrigados a dar voltas em torno de uma árvore. A árvore do esquecimento.

Os escravos homens deviam dar nove voltas em torno dela. As mulheres sete voltas. Depois disso supunha-se que os escravos perdiam a memória e esqueciam seu passado, suas origens e sua identidade cultural, para se tornarem seres sem nenhuma vontade de reagir ou se rebelar.

Mas, o escravo não esquecia nada, porque quando chegou aqui recriou suas divindades. Conseguiu refazer tudo aquilo que ficou para traz. Hoje, nos diversos estados brasileiros se tem verdadeiras ilhas de África, pois se mantém muito vivas as tradições religiosas iorubá e jêje. Devido à multiplicidade nas origens, a estruturação e a prática dos rituais tomaram formas diferentes em cada região do país.

No Batuque do Rio Grande do Sul, também, os religiosos pertencem a nações diversas, portanto, possuem tradições diferentes. Todavia, a influência da nação Ijexá é grande no conjunto dos rituais africanos executados nos terreiros de origem Jêje, Oyó e Cabinda.

Orixás

Orixás, regentes do mundo terrestre com várias definições a seu respeito, mas em princípio os Orixás são divindades intermediárias entre o Deus Supremo, Olorum, e o mundo terrestre. Foram encarregados de administrar a criação e a continuidade da vida na terra.

Os Orixás se comunicam com os seres humanos através de vistosos e complexos rituais. As estórias de cada um são conhecidas através das rezas (cânticos), suas comidas, no ritmo de seus toques, nas suas cores e seu domínio em determinadas forças da natureza.

Os Orixás estão subordinados a um Deus Supremo chamado Olorum ou Olodumare, mas não há nenhum culto ou altar dirigido diretamente à ele, o contato é feito através dos Orixás, seus intermediários.

Nossa tradição guarda o axé (força) de cada Orixá em um Okutá (pedra) que é colocada em uma vasilha junto a outras “ferramentas”, que ficam sob a guarda do babalorixá ou Yalorixá; mas a força maior está solta na natureza, apenas parte dela, simbolicamente fica no Okutá.

Nas cerimônias para convocar os Orixás, tradicionalmente, é através de cantos acompanhados com o toque dos tambores, com ritmos identificados para cada divindade.

As cerimônias são diversas, são ofertados presentes, comidas diferentes para cada um e sacrifícios que envolvem animais de quatro pés e aves; tirando a parte dos Orixás toda carne é consumida pelos participantes e membros da comunidade. Aos orixás rogam-se proteção, saúde, paz, em fim, pedidos específicos às necessidades de cada um em particular.

Os Orixás intercedem de acordo com o domínio que cada um exerce sua influência no aspecto da vida, como por exemplo, Bará para abrir os caminhos, Xangô para justiça, Oxum para fertilidade e assim por diante.

É magnífico poder escrever sobre a religião africana, mas há rituais muito particulares, nos quais alguns praticantes, não estão se preocupando em guardar o segredo, alguns estão colocando em público, rituais que os antigos levariam anos, até passarem para aqueles que mostravam sigilo absoluto, e que guardariam para confidenciar apenas aos seguidores de merecimento. Todas as religiões importantes do mundo doutrinam e ensinam, mas os maiores segredos um mestre só passa para outro mestre.

Existem aspectos cerimoniais que regulam o relacionamento dos serem humanos com as divindades. As regras são muitas, numa espécie de quebra cabeças, com começo, meio e fim, montado com interpretações simbólicas dos mitos que envolvem os orixás, e constituem uma grande rede interligada de deveres e direitos, obrigações e possibilidades, extremamente complexa e cheia de nuanças, inclusive possibilitando diversas variações que só quem é do meio pode saber e executar. A forma organizada na África deve ser perpetuada. Não temos o direito de mudar algo estabelecido a séculos, mesmo que queiram rotular nossos rituais de primitivos e ultrapassados, temos que procurar manter a força espiritual que envolve nossa religião, esta poderosa raiz deixada por nossos ancestrais.

Um caminho que nos faz ter contato com os orixás é através da incorporação; este é o processo pelo qual a entidade se manifesta em seu filho(a) que passou pelos mais diversos rituais de iniciação. Contudo há casos de incorporação de não iniciados. É possível uma pessoa estar assistindo um ritual pela primeira vez e se identificar com as forças espirituais energéticas referentes ao seu orixá, e ter esta manifestação espontânea.

Na maior parte, a manifestação dos orixás acontece em dias de festas. No batuque, nestas ocasiões, podemos falar; pedir auxílio, consultar, abraçar e ser abraçado por eles; em fim pode-se ter um contato direto com os orixás. Uma característica específica que diferencia o batuque das demais religiões afro-brasileiras é o fato do iniciado não saber, em hipótese alguma, que é incorporado pelo orixá. Esta peculiaridade provém de longínquas aldeias do interior da África, e faz parte dos rituais desde o início da estruturação da religião no Estado do Rio Grande do Sul a mais de duzentos anos.

Outro caminho que nos leva aos Orixás são os Búzios. A cerimônia do jogo dos Búzios é o instrumento usado no dia a dia para consulta aos Orixás. Através dele podemos receber orientações, conselhos e advertências.

Os Orixás cultuados no Batuque do Rio Grande do Sul são: Bará, Ogum, Oyá ou Iansã, Xangô, Ibêji, Odé, Otim, Obá, Ossãe, Xapanã, Oxum, Yemanjá e Oxalá.

ORIXÁS

Os orixás são deuses africanos que correspondem a pontos de força da Natureza e os seus arquétipos estão relacionados às manifestações dessas forças. As características de cada Orixá os aproxima dos seres humanos, pois eles se manifestam através de emoções como nós. Sentem raiva, ciúmes, amam em excesso, são passionais. Cada orixá tem ainda seu sistema simbólico particular, composto de cores, comidas, cantigas, rezas, ambientes, espaços físicos e até horários. Como resultado do sincretismo que se deu durante o período da escravidão, cada orixá foi também associado a um santo católico, devido à imposição do catolicismo aos negros. Para manterem seus deuses vivos, viram-se obrigados a disfarçá-los na roupagem dos santos católicos, aos quais cultuavam apenas aparentemente.

Estes deuses da Natureza são divididos em 4 elementos – água, terra, fogo e ar. Alguns estudiosos ainda vão mais longe e afirmam que são 400 o número de Orixás básicos divididos em 100 do Fogo, 100 da Terra, 100 do Ar e 100 da Água, enquanto que, na Astrologia, são 3 do Fogo, 3 da Terra, 3 do Ar e 3 da Água. Porém os tipos mais conhecidos entre nós formam um grupo de 16 deuses. Eles também estão associados à corrente energética de alguma força da natureza. Assim, Iansã é a dona dos ventos, Oxum é a mãe da água doce, Xangô domina raios e trovões, e outras analogias.

Na Umbanda e no Candomblé se cultuam muitos outros orixás, desconhecidos por leigos, por serem menos populares do que Xangô, Iansã, Oxossi e outros, mas com um significado muito forte para os adeptos dos cultos afro-brasileiros. Alguns são necessariamente cultuados, devido à ligação com trabalhos específicos que regem, para a saúde, morte, prosperidade e diversos assuntos que afligem o dia-a-dia das pessoas. Estes deuses africanos são considerados intermediários entre os homens e Deus, e por possuírem emoções tão próximas dos seres humanos, conseguem reconhecer nossos caprichos, nossos amores, nossos desejos. É muito comum, alguns dizerem que suas personalidades são conseqüências dos Orixás que regem suas cabeças, desenvolvendo características iguais às destes deuses africanos.

Apresentamos à seguir as descrições dos 16 Orixás mais cultuados no Brasil. Lembramos que existem diversas correntes no Candomblé e na Umbanda, por essa razão as informações poderão ser diferentes de acordo com a tradição ou região.

O PANTEÃO DOS ORIXÁS AFRO-BRASILEIROS

EXU, Senhor dos caminhos, Orixá mensageiro e vencedor de demandas. Por estar mais próximo da realidade humana é considerado o Orixá das causas materiais. Veste-se de vermelho e preto e seu elemento é o fogo. Seu dia é a Segunda-feira e sua saudação é “Laroiê !”. Seus filhos são pessoas críticas e originais, não ligam para opiniões alheias. Adeptos da lei do menor esforço, preferem concentrar suas energias no lazer. De hábitos noturnos, tendem a ser egoistas e tornam-se tristes quando não se encaixam em determinados ambientes.

 

OGUM, é o Orixá guerreiro. Deus do ferro e da guerra. Seu domínio são as retas dos caminhos, as lutas e o trabalho. Veste-se de azul escuro, verde ou vermelho. Traz sempre sua espada pronta para o ataque. Seu dia é terça-feira e sua saudação é “Ogunhê !” Seus filhos, são pessoas com um apurado senso de honra e incapazes de perdoar uma ofensa. São fisicamente muito resistentes, curiosos por natureza, possuem muita capacidade de concentração e perseguem seus objetivos com derterminação.

 

OXOSSI, Orixá caçador, protetor das matas, dos animais da floresta e dos caçadores. Veste-se de verde, azul turquesa e vermelho. Traz sempre o seu Ofá (arco e flexa). Seu dia é a Quinta-feira e sua saudação é “Okê Arô Oxossi !” Seus filhos, são pessoas muito exigentes no cumprimento das obrigações, de atitudes firmes e até um pouco duras. Não têm “papas na língua” e costumam falar tudo o que pensam. Dão muito valor aos acordos e não faltam com sua palavra. Com tendência à timidez, não gostam de demonstrar suas emoções.

 

OSSAIM, Orixá das ervas medicinais e das plantas em geral, presentes em todos os rituais de iniciação no Candomblé. É representado por um pássaro pousado num ramo e seu domínio é a mata virgem. Veste-se de verde e rosa. Seu dia é Quinta-feira e sua saudação é “Ewé ô – Ewe assá !”. Seus filhos, são pessoas com forte tendência à religiosidade, tolerantes e de bom coração. De personalidade instável, costumam controlar seus sentimentos e emoções. Valorizam a liberdade e não se apegam aos bems materiais.

 

OBALUAIÊ, ( ou OMOLU, em sua forma velha). O deus das pestes e das doenças de pele. Por ser o deus da peste conhece a cura de todos os males. Veste-se de branco e preto e usa um capuz de palha-da-costa que encobre todo o corpo. Dança com o Xarará. Seu dia é segunda-feira e sua saudação é “Atotô !” Seus filhos, são pessoas que se preocupam demais com os outros, esquecendo de seus próprios interesses. Podem até ter uma boa situação financeira, porém não se apegam aos bens materiais. São inquietos e não apreciam a monotonia.

 

OXUMARÉ, Orixá da sorte, fartura e fertilidade. Protetor das mulheres grávidas. Seu domínio são os poços e fontes da mata. Veste-se de verde e amarelo ou com as sete cores do arco-íris e é representado por uma serpente. Seu dia é Quinta-feira e sua saudação é “Àrobô bô yi !”. Seus filhos são pessoas orgulhosas e exibicionistas. Periódicamente mudam tudo em sua vida: casa, emprego, amigos, sempre buscando novidades. Costumam desenvolver o dom da vidência e possuem intuição aguçada, que normalmente lhes revelam os melhores caminhos.

 

EWÁ, Orixá das chuvas, rainha dos mistérios e da magia, jovem virgem que recebeu de Orunmilá o poder de ler os Búzios (o Oráculo de Ifá). Comanda os astros e está ligada às mudanças e transformações das águas. Veste-se de vermelho e branco. Seu dia é Sábado e sua saudação é “Ri-rò !”. Seus filhos são pessoas extremamente metódicas e racionais. Costumam traçar metas para tudo. Conservadoras, acabam sofrendo com o execesso de rotina que conseguem estabelecer em suas vidas.

 

XANGÔ, o Orixá da justiça, do trovão e da pedreira. Veste-se de vermelho e branco. Usa uma coroa, e traz o Oxé (machado duplo) e o Xerê (instrumento musical) Seu dia é Quarta-feira e sua saudação é “Kawó-Kabyesilé !”. Seus filhos são pessoas fisicamente fortes, atrevidos e prepotentes. Com um senso de justiça muito próprio, não suportam desaforos. As vezes agem como se fossem os donos da verdade. Porém, quando a situação complica, sempre buscam um meio termo, para não sair perdendo.

 

OXUM, é a rainha dos rios e das cachoeiras (todas as águas doces), do ouro e do amor. Veste-se de amarelo, dourado, azul claro e rosa. Traz em suas mãos o Abebê (espelho-leque) e uma espada se for guerreira. É a segunda esposa de Xangô. Seu dia é Sábado e sua saudação é “Ora Ieiê Ô !”. Seus filhos são pessoas graciosas e elegantes, adoram jóias, perfumes e roupas caras. Voluptuosas, sensuais, esbanjam charme e beleza. Possuidoras de muita frorça de vontade e um grande desejo de ascensão social.

 

IANSÃ, é a deusa guerreira, senhora dos ventos, das tempestades e dona dos raios. É a dona dos eguns, por isso seus filhos são os mais indicados para a entrega de ebós. É a mulher principal de Xangô. Veste-se de vermelho, marrom escuro, e branco. Seu dia é Quarta-feira e sua saudação é “Eparrei Oiá !”. Seus filhos, são pessoas alegres, audaciosas, intrigantes, autoritárias e sensuais. Adoram usar joias e bijuterias. Extrovertidas, francas e amantes da natureza. Ambiciosas e de temperamento forte. São guerreiras e comunicativas.

 

LOGUN-EDÉ, filho de Oxum com Oxóssi. Seus domínios são os leitos de rios e mares. Veste-se com uma pele de leopardo, leva em uma mão o espelho de Oxum e na outra as armas de Oxóssi. Suas cores são amarelo e azul. É representado por um pavão ou um papagaio. Seu dia é Quinta-feira e sua saudação é “Olu A Ô Ioriki !”. Seus filhos são pessoas bonitas, atraentes e sedutoras. Carinhosos, amorosos e sensuais. Orgulhosos e vaidosos. Inconstantes, indecisos, frios e calculistas. reservados e um tanto calados. Ciumentos, solitários e discretos.

 

OBÁ, uma das esposas de Xangô, Orixá do equilíbrio e da justiça. Seu domínio são as águas revoltas. Veste-se de laranja e amarelo, portando espada e protegendo a orelha com um escudo. Seu dia é Quarta-feira e sua saudação é “Obá xirê !”. Os filhos de Obá são pessoas pouco atraentes, desajeitadas e de temperamento forte. Agressivas e objetivas. Aparentam ser mais velhas do que realmente são. Costumam ser bem sucedidas nos negócios e gostam de acumular bens.

 

IEMANJÁ, Orixá da harmonia em família, é considerada a Rainha dos mares e a mãe dos Orixás. Veste-se de azul e branco ou verde claro, portando seu Abebê (espelho-leque)decorado com uma sereia ou uma concha. Seu dia é Sábado e sua saudação é “Odô iyá !” Seus filhos, são autoritários, persistentes, preocupados, responsáveis e decididos. Amigos, protetores, faladores e não suportam a solidão. As mulheres, se comportam como super mães. Quando a segurança dos filhos e da família está em jogo, são agressivos e até traiçoeiros.

 

NANÃ, é o Orixá feminino mais velho do Panteão. É a mãe de Oxumarê e Obaluaiê. Em sua mão traz seu cetro o Ibiri. Veste-se de lilás, branco e azul. É a protetora dos doentes desenganados. Seu dia é Terça-feira e sua saudação é “Salubá !” Seus filhos são conservadores e apegados às convenções. Calmos, mas às vezes tornan-se agressivos e guerreiros. As mães, são apegadas aos filhos e muito protetoras. Ciumentas e possessivas, exigem atenção e respeito. Não costumam ser muito alegres e não gostam de brincadeiras.

 

IBEJI, Orixás Gêmeos protetores das crianças e da família. Vestem-se de azul, rosa e verde. São representados por dois bonecos gêmeos ou duas cabacinhas. Seu dia é domingo e sua saudação é “Omi Beijada!” Embora possa ocorrer, são raros os filhos de Ibeji. Essa energia infantil, geralmente se manifesta com o orixá do iniciado. Mesmo sendo adulto, quando em “estado de erê”, o iniciado torna-se brincalhão, irreverente, cheio de energia e aparenta ser mais joven. Adoram festas, música e dança.

 

OXALÁ, é considerado o Pai de todos os orixás. É o mais velho e o primeiro a ser criado. É responsável pela criação do mundo e dos seres humanos. É o Orixá dos inhames novos e da agricultura, que traz as chuvas e que fecunda os campos, Sua festa ligada ao início do ano agrícola costuma ser em agosto e setembro, e inclui a renovação da água do templo e a lavagem dos objetos de culto. Está associado à justiça e ao equilíbrio. É cultuado nas seguintes formas: Oxalufã = Oxalá Velho e Oxaguiã = Oxalá Moço.

OXALUFÃ é o Orixá da paz, veste-se de branco portando sempre seu apaxorô (cajado). É representado por uma pomba branca. Seu dia é Sexta-feira e sua saudação é “Eepaá babá !”.

OXAGUIÃ é um Orixá valente e guerreiro, considerado filho de Oxalufã. Também veste-se de branco, dança com muita energia carregando uma “mão de pilão”. Seu dia é Sexta-feira e sua saudação é “Exê êêê !

Os filhos de Oxalufã (oxalá velho), em geral são pessoas calmas e dignas de confiança. Dotados de grande sabedoria, estão sempre buscando os significados de tudo o que ocorre ao seu redor. Não cansam de estudar e buscar o conhecimento. Também são teimosos orgulhosos e inteligentes e com tendência à serem preguiçosos.

Os filhos de Oxaguiã (oxalá moço), são pessoas joviais e viris. Ativos, guerreiros, alegres e generosos. Não se deixam influenciar por opiniões alheias. São organizados e metódicos em seus ofícios e projetos. Trabalhadores incanssáveis e por essa razão, suscetíveis à crises de estresse.

Axé !!!

Candomblé de Angola

O tráfico de escravizados africanos ao Brasil fez com que homens, mulheres e crianças, pertencentes a reinos, nações, clãs, linhagens, aliados e inimigos, caçadores, sacerdotes, guerreiros, príncipes e princesas, mães e pais de famílias se encontrassem e redimensionassem as suas tradições culturais, sociais, familiares e religiosas. Essa era a única maneira de confrontar a opressão religiosa católica que se fez acompanhar não apenas dos grilhões de ferro que aprisionavam os corpos dos negros, mas também do “aspergir” da água benta, do nome novo marcado a ferro em brasa nas regiões corporais, onde a carne não fosse comprometida e perdesse seu valor de compra e venda de mercadoria e ainda na permissividade e omissão diante dos desmandos e das ações dos senhores (algozes) cristãos no novo mundo.

Religião, catequese e escravidão andavam juntas desde os embarques nos navios negreiros, quando eram batizados, até nos troncos, quando os africanos e seus descendentes, que nem eram vistos como humanos, aos olhos da teologia da época, eram levados sem que houvesse, por parte da igreja nenhuma manifestação contra aquela situação desumana.

Todos os valores que os africanos traziam, fossem religiosos ou culturais eram banidos ou rotulados como coisas do demônio, magia pagã ou feitiçaria.

Mas, por muitos meios e artifícios os africanos e seus descendentes se apropriaram dos valores dos seus escravizadores ou usaram sua estrutura para se organizarem em irmandades, onde o branco cristão europeu não participava, como é o exemplo da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e da Boa Morte. Estas irmandades funcionavam até como agremiação para angariar fundos para pagar a alforria de seus “irmãos”, além de servir de um intercâmbio de africanos, e das suas tradições culturais, lingüística e religiosas, sendo um dos primeiros berços para a resistência e para a manutenção das crenças dos seus antepassados africanos na terra que tinha lhe recebido com o chicote na mão.

A religião nativa dos africanos foi interpretada à luz da teologia católica que se considerava superior, deferindo títulos de pagãs, idólatras, satânicas,animistas e politeístas, gerando, senão no africano que aqui chegava, que tinha o conhecimento de seus antepassados, mas a partir de seus descendente uma inferiorização da fé e crença trazidas na alma de seus pais.

Na maioria dos casos, na África, o culto tinha um caráter familiar e era exclusivo de uma linhagem, clã ou grupo de sacerdotes. As divindades iorubás eram cultuadas em suas cidades: Xangô, em Oió; Oxossi, em Ketu; Oxum, em Ipondá, e assim por diante. Bem como divindades de origen Bantu como Nzazi, Mutakalambô, Ndandalunda eram cultuadas por grupos próprios, embora os bantu tivessem uma idéia de transcendência de seus cultos e buscasse esta ou aquela divindade como intermediária entre ele e Nzambi Mpungu (Deus Todo Poderoso), de acordo com a situação real e a área de atuação de cada energia.

Com a vinda ao Brasil e a separação ardilosa das famílias, das nações, das etnias, essa estrutura religiosa não pode se repetir e se fragmentou. Mas os negros criaram uma unidade nesta diversidade e pluralidade e puderam partilhar e comungar os cultos e os conhecimentos diferentes em relação aos segredos rituais de sua religião e cultura. E desta nova maneira de ser e viver, aberta a todos, surgiu a forma acabada do que se chama hoje candomblé.

O vernáculo Candomblé, não mantém sob sua sombra uma unicidade e sim uma diversidade religiosa e cultural, que talvez até hoje não tenhamos a verdadeira dimensão de sua abrangência, em termos de origem étnica, clã, reinos, povos e organizações sociais e religiosas africanas que foram trazidas para o Brasil.

Reúne, sob o mesmo título a idéia genérica para os diversos troncos religiosos na experiência dos muitos povos trazidos do continente africano para as terras brasileiras. Na sua etimologia advém do étimo bantu ndombele para a variação kandombele, e, portanto, vem a denotar um equivalente próximo ao verbo “adorar” “falar” (existem outras interpretações para o termo, mas preferimos esta).

Os aqui chegados, vindo da longínqua terra dos seus antepassados e submetidos ao regime de escravatura de produção comercial de bens e riquezas, não tiveram tempo de trazer seus objetos rituais e sagrados, visto terem sido forçados a abandonar seu espaço de origem, além de muitos povos terem perdido o vínculo com os seus sacerdotes. Porém, não houve como impedir que transportassem suas crenças, cultos, ritos, mitos e cosmogonias em suas almas, fazendo retumbar em seus corações o som dos ngomas/atabaques ancestrais de seus povos.

Então, como antes tinha se organizado sob o manto das irmandades cristãs, agora, no momento próprio se irmanam sob o manto da nova identidade, que viria a ser conhecida como Candomblé.

Os africanos de maioria bantu (durante os dois primeiros séculos do tráfico dos negros), largamente assentados na região nordeste do Brasil (Alagoas, Pernambuco, Maranhão), no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, utilizados na lavoura e pastoreio, pois já na África eram grandes criadores e cultivadores do solo, além de serem mestres na fundição de metais, influenciaram em todas as áreas a cultura do país nascente, que nascia sob o fertilizado solo regado pelo suor da pele negra, e sob a riqueza gerada pelos músculos africanos. Alguns historiadores defendem que os africanos que desembarcaram na Bahia eram da África sudanesa (Yorubás, dahomeanos, malês…), e que em muitas lutas de resistência se refugiavam em quilombos baianos. O que se tem certeza é que os primeiros a chegarem por aqui, quando a escravidão era mais desumana, foram os bantu.

Na religião não foi diferente. Influenciaram e foram influenciados. Ou conscientes, ou por aproximação de cultos e tradições, ou por necessidade de recriar seu universo mítico, se amalgamaram às novas experiências e resistiram aos valores religiosos dos escravizadores.

A própria concepção de Nzambi ou Nzambi-Mpungo para os bantu, a quem se chama, no Ocidente, Deus – Nzambi: o que fala; Nzambi-Mpungo (ou ainda Zambiapungo):

aquele que, por excelência, fala (Mpungu é uma ave que voa muito alto, fornecendo, deste modo, a derivação semântica de “maior”, “eminente”, “excelente”) Os bantos (bantu) são povos que habitam a África do Sul Equatorial. Falam dialetos diferentes (a língua é igual) e pertencem a etnias diferentes. Cerca de 274 dialetos e línguas são falados. A influência dos bantos invadiu a cultura brasileira, trazendo sua mitologia, culinária, religião além de elementos folclóricos como a congada, recordando a rainha Ginga de Angola; o maracatu de Cambinda Velha; a capoeira e o primitivo samba (semba).

Claro que muitas coisa tidas hoje como folclóricas, são na verdade uma tentativa de reformular nas novas terras uma dinastia desfeita pela escravização como é o caso da formação da corte do Congo (congadas).

Hoje o candomblé abriga em suas lides várias tradições religiosas conhecidas como Nações.

A nação Ketu, que tomou o nome de um dos povos yorubanos, onde a familia Arô reinava, quando da escravização e do tráfico para o Brasil, e que cultua Orixás de várias origens daquele povo, além de diversas divindade de povos que eram seus vizinhos na África e se influenciaram mutuamente tanto na sua terra natal, quando na diáspora. De forte expressão na Bahia e em Pernambuco, através do Xangô do Recife, uma variação religiosa correspondente ao candomblé.

A Naçaõ Jêje, que tomou o nome de um “apelido” que lhe era dado pelos yorubanos. São de origem Ewe Fon, de povos do antigo Daomé, que cultua Voduns, além de divindades comuns com a nação ketu. Teve sua grande expressão na Bahia, através de casas antigas e no Maranhão através do Tambor de Mina, uma organização religiosa corresponde ao candomblé.

A nação chamada Candomblé de Caboclo, que se originou do intercâmbio de ritos fundamentalmente de origem bantu com os ritos e mitos dos nativos brasileiros.

Nação hoje quase extinta, devido ao forte movimento de re-africanização que as religiões afro-brasileiras sofreram a partir da década de 80.

Entre os grupos que se identificam nas “Nações” acima, temos as variantes que trafegam entre uma e outra, como, por exemplo, os que se identificam como “Nagô-Vodum”.

E a nação Angola/Angola-Congo ou Muxicongo, que tem como base lingüística o kimbundo e cultua Nkisi/Mukixi. Esta com seus ritos fundamentados nas tradições e cosmogonias mantidas a duras penas pelos antepassados bantu, vindos de muitos povos distintos como ngola, cambinda, lunda, makuá, kassange, essange, munjolo, rebolo, angico, e povos menores originários da contra-costa, além, é claro, da influencia de outros povos africanos, como os yorubás e ewe fom, formando assim tradições diferente, dentro do prórpio grupo conhecido como Candomblé de Angola, como Tumba Nsi, Tumba Junsara. Bate-Folha, Angolão, Angola Paketá, Kassange, Angola da Mariquinha e Goméia (que apesar de forte influencia yorubana, se identificava como angoleiro e seu fundador, o Sr. Joazinho da Goméia, foi considerado por muitos como o Rei do Candomblé no Rio de Janeiro).

Ainda temos o Omolocô, uma tradição afro-brasileira antiga e respeitada, que em muitas casas está mais próximo das tradições yorubanas/daomeanas e em outras das tradições de origem bantu

Devemos entender estas “nações” em momentos históricos próprios e que todas se influenciaram entre si. Em alguns lugares, como no Maranhão, temos casas que foram fundadas por africanas canbindas e daomeanas, embora, por algum motivo prevaleceram as tradições daomeanas e em outros casos as tradições yorubanas, embora, em qualquer “Nação”, sempre exista elementos, deste ou daquele povo, que em muitos casos são mantidos por tradição e respeito aos antepassados, embora se conheça as diferentes origens. E, em alguns casos, os seus praticantes não têm o mínimo de consciência das origens diversificadas, identificando somente como tradições africana, fazendo assim uma leitura “unificada e unificadora” de um continente tão diverso, como o Africano.

Pelos registros temos como o primeiro sacerdote iniciado no Brasil, de origem bantu, que mais tarde seria conhecida como Nação Angola-Congo, o Sr. Roberto Barros Reis, que foi o Iniciador da Sra. Maria Genoveva do Bonfim, conhecida como Maria Neném. A Sra. Maria Neném tinha o nome iniciático de Twenda Nzambi e Fundou uma casa de candomblé que chefiou até 1945.

De suas mãos saíram Manoel Ciriaco de Jesus, Tata Nludiamugongo, que teve casa de candomblé no Engenho Velho e depois assumiu a terreno da Ladeira da Vila América (ou Alto do Corrupio), que era do Sr. Manoel Kambambi, filho do Nkisi Nkosi. Foi Tata Ciriaco que formou a grande família hoje conhecida como Tumba Junsara, deixando a casa nas mãos de sua filha de santo e sobrinha de Tata Manoel Kambambi, Mam’etu Deré Lubdi, grande sacerdotisa. Hoje a casa é chefiada pela Nengua ria Nkisi/Mukixi Sra. Iraildes Maria de Jesus, filha do Nkisi Kindembo (Tempo), onde se celabra uma grande festa todos os anos no final de semana mais próximo ao dia 10 de agosto. Da raiz Tumba Junsara se espalharam várias casas em todo Brasil e no exterior.

Também das mãos de sacerdotisa Twenda Nzambi (Maria Neném) saiu o Sr. Manoel Bernardino, fundador da casa de Angola-Congo Bate Folha, na Mata escura, que também gerou um enormidade de filhos e casas que seguem esta tradição em todo o país e em vários país estrangeiros.

Além, é claro, de várias outras casas e famílias, que de acordo com os estudos e com os mais velhos são todos descendentes da sacerdotisa Maria Neném, pois foi ela que fundou a primeira casa de Candomblé de Angola – Muxicongo.

Embora, cada família se identifique como Angola-Congo, Angola Muxicongo, etc., existem tradições diferenciadas. Algumas cultuam um nkisi/mukixi que não é cultuado por outras. Algumas tem festas que não são realizadas por outras, mas a essência é a mesma: Nzambi Mpungu ou Suka Kalunga (um dos seus muitos nomes), que mora na Sanzala Kasembe Diá Nazambi (Aldeia encantada de Deus)/Duilo (céu), é o Deus Supremo e criador de todas as coisas. Quando do seu movimento de expansão e de criação, gerou o universo e consequentemente o planeta terra, que foi gerado pela energia e criação dos Nkisis/Mukixis que se manifestam nas diferentes partes da natureza e também regem a natureza humana. Através do culto aos Nkisi/Mukisi, já que Nzambi, está acima de qualquer forma existencial e de qualquer representação e culto, pois é completo em si mesmo, o ser humano consegue o equilíbrio e ascende espiritualmente como iniciado, até que chegue o momento de ir morar nas Aldeias dos Antepassados, onde se mantém vivo. Onde os campos são verdes e os rebanhos fartos. Onde são felizes e mantém o intercâmbio com os mundo dos humanos, que é sua continuidade. Os antepassados, também, são respeitados e invocados como intercessores e intermediários entre os seres humanos e Nzambi. A eles são devidos todo o respeito e todo ação de culto dentro de uma nzo (casa), que deve sempre iniciar com a invocação e homenagens aos antepassados.

Hierarquia 

Cargos da Casa (Kijingu)

Funções e Cargos no Candomblé de Angola e Kongo

Acrescento aqui informações que tenho em mãos, vindas de livros e apostilas que ganhei de minha finada Nengüa Namboazaze, juntamente com informações orais de dentro do próprio barracão que fui criada, de pesquisas que apurei, discussões em congressos e da própria internet, as quais não me responsabilizo por comportar várias contradições dialéticas.

Tentarei colocar da melhor forma possível no intuito de melhor entendimento, principalmente para os leigos e simpatizantes de nossa Raiz.

Seguimos então com os termos utilizados dos Cargos Máximos e reconhecidos, dos “mais velhos para os mais novos”: 

  • Nengüa – Sacerdotisa (Kongo) /Mãe de Santo velha
  • Nganga – Sacerdote (Kongo) /Pai de Santo velho
  • Kimbanda – Feiticeiro
  • Mama – Mãe (Kimbundu)
  • Tata – Pai (Kimbundu)
  • Mam’etu Ria Mukixi – Sacerdotisa no Angola/Bantu
  • Mama Mukixi/ Mam’etu Nkisi (Inquice) ou Inquiciane – Minha ou nossa Mãe de Santo
  • Tat’etu Ria Mukixi – Sacerdote no Angola/Bantu
  • Tata Mukixi/ Tat’etu Nkisi (Inquice) ou Inquiciane – Meu ou nosso Pai de Santo

Cargos principais utilizados e concedidos pelos cargos acima:

  • Pai feiticeiroTata Nganga – 
  • Kutala – Herdeiro da casa
  • Tata ou Tat’etu Ndenge – Pai pequeno
  • Mama ou Mam’etu Ndenge – Mãe pequena
  • Tata Kambondo/Kambono/Kambundu – Título consagrado aos “homens” que não incorporam, não entra em transe e são responsáveis por várias funções de alta confiabilidade divididos em cargos com
  • Tata Nganga Lumbitu/Lumbido – Guardião das chaves do Inzó Nzó (Casa de Santo)
  • Tata Utala – Responsável pelo altar
  • Tata Pokó – Consagrado para sacrifícios ou imolações ao Nkisi Nkosi
  • Tata Kivonda/Kivanda – Consagrado para sacrifícios ou imolações a outras divindades
  • Tata Msaba (Umsaba)/ Kisaba – Consagrado a todas as funções ligadas as folhas
  • Tata Kanzumbi/Nzó Vumbi – Responsável pelo Mukondo (Ritual fúnebre), guardião dos antepassados cultuados no Inzó/Nzó (Casa de Santo/Barracão), carregos e despachos de ebós
  • Tata Ngimbi/Njimbidi – Cantador
  • Tata Kuxika ia Ngombe – Tocador (Kongo)
  • Tata Muxiki – Tocador (Angola)
  • Tata Mulonji – Especialmente os filhos do Nkisi Katendê é o responsável pelo encantamento das folhas e cabaças
  • Kambondo Mabaia – Responsável pelo barracão
  • Tata Mavambu – Filho de Santo, homem, que cuida da casa de Exu. É importante frisar que deve ser pessoa de extrema confiança, e a mulher só deverá cuidar deste espaço sagrado, após menstruar e já esteja na menopausa.
  • Mama ou Mam’etu Mukamba – Mulher com mais idade, responsável em cozinhar no barracão, e que de preferência não menstrue mais.
  • Mam’etu Ndemburu – Mãe criadeira da casa
  • Mama ou Mam’etu Kusasa – Mãe criadeira
  • Kota – Mulher que não entra em transe de incorporação. Em outras nações conhecida também como Ekedi (Ekeji).
  • Kota Mbakisi – Responsável pelas divindades
  • Hongolo Matona – Especialista nas pinturas corporais
  • Kota Ambelai – Cuida e atende os iniciados
  • Kota Kididii – Toma conta de tudo e mantém a paz
  • Kota Rifula – Responsável em preparar as comidas sagradas
  • Kota Mutintá – Responsável pelo preparo das tintas sagradas
  • Mosoioio – Os (As) mais antigos (as).
  • Kota Maganza – Título das pessoas acima de 21 anos de obrigações.
  • Munzenza ou Muzenza – Iniciados
  • Mona Nkisi – Filho (a) de Santo
  • Mona Muhato wá Nkisi – Filha de Santo (Mulher)
  • Mona Diala wá Nkisi – Filho de Santo (Homem)
  • Uandumba – Pessoa em sua fase iniciatória
  • Ndumbe – Pessoa não iniciada

Ordem do Barco

(Dizungu Nlungu)

  • Kamoxi Rianga ( Kadianga)01º Munzenza: 
  • 02º Munzenza: Kaiai Kairi
  • 03º Munzenza: Katatu Kairi
  • 04º Munzenza: Kakuãna Kauanã
  • 05º Munzenza: Katanu
  • 06º Munzenza: Lusamanu
  • 07º Munzenza: Kasambuadi
  • 08º Munzenza: Kanaké
  • 09º Munzenza: Kavua
  • 10º Munzenza: Kakuinhi 

Candomblé Bantu

Princípios Básicos

A palavra Bantu compreende Angola e Congo, é uma das maiores nações do Candomblé, uma religiãoAfro-Brasileira. Desenvolveu-se entre escravos que falavam língua kimbundo e língua kikongo.

Principais Nkisis

  • Aluvaiá, Bombo Njila, Pambu Njila, Nzila, Bombogira, Mujilo, Mavambo, Vangira, Njila, Maviletanga : – Intermediário entre os seres humanos e o outros Nkisis (cf. Exú Orixá). Na sua manifestação feminina, é chamada de Pombagira por algumas casas, muitas aceitam o uso desse nome.
  • Nkosi, , Panzuá, Xauê, tawan: – Nkisi de guerra e Senhor das estradas de terra., ,  qualidades ou caminhos desse Nkisi.Roxo MukumbeMucumbeBiolêBuré
  • Ngunzu, Terecompenso: – Engloba as energias dos caçadores de animais, pastores, criadores de gado e daqueles que vivem embrenhados nas profundezas das matas, dominando as partes onde o sol não penetra.
  • Kabila : – O caçador pastor. O que cuida dos rebanhos da floresta.
  • Mutalambô, : – Caçador, vive em florestas e montanhas, Nkisi de comida abundante.Lembaranguange
  • Gongobira, Gongofila, Congobira, Mukongo Mbila, ou : – Caçador jovem e pescador.Gongobila
  • Mutakalambô: – Tem o domínio das partes mais profundas e densas das florestas, onde o Sol não alcança o solo por não penetrar pela copa das árvores.
  • Katendê, Mene Panzu: – Senhor das Jinsaba (folhas). Conhece os segredos das ervas medicinais.
  • Nzazi, Zaze, , Barangange : – São o próprio raio, entrega justiça aos seres humanos.Loango
  • Kaviungo ou ,  ou , Cafunã, , : – Nkisi da varíola, das doenças de pele, da saúde e da morte.KavungoKafungêKafunjêKingongoKafundeji
  • Nsumbu, Sumbo – Senhor da terra, também chamado de  pelo povo de Congo e moçambiqueNtoto
  • Hangolo ou  (masculino) ou Hangolo e Angoroméa (feminino): – Auxilia na comunicação entre os seres humanos e as divindades (representado por uma cobra).Angorô
  • Kindembu, Kitempu ou : – Rei de Angola. Senhor do tempo e das estações. É representado, nas casas Angola e Congo, por um mastro com uma bandeira branca, chamada de .Nkisi TempoBandeira de Tempo
  • Caiango,Radialonga : – É o Nkisi do tempo e tempestades.
  • Matamba, Mina Nganje, , : – Qualidades ou caminhos de Katambo. guerreira, comanda os mortos(Nvumbe).BamborucendaNunvurucemavula
  • Kisembi, Kiximbi,, Mina lugando : – A grande mãe; Nkisi de lagos e rios.Samba Nkisi
  • Ndanda Lunda, Dandalunga, : – Senhora da fertilidade, e da Lua, muito confundida com Hongolo e Kisimbi.
  • Kaitumba, Mikaia, Caiala, Iara, , Cuiganga: – Nkisi do Oceano, do Mar (Kalunga Grande), muito cultuada em moxico em angola.Koketo
  • Nzumbarandá, Zumbá, Zunganaranga, Karamoxe: – A mais velha das Nkisi, conectada para morte.
  • Wunji, Vunge, Nwunji: – O mais jovem do Nkisi, Senhora da justiça. Representa a felicidade de juventude e toma conta dos filhos recolhidos.
  • Lembá Dilê, Lembarenganga, Jakatamba, Nkasuté Lembá, Gangaiobanda, Malembá: – Conectado à energia que rege a fertilidade.

O Deus supremo e Criador é Nzambi ou Nzambi Mpungu; abaixo dele estão os Jinkisi/Minkisi, divindades da Mitologia Bantu. Essas divindades se assemelham a Olorun e Orixás da Mitologia Yoruba, e Olorum e Orixá do Candomblé Ketu.

Ritual

Na Angola, os sacramentos são:

  • 1 – Massangá: Ritual de batismo de água doce (menha), na cabeça (mutue), do iniciado (ndumbi), usando-se ainda o kezu (Obi).
  • 2 – Nkudiá Mutuè: (Bori)- ritual de colocação de forças (Kalla ou Ngunzu(Angola)= Asé(Axé) = Muki(Congo)), através do sangue (menga) de pequenos animais.
  • 3 – Nguecè Benguè Kamutué: ritual de raspagem, vulgarmente chamado de feitura de santo.
  • 4 – Nguecè Kamuxi Muvu: Ritual de obrigação de 1 ano.
  • 5 – Nguecè Katàtu Muvu: Ritual de obrigação de 3 anos (Nguece = obrigação), nessa obrigação, faz-se o ritual de mudança de grau de santo.
  • 6 – Nguecè Katuno Muvu: Ritual de obrigação de 5 anos, preparação quase que identica a de um ano, só que acompanhada de muitas frutas.
  • 7 – Nguecè Kassambá Muvu:ritual de obrigação de 7 anos, quando o iniciado receberá seu cargo, passado na vista do público, sendo elevado ao grau de Tata Nkisi (Zelador) ou Mametu Nkisi (Zeladora).
  • As obrigações, são de praxe para os rodantes, porque Kota (ekedi) e Kambondo (ogã), ja recebem seus cargos na feitura, portanto já nascem com suas ferramentas de trabalho, dão suas obrigações para aprimorar seus conhecimentos.
  • Em Angola, quem passa cargo são os enredos de Dandalunda. Isto é, não é preciso ser filho de Dandalunda, mas é ela quem autoriza aquela pessoa a receber o cargo.
  • Após 7 anos de obrigações, se renovarão a cada ano com rito de obi ou borí, conforme o caso, repetindo-se as obrigações maiores de 7 em 7 anos para renovar e conservar o indivíduo forte, transformando-o em Kukala Ni Nguzu- Um ser forte.
  • Kunha Kele: Sacramento realizado 3 meses e 21 dias após a feitura (tirada de kele), quando o santo soltará a Kuzuela = Ilá.

Ordem de barco (sequência das pessoas recolhidas juntas para iniciação) na Angola

1º – Rianga, 2º – kaiadi, 3º – katatu, 4º – Kakuanam, 5º – katanu, 6º – Kassamanu, 7º – Kassambà.

Hierarquia

Na hierarquia de Angola o cargo de maior importância e responsábilidade são: é mais frequente se dizer Tata Nkisi (homem) ou Mametu Nkisi (mulher)

 A “nação” Angola, de origem Banto, adotou o panteão dos orixás iorubás (embora os chame pelos nomes de seus esquecidos inkisis, divindades bantos, assim como incorporou muitas das práticas iniciáticas da nação queto. Sua linguagem ritual, também intraduzível, originou-se predominantemente das línguas quimbundo e quicongo. Nesta “nação”, tem fundamental importância o culto dos caboclos, que são espíritos de índios, considerados pelos antigos africanos como sendo os verdadeiros ancestrais brasileiros, portanto os que são dignos de culto no novo território a que foram confinados pela escravidão. O candomblé de caboclo é uma modalidade da nação angola, centrado no culto exclusivo dos antepassados indígenas. Foram provavelmente o candomblé angola e o de caboclo que deram origem à umbanda. Há outras nações menores de origem banto, como a congo e a cambinda, hoje quase inteiramente absorvidas pela nação angola.

 

              O Deus supremo e Criador é Nzambi ou Nzambi Mpungu; abaixo dele estão os Jinkisi/Minkisi, divindades do Panteão Bantu. Essas divindades se assemelham a Olorun e Orishas da Mitologia Yoruba, e Olorum e Orixá do Candomblé Ketu.

 

Os principais Minkisi são:

Aluvaiá, Bombo Njila, Pambu Njila: intermediário entre os seres humanos e o outros Jinkice (cf. Exú (orixá)). 

Nkosi: Senhor dos Caminhos, das estradas de terra 

Mukumbe, Biolê, Buré: qualidades ou caminhos desse nkise 

Ngunzu: engloba as energias dos caçadores de animais, pastores, criadores de gado e daqueles que vivem embrenhados nas profundezas das matas, dominando as partes onde o sol não penetra. 

Kabila: o caçador pastor. O que cuida dos rebanhos da floresta. 

Mutalambô, Lembaranguange: caçador, vive em florestas e montanhas; deus de comida abundante. 

Gongobira: caçador jovem e pescador. 

Mutakalambô: tem o domínio das partes mais profundas e densas das florestas, onde o Sol não alcança o solo por não penetrar pela copa das árvores. 

Katende: Senhor das Jinsaba (folhas). Conhece os segredos das ervas medicinais. 

Nzazi, Loango: São o próprio raio. 

Kavungo, Kafungê, Kingongo: deus de saúde e morte. 

Nsumbu – Senhor da terra, também chamado de Ntoto pelo povo de Kongo. 

Hongolo ou Angorô: auxilia a comunicação entre os seres humanos e as divindades. 

Kitembo: Rei de Angola. Senhor do tempo e estações. 

Kaiangu: têm o domínio sobre o fogo. 

Matamba, Bamburussenda, Nunvurucemavula: qualidades ou caminhos de Kaiangu 

Kisimbi, Samba_Nkice: a grande mãe; deusa de lagos e rios. 

Ndanda Lunda: Senhora da fertilidade, e da Lua, muito confundida com Hongolo e Kisimbi. 

Kaitumbá, Mikaiá, Kokueto: deusa do oceano. 

Nzumbarandá: a mais velha das Nkisi 

Nwunji: Senhora da justiça. Representa a felicidade de juventude e toma conta dos filhos recolhidos. 

Lembá Dilê, Lembarenganga, Jakatamba, Kassuté Lembá, Gangaiobanda: conectado à criação do mundo. 

Ritual

Na Angola, os sacramentos são:

1 – Massangá: Ritual de batismo de água doce (menha), na cabeça (mutue), do iniciado (ndumbi), usando-se ainda o kezu (Obi).

2 – Nkudiá Mutuè: (Bori)- ritual de colocação de forças (Kalla ou Ngunzu(Angola)= Asé(Axé) = Muki(Congo)), através do sangue (menga) de pequenos animais.

3 – Nguecè Benguè Kamutué: ritual de raspagem, vulgarmente chamado de feitura de santo.

4 – Nguecè Kamuxi Muvu: Ritual de obrigação de 1 ano.

5 – Nguecè Katàtu Muvu: Ritual de obrigação de 3 anos (Nguece = obrigação), nessa obrigação, faz-se o ritual de mudança de grau de santo.

6 – Nguecè Katuno Muvu: Ritual de obrigação de 5 anos, preparação quase que identica a de um ano, só que acompanhada de muitas frutas.

7 – Nguecè Kassambá Muvu:ritual de obrigação de 7 anos, quando o iniciado receberá seu cargo, passado na vista do público, sendo elevado ao grau de Tata Nkisi (Zelador) ou Mametu Nkisi (Zeladora).

As obrigações, são de praxe para os rodantes, porque Kota (ekedi) e Kambondo (ogã), ja recebem seus cargos na feitura, portanto já nascem com suas ferramentas de trabalho, dão suas obrigações para aprimorar seus conhecimentos.

Em Angola, quem passa cargo são os enredos de Dandalunda. Isto é, não é preciso ser filho de Dandalunda, mas é ela quem autoriza aquela pessoa a receber o cargo.

Após 7 anos de obrigações, se renovarão a cada ano com rito de obi ou borí, conforme o caso, repetindo-se as obrigações maiores de 7 em 7 anos para renovar e conservar o indivíduo fortte, transformando-o em Kukala Ni Nguzu- Um ser fotte.

Kunha Kele: Sacramento realizado 3 meses e 21 dias após a feitura ( tirada de kele), quando o santo soltará a Kuzuela = Ilá.

Ordem de barco (sequência das pessoas recolhidas juntas para iniciação) na Angola

 

1º – Kamoxi, 2º – kaiari, 3º – katatu, 4º – Kakuanam, 5º – kakatuno, 6º – Kassagulu, 7º – Kassambà.

Na hierarquia de Angola o cargo de maior importância e responsábilidade são: é mais frequente se dizer Tata Nkisi (homem) ou Mametu Nkisi (mulher)

Anexo: Hierarquia do candomblé

Hierarquia no Culto de Ifá

  1. Babálawó ou Iyánifá Sacerdote do Orixá Orúnmilá-Ifá do Culto de Ifá.

Após duas iniciações (“Mãos”), e sob a obediência a rígidos códigos morais, o Babálawó recebe o direito de utilizar o Opele-Ifá (ou Rosário de Ifá) e os ikins (sementes de dendezeiro – igui ope, em yorubá). O Merindilogun (Jogo de búzios) é franqueado somente aos Obaoriates e os Awófakans (Aqueles que receberam a “primeira mão”)são chamados também de Olwós. Às Iyápetebis (Mulheres iniciadas a Ifá) usam o jogo de buzios chamados Ekuró. As omoIfas também usam. Os BabaIfas, que são da rama brasileira, onde as cores são o azul claro e branco.

Hierarquia no Culto aos Egungun

Masculinos:

  1. Alapini (Sacerdote Supremo, Chefe dos alagbás),
  2. Alagbá Sacerdote (Chefe de um terreiro),
  3. Ojê (iniciado com ritos completos),
  4. Ojê agbá (ojê ancião),
  5. Atokun (ojê que guia de Egum),
  6. Amuixan (iniciado com ritos incompletos),
  7. Alagbê (tocador de atabaque).

Alguns oiê dos ojê agbá: Baxorun, Ojê ladê, Exorun, Faboun, Ojé labi, Alaran, Ojenira, Akere, Ogogo, Olopondá.

Femininos:

  1. Iyalode (responde pelo grupo feminino perante os homens),
  2. Iyá egbé (lider de todas as mulheres),
  3. Iyá monde (comanda as ató e fala com os Babá),
  4. Iyá erelu (cabeça das cantadoras), erelu (cantadora),
  5. Iyá agan (recruta e ensina as ató), ató (adoradora de Egun).

Outros oiê: Iyale alabá, Iyá kekere, Iyá monyoyó, Iyá elemaxó, Iyá moro.

  1. Assogba Supremo sacerdote do culto de Obaluaiyê
  2. Babalosanyin: Responsável pela colheita das folhas.

Hierarquia no candomblé Ketu

  1. Iyá / Babá: significado das palavras iyá do yoruba significa mãe, babá significa pai.
  2. Iyalorixá / Babalorixá: Mãe ou Pai de Santo. É o posto mais elevado na tradição afro-brasileira.
  3. Iyaegbé / Babaegbé: É a segunda pessoa do axé. Conselheira, responsável pela manutenção da Ordem, Tradição e Hierarquia.
  4. Iyalaxé (mulher): Mãe do axé, a que distribui o axé e cuida dos objetos ritual.
  5. Iyakekerê (mulher): Mãe Pequena, segunda sacerdotisa do axé ou da comunidade. Sempre pronta a ajudar e ensinar a todos iniciados.
  6. Babakekerê (homem): Pai pequeno, segundo sacerdote do axé ou da comunidade. Sempre pronto a ajudar e ensinar a todos iniciados.
  7. Ojubonã ou Agibonã: É a mãe criadeira, supervisiona e ajuda na iniciação.
  8. Iyamorô: ou BabamorôResponsável pelo Ipadê de Exu.
  9. Iyaefun ou : Responsável pela pintura branca das Iaôs.Babaefun
  10. Iyadagan e Ossidagã: Auxiliam a Iyamorô.
  11. Iyabassê: (mulher): Responsável no preparo dos alimentos sagrados as comidas-de-santo.
  12. Iyarubá: Carrega a esteira para o iniciando.
  13. Iyatebexê ou Babatebexê: Responsável pelas cantigas nas festas públicas de candomblé.
  14. Aiyaba Ewe: Responsável em determinados atos e obrigações de “cantar folhas.
  15. Aiybá: Bate o ejé nas obrigações.
  16. Ològun: Cargo masculino. Despacha os Ebós das obrigações, preferencialmente os filhos de Ogun, depois Odé e Obaluwaiyê.
  17. Oloya: Cargo feminino. Despacha os Ebós das obrigações, na falta de Ològun. São filhas de Oya.
  18. Iyalabaké: Responsável pela alimentação do iniciado, enquanto o mesmo se encontrar recolhido.
  19. Iyatojuomó: Responsável pelas crianças do Axé.
  20. Pejigan: O responsável pelos axés da casa, do terreiro. Primeiro Ogan na hirarquia.
  21. Axogun: Responsável pelos sacrifícios. Trabalha em conjunto com Iyalorixá / Babalorixá, iniciados e Ogans. Não pode errar. (não entram em transe).
  22. Alagbê: Responsável pelos toques rituais, alimentação, conservação e preservação dos instrumentos musicais sagrados. (não entram em transe). Nos ciclos de festas é obrigado a se levantar de madrugada para que faça a alvorada. Se uma autoridade de outro Axéchegar ao terreiro, o Alagbê tem de lhe prestar as devidas homenagens. No Candomblé Ketu, os atabaques são chamados de Ilú. Há também outros Ogans como Gaipé, Runsó, Gaitó, Arrow, Arrontodé, etc.
  23. Ogâ ou Ogan: Tocadores de atabaques (não entram em transe).
  24. Ebômi: Ou Egbomi são pessoas que já cumpriram o período de sete anos da iniciação (significado: meu irmão mais velho).
  25. Ajoiê ou ekedi: Camareira do Orixá (não entram em transe). Na Casa Branca do Engenho Velho, as ajoiés são chamadas de ekedis. No Terreiro do Gantois, de “Iyárobá” e na Angola, é chamada de “makota de angúzo”, “ekedi” é nome de origem Jeje, que se popularizou e é conhecido em todas as casas de Candomblé do Brasil. (em edição)
  26. Iaô: filho-de-santo (que já foi iniciado e entra em transe com o Orixá dono de sua cabeça), nem todo Iaô será um pai ou mãe de santo quando terminar a obrigação de sete anos. Ifá ou o jogo de búzios é que vai dizer se a pessoa tem cargo de abrir casa ou não. Caso não tenha que abrir casa o mesmo jogo poderá dizer se terá cargo na casa do pai ou mãe de santo além de ser um egbomi.
  27. Abiã ou abian: Novato. É considerada abiã toda pessoa que entra para a religião após ter passado pelo ritual de lavagem de contas e o bori. Poderá ser iniciada ou não, vai depender do Orixá pedir a iniciação.
  28. Sarepebê ou sarapebê é responsável pela comunicação do egbe (similar a relações públicas).

Hierarquia do candomblé Jeje

No Jeje-Mahi

  1. Doté é o sacerdote, cargo ilustre do filho de Sogbô
  2. Doné é a sacerdotisa, cargo feminino, esse título é usado no Terreiro do Bogum onde também são usados os títulos Gaiaku e Mejitó. similar à Iyalorixá

Os vodunsis da família de Dan são chamados de Megitó, enquanto que da família de Kaviungo, do sexo masculino, são chamados de Doté; e do sexo feminino, de Doné

No Jeje-Mina Casa das Minas

  1. Toivoduno
  2. Noche

No Kwé Ceja Houndé

  • , cargo exclusivamente femininoGaiaku
  • Ekede

Os cargos de Ogan na nação Jeje são assim classificados: Pejigan que é o primeiro Ogan da casa Jeje. A palavra Pejigan quer dizer “Senhor que zela pelo altar sagrado”, porque Peji = “altar sagrado” e Gan = “senhor”. O segundo é o Runtó que é o tocador do atabaque Run, porque na verdade os atabaques RunRunpi e  são Jeje.

Hierarquia do candomblé Bantu

Títulos Hierárquicos Bantu, Angola, Congo

  1. Tata Nkisi – Zelador.
  2. Mametu Nkisi – Zeladora.
  3. Tata Ndenge – pai pequeno.
  4. Mametu Ndenge – Mãe pequena(há quem chame de Kota Tororó, mas não há nenhuma comprovação em dicionário, origem desconhecida).
  5. Tata NGanga Lumbido – Ogã, guardião das chaves da casa.
  6. Kambondos – Ogãs.
  7. Kambondos Kisaba ou Tata Kisaba – Ogã responsável pelas folhas.
  8. Tata Kivanda – Ogã responsável pelas matanças, pelos sacrifícios animais (mesmo que axogun).
  9. Tata Muloji – Ogã preparador dos encantamentos com as folhas e cabaças.
  10. Tata Mavambu – Ogã ou filho de santo que cuida da casa de Exu (de preferência homem, pois mulher não deve cuidar porque mulher mestrua e só deve mexer depois da menopausa, quando não mestruar mais, portanto, pelo certo as zeladoras devem ter um homem para cuidar desta parte, mas que seja pessoa de alta confiança).
  11. Mametu Mukamba – Cozinheira da casa, que por sua vez, deve de preferência ser uma senhora de idade e que não mestrue mais.
  12. Mametu Ndemburo – Mãe criadeira da casa(ndemburo = runko).
  13. Kota ou Maganga – Em outras nações EKEJI (todos os mais velhos que já passaram de 7 anos, mesmo sem dar obrigação, ou que estão presentes na casa, também são chamados de Kota).
  14. Tata Nganga Muzambù – babalawo – pessoa preparada para jogar búzios.
  15. Kutala – Herdeiro da casa.
  16. Mona Nkisi – Filho de santo.
  17. Mona Muhatu Wá Nkisi – Filha de santo (mulher).
  18. Mona Diala Wá Nkisi – Filho de santo(homem).
  19. Tata Numbi – Não rodante que trata de babá Egun(Ojé).

Sacerdotes na África

BANTU (ANGOLA-KONGO).

  • Kubama………………adivinhador de 1a categoria.
  • Tabi………………..adivinhador de 2a categoria.
  • Nganga-a-ngombo………adivinhador de 3a categoria.
  • Kimbanda…………….feiticeiro ou curandeiro.
  • Nganga-a-mukixi………sacerdote do culto de possessão (Angola).
  • Niganga-a-nikisi……..sacerdote do culto de possessão (Kongo).
  • Mukúa-umbanda………..sacerdote do culto de possessão (Angola-Kongo).

Divisão Sacerdotais no Brasil

Angola – língua quimbundo – Kongo – língua quicongo

  • Mam’etu ria mukixi……sacerdotisa no Angola.
  • Tat’etu ria mukixi……sacerdote no Angola.
  • Nengua-a-nkisi……….sacerdotisa no Kongo.
  • Nganga-a-nkisi………sacerdote no Kongo.
  • Mam’etu ndenge……….mãe pequena no Angola.
  • Tat’etu ndenge……….Pai pequeno no Angola.
  • Nengua ndumba………..mãe pequena no Kongo.
  • Nganga ndumba………..pai pequeno no Kongo.
  • Kambundo ou Kambondo….todos os homens confirmados.
  • Kimbanda…………….Feiticeiro, curandeiro.
  • Kisaba……………..pai das sagradas folhas.
  • Tata utala…………..pai do altar.
  • Kivonda……………..Sacrificador de animais (Kongo).
  • Kambondo poko………..sacrificador de animais (Angola).
  • Kuxika ia ngombe……..Tocador (kongo).
  • Muxiki………………tocador( Angola).
  • Njimbidi…………….cantador.
  • Kambondo mabaia………responsável pelo barracão.
  • Kota………………..todas as mulheres confirmadas.
  • Kota mbakisi…………responsável pelas divindades.
  • Hongolo matona……….especialista nas pinturas corporais.
  • Kota ambelai…………toma conta e atende aos iniciados.
  • Kota kididi…………toma conta de tudo e mantém a paz.
  • Kota rifula………….responsável em preparar as comidas sagradas.
  • Mosoioio…………….as (os) mais antigas.
  • Kota manganza…………título alcançado após a obrigação de 7 anos.
  • Manganza……………..título dado aos iniciados.
  • Uandumba…………….designa a pessoa durante a fase iniciatória.
  • Ndumbe………………designa a pessoa não iniciada.

O Ritual de Iniciação no Candomblé

 

O ritual de iniciação no Candomblé, a feitura no santo, representa um renascimento, tudo será novo na vida do yàwó, ele receberá inclusive um nome pelo qual passará a ser chamado dentro da comunidade do Candomblé.

A feitura tem por início no recolhimento. São 21 (vinte e um) dias de reclusão, e neste prazo são realizados banhos, boris, oferendas, ebós, todo o aprendizado começa, as rezas, as dança, as cantigas…

É feita a raspagem dos cabelos (orô) e o abiã recebe o oxu (representa o canal de comunicação entre o iniciado e seu orixá) o kelê, os delogun, o mokan, o xaorô, os ikan, o ikodidé. O filho de santo terá que passar agora por um ritual, onde terá seu corpo pintado com giz, denominado efun. Ele deverá passar por este ritual de pintura por 7 (sete) dias seguidos.

O abiã terá agora que assentar seu Orixá e ofertar-lhe sacrifícios de animais de acordo com as características de cada um. Feito isso ele passa a se chamar yàwó.

A festa ritualística que marca o término deste período é denominada Saída de Yàwó, neste momento ele será apresentado à comunidade. Ele será acompanhado por uma autoridade à frente de todos para que lhe sejam rendidas homenagens.

Deitado sobre uma esteira, ele saudará com adobá e paó, que são palmas compassadas que serão dadas a cada reverência feita pelo yàwó e acompanhadas por todos presentes, como demonstração de que a partir daquele momento ele nunca mais estará sozinho na sua caminhada. Primeiramente saudará o mundo, neste momento a localização da esteira é na porta principal da casa. No seu interior, ele saudará a comunidade e por último, frente aos atabaques que representam as autoridades presentes. Neste primeiro momento o Orixá somente poderá dar o jicá. Só após a queda do kelê o Orixá poderá dar seu ilá.

O momento mais aguardado do cerimonial é o orukó. Neste momento o Orixá dirá o nome de iniciação de seu filho perante todos e também é neste momento que se abre a sua idade cronológica dentro de sua vida no santo.

Após a saída e depois dos 21 (vinte e um) dias de recolhimento o yàwó permanecerá de resguardo até a queda de kelê fora do barracão por um período de 3 (três) meses, neste período ele não poderá utilizar talheres para comer, deve continuar a sentar-se no chão sobre a esteira durante as refeições, está proibido de utilizar outra cor de roupa que não o branco da cabeça aos pés, não poderá fazer uso de bebidas alcoólicas, cigarro. .. E nem tão pouco sair à noite. E até que se complete 1 (um) ano, os seus preceitos continuarão.

Até que o yàwó complete a maior idade de santo, terá que continuar dia a dia o seu aprendizado e reforçar os seus votos por meio das obrigações.

Trecho Livro A Panela do Segredo, 283 – Pai Cido de Osun Eyin:

“Vale dizer que o transe não é imprescindível para que uma pessoa seja iniciada como adoxu, pois, independentemente de se manifestar o Orixá está em cada um de seus filhos. Isso é muito importante, porque só os adoxu podem assumir determinadas funções sacerdotais, como os cargos de ialorixá ou babalorixá. Sendo assim, uma pessoa que tem em seu odu a missão sacerdotal, incorporando ou não o Orixá, deve ser iniciada como adoxu e nunca como ogãn ou equedi, que já são ijoyé natos e jamais poderão entrar em transe de orixá”

Trecho Livro A Panela do Segredo, 284 – Pai Cido de Osun Eyin:

“Algumas pessoas não precisam ser raspadas ao se iniciarem. Esse é o caso principalmente das crianças que nasceram fadas à morte, mas que venceram o trágico destino (abiku). Existe uma graduação delas que considera as especificações de seu nascimento. Por exemplo: as crianças que nasceram pelos pés, com o cordão umbilical em volta do pescoço, depois de vários abortos, que foram abandonadas ao nascer ou cujas mães morreram ao dar à luz ____ neste último caso, se o abiku for indevidamente raspado poderá levar o seu pai-de-santo (ou seja, aquele que lhe deu a vida na religião) à morte. Evidente que todo nado morto é abiku”

Candomblé Ketu

Iniciação no Candomblé Ketu

O sacerdócio e organização dos ritos para o culto dos orixás são complexos, com todo um aprendizado que administra os padrões culturais de transe, pelo qual os deuses se manifestam no corpo de seus iniciados durante as cerimónias para serem admirados, louvados, cultuados. Os iniciados, filhos e filhas-de-santo (iaô, em linguagem ritual), também são popularmente denominados “cavalos dos deuses” uma vez que o transe consiste basicamente em mecanismo pelo qual cada filho ou filha se deixa cavalgar pela divindade, que se apropria do corpo e da mente do iniciado, num modelo de transe inconsciente bem diferente daquele do kardecismo, em que o médium, mesmo em transe, deve sempre permanecer atento à presença do espírito. O processo de se transformar num “cavalo” é uma estrada longa, difícil e cara, cujos estágios na “nação” queto podem ser assim sumariados:

Para começar, a mãe-de-santo deve determinar, através do jogo de búzios, qual é o orixá dono da cabeça daquele indivíduo (Braga, 1988). Ele ou ela recebe então um fio de contas sacralizado, cujas cores simbolizam o seu orixá (ver Anexo), dando-se início a um longo aprendizado que acompanhará o mesmo por toda a vida. A primeira cerimónia privada a que a noviça (abiã) é submetida consiste num sacrifício votivo à sua própria cabeça (ebori), para que a cabeça possa se fortalecer e estar preparada para algum dia receber o orixá no transe de possessão. Para se iniciar como cavalo dos deuses, a abiã precisa juntar dinheiro suficiente para cobrir os gastos com as oferendas (animais e ampla variedade de alimentos e objectos), roupas cerimoniais, utensílios e adornos rituais e demais despesas suas, da família-de-santo, e eventualmente de sua própria família durante o período de reclusão iniciática em que não estará, evidentemente, disponível para o trabalho no mundo profano.

Como parte da iniciação, a noviça permanece em reclusão no terreiro por um número em torno de 21 dias. Na fase final da reclusão, uma representação material do orixá do iniciado (assentamento ou ibá-orixá) é lavada com um preparado de folhas sagradas trituradas (amassi). A cabeça da noviça é raspada e pintada, assim preparada para receber o orixá no curso do sacrifício então oferecido (orô). Dependendo do orixá, alguns dos animais seguintes podem ser oferecidos: cabritos, ovelhas, pombas, galinhas, galos, caramujos. O sangue é derramado sobre a cabeça da noviça, no assentamento do orixá e no chão do terreiro, criando este sacrifício um laço sagrado entre a noviça, o seu orixá e a comunidade de culto, da qual a mãe-de-santo é a cabeça. Durante a etapa das cerimónias iniciáticas em que a noviça é apresentada pela primeira vez à comunidade, seu orixá grita seu nome, fazendo-se assim reconhecer por todos, completando-se a iniciação como iaô (iniciada jovem que “recebe” orixá). O orixá está pronto para ser festejado e para isso é vestido e paramentado, e levado para junto dos atabaques, para dançar, dançar e dançar.

No candomblé sempre estão presentes o ritmo dos tambores, os cantos, a dança e a comida (Motta, 1991). Uma festa de louvor aos orixás (toque) sempre se encerra com um grande banquete comunitário (ajeum, que significa “vamos comer”), preparado com carne dos animais sacrificados. O novo filho ou filha-de-santo deverá oferecer sacrifícios e cerimónias festivas ao final do primeiro, terceiro e sétimo ano de sua iniciação. No sétimo aniversário, recebe o grau de senioridade (ebômi, que significa “meu irmão mais velho”), estando ritualmente autorizado a abrir sua própria casa de culto. Cerimônias sacrificiais são também oferecidas em outras etapas da vida, como no vigésimo primeiro aniversário de iniciação.

Quando o ebômi morre, rituais fúnebres (axexê) são realizados pela comunidade para que o orixá fixado na cabeça durante a primeira fase da iniciação possa desligar-se do corpo e retornar ao mundo paralelo dos deuses (orum) e para que o espírito da pessoa morta (egum) liberte-se daquele corpo, para renascer um dia e poder de novo gozar dos prazeres deste mundo.

Candomblé Ketu (pronuncia-se queto) é a maior e a mais popular “nação” do Candomblé, uma dasReligiões afro-brasileiras.

No início do século XIX, as etnias africanas eram separadas por confrarias da Igreja Católica na região deSalvador, Bahia. Dentre os escravos pertencentes ao grupo dos Nagôs estavam os Yoruba (Iorubá). Suas crenças e rituais são parecidos com os de outras nações do Candomblé em termos gerais, mas diferentes em quase todos os detalhes.

Teve inicio em Salvador, Bahia, de acordo com as lendas contadas pelos mais velhos, algumas princesas vindas de Oyó e Ketu na condição de escravas, fundaram um terreiro num engenho de cana. Posteriormente, passaram a reunir-se num local denominado Barroquinha, onde fundaram uma comunidade de Jeje-Nagô pretextando a construção e manutenção da primitiva Capela da Confraria de Nossa Senhora da Barroquinha, atual Igreja de Nossa Senhora da Barroquinha que, segundo historiadores, efetivamente conta com cerca de três séculos de existência.[1]

No Brasil Colônia e depois, já com o país independente mas ainda escravocrata, proliferaram irmandades. “Para cada categoria ocupacional, raça, nação – sim, porque os escravos africanos e seus descendentes procediam de diferentes locais com diferentes culturas – havia uma. Dos ricos, dos pobres, dos músicos, dos pretos, dos brancos, etc. Quase nenhuma de mulheres, e elas, nas irmandades dos homens, entraram sempre como dependentes para assegurarem benefícios corporativos advindos com a morte do esposo. Para que uma irmandade funcionasse, diz o historiador João José Reis, precisava encontrar uma igreja que a acolhesse e ter aprovados os seus estatutos por uma autoridade eclesiástica”.

Muitas conseguiram construir a sua própria Igreja como a Igreja do Rosário da Barroquinha, com a qual aIrmandade da Boa Morte manteve estreito contato. O que ficou conhecido como devoção do povo decandomblé. O historiador cachoeirano Luiz Cláudio Dias Nascimento afirma que os atos litúrgicos originais da Irmandade de cor da Boa Morte eram realizados na Igreja da Ordem Terceira do Carmo, templo tradicionalmente freqüentado pelas elites locais. Posteriormente as irmãs transferiram-se para a Igreja de Santa Bárbara, da Santa Casa da Misericórdia, onde existem imagens de Nossa Senhora da Glória e daNossa Senhora da Boa Morte. Desta, mudaram-se para a bela Igreja do Amparo desgraçadamente demolida em 1946 e onde hoje encontram-se moradias de classe média de gosto duvidoso. Daí saíram para a Igreja Matriz, sede da freguesia, indo depois para a Igreja da Ajuda.

O fato é que não se sabe ao certo precisar a data exata da origem da Irmandade da Boa Morte. Odorico Tavares arrisca uma opinião: a devoção teria começado mesmo em 1820, na Igreja da Barroquinha, tendo sido os Jejes, deslocando-se até Cachoeira, os responsáveis pela sua organização. Outros ressaltam a mesma época, divergindo quanto à nação das pioneiras, que seriam alforriadas Ketu. Parece que o “corpus” da irmandade continha variada procedência étnica já que fala-se em mais de uma centena de adeptas nos seus primeiros anos de vida.

Essas confrarias eram os locais onde se reuniam as sacerdotisas africanas já libertas (alforriadas) de várias nações, que foram se separando conforme foram abrindo os terreiros. Na comunidade existente atrás da capela da confraria foi construído o Candomblé da Barroquinha pelas sacerdotisas de Ketu que depois se transferiram para o Engenho Velho, ao passo que algumas sacerdotisas de Jejedeslocaram-se para o Recôncavo Baiano para Cachoeira e São Félix para onde transferiram a Irmandade da Boa Morte e fundaram vários terreiros de candomblé jeje sendo o primeiro Kwé Cejá Hundé ou Roça do Ventura.

O Candomblé Ketu ficou concentrado em Salvador. Depois da transferência do Candomblé da Barroquinha para o Engenho Velho passou a se chamar Ilê Axé Iyá Nassô mais conhecido como Casa Branca do Engenho Velho sendo a primeira casa da nação Ketu no Brasil de onde saíram as Iyalorixás que fundaram o Ilê Axé Opô Afonjá e o Ilê Iya Omin Axé Iyamassé, o Terreiro do Gantois.

Índice

Orixás

Os Orixás do Ketu são basicamente os da Mitologia Yoruba.

Olorun também chamado Olodumare é o Deus supremo, que criou as divindades ou Orixás (Òrìsà em yoruba). As centenas de orixás ainda cultuados na África, ficou reduzida a um pequeno número que são invocados em cerimônias:

  • Exu, Orixá guardião dos templos, encruzilhadas, passagens, casas, cidades e das pessoas, mensageiro divino dos oráculos.
  • Ogum, Orixá do ferro, guerra, fogo, e tecnologia.
  • Oxóssi, Orixá da caça e da fartura.
  • Logunedé, Orixá jovem da caça e da pesca
  • Xangô, Orixá do fogo e trovão, protetor da justiça.
  • Ayrà, Usa branco, tem profundas ligações com Oxalá e com Xangô.
  • Obaluaiyê, Orixá das doenças epidérmicas e pragas, Orixá da Cura.
  • Oxumaré, Orixá da chuva e do arco-íris, o Dono das Cobras.
  • Ossaim, Orixá das Folhas, conhece o segredo de todas elas.
  • Oyá ou Iansã, Orixá feminino dos ventos, relâmpagos, tempestades, e do Rio Niger
  • Oxum, Orixá feminino dos rios, do ouro, do jogo de búzios, e do amor.
  • Iemanjá, Orixá feminino dos lagos, mares e fertilidade, mãe de muitos Orixás.
  • Nanã, Orixá feminino dos pântanos, e da morte, mãe de Obaluaiê.
  • Yewá, Orixá feminino do Rio Yewa.
  • Obá, Orixá feminino do Rio Oba, uma das esposas de Xangô
  • Axabó, Orixá feminino da família de Xangô
  • Ibeji, Orixás gêmeos
  • Irôco, Orixá da árvore sagrada, (gameleira branca no Brasil).
  • Egungun, Ancestral cultuado após a morte em Casas separadas dos Orixás.
  • Iyami-Ajé, é a sacralização da figura materna, a grande mãe feiticeira.
  • Onilé, Orixá do culto de Egungun
  • Oxalá, Orixá do Branco, da Paz, da Fé.
  • OrixaNlá ou Obatalá, o mais respeitado, o pai de quase todos orixás, criador do mundo e dos corpos humanos.
  • Ifá ou Orunmila-Ifa, Ifá é o porta-voz de Orunmila, Orixá da Adivinhação e do destino.
  • Odudua, Orixá também tido como criador do mundo, pai de Oranian e dos yoruba.
  • Oranian, Orixá filho mais novo de Odudua
  • Baiani, Orixá também chamado Dadá Ajaká
  • Olokun, Orixá divindade do mar
  • Olossá, Orixá dos lagos e lagoas
  • Oxalufon, Qualidade de Oxalá velho e sábio
  • Oxaguian, Qualidade de Oxalá jovem e guerreiro
  • Orixá Oko, Orixá da agricultura

Na África cada Orixá estava ligado originalmente a uma cidade ou a um país inteiro. Tratava-se de uma série de cultos regionais ou nacionais. Şàngó em Oyó, Yemoja na região de Egbá, Iyewa em Egbado, Ògún em Ekiti e Ondo, Òşun em Ilesa, Osogbo e Ijebu Ode, Erinlé em Ilobu, Lógunnède em Ilesa, Otin em Inisa, Oşàálà-Obàtálá em Ifé, subdivididos em Oşàlúfon em Ifon e Òşágiyan em Ejigbo

No Brasil, em cada templo religioso são cultuados todos os Orixás, diferenciando que nas casas grandes tem um quarto separado para cada Orixá, nas casas menores são cultuados em um único quarto de santo (termo usado para designar o quarto onde são cultuados os Orixás).

Ritual

Ritual de uma casa de Ketu, é diferente das casas de outras nações, a diferença está no idioma, no toque dos Ilus (atabaque no Ketu), nas cantigas, nas cores usadas pelos Orixás, os rituais mais importantes são: Padê, Sacrifício, Oferenda, Sassayin, Iniciação, Axexê,Olubajé, Águas de Oxalá, Ipeté de Oxum,…

A língua sagrada utilizada em rituais do Ketu é derivada da língua Yoruba ou Nagô. O povo de Ketu procura manter-se fiel aos ensinamentos das africanas que fundaram as primeiras casas, reproduzem os rituais, rezas, lendas, cantigas, comidas, festas, e esses ensinamentos são passados oralmente até hoje.

Hierarquia

As posições principais do Ketu (são chamados de cargo ou posto, em yoruba Olóyès , Ogãns e Àjòiès), em termos de autoridade, são:

O cargo de autoridade máxima dentro de uma casa de candomblé é o de Iyálorixá (mãe-de-santo) ou Babalorixá (pai-de-santo). São pessoas escolhidas pelos Orixás para ocupar esse posto. São sacerdotes, que após muitos anos de estudo adquiriram o conhecimento para tal função. Quando a pessoa escolhida através do jogo de búzios ainda não está preparada para assumir o posto, terá que ser assistida por todos Egbomis (meu irmão mais velho) da casa para obter o conhecimento necessário.

  1. Iyalorixá ou Babalorixá: A palavra  do yoruba significa mãe,  significa pai.iyábabá
  2. Iyakekerê (mulher): mãe pequena, segunda sacerdotisa.
  3. Babakekerê (homem): pai pequeno, segundo sacerdote.
  4. Iyalaxé (mulher): cuida dos objetos rituais.
  5. Ojubonã ou Agibonã: mãe criadeira, supervisiona e ajuda na iniciação
  6. Egbomis: são pessoas que já cumpriram o período de sete anos da iniciação (significado: egbon mi, “meu irmão mais velho”).
  7. Iyabassê: mulher responsável pela preparação das comidas-de-santo
  8. Iaô: filha-de-santo que já entra em transe.
  9. Abiã ou abian: novato.
  10. Axogun: responsável pelo sacrifício dos animais (não entra em transe).
  11. Alagbê: responsável pelos atabaques e pelos toques (não entra em transe).
  12. Ogãs ou Ogans: tocadores de atabaques (não entram em transe).
  13. Ajoiê ou ekedi: camareira do Orixá (não entra em transe). Na Casa Branca do Engenho Velho, as ajoiés são chamadas de ekedis. No Gantois, de “Iyárobá” e na Angola, é chamada de “makota de angúzo”. “Ekedi” é nome de origem Jeje, que se popularizou e é conhecido em todas as casas de Candomblé do Brasil.

Candomblé de Jeje

Assim, como os Nagôs ou Yorubas, os Jejes língua Ewe, língua Fon, língua Mina e os Fanti ashantis, formam grupos sudaneses que englobam a África Ocidental hoje denominada de Nigéria, Benin e Togo. Sua entrada no Brasil ocorreu em meados do século XVII.Djedje (jeje) é uma palavra de origem yoruba que significa estrangeiro, forasteiro e estranho; que recebeu uma conotação pejorativa como “inimigo”, por parte dos povos conquistados pelos reis de Dahomey e seu exército. Quando os conquistadores eram avistados pelos nativos de uma aldeia, muitos gritavam dando o alarme “Pou okan, djedje hum wa!” (olhem, os jejes estão chegando!).Quando os primeiros daomeanos chegaram ao Brasil como escravos, aqueles que já estavam aqui reconheceram o inimigo e gritaram “Pou okan, djedje hum wa!”; e assim ficou conhecido o culto dos Voduns no Brasil “nação Jeje”.Dentre os daomeanos escravizados, uma mulher chamada Ludovina Pessoa, natural da cidade Mahi (marri), foi escolhida pelos Voduns para fundar três templos na Bahia. Ela fundou:Um templo para Dan; Kwe Ceja Hundê, mais conhecido como o Roça do Ventura ou Pó Zehen (pó zerrêm) em Cachoeira e São FelixUm templo para Heviossô Zoogodo Bogun Male Hundô Terreiro do Bogum em SalvadorUm templo para Ajunsun que não se sabe porque não foi fundado. Esse é o segmento jeje-mahi do povo Fon.

O templo de Ajunsun-Sakpata foi fundado mais tarde pela africana Gaiacu Satu, em Cachoeira e São Felix e recebeu o nome de Axé Pó Egi, mais conhecido por Cacunda de Ayá. São os Jeje-Savalu ou Savaluno. Sakpata era rei da cidade Savalu na África, segundo alguns historiadores, Sakpata foi o único rei que preferiu o exílio a se render aos conquistadores do Daomé. O dialeto dos savalus também é o Fon.

No Maranhão encontramos a Casa das Minas fundada por Maria Jesuína, segundo informação de Sergio Ferretti. É com certeza a mais conhecida casa de jeje do Brasil. Esse é o segmento do povo Jeje-Mina.

Ainda no Maranhão encontramos a casa Fanti-Ashante fundada por Euclides Menezes Ferreira (Talabian). Esse é o segmento jeje-Fanti-Ashanti do povo Akan vindo de Ghana, inicialmente teria ligações com a Sitio de Pai Adão Nação Nagô-Egbá.

No Rio de Janeiro, foi fundado pela africana Gaiaku Rosena, natural de Allada, o Terreiro do Pó Dabá no bairro da Saúde, que foi herdado por sua filha Adelaide do Espírito Santo, também conhecida como Ontinha de Oiá (Devodê), que por sua vez foi sucedida por Joana da Cruz de Avimadjé, mais conhecida como Mejitó, que transferiu a casa de santo para o bairro Coelho da Rocha. Os descendentes do Pó Dabá mais ilustres da atualidade são Glorinha Toqüeno, com terreiro no bairro de Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro e Helena de Dã, com terreiro em Parque Paulista, em Duque de Caxias.

Depois veio Antonio Pinto de Oliveira. Tata Fomutinho que fundou o Kwe Ceja Nassó, no bairro de Santo Cristo, depois mudou-se para Madureira na Estrada do Portela, depois para São João de Meriti onde finalmente se estabeleceu na Rua Paraíba.

Dizem os mais velhos, que Mejitó, ajudou muito Tata Fomutinho no começo de sua vida de santo aqui no Rio de Janeiro.

Tata Fomutinho deixou uma legião de filhos, netos e bisnetos. Dentre esses, Jorge de Yemanja que fundou o Kwe Ceja Tessi, Pai Zezinho da Boa Viagem que fundou o Terreiro de Nossa Senhora dos Navegantes, Tia Belinha que fundou a Colina de Oxosse e Amaro de Xangô.

Os Voduns no Jeje são basicamente os da Mitologia Ewe e Fon.

Mawu é o Ser Supremo dos povos Ewe e Fon.

Lissá, que é masculino, e também co-responsável pela Criação.

Loko, É o primogênito dos voduns.dono da joia de mahi que e o rungbe

Gu, Vodun dos metais, guerra, fogo, e tecnologia.

Heviossô, Vodun que comanda os raios e relâmpagos.

Sakpatá, Vodun da varíola.

Dan, Vodun da riqueza, representado pela serpente do arco-íris.

Agué, Vodun da caça e protetor das florestas.

Agbê, Vodun dono dos mares.

Ayizan, Vodun feminino dona da crosta terrestre e dos mercados.

Agassu, Vodun que representa a linhagem real do Reino do Daomé.

Aguê, Vodun que representa a terra firme.

Legba, O caçula de Mawu e Lissá, e representa as entradas e saídas e a sexualidade.

Fa , Vodun da adivinhação e do destino.

aziri , vodun das aguas doces.

possun , vodun do po e da terra seca representado pelo tigre.

Na Nação Jeje existe a necessidade do poço (se não existir uma nascente nas terras), o ideal é um sítio com nascente, mata natural, plantas e animais.

Infelizmente nas casas urbanas isto já não é tão possível, pois as Casas cada vez mais diminuem de tamanho. Mas ainda assim toda casa Jeje deverá ter pelo menos um poço, um local reservado exclusivamente para as plantas e árvores necessárias ao culto, que chamamos “kpamahin”, e alguns animais que são muito importantes para nós.

Voduns não usam roupas luxuosas não gostam de roupas de festa e geralmente preferem a boa e velha roupa de ração. As danças são cadenciadas em um ritmo mais denso e pesado. Os Voduns estão sempre de olhos abertos e salvo algumas excessões, conversam (usando preferencialmente um dialeto próprio) e dão conselhos a quem os procura. Informação de Doté Dorivaldo.

A iniciação ao culto dos voduns é complexa é longa e pode envolver longas caminhadas a santuários e mercados e períodos de reclusão dentro do convento ou terreiro hunkpame, que podem chegar a durar um ano, onde os neófitos são submetido a uma dura rotina de danças, preces, aprendizagem de línguas sagradas e votos de segredo e obediência.

Hierarquia

Bokonon – Sacerdote do Vodun Fa equivalente ao Babalawo

Doté Sacerdotes (homens) e Doné Sacerdotisas (mulheres) esse título é usado no Terreiro do Bogum e casas descendentes.

Vodunsi – após 1 ano da iniciação.

Kajekaji – iniciado que ainda não completou o ciclo de obrigações.

Candomblé de Jeje

Dahomé, o berço da nação Ewe e fon, denominados Jêjes, no Brasil, enumeram-se em diversas tribos como os Agonis, Axantis, Gans, Popós, Crus etc. Os primeiros povos jêjes tiveram como destino São Luis do Maranhão, onde ainda se mantém vivas as tradições religiosas trazidas da terra mãe, África. Também se encontra o ritual jêje em Salvador, Cachoeira de São Félix, Pernambuco entre outros estados do Brasil como Rio Grande do Sul e São Paulo, que também importou os rituais desta nação.

O negro descendente do Dahomé, hoje Benin, trouxe consigo o culto à suas divindades chamadas Voduns, cujo Deus Supremo é Mawu , a quem são subordinados, assim como Olodumaré o Deus Supremo dos Orixás Yorubás. Diz a Mitologia Fon que Mawu tinha um companheiro chamado Lisa, e são filhos de Nana Buruku (ou Nana Buluku), a grande mãe criadora do mundo. Mawu era a Lua, que teve força ao longo da noite e viveu no oeste. Lisa era o Sol, que fez sua morada no Leste. Quando existia um eclipse dizia-se que Mawu e Lisa estavam fazendo amor. Eles eram pais de todos os outros Deuses. E existem catorze destes deuses, que eram sete pares de gémeos. Este relato é um mito do primeiro povo do Dahomé, os Fons.

O culto aos Voduns teve ênfase na Bahia, conhecido como Candomblé Jêje, e no Maranhão Tambor de Mina.

Nos terreiros mais influenciados pela mina jêje, o predomínio, em certos grupos, é de mulheres como filhas de santo. Os devotos têm que se submeter a longo processo de iniciação. Os detalhes dos rituais são pouco comentados, não há rituais públicos de iniciação; a cada comunidade, apenas duas ou três pessoas se dedicam ao ritual completo de iniciação. Em geral as Vodunsis dão poucas informações sobre os rituais relacionados com o culto, os segredos são mantidos a sete chaves.

Assim como os Orixás do Batuque, os Voduns incorporados, conversam com a assistência, dando bênçãos, conselhos, deixam recados e mantêm os olhos abertos. È comum no culto jêje fazer provas com os iniciados incorporados com os Voduns, como, por exemplo, mergulhar a mão no azeite de dendê fervendo.

Algumas casas de jêje tiveram influencias dos yorubás e vice-versa, formando o que se chama de cultura Jêje-Nagô. A exemplo do candomblé, as instalações dos terreiros contam com um barracão central para as danças, pequenas casas reservadas para as diferentes famílias de divindades, onde são mantidos os assentamentos. O forte sincretismo prevê, também a instalação de uma pequena capela com altar católico, há uma cozinha, quartos para dormir e se vestir e quarto onde os iniciados ficam recolhidos durante as obrigações. há também a casa de Legba, onde são feitas grandes obrigações.

A iniciação jêje requer um longo período de confinamento, que pode durar de seis meses a um ano de reclusão, onde um Vodunsi aprende as tradições religiosas jêje como: danças, cantigas, preparo das comidas sagradas, cuidar de árvores e espaços sagrados, votos de segredo e obediência. As entidades são assentadas, recebem sacrifícios de animais, comidas, bebidas e outros presentes. Os assentamentos são preparados em pedras, que representam um “imã” que tem a força do Vodun, e ficam guardadas no quarto de segredo recobertos com jarras, louças e ferramentas. Existem, também, assentamentos em outras partes da casa e do quintal marcados por árvores como a cajazeira, ginja e pinhão branco. È comum ter assentamentos no centro do barracão de danças; assim como em outras nações, no culto jêje também são feitos rituais de limpezas, banhos com ervas e muitas preces. Nos rituais antigos o contacto com os voduns dependia muito da vidência das Vodunsis, e a adivinhação era feita através da interpretação dos sonhos, consulta com os Voduns e exame da luz de velas, actualmente é comum o uso dos Búzios para consultar as divindades.

As casas de jêje, além do culto aos Voduns, também incorporam em seus rituais alguns orixás nagôs. O panteão jêje é numeroso, sendo os Voduns agrupados em famílias como: Dambirá, Davice, Savaluno e Queviossô.

As actividades religiosas requerem um extenso calendário com rituais reservados aos iniciados, e em festas públicas que duram um, três ou sete dias; no final das obrigações todos comem as comidas preparadas com a carne dos animais oferecidos em sacrifício às divindades.

Mawu é o ser supremo dos povos Ewe e Fon, criador do mundo, dos seres vivos e das divindades. Mawu (feminino) e Lissá (masculino) forman a divindade dupla Mawu-Lissá cujos Voduns são filhos e descendentes de ambos. Os principais Voduns são: Loko; Gu; Heviossô; Sakpatá; Dan; Agbê; Águé; Ayizan; Agassu; Legba e Fa.

A casa de jêje chama-se Kwe, e o local destinado ao culto dos Voduns é chamado Hunkpame, que é o templo onde está dentro a divindade; é chefiado por um sacerdote ou sacerdotisa, que são responsáveis pelos ensinamentos aos futuros Vodunsis.

No Rio Grande do Sul, os terreiros que ainda mantém firme a cultura Jêje, nota-se a conservação de certas obrigações, à exemplo, nos assentamentos de Ogum Avagã cujas ferramentas usadas são as mesmas para o assentamento de Gu no Dahomé, e algumas não tem o uso do okutá; e também há nomes de Orixás que usam o mesmo dos Voduns, como por exemplo Dã, cujo Orixá de uma famosa Yalorixá da nação Jêje chamava-se Dã e um outro antigo Babalorixá de Porto Alegre pertencente a esta mesma nação, tinha o assentamento de Sobô; (Sobô é nome de um Vodun do Dahomé). Dos pais e mães de santos actuais, da nação Jêje do Rio Grande do Sul, muitos desconhecem a palavra Vodun; deve-se este fato ao predomínio da nação Ijexá, de origem Yorubá que acabou absorvendo as demais, e o termo Vodun com o tempo deixou de existir; mas é certo que a linguagem usada nos cantos rituais e o uso dos aquidavís para percussão dos tambores, o uso do Gã (gonguê) (instrumento de percussão), entre outros fatos reflectem muito os fundamentos do antigo Dahomé.

Há casos em que as tradições culturais africanas resistem, mais que em outros, à mudança, mas em nenhuma instância, nem mesmo nos terreiros mais antigos e ostensivamente zelosos à suas origens, deixou de existir, contudo, se tivesse, no sul um maior interesse em pesquisar a origem dos fundamentos de cada nação é certo que achariam a ligação directa do jêje praticado aqui, com os povos do antigo Dahomé, e assim por diante.

O que sobrevive da vertente jêje como legado cultural acha-se incorporado ou associado ao acervo Yorubá, embora não se fale em Vodu no Rio Grande do Sul, certas práticas da religião do antigo Dahomé, hoje Benin, podem ser detectadas no Batuque do Rio Grande do Sul, principalmente nos terreiros que fazem parte da raiz do falecido Joãozinho de Bará (Esú Biyí).

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Apenas faço observação ao termo jeje-nagô utilizado no texto, que achei interessantíssimo, tirado de “Candomblé: o mundo dos Orixás”, que trouxe para vocês, leitores do blog. Em outro post vimos que o império iorubá anexou o povo de Daomé. Veja o mapa do império de Oió no século VXIII. Com essa anexação do território daometano ao ao império iorubá, houve uma grande fusão cultural, com a assimilação de elementos da religião fon ao povo iorubá e vice-versa. Portanto, ao Brasil, quando o povo iorubá chegou escravizado após a decadência de Oió,veio com ele a cultura jeje-nagô. Diz-se que, inclusive, o universalizado uso do kelê era restrito aos rituais a Xangô. Da mesma forma, Nanã (geradora da dicotomia Mawu-Lissa) era uma divindade daometana. Quando os iorubás (que fundaram o candomblé Nagô – e a dissidência Keto) vieram para o Brasil, trouxeram o produto da expansão iorubá na África. A tradição que decorreu da assimilação das divindades nagô pelos jeje foi a nagô-vodum.

Candomblé Jeje

Os voduns são divindades de origem Fon que correspondem aos orixás dos nagôs. Os fons, ao chegarem no Brasil , eram chamados de “Jejes”, implantaram aqui o seu culto, baseado em rica, complexa e elevada mitologia.

Terreiro do Bogum

O Terreiro do Bogum está localizado na Ladeira do Bogum, antiga Manoel do Bonfim, no Bairro do Engenho Velho da Federação, em Salvador , Bahia , Brasil .

O Terreiro de Bogum, de Nação Jeje , é diferente dos outros terreiros de Salvador. Uma das principais diferenças é a língua falada nos rituais. Como explica Jaime Sodré (ogã da casa há 35 anos), a língua falada pelos jeje é o ewé , do povo fon , com tradição ligada ao Benin . A maioria dos candomblés baianos é de tradição nagô e utiliza como língua o iorubá . Além da língua, alguns rituais dos jeje são diferentes. No Terreiro do Bogum não existem orixás , lá se cultuam os voduns e recebem outras denominações.

A missa em homenagem a São Bartolomeu é feita anualmente há 200 anos, tendo-se tornado uma tradição do Terreiro do Bogum.

Zaildes Iracema de Mello, Mãe Índia, é a atual chefe do terreiro, tendo sucedido sua tia Nicinha e sua tia-avó Valentina (Runhó).

Segundo historiadores, foi no local onde está o Bogum que Joaquim Jêje, herói do movimento de insurreição de escravos malês, deixou o bogum (baú) onde estavam os donativos que permitiram a famosa Revolta dos Malês ocorrida em Salvador em janeiro de 1835. Esses escravos sabiam ler e escrever em árabe, tinham grande poder de organização e articulação e pretendiam fundar um “reino africano” em terras brasileiras, mas foram traídos e a “revolução negra-escrava” foi descoberta. O termo “bogum” também pode ser explicado pelo dialeto gun  ( http://www.ethnologue.com/show_language.asp?code=GUW ) (dialeto do fon com muitos elementos do iorubá), falado na região de Porto Novo, no Benin, significando “lugar ( ibo ) dos fon ( gun )”. O nome completo do terreiro é Zoogodô Bogum Malê Rundó .

UM RESULMO DO QUE FOI A REVOLTA DOS MALÊS

A Revolta dos Malês

Durante as três primeiras décadas do século XIX várias rebeliões de escravos explodiram na província da Bahia. A mais importante delas foi a dos Malês, uma rebelião de caráter racial, contra a escravidão e a imposição da religião católica, que ocorreu em Salvador, em janeiro de 1835. Nessa época, a cidade de Salvador tinha cerca de metade de sua população composta por negros escravos ou libertos, das mais variadas culturas e procedências africanas, dentre as quais a islâmica, como os haussas e os nagôs. Foram eles que protagonizaram a rebelião, conhecida como dos “malê”, pois este termo designava os negros muçulmanos, que sabiam ler e escrever o árabe. Sendo a maioria deles composta por ” negros de ganho “, tinham mais liberdade que os negros das fazendas, podendo circular por toda a cidade com certa facilidade, embora tratados com desprezo e violência. Alguns, economizando a pequena parte dos ganhos que seus donos lhes deixavam, conseguiam comprar a alforria.

Em janeiro de 1835 um grupo de cerca de 1500 negros, liderados pelos muçulmanos Manuel Calafate, Aprígio, Pai Inácio, dentre outros, armou uma conspiração com o objetivo de libertar seus companheiros islâmicos e matar brancos e mulatos considerados traidores, marcada para estourar no dia 25 daquele mesmo mês. Arrecadaram dinheiro para comprar armas e redigiram planos em árabe, mas foram denunciados por uma negra ao juiz de paz. Conseguem, ainda, atacar o quartel que controlava a cidade mas, devido à inferioridade numérica e de armamentos, acabaram massacrados pelas tropas da Guarda Nacional , pela polícia e por civis armados que estavam apavorados ante a possibilidade do sucesso da rebelião negra .

No confronto morreram sete integrantes das tropas oficiais e setenta do lado dos negros. Duzentos escravos foram levados aos tribunais. Suas condenações variaram entre a pena de morte, os trabalhos forçados, o degredo e os açoites, mas todos foram barbaramente torturados, alguns até a morte. Mais de quinhentos africanos foram expulsos do Brasil e levados de volta à África. Apesar de massacrada, a Revolta dos Malês serviu para demonstrar às autoridades e às elites o potencial de contestação e rebelião que envolvia a manutenção do regime escravocrata, ameaça que esteve sempre presente durante todo o Período Regencial e se estendeu pelo Governo pessoal de D. Pedro II.

AS ÁGUAS DE OXALÁ

(do livro História de um Terreiro Nagô – Deoscóredes Maximiliano dos Santos- Mestre DIDI – Max Limonad-Joruês Cia Editora)

O Ciclo de Oxalá, Pai de Todos os Orixás

As Águas de Oxalá

Na quinta-feira à noite, antes de se iniciarem os preceitos das águas de Oxalá, das dezenove até às vinte e quatro horas, todos os filhos e filhas da casa são obrigados a fazer um bori (obrigação que se faz coma fruta chamada obi e água) para poderem carregar as águas.

Depois desse bori, vão se agasalhar, até que são despertados pela Iyalorixá para iniciarem o preceito das águas.

Os filhos do Axé, trajados de alvo, saem em silêncio do terreiro, em procissão, carregando potes e moringues, tendo à frente a Iyalorixá tocando o seu ajá. No tempo de Mãe Senhora, dirigiam-se para uma fonte chamada Riacho, que fica ao lado da Lagoa da Vovó, nessa roça de São Gonçalo do Retiro. Hoje, essa obrigação é feita dentro do próprio terreiro.

Meia hora depois, com suas vasilhas cheias d’água, aproximam-se de um lugar apropriado, todo cercado de palha, com uma oca indígena, chamado Balué, onde se colocou o assento do velho Oxalá. Alí, todos apresentam aquelas águas à Iyalorixá, que as derrama por cima do assento de Oxalá. São feitas três viagens à fonte ou aonde está a água, e, na terceira, a água não é mais derramada, ficando todas as vasilhas cheias depositadas no Balué, sendo colocada uma cortina branca na porta e uma esteira no chão.

Cada pessoa que chega ajoelha-se sobre aquela esteira em sinal de reverência. Algumas pessoas, os que têm orixá masculino, dão Dodobalé, deitam-se de fio ao comprido, tocando a cabeça no chão. As demais dão o Iká otun iká osi, virando-se de um lado e do outro, tocando o chão com a cabeça – são as que têm o orixá feminino. Depois dessa cortesia, a Iyalorixá, juntamente com todos os seus filhos e associados, começa a cantar uma saudação para Oxalá (Oriki):

Babá êpa ô

Babá êpa ô

Ará mi fo adiê

Êpa ô

Ará mi ko a xekê

Axekê koma do dun ô

Êpa Babá

Depois de cantada essa saudação, todas as pessoas pertencentes à Oxalá são por ele manifestadas e vão até o Balué, que é, como já se viu, onde está o assento do orixá.

Fazem ali determinadas reverências e cumprimentam a todos, agradecendo o sacrifício daquele dia e rogando a Oduduá para abençoar a todos.

Candomblé de Jeje

Março 21, 2011 por Hùngbónò Charles – Ágbájì Dofàmi

Djedje (jeje) é uma palavra de origem yoruba que significa estrangeiro, forasteiro e estranho; que recebeu uma conotação pejorativa como “inimigo”, por parte dos povos conquistados pelos reis de Dahomey e seu exército. Segundo a história, quando os conquistadores eram avistados pelos nativos de uma aldeia, muitos gritavam dando o alarme “Pou okan, djedje hum wa!” (olhem, os jejes estão chegando!). Quando os primeiros daomeanos chegaram ao Brasil como escravos, aqueles que já estavam aqui reconheceram o inimigo e gritaram “Pou okan, djedje hum wa!”; e assim ficou conhecido o culto dos Voduns no Brasil “nação Jeje”. A nação jeje pode ser divididas em vários segmentos dependendo da origem. Assim temos o Jeje-Mahi, o Jeje Dahomey, o Jeje Savalu, o Jeje Modubi, o Tambor de Mina (Jeje Mina) encontrado sobretudo no Maranhão, onde também se encontra o segmento Jeje-Fanti-Ashanti.

Jeje Mahi (Djedje Maxi)

Os mahis cultuam voduns que se relacionam diretamente com os orixás e deles tiveram origem de culto na África, e de sua região mahi. Assim comumente ouvimos “sou de Xangô de um filho de Sógbó”.

Eguns e voduns que tiveram vida terrena como os reais do Dahomey não são cultuados em Mahi, todos os antepassados da casa são reverenciados saudando-se e ofertando-se ao vodun Ayizan, que sempre está a frente da casa principal (Ayizan, que em Mahi, é vista como esposa de Legba e ligada a terra, a morte  e aos ancestrais). Os Voduns de Jeje-Mahi são aqueles que assim como os Orixás, não possuem sepultura, são antepassados míticos.

O Vodum que representa a Nação Jeje Mahi é Gbesen (Bessém).

O Jeje-Mahi foi fundamentado no Brasil pela africana Ludovina Pessoa, da cidade de Mahi. Segundo a tradição ela foi escolhida pelos Voduns para fundar três terreiros:

  • ou Terreiro do Bogum, para Hevioso.Zòogodo Bogum Malé Hundò 
  • Zòogodo Bogum Malé Seja Undè ou Kwe Seja Undê para Dan.
  • E o outro para Ajunsun Sakpata que não se sabe por que não foi fundado.

o Jeje Modubi tem culto fundamentados para os Akututos (Eguns), segmento onde reina o Vodum Azonsu.

Tambor de Mina

 O Tambor de Mina é o nome mais difundido da cultura africana no Maranhão. Mina deriva de negro-Mina de São Jorge da Mina, denominação dada aos escravos procedentes da “costa situada a leste do Castelo de São Jorge da Mina” (Verger, 1987: 12) , no atual República do Gana, trazidos da região das hoje Repúblicas do Togo, Benin e da Nigéria, que eram conhecidos principalmente como negros mina-jejes e mina-nagôs.

O Tambor de Mina cultua em grande parte os Voduns reais de Dahomey, alguns nagôs (orixás) e também os Encantados (que seriam os Caboclos).

Hierarquia do candomblé Jeje

No Jeje-Mahi

  1. Doté é o sacerdote, cargo ilustre do filho de Sogbô
  2. Doné é a sacerdotisa, cargo feminino, esse título é usado no Terreiro do Bogum onde também são usados os títulos Gaiaku e Mejitó. similar à Iyalorixá

Os vodunsis da família de Dan são chamados de Megitó, enquanto que da família de Kaviungo, do sexo masculino, são chamados de Doté; e do sexo feminino, de Doné

No Jeje-Mina Casa das Minas

  1. Toivoduno
  2. Noche

No Kwé Ceja Houndé

  • , cargo exclusivamente femininoGaiaku
  • Ekede

Os cargos de Ogan na nação Jeje são assim classificados: Pejigan que é o primeiro Ogan da casa Jeje. A palavra Pejigan quer dizer “Senhor que zela pelo altar sagrado”, porque Peji = “altar sagrado” e Gan = “senhor”. O segundo é o Runtó que é o tocador do atabaque Run, porque na verdade os atabaques RunRunpi e  são Jeje.

Origem da palavra JEJE 

A palavra JEJE vem do yorubá adjeje que significa estrangeiro, forasteiro. Portanto, não existe e nunca existiu nenhuma nação Jeje, em termos políticos. O que é chamado de nação Jeje é o candomblé formado pelos povos fons vindo da região de Dahomé e pelos povos mahins. Jeje era o nome dado de forma perjurativa pelos yorubás para as pessoas que habitavam o leste, porque os mahins eram uma tribo do lado leste e Saluvá ou Savalu eram povos do lado sul. O termo Saluvá ou Savalu, na verdade, vem de “Savê” que era o lugar onde se cultuava Nanã. Nanã, uma das origens das quais seria Bariba, uma antiga dinastia originária de um filho de Oduduá, que é o fundador de Savê (tendo neste caso a ver com os povos fons). O Abomei ficava no oeste, enquanto Axantis era a tribo do norte. Todas essas tribos eram de povos Jeje.

Origem da palavra DAHOMÉ

A palavra DAHOMÉ, tem dois significados: Um está relacionado com um certo Rei Ramilé que se transformava em serpente e morreu na terra de Dan. Daí ficou “Dan Imé” ou “Dahomé”, ou seja, aquele que morreu na Terra da Serpente. Segundo as pesquisas, o trono desse rei era sustentado por serpentes de cobre cujas cabeças formavam os pés que iam até a terra. Esse seria um dos significados encontrados: Dan = “serpente sagrada” e Homé = “a terra de Dan”, ou seja, Dahomé = “a terra da serpente sagrada”. Acredita-se ainda que o culto à Dan é oriundo do antigo Egito. Ali começou o verdadeiro culto à serpente, onde os Faraós usavam seus anéis e coroas com figuras de cobra. Encontramos também Cleópatra com a figura da cobra confeccionada em platina, prata, ouro e muitos outros adornos femininos. Então, posso dizer que este culto veio descendo do Egito até Dahomé.

Dialetos falados 

Os povos Jejes se enumeravam em muitas tribos e idiomas, como: Axantis, Gans, Agonis, Popós, Crus, etc. Portanto, teríamos dezenas de idiomas para uma tribo só, ou seja, todas eram Jeje, o que foge evidentemente às leis da lingüística – muitas tribos falando diversos idiomas, dialetos e cultuando os mesmos Voduns. As diferenças vinham, por exemplo, dos Minas – Gans ou Agonis, Popós que falavam a língua das Tobosses, que a meu ver, existe uma grande confusão com essa língua.

Os primeiros no Brasil

Os primeiros negros Jeje chegados ao Brasil entraram por São Luís do Maranhão e de São Luís desceram para Salvador, Bahia e de lá para Cachoeira de São Félix. Também ali, há uma grande concentração de povos Jeje. Além de São Luís (Maranhão), Salvador e Cachoeira de São Félix (Bahia), o Amazonas e bem mais tarde o Rio de Janeiro, foram lugares aonde encontram-se evidências desta cultura.

Classificação dos Voduns Muitos Voduns Jeje são originários de Ajudá. Porém, o culto desses voduns só cresceram no antigo Dahomé. Muitos desses Voduns não se fundiram com os orixás nagos e desapareceram totalmente. O culto da serpente Dãng-bi é um exemplo, pois ele nasceu em Ajudá, foi para o Dahomé, atravessou o Atlântico e foi até as Antilhas.

Quanto a classificação dos Voduns Jeje, por exemplo, no Jeje Mahin tem-se a classificação do povo da terra, ou os voduns Caviunos, que seriam os voduns Azanssu, Nanã e Becém. Temos, também, o vodun chamado Ayzain que vem da nata da terra. Este é um vodun que nasce em cima da terra. É o vodun protetor da Azan, onde Azan quer dizer “esteira”, em Jeje. Achamos em outro dialeto Jeje, o dialeto Gans-Crus, também o termo Zenin ou Azeni ou Zani e ainda o Zoklé. Ainda sobre os voduns da terra encontramos Loko. Ele apesar de estar ligado também aos astros e a família de Heviosso, também está na família Caviuno, porque Loko é árvore sagrada; é a gameleira branca, que é uma árvore muito importante na nação Jeje. Seus filhos são chamados de Lokoses. Ague, Azaká é também um vodun Caviuno. A família Heviosso é encabeçada por Badë, Acorumbé, também filho de Sogbô, chamado de Runhó. Mawu-Lissá seria o orixá Oxalá dos yorubás. Sogbô também tem particularidade com o Orixá em Yorubá, Xangô, e ainda com o filho mais velho do Deus do trovão que seria Averekete, que é filho de Ague e irmão de Anaite. Anaite seria uma outra família que viria da família de Aziri, pois são as Aziris ou Tobosses que viriam a ser as Yabás dos Yorubás, achamos assim Aziritobosse. Estou falando do Jeje de um modo geral, não especificamente do Mahin, mas das famílias que englobam o Mahin e também outras famílias Jeje.

Como relatei, Jeje era um apelido dado pelos yorubás. Na verdade, esta família, ou seja, nós que pertencemos a esta nação deveríamos ser classificados de povo Ewe, que seria o mais certo. Ewe-Fon seria a nossa verdadeira denominação. Nós seríamos povos Ewe ou povos Fons. Então, se fôssemos pensar em alguma possibilidade de mudança, nós iríamos nos chamar, ao invés de nação Jeje, de nação Ewe-Fon. Somente assim estaríamos fazendo jus ao que é encontrado em solo africano. Jeje é então um apelido, mas assim ficamos para todas as nossas gerações classificados como povo Jeje, em respeito aos nossos antepassados.

Continuando com algumas nomenclaturas da palavra Ewe-Fon, por exemplo, a casa de candomblé da nação Jeje chama-se Kwe = “casa”. A casa matricial em Cachoeira de São Félix chama-se Kwe Ceja Undé. Toda casa Jeje tem que ser situada afastada das ruas, dentro de florestas, onde exista espaço com árvores sagradas e rios. Depende das matas, das cachoeiras e depende de animais, porque o Jeje também tem a ver com os animais. Existem até cultos com os animais tais como, o leopardo, crocodilo, pantera, gavião e elefante que são identificados com os voduns. Então, este espaço sagrado, este grande sítio, esta grande fazenda onde fica o Kwe chama-se Runpame, que quer dizer “fazenda” na língua Ewe-Fon. Sendo assim, a casa chama-se Kwe e o local onde fica situado o candomblé, Runpame. No Maranhão predomina o culto às divindades como Azoanador e Tobosses e vários Voduns onde a “sacerdotisa” é chamada Noche e o cargo masculino, Toivoduno.

Os fundadores 

Voltando a falar sobre “Kwe Ceja Undé”, esta casa como é chamada em Cachoeira de São Félix de “Roça de Baixo” foi fundada por escravos como Manoel Ventura, Tixerem, Zé do Brechó e Ludovina Pessoa.

Ludovina Pessoa era esposa de Manoel Ventura, que no caso africano é o dono da terra. Eles eram donos do sítio e foram os fundadores da Kwe Ceja Undé. Essa Kwe ainda seria chamada de Pozerren, que vem de Kipó, “pantera”.

Darei um pequeno relatório dos criadores do Pozerren Tixarene que seria o primeiro Pejigan da roça; e Ludovina, pessoa que seria a primeira Gaiacú.

A roça de cima que também é em Cachoeira é oriunda do Jeje Dahomé, ou seja, uma outra forma de Jeje. Estou falando do Mahin, que era comandada por Sinhá Romana que vinha a ser “Irmã de santo” de Ludovina Pessoa (esta última mais tarde assumiria o cargo de Gaiacú na Kwe de Boa Ventura). Mas, pela ordem temos Manoel Ventura, que seria o fundador, depois viria Sinhá Pararase, Sinhá Balle e atualmente Gamo Loko-se. O Kwe Ceja Undé encontra-se em controvérsia, ou seja, Gamo Loko-se é escolhida por Sinhá Pararase para ser a verdadeira herdeira do trono e Gaiacú Agué-se, que seria Elisa Gonçalves de Souza, vem a ser a dona da terra atualmente. Ela pertence a família Gonçalves, os donos da terra. Assim, temos os fundadores da Kwe Ceja Undé.

Aqui, no Rio de Janeiro, saindo de Cachoeira de São Félix, Tatá Fomutinho deu obrigação com Maria Angorense, conhecida como Kisinbi Kisinbi.

Uma das curiosidades encontradas durante minha pesquisa sobre Jeje é o que chamamos de Deká, que na verdade vem do termo idecar, do termo fon iidecar, que quer dizer “transmissão de segredo”. Esse ritual é feito quando uma Gaiacú passa os segredos da nação Jeje para futura Gaiacú pois, na nação Jeje não se tem notícias, que possa ter havido “Pai de santo”. O cargo de sacerdotisa ou “Mãe de santo” era exclusivamente das mulheres. Só as mulheres poderiam ser Gaiacús.

Ogans

Os cargos de Ogan na nação Jeje são assim classificados: Pejigan que é o primeiro Ogan da casa Jeje. A palavra Pejigan quer dizer “Senhor que zela pelo altar sagrado”, porque Peji = “altar sagrado” e Gan = “senhor”. O segundo é o Runtó que é o tocador do atabaque Run, porque na verdade os atabaques Run, Runpi e Lé são Jeje. No Ketu, os atabaques são chamados de Ilú. Há também outros Ogans como Gaipé, Runsó, Gaitó, Arrow, Arrontodé, etc.

Podemos ver que a nação Jeje é muito particular em suas propriedades. É uma nação que vive de forma independente em seus cultos e tradições de raízes profundas em solo africano e trazida de forma fiel pelos negros ao Brasil.

Mina Jeje 

Em 1796, foi fundado no Maranhão o culto Mina Jeje pelos negros fons vindos de Abomey, a então capital de Dahomé, como relatei anteriormente, atual República Popular de Benin.

A família real Fon trouxe consigo o culto de suas divindades ancestrais, chamados Voduns e,principalmente, o culto à Dan ou o culto da Serpente Sagrada.

Uma grande Noche ou Sacerdotisa, posteriormente, foi Mãe Andresa, última princesa de linhagem direta Fon que nasceu em 1850 e morreu em 1954, com 104 anos de vida.

Aqui, alguns nomes dos Deuses Voduns:

*Ayzan – Vodun da nata da terra

*Sogbô – Vodun do trovão da família de Heviosso

*Aguê – Vodun da folhagem

*Loko – Vodun do tempo

Curiosidades

*A primeira Casa Jeje no Rio de Janeiro foi, em 1848, de D.Rozena, cuja filha de santo foi D.Adelaide Santos

*Ekede – termo Jeje

*Done – cargo feminino na casa Jeje, similar à Yalorixá

*Doté – cargo ilustre do filho de Sogbô

Os vodun-ses da família de Dan são chamados de Megitó, enquanto que da família de Kaviuno, do sexo masculino, são chamados de Doté; e do sexo feminino, de Doné.

Os cumprimentos ou pedidos de bençãos entre os iniciados da família de Dan seria “Megitó Benoí?” Resposta: “Benoí”; e aos iniciados da família Kaviuno, ou seja, Doté e Doné seria “Doté Ao?” Resposta: “Aótin”.

O termo usado “Okolofé”, cuja resposta é “Olorun Kolofé” vem da fusão das Nações de Jeje e de Ketu.

Algumas palavras do dialeto ewe:

*esin = água

*atinçá = árvore

*agrusa = porco

*kpo = pote

*zó ou izó = fogo

*avun = cachorro

*nivu = bezerro

*bakuxé = parto de barro

*kuentó = kuentó

*yan = fio de contas

*vodun-se = filho do vodun ou iniciados da Nação Jeje

*yawo = filho do vodun ou iniciados da Nação Ketu

*muzenza = filho do vodun ou iniciados da Nação Angola

*tó = banho

*zandro = cerimônia Jeje

*sidagã = auxiliar da Dagã na Cerimônia a Legba

*zerrin = ritual fúnebre Jeje

*sarapocã = cerimônia feita 07(sete) dias antes da festa pública de apresentação do(a) iniciado(a) no Jeje

*sabaji = quarto sagrado onde fica os assentos dos Voduns

*runjebe = colar de contas usado após 07(sete) anos de iniciação

*runbono = primeiro filho iniciado na Casa Jeje

*rundeme = quarto onde fica os Voduns

*ronco = quarto sagrado de iniciação

*bejereçu = cerimônia de matança

Esta é uma homenagem a todos os povos Jejes.

Arró-bo-boí!

A INFLUÊNCIA DAS PALAVRAS JEJE NA CULTURA AFRO-BRASILEIRA

A cultura Jeje vinda do Antigo Dahomé, que antes abrangia o Togo e fazia fronteira com o país de Gana é, sem dúvida, uma das maiores contribuições culturais deixada pelos negros fons no Brasil.

Estes povos Adjejes, como eram chamados pelos yorubás, estabeleceram fundamentos nos seguintes lugares: Cachoeira de São Félix, na Bahia; Recife, em Pernambuco e São Luís, no Maranhão. Houve durante um período uma influência da cultura yorubá, daí essa mistura passar a ser chamada de: Cultura Jeje-Nagô. Essa mistura, como expliquei, adveio principalmente dos yorubás com várias tribos Jejes. Dentre elas destacaram-se: tribo Gan, Fanti, Axanti, Mina e Mahin. Estes últimos, ou mahins, tiveram maior destaque sobre as demais culturas Jeje, no Brasil.

Estes negros falavam o dialeto ewe que, por ser marcante, influenciou por demais a cultura yorubá e também a cultura bantu. Como exemplo, cito os nomes que compõem um barco de yawo: Dofono, Dofonitin, Fomo, Fomutin, Gamu, Gamutin e Vimu, Vimutin.

Outras palavras Jeje foram incorporadas não só na cultura afro-brasileira como também no nosso dia-a-dia, como por exemplo: Acassá, “faca” que no original ewe é escrita com “K” ao invés de “C”. Outra palavra Jeje que ficou no nosso cotidiano foi a palavra “tijolo” que em ewe é Tijoló.

A TRADIÇÃO JEJE: 

O VODUN JEJE SOGBÔ E A PROVA DE ZO

A tradição dos povos fons que aqui no Brasil foram chamados de Adjeje ou Jeje pelos yorubás, requer um longo confinamento quando na época de iniciação. Essa tradição Jeje exigia de 06 (seis) meses ou até 01 (um) ano de reclusão, de modo que o novo vodun-se aprendesse as tradições dos voduns: como cultuá-los, manter os espaços sagrados, cuidar das árvores, saber dançar, cantar, preparar as comidas e um artesanato básico necessário a implementos materiais dos diferentes assentos, ferramentas e símbolos necessários ao culto.

Para os povos Jeje, os voduns são serpentes que tem origem no fogo, na água, na terra, no ar e ainda tem origem na vida e na morte. Portanto, a divindade patrona desse culto é Dan ou a “Serpente Sagrada”.

Como disse, para o povo Jeje os Voduns são serpentes sagradas e sendo as matas, os rios, as florestas o habitat natural das cobras e dos próprios voduns. O ritual Jeje depende de muito verde, grandes árvores pois muitos voduns tem seus assentos nos pés destas árvores.

Outra particulariedade deste culto é de que quando as vodun-ses estão em transe ou incorporadas com seu vodun: os olhos permanecem abertos, ou seja, os voduns Jeje abrem os olhos, diferente dos orixás dos yorubás, que mantem os olhos sempre fechados.

É comum no culto Jeje provar o poder dos Voduns quando estes estão incorporados em seus iniciados. Uma destas provas é a prova chamada Prova do Zô ou Prova do Fogo do vodun Sogbô, que governa as larvas vulcânicas e é irmão de Badé e Acorombé, que comandam os raios e trovões.

A seguir, descrevo uma Prova do Zô feita com uma vodun-se feita para Sogbô, um vodun que assemelha-se ao Xangô do Yorubás:

Num determinado momento entra no salão uma panela de barro, fumegante, exalando cheiro forte de dendê borbulhante, contendo dentro alguns pedaços de ave sacrificada para o vodun. Sogbô adentra o salão com fúria de um raio, os olhos bem abertos (que como expliquei é costume dos voduns) e tomando a iniciativa vai até a panela, onde mergulha as mãos por algum tempo. Em seguida, exibe para todos os pedaços da ave. É um momento de profunda emoção gerando grande comoção por parte dos outros iniciados que respondem aquele ato entrando em estado de transe com seus voduns.

NANÃ

Nanã Buruku ou Buku é considerada a mais antiga das divindades. Muito cultuada na África em regiões como: Daça Zumê, Abomey, Dumê, Cheti, Bodé, Lubá, Banté, Djabalá, Pesi e muitas outras regiões.

Para os fons e ewes, a palavra Nanã ou Nàná é empregada para se chamar de mãe as mulheres idosas e respeitáveis, ou seja, a palavra Nanã significa: “Respeitável Senhora”.

Nanã está associada à terra, à água e à lama. Os pântanos e as águas lodosas são o seu domínio.

Como relatei no começo, é a mais antiga das divindades, pois representa a memória ancestral. Mãe de Loko ou Irokô, Omolu e Oxumare ou Becém na dinastia Fon, Nanã está ligada ao mistério da vida e da morte. É a senhora da sabedoria, mais velha que o ferro. Daí, não usar lâminas em seu culto.

BECÉM

O culto à serpente remonta desde o início dos séculos. Os romanos e os gregos já prestavam culto à cobra, sendo os povos que mais difundiram em séculos passados este culto.

No Egito, a serpente era venerada e encarregada de proteger locais e moradias. Cleópatra era uma sacerdotisa do culto à serpente. Todos os seus pertences e adornos eram em formatos de cobras e similares. Este culto correu através do Rio Nilo as diversas regiões africanas.

No Antigo Dahomé, este culto se intensificou e lá Dan, como é chamada a Serpente Sagrada, transformou-se no maior símbolo de culto daquele povo, também sendo chamado pelo nome de vodun-becém. Já os yorubás chamaram esta mesma entidade de Oxumare ou a Cobra Arco-íris; e os negros Bantos, de Angôro.

Na verdade, aí falamos de uma só divindade com vários nomes dependendo da região em que é cultuada.

Mas, Oxumare, como é mais popularmente conhecido no Brasil, é o Orixá que determina o movimento contínuo, simbolizado pela serpente que morde a própria cauda e enrola-se em volta da terra para impedí-la de se desgovernar. Se Oxumare perder-se a força, a Terra vagaria solta pelo espaço em uma rota a seguir, sendo o fim do nosso Planeta.

É o orixá da riqueza, um dos benefícios mais apreciados não só pelos yorubás como por todos os povos da terra.

Arró-bo-boí!

OFERENDA À BECÉM PARA PROSPERIDADE

Em tempos difíceis, um dos voduns que não pode deixar de ser cultuado é Becém, pois este vodun é o Deus do movimento. Na nação de Ketu, este vodun é assimilado ao Orixá Oxumarê.

Os ingredientes necessários para a comida ou oferenda à Becém, para prosperidade são:

*01 travessa média de barro

*300g de batata doce

*½ k de canjica

*14 moedas correntes

*14 folhas de louro

*14 búzios abertos

*01 colher de açúcar cristal

Como fazer:

*Cozinhar bem a canjica e colocá-la na travessa

*Cozinhar as batatas doces, retirar as cascas e amassá-las bem. Modelar duas cobras de batata doce e colocá-las em cima desta canjica

*Enfiar as folhas de louro nos cantos, em volta da canjica. (Observação: para cada folha, uma moeda e um búzio aberto até completar as 14 folhas, 14 moedas e 14 búzios)

*Espalhar o açúcar cristal por cima de toda esta oferenda e oferecê-la à Becém, em baixo de uma árvore bonita e frondosa com 14 velas em volta, acesas.

Certamente, Sr Acolo Becém irá trazer muita prosperidade para vocês!

AJOIÉ E EKEDI

A palavra “ajoié” é correspondente feminino de ogan pois, a palavra ekedi, ou ekejí, vem do dialeto ewe, falado pelos negros fons ou Jeje.

Portanto, o correspondente yorubá de ekedi é ajoié, onde a palavra ajoié significa “mãe que o orixá escolheu e confirmou”.

Assim como os demais oloyés, uma ajoié tem o direito a uma cadeira no barracão. Deve ser sempre chamada de “mãe”, por todos os componentes da casa de orixá, devendo-se trocar com ela pedidos de bençãos. Os comportamentos determinados para os ogans devem ser seguidos pelas ajoiés.

Em dias de festa, uma ajoié deverá vestir-se com seus trajes rituais, seus fios de contas, um ojá na cabeça e trazendo no ombro sua inseparável toalha, sua principal ferramenta de trabalho no barracão e também símbolo do óyé, ou cargo que ocupa.

A toalha de uma ajoié destina-se, entre outras coisas, a enxugar o rosto dos omo-orixás manifestados. Uma ajoié ainda é responsável pela arrumação e organização das roupas que vestirão os omo-orixás nos dias de festas, como também, pelos ojás que enfeitarão várias partes do barracão nestes dias.

Mas, a tarefa de uma ajoié não se restringe apenas a cuidar dos orixás, roupas e outras coisas. Uma ajoié também é porta-voz do orixá em terra. É ela que em muitas das vezes transmite ao Babalorixá ou Yalorixá o recado deixado pelo próprio orixá da casa.

No Candomblé do Engenho Velho ou Casa Branca, as ajoiés são chamadas de ekedis. No Gantois, de “Iyárobá”. Já na Nação de Angola, é chamada de “makota de angúzo”. Mas, como relatei anteriormente, “ekedi” é nome de origem Jeje mas, que se popularizou e é conhecido em todas as casas de Candomblé do Brasil, seja qual for a Nação.

OS ODÙS NA CULTURA JEJE

Um Babalawo, ou Pai dos segredos (awô) é muito respeitado pela cultura yorubá.

O Babalawo, como o nome diz, é o conhecedor de todos os mistérios e segredos no culto à Orunmilá, sendo portanto sacerdote de ifá. Somente o Babalawo pode manipular o Rosário de ifá que em yorubá recebe o nome de opele-ifá e em ewe, língua da cultura fon ou Jeje tem o nome de agú-magá. Ainda na cultura Jeje, ifá é chamado de Vodun-fá ou Deus do destino e o Babalawo é denominado de Bokunó. Mas, nas duas culturas, tanto o Babalawo dos yorubás quanto o Bokunó dos fons precisam de uma divindade que interprete as caídas do jogo à ifá.

Quem seria essa divindade? Para os yorubás, essa divindade que auxilia o Babalawo a interpretar as caídas do jogo-a-ifá tem o nome de Exu e para os ewes ou fons da cultura Jeje essa mesma divindade é chamada de Legba, que em ewe significa: “Divino esperto”.

Como podemos observar, nas duas culturas o culto à ifá é uma constante na vida destes povos, pois tanto na Nigéria como no antigo Dahomé, o destino individual ou coletivo é motivo de muita atenção(Destino que em yorubá se chama odù e em ewe-fon, aírun-ê), pois os povos Jejes também cultuavam os odùs ou aírun-ê.

Abaixo, encontram-se divulgados alguns nomes dos odùs, em ewe-fon:

*ogudá ou obéogunda em yorubá

*lossô ou yorossun em yorubá

*ruolin ou warin em yorubá

*sá ou ossá em yorubá

Candomblé de Jeje

Assim, como os Nagôs ou Yorubas, os Jejes língua Ewe, língua Fon, língua Mina e os Fanti ashantis, formam grupos sudaneses que englobam a África Ocidental hoje denominada de Nigéria, Benin e Togo. Sua entrada no Brasil ocorreu em meados do século XVII.

Djedje (jeje) é uma palavra de origem yoruba que significa estrangeiro, forasteiro e estranho; que recebeu uma conotação pejorativa como “inimigo”, por parte dos povos conquistados pelos reis de Dahomey e seu exército. Quando os conquistadores eram avistados pelos nativos de uma aldeia, muitos gritavam dando o alarme “Pou okan, djedje hum wa!” (olhem, os jejes estão chegando!).

Quando os primeiros daomeanos chegaram ao Brasil como escravos, aqueles que já estavam aqui reconheceram o inimigo e gritaram “Pou okan, djedje hum wa!”; e assim ficou conhecido o culto dos Voduns no Brasil “nação Jeje”.

Dentre os daomeanos escravizados, uma mulher chamada Ludovina Pessoa, natural da cidade Mahi (marri), foi escolhida pelos Voduns para fundar três templos na Bahia. Ela fundou:

Um templo para Dan; Kwe Ceja Hundê, mais conhecido como o Roça do Ventura ou Pó Zehen (pó zerrêm) em Cachoeira e São Felix

Um templo para Heviossô Zoogodo Bogun Male Hundô Terreiro do Bogum em Salvador

Um templo para Ajunsun que não se sabe porque não foi fundado. Esse é o segmento jeje-mahi do povo Fon.

O templo de Ajunsun-Sakpata foi fundado mais tarde pela africana Gaiacu Satu, em Cachoeira e São Felix e recebeu o nome de Axé Pó Egi, mais conhecido por Cacunda de Ayá. São os Jeje-Savalu ou Savaluno. Sakpata era rei da cidade Savalu na África, segundo alguns historiadores, Sakpata foi o único rei que preferiu o exílio a se render aos conquistadores do Daomé. O dialeto dos savalus também é o Fon.

No Maranhão encontramos a Casa das Minas fundada por Maria Jesuína, segundo informação de Sergio Ferretti. É com certeza a mais conhecida casa de jeje do Brasil. Esse é o segmento do povo Jeje-Mina.

Ainda no Maranhão encontramos a casa Fanti-Ashante fundada por Euclides Menezes Ferreira (Talabian). Esse é o segmento jeje-Fanti-Ashanti do povo Akan vindo de Ghana, inicialmente teria ligações com a Sitio de Pai Adão Nação Nagô-Egbá.

No Rio de Janeiro, foi fundado pela africana Gaiaku Rosena, natural de Allada, o Terreiro do Pó Dabá no bairro da Saúde, que foi herdado por sua filha Adelaide do Espírito Santo, também conhecida como Ontinha de Oiá (Devodê), que por sua vez foi sucedida por Joana da Cruz de Avimadjé, mais conhecida como Mejitó, que transferiu a casa de santo para o bairro Coelho da Rocha. Os descendentes do Pó Dabá mais ilustres da atualidade são Glorinha Toqüeno, com terreiro no bairro de Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro e Helena de Dã, com terreiro em Parque Paulista, em Duque de Caxias.

Depois veio Antonio Pinto de Oliveira. Tata Fomutinho que fundou o Kwe Ceja Nassó, no bairro de Santo Cristo, depois mudou-se para Madureira na Estrada do Portela, depois para São João de Meriti onde finalmente se estabeleceu na Rua Paraíba.

Dizem os mais velhos, que Mejitó, ajudou muito Tata Fomutinho no começo de sua vida de santo aqui no Rio de Janeiro.

Tata Fomutinho deixou uma legião de filhos, netos e bisnetos. Dentre esses, Jorge de Yemanja que fundou o Kwe Ceja Tessi, Pai Zezinho da Boa Viagem que fundou o Terreiro de Nossa Senhora dos Navegantes, Tia Belinha que fundou a Colina de Oxosse e Amaro de Xangô.

Os Voduns no Jeje são basicamente os da Mitologia Ewe e Fon.

Mawu é o Ser Supremo dos povos Ewe e Fon.

Lissá, que é masculino, e também co-responsável pela Criação.

Loko, É o primogênito dos voduns.dono da joia de mahi que e o rungbe

Gu, Vodun dos metais, guerra, fogo, e tecnologia.

Heviossô, Vodun que comanda os raios e relâmpagos.

Sakpatá, Vodun da varíola.

Dan, Vodun da riqueza, representado pela serpente do arco-íris.

Agué, Vodun da caça e protetor das florestas.

Agbê, Vodun dono dos mares.

Ayizan, Vodun feminino dona da crosta terrestre e dos mercados.

Agassu, Vodun que representa a linhagem real do Reino do Daomé.

Aguê, Vodun que representa a terra firme.

Legba, O caçula de Mawu e Lissá, e representa as entradas e saídas e a sexualidade.

Fa , Vodun da adivinhação e do destino.

aziri , vodun das aguas doces.

possun , vodun do po e da terra seca representado pelo tigre.

Na Nação Jeje existe a necessidade do poço (se não existir uma nascente nas terras), o ideal é um sítio com nascente, mata natural, plantas e animais.

Infelizmente nas casas urbanas isto já não é tão possível, pois as Casas cada vez mais diminuem de tamanho. Mas ainda assim toda casa Jeje deverá ter pelo menos um poço, um local reservado exclusivamente para as plantas e árvores necessárias ao culto, que chamamos “kpamahin”, e alguns animais que são muito importantes para nós.

Voduns não usam roupas luxuosas não gostam de roupas de festa e geralmente preferem a boa e velha roupa de ração. As danças são cadenciadas em, um ritmo mais denso e pesado. Os Voduns estão sempre de olhos abertos e salvo algumas excessões, conversam (usando preferencialmente um dialeto próprio) e dão conselhos a quem os procura. Informação de Doté Dorivaldo.

A iniciação ao culto dos voduns é complexa é longa e pode envolver longas caminhadas a santuários e mercados e períodos de reclusão dentro do convento ou terreiro hunkpame, que podem chegar a durar um ano, onde os neófitos são submetido a uma dura rotina de danças, preces, aprendizagem de línguas sagradas e votos de segredo e obediência.

Hierarquia

Bokonon – Sacerdote do Vodun Fa equivalente ao Babalawo

Doté Sacerdotes (homens) e Doné Sacerdotisas (mulheres) esse título é usado no Terreiro do Bogum e casas descendentes.

Vodunsi – após 1 ano da iniciação.

Kajekaji – iniciado que ainda não completou o ciclo de obrigações.

Candomblé Bantu

Bantu, também chamado de Batuque ou Angola, é uma das principais seitas (nações) do Candomblé, uma tradição de fé Africano praticada no Brasil. Se desenvolveu entre os escravos que falou Bantu (Kikongo e Kimbundo) idiomas.DivindadesO Deus supremo e Criador é Nzambi (Zambi) OU Nzambi Mpungu (Zambiapongo); abaixo dele estão os Nkisis, o espírito-deuses da mitologia Bantu. Essas divindades correspondem a Olorun e os Orishas da mitologia iorubá, e Olorun e Orixá do Candomblé Ketu.O Nkisis principais são:Aluvaiá, Bombojira, Pambu Njila: intermediário entre os humanos e os Inkices outros (cf. Exu). Em sua manifestação feminina, é chamado Vangira.Nkosi Mukumbe, Roxi Mukumbe: Inkice de guerra e estradas.Kabila, Mutalambô, Lambaranguange: caçador, vive em florestas e montanhas; deus de alimento abundante.

Gongobira: jovem caçador e pescador.

Katende: conhece os segredos das ervas medicinais.

Zaze, Loango: entrega justiça aos seres humanos.

Kaviungo ou Kavungo, Kafungê, Kingongo: deus da saúde e da morte.

Angorô (forma masculina) e Angoroméa (feminino): auxiliar a comunicação entre humanos e divindades.

Kitembo OU Inkice Tempo: deus do tempo e das estações.

Matamba (f), Bamburussenda (f), Nunvurucemavula (f): guerreiro, comanda o morto.

Kisimbi, Inkice Samba: a grande mãe, deusa da fertilidade, de lagos e rios.

Kaitumbá, Mikaiá, Kokueto: deusa do mar.

Zumbarandá: o mais velho dos deuses, ligado à morte.

Wunje: o mais jovem dos Inkice, representa a alegria da juventude.

Lembá Dile, Lembarenganga, Jakatamba, Kassuté Lembá, Gangaiobanda: conectado à criação do mundo.

Divindades

Babalu Aye · · Exu Iansã · · Jah Mami Wata · · Obatalá Ogum Olorum · · · Orunmila Osun · · Xangô Yemaja

Raízes

Oeste Africano Vodun · Ifá, Orisa (Iorubá) · Lwa (Dahomey) · Odinani (ibo) · Nkisi (Kongo) · Catolicismo (Portugal, Espanha)

Candomblé Bantu na Pós-Modernidade

Os bantu, no Brasil, têm um papel preponderante na formação da nacionalidade brasileira, e, nesse sentido, muitos estudos têm sido elaborados, tocantes, principalmente, à linguagem, às contribuições linguísticas ao português brasileiro, sobretudo as advindas do Kimbundo e do Kikongo. Quanto aos estudos sobre as contribuições na área da cultura popular, caso das congadas, dos reisados e da capoeira de Angola, observa-se que, além das pesquisas já concluídas, há vários estudiosos empenhados em desenvolvê-las.

No entanto, na área das religiões de matriz bantu no Brasil, existe uma enorme carência de estudos, pois muito pouco ou quase nada tem sido feito desde que nossos pioneiros na pesquisa do africano e nas suas manifestações simbólicas afirmaram não encontrar elementos de peso da cultura bantu1 no Brasil. Desde tal acontecimento, a atenção dos estudiosos passou a ser voltada para os sudaneses, criando, com isso, a temática do nagocentrismo que muito prejuízo tem causado, já que reforça a ideia lançada por Nina Rodrigues e acalentada por Edison Carneiro e Arthur Ramos de que os bantu eram possuidores de uma mítica paupérrima, com ausência total de mitos cosmogônicos e fundadores, razão por que teriam se apoderado da mítica e dos rituais nagô. Em decorrência da falta de estudos mais aprofundados sobre o tema, a tarefa de compreender a mítica bantu no Brasil, infelizmente, tornou-se quase impossível.

Outra consequência, ainda que indirecta, dessa atitude de nossos primeiros pesquisadores, é o fato de que as religiões de matriz bantu, principalmente a Umbanda e o Candomblé Congo/Angola, têm assimilado de forma acentuada os elementos de matriz yorubana, uma vez que estes foram legitimados pela academia e disseminados pela mídia. A Umbanda, fenômeno verificado nas regiões sul e sudeste do Brasil, assim como uma sua variante, o Omolocô, sincretizou-se, violentamente, a partir dos anos 60, na intenção de se tornar conhecida e legitimada pelo grande público, pelos orixás nagôs e pela prática litúrgica dos descendentes do povo yorubano. Por sua vez, o Candomblé Congo/Angola passou a nomear seus Mukisis2 como se fossem Orixás nagôs, copiando formas de culto e de comportamento do Candomblé de Ketu, mais popular e aceito pela academia e pela mídia.

Há alguns poucos anos, os descendentes espirituais dos bantu começaram a tomar consciência do problema e alguns esforços nesse sentido têm sido verificados: a Cobantu, associação com sede na cidade de São Paulo, e alguns grupos da Bahia, motivados pela Casa de Angola, têm procurado estudar o Kimbundo e o Kikongo3, línguas rituais dos Candomblés de matriz bantu. São esforços louváveis, mas que não têm tido a força suficiente para despertar o interesse dos pesquisadores, que poderiam, por meio de seu labor académico, dar uma valiosa contribuição para que a recuperação de determinados mitos e ritos necessários para a sobrevivência do fenómeno religioso ocorresse.

Os bantu, aos poucos, começam a sair do isolamento e estão procurando preencher lacunas, omissões e esquecimentos causados por séculos de separação entre a matriz e suas ramificações. No entanto, as dificuldades são imensas, pois a parca bibliografia existente sobre o assunto foi escrita, ou por portugueses e publicadas em Portugal, ou por pesquisadores de outras nacionalidades e em línguas que o povode-santo de origem bantu não lê. Algumas obras de Oscar Ribas, José Redinha e outros têm sido fotocopiadas até a exaustão e repassadas de mão em mão, lidas e relidas em busca de respostas que o passado calou. Faltam-lhes tudo: bibliografia acessível, condições culturais para leitura da bibliografia existente, bem como a atracão de estudiosos das religiões de matriz africana no Brasil. Costumamos, em tom de brincadeira, dizer que estamos a buscar agulha no palheiro, sem, no entanto, descobrirmos sequer onde ele – o palheiro – está. Isso porque, enquanto as religiões de matriz yorubana encontram seus elementos africanos na “iorubalândia”, conjunto de povos localizados na Nigéria, Benin e Togo, os bantu se espalham por uma imensa área geográfica, dificultando sobremaneira a localização dos elementos culturais que deram origem as religiões no Brasil.

Uma outra séria dificuldade a evocar é a extrema diversidade e polissemia dos cultos afros-brasileiros em geral e dos cultos bantos, em particular, acrescidos do fato, de que, o candomblé é uma religião iniciática sem fontes de escrituração, o que torna cada casa um universo fechado dependente do Sacerdote, cuja voz é autoridade máxima e inquestionável, resultando disso, discrepâncias notáveis entre casas da mesma raiz e da mesma nação.

bantos ou bantu – grande grupo lingüístico da África sub-saariana

Mukissis-sing. Nkissi –divindades bantu

Kikongo e Kimbundo – línguas faladas no Congo e em Angola

Uma das caracteristicas do povo de Angola importantes são a lingua o kimbundo é o kicongo que emprestam muitas palvras ao portugues.

As referências dos Jinkisi/Akixi e algumas referências aos Orixás yorubá mais conhecidos, entendamos estas semelhanças como caminhos, e não como individualidades.

No Brasil os cultos que prevalecem nos candomblés Angola, Congo (com algumas variações de casa para casa ou de família para família de culto).

Pambu Njila – Nkosi – Katendê – Mutakalambô – Nsumbu – Kindembu – Nzazi – Hongolo – Matamba – Ndanda Lunda – Nkaia – Nzumbá – Nkasuté Lembá – Lembarenganga

Os mais velhos trouxeram cantigas, rezas, tudo em Kimbundo e Kikongo (algumas também em Umbundo e outros dialetos). Muita coisa se perdeu até mesmo por haver a associação com as tradições Jeje nagô, que foi em ultima instância prejudicial para as tradições bantu.

Não que estas sejam mais certas ou mais erradas, mas que cada tradição deve ser mantida e respeitada, pois faz parte da história da própria humanidade, de como nos organizamos, como desenvolvemos outros falares, de como nos organizamos como sociedade, etc. e ao que parece, tínhamos um culto primitivo comum que com as distâncias das eras e também geográficas foi se modificando e incorporando novos elementos.

Acima de tudo está Nzambi Mpungu (um dos seus títulos) Deus criador de todas as coisas. Alguns povos bantu chamam Deus de Sukula outros de Kalunga e outros nomes ainda associam-se a estes.

O Culto a Nzambi não tem forma nem altar próprio. Só em situações extremas eles rezam e invocam Nzambi, geralmente fora das aldeias, em beira de rios, embaixo de árvores, ao redor de fogueiras. Não tem representação física, pois os Bantu o concebe como o incriado, o que representa-lo seria um sacrilégio, uma vez que Ele não tem forma.

No final de todo ritual Nzambi é louvado, pois Nzambi é o princípio e o fim de tudo.

O culto no Brasil

A partir da Mameto de inkice Maria Nenen e de outros Tatetos como, Jubiabá, Olegário, Bernardinho, Ciriaco, Joãzinho da Goméia, Tombeici o culto Banto ou Candomblé da Nação de Angola, como é chamado o culto no Brasil, teve maior destaque na comunidade afro-brasileira.

Estes negros ou bantos, como eram chamados devido a língua que falavam, seguiam a tradição religiosa de lugares como: Casanje, Munjolo, Cabinda, Luanda entre outros.

Mas, o culto banto tem sua liturgia particular e muito diferenciada das culturas yorubá e fon.

História dos povos Banto

A grande maioria dos 11.000.000 habitantes que formam a população de Angola, são de origem Bantu. No entanto, outra considerável parte é formada por misturas que começaram muito cedo: primeiramente. entre os diversos grupos que migraram para o território e depois com Europeus (na grande maioria Portugueses) durante a colonização. Existem ainda algumas minorias que não são Bantu, como os Bochimane e um considerável número de Europeus. Há 3000 ou talvez 4000 anos atrás, os Bantu sairam da selva equatorial (a região que é hoje ocupada pelos Camarões e pela Nigéria) e dividiram-se em dois movimentos diferentes: para o Sul e para Este criando a maior migração jamais vista na áfrica. De causa desconhecida, esta migração continuou até ao século XIX. A selva equatorial era uma área de passagem impossível. Só o machado ou o cutelo, a rápida e nutritiva produção de banana e o inhame possibilitaram uma façanha que durou séculos. O excelente nível de nutrição deu lugar a uma invulgar explosão demográfica. A exuberância da selva equatorial, os rios e lagos das grandes savanas, tão bons para a agricultura e a descoberta do ferro – um mineral muito comum na áfrica – deram força à grande aventura. Caminhando sempre em direcção ao Sul. estes vigorosos, armados, organizados e jovens povos, venceram e fizeram escravos os indefesos pigmeus e os Bochimane.

O nome Bantu não se refere a uma unidade racial. A sua formação e migração originou uma enorme variedade de cruzamentos. Existem aproximadamente 500 povos Bantu. Assim, não podemos falar de uma raça Bantu, mas sim de povo Bantu, isto significa uma comunidade cultural com uma civilização comum e linguagens similares. Depois de muitos séculos de movimentações, cruzamentos, guerras e doenças, os grupos Bantu mantiveram as raízes da sua origem comum. A palavra Bantu aplica-se a uma civilização que manteve a sua unidade e foi desenvolvida por pessoas de raça negra. O radical ntu, vulgar para a maioria das línguas Bantu, significa homem, ser humano e ba é o plural. Assim, Bantu significa homens, seres humanos. Os dialectos Bantu, e existem centenas, têm uma tal semelhança que só pode ser justificada por uma origem comum. Os povos Bantu, além do semelhante nível linguístico, mantiveram uma base de crenças, rituais e costumes muito similares; uma cultura com características idênticas e específicas que os tornam semelhantes e agrupados.

Fora da sua identidade social, são caracterizados por uma tecnologia variada, uma escultura de grande originalidade estilística, uma incrível sabedoria empírica e um discurso forte e interessante com sinais de expressão intelectual. As línguas faladas hoje em Angola, são por ordem de antiguidade: Bochiman, Bantu e Português. Das três só o Português tem uma forma escrita. Os dialectos Bantu, apresentam uma unidade genealógica. Homburger, um eminente estudioso do Bantu diz que o primeiro ponto obtido no domínio da linguística comparada foi a unidade dos povos Bantu. Também diz, tendo em conta a história desta unidade, que os primeiros descobridores Portugueses viram que os Angolanos conseguiam comunicar com os povos da costa Moçambicana. Os Bantu Angolanos estão divididos em 9 grupos etnolinguísticos: Quicongo, Quimbundo, Luanda-Quioco (Tchôkwe), Mbundo, Ganguela, Nhaneca-Humbe, Ambó, Herero e Xindonga, que por seu turno estão subdivididos em cerca de 100 subgrupos, tradicionalmente chamadas tribos.

Abaixo, encontram-se desmembrados os cargos e funções em um Candomblé Banto:

Tata Ria Inkice – Zelador / Pai

Mameto Ria Inkice – Zeladora / Mãe

Tata Ndenge – Pai pequeno

Kixika Ingoma – Tocador

Tata Kambono – Ogan

Tatta Kivonda – Aquele que sacrifica os animais

Kinsaba – O que colhe folhas

Kikala Mukaxe- Filho de santo

Tata Utala – Herdeiro da casa

Macota -Dikota – Ekedi

Kijingu – Cargo

Tata Unganga – O que joga búzios

Zakae Npanzo- Troncos de árvores colocados nas portas dos santos.

A partir da Mameto Ria Nkise Maria Nenen e de outros Tatetos como Bernardinho e Ciri Aco, o culto banto ou Candomblé da Nação de Angola, como é chamado o culto no Brasil, teve maior destaque na comunidade afro-brasileira.

Estes negros ou bantos, como eram chamados devido a língua que falavam, seguiam a tradição religiosa de lugares como: Kassanje, Munjolo, Kabinda, Luanda entre outros.

Mas, o culto banto tem sua liturgia particular e muito diferenciada das culturas yorubá e fon.

Abaixo, encontram-se desmembrados os cargos e funções em um Candomblé Banto:

Ordem do barco:

01º Muzenza Kamoxi Rianga (Kadianga)

02º Muzenza Kaiai Kairi

03º Muzenza Katatu Kairi

04º Muzenza Kakuãna Kauanã

05º Muzenza_Katanu

06º Muzenza Lusamanu

07º Muzenza Kasanbuadi

08º Muzenza_kanaké

09º Muzenza_kavua

10º Muzenza kakuinhi

OS NOMES DOS NKISES

      Na Angola os Nkises são masculinos      E Nkisi amês são femininos

Os Nkises

Os Nkises são para os Bantus o mesmo que orixás para os Yorubás, ou ainda, o mesmo que vodum para os Daometanos. Muitos autores cometem o mesmo erro ao tratar das semelhanças existentes entre um Nkise, orixá ou vodum, pois confundem semelhanças com correspondência, fazendo-nos acreditar que na verdade se tratam da mesma divindade apenas com nome distinto.       Esta visão é equivocada, e cabe a nós desfazermos tal equívoco. Cada Nkise, orixá ou vodum

possui peculiaridades próprias, tratamento e culto diferenciados. Pode-se sim, dizer que existem pequenas coincidências, como por exemplo o fato de Kabila, Oxósse e Otulu serem caçadores, ou ainda, por usarem as mesmas cores. Mas não há que se confundir um e outro, pois mesmo  em suas origens na África se diferem, sendo o primeiro ( Kabila ) originário do Congo, o  segundo (Oxósse) originário das terras Yorubás e o último ( Otulu ) do Reino do Dahomé.      Desta forma, elenco abaixo alguns dos Nkises de Angola e Congo, sem fazer qualquer correspondência entre orixá ou vodum, dando ao lado de seus nomes uma breve descrição :

Aluvaiá, Bombojira, Vangira (feminino), Pambu Njila.

É o Nkise responsável pela comunicação entre as divindades e os homens. Está nas  ruas, é a este Nkise que pertencem as “bu dibidika jinjila” (encruzilhadas). Suas cores são preto, vermelho, sua saudação: Kiuá Luvaiá Ngananzila Kiuá (Viva Aluvaiá, Senhor dos Caminhos)

 Nkosi Mukumbe, Roxi Mukumbe.

É o Nkise da guerra, das estradas. É a ele que se fazem oferendas com o fim de obter abertura de caminhos. Sua cor é o azul escuro, sua saudação: Luna Kubanga Mueto – Nkosi ê (Aquele que briga por nós – Nkosi ê)

 Kabila, Mutalambô, Burungunzo.

Nkise caçador, habita as florestas ou montanhas. É o responsável pela fartura, pela abundância de alimentos. Suas cores: verde para Mutalambô, Kabila e Burungunzo, e verde,azul e amarelo para Gongobira, sua saudação: Kabila Duilu – Kabila (Caçador dos Céus – Kabila)

Gongobira.

É um jovem caçador que obtém, seu sustento ora através da caça, ora através da pesca.

Suas características são as mesmas das dos caçadores ( Kabila, Mutambô, Lambaranguange) unidas as características dos Nkises da água doce ( Kisimbe, Samba ). Suas cores: verde cristal, azul cristal e amarelo ouro, sua saudação: Mutoni Kamona Gongobira – Muanza ê (Pescador Menino Gongobira – Rio ê)

 Katendê.

Nkise dono dos segredos das ” nsabas” ( folhas, ervas ). Sua cor é o verde ou verde e branco, sua saudação: Kisaba kiasambuká – Katendê (Folha Sagrada – Katendê)

 Zaze, Luango.

Nkise responsável pela distribuição da Justiça entre os homens. Suas cores são: vermelho e branco, sua saudação: A Ku Menekene Usoba Nzaji – Nzaze (Salve o Rei dos Raios –  Grande Raio)

 Kaviungo ou Kavungo, Kafungê e Kingongo.

É o Nkise responsável pela saúde, estando intimamente ligado a morte. Usa preto, vermelho, branco e marrom, sua saudação: Tateto Mateba Sakula Oiza – Dixibe (O Pai da Ráfia Está  Chegando – Silêncio)

 Angorô e Angoroméa.

Assim como Njira, auxiliam na comunicação entre as divindades e os homens. São  representados por uma cobra, sendo o primeiro ( Angorô ) masculino e o segundo  ( Angoroméa ) feminino, sua saudação: Nganá Kalabasa – Angorô Le (Senhor do Arco Íris – Angorô Hoje

 Kitembo ou Tempo.

É o responsável pelo tempo de forma geral, e especificamente, pelas mudanças  climáticas (como chuva, sol, vento etc), portanto, atribuído a ele, o domínio sobre as estações do ano. É representado, nas casas Angola e Congo, por um mastro com uma bandeira branca.

Usa cores fortes, como: vermelho, azul, verde, marron e branco, sua saudação: Nzara  Kitembo – Kitembo Io (Gloria Kitembo – Kitembo do Tempo).

Tempo ou kitembo é um Nkise da nação de Angola, é o dono da bandeira de Angola, que  podemos ver em qualquer casa de Candomblé, perto do assentamento de Tempo, uma grande vara com uma bandeira branca no topo.

Tempo é o Nkise senhor das estações do ano, regente das mutações climáticas. Ainda, é  considerado o Pai da Maionga, que é o banho usado pelos seguidores e iniciados da Nação de Angola, tendo sua maior vibração justamente ao ar livre, ou seja, no tempo. É exatamente ali, no tempo, que este banho feito de ervas, água do mar, de cachoeira, de rio, chuva e outros elementares vai consagrar  através de tempo este iniciado.

Tempo está associado à escala do crescimento, por isso sua ferramenta é uma escada com uma  lança voltada para cima, em referência ao próprio tempo.

Como expliquei, este Nkise rege as estações do ano e está ligado ao frio, ao calor, a seca, as  tempestades, ao ambiente pesado e ao ambiente agradável.

Conta uma lenda da Nação de Angola, que Tempo era um homem muito agitado que fazia e resolvia muitas coisas ao mesmo tempo. Entretanto, este homem vivia reclamando e cobrando de Zambi que o dia era muito pequeno para fazer e resolver tudo que quisesse. Um dia, Zambi lhe disse:

“Eu errei em sua criação, pois você é muito apressado.” Ele então respondeu a Zambi: “Não tenho  culpa se o dia é pequeno e as horas miúdas, não dando tempo para realizar tudo que planejo”. A  partir desse momento, Zambi então determinou que esse homem passa-se a controlar o tempo. Tendo} domínio sobre os elementares e movimentos da natureza. Assim nasceu o Nkise Tempo.

Matamba, Bamburussema, Nunvurucemavula.

Trata-se de um Nkise feminino, uma Nkisi amê. É guerreira e está intimamente ligada a morte, por conseguir dominar os mortos ( “Vumbe” ). Suas cores são o vermelho e o  marrom avermelhado, sua saudação: Nenguá Mavanju – Kiuá Matamba (Senhora dos  Ventos – Viva Matamba)

 Kisimbi, Samba, Dandalunda.

Nkise feminino, uma Nkisi amê, representa a fertilidade, é a grande mãe. Seu domínio é sobre as águas doces. Sua cor é o amarelo ouro e o rosa, sua saudação: Mametu Maza  Mazenza – Kisimbi ê (Oh, Mãe da Água Doce – Kisimbi ê)

 Kaitumbá, Mikaiá, Kokueto.

Também um Nkise feminino, uma Nkisi amê,  tem domínio sobre as águas salgadas ( ” Kalunga Grande” , o mar ). Sua cor: branco cristal, sua saudação: Kiuá Kokueto –  Mametu Ria Amaze Kiuá (Viva Kokueto, Mãe das águas -Viva)

 Zumbarandá.

É um Nkise feminino, uma Nkisi amê, representa o início, vez que, é a mais velha das  mães. Também tem relação estrita com a morte. Sua cor: azul, sua saudação: Mametu  Ixi Onoká – Zumbarandá (Mãe da Terra Molhada – Zumbarandá)

 Wunje.

É o mais novo dos Nkises. Representa a mocidade, a alegria da juventude. Durante o toque para este Nkise, a dança se transforma numa grande brincadeira, sua saudação:  Wunje Pafundi – Wunje ê (Wunje Feliz – Bem Vindo)

Lembá Dilê, Lembarenganga, Jakatamba, Kassuté Lembá, Gangaiobanda.

Nkise da criação, ora apresenta-se como jovem guerreiro, ora como velho curvado.  Está ligado a criação do mundo. Quando jovem tem como cores o branco e o azul, ou branco e prata, quando de idade avançada, apenas o branco, sua saudação: Kalaepi Sakula  Lemba Dilê – Pembele (Quietos, Ai Vem o Senhor da Paz – Eu te Saudo)

 Zambi, Zambiapongo.

Não se trata de um Nkise, mas sim do Deus Supremo, o grande criador. Na Angola toma-se benção como: Mukuiú – responde: Mukuiú no Zambi  Para os NkisesKonzondiô – responde: Zambeuatala Para as Nkisi amêsEnuncy – responde: Sendalá com Samburiká – Para Nzaze

Munzenza – Iniciado

Ndunbe – Abian

Vumbi – Egun

Dizungu Kilumbe – Saída de santo

Dimba Inkice – Obrigações oferecidas aos Santos

Kumbi Ngoma – Dias de toque

Kufumala – Defumação

Dizungu – Nlungu

Ordem do barco:

Kamoxi Rianga – o primeiro

Kaiai Kairi – o segundo

Katatu Kairi – o terceiro

Kakuãna Kauanã – o quarto

Sukuranise – Troca das águas nas quartinhas

Kota – Filhos com mais de 07 anos de feitura

OS principais Nkisis no Brasil são:

Aluvaiá, Bombo Njila, Pambu Njila: – Intermediário entre os seres humanos e o outros Nkisis (cf. Exú Orixá). Na sua manifestação feminina, é chamado Vangira.

  • Nkosi, Roxi Mukumbe: – Nkisi de guerra e Senhor das estradas de terra. Mukumbe, Biolê, Buré qualidades ou caminhos desse Nkisi.
  • Ngunzu: – Engloba as energias dos caçadores de animais, pastores, criadores de gado e daqueles que vivem embrenhados nas profundezas das matas, dominando as partes onde o sol não penetra.
  • Kabila: – O caçador pastor. O que cuida dos rebanhos da floresta.
  • Mutalambô, Lambaranguange: – Caçador, vive em florestas e montanhas, Nkisi de comida abundante.
  • Gongobira ou Gongobila: – Caçador jovem e pescador.
  • Mutakalambô: – Tem o domínio das partes mais profundas e densas das florestas, onde o Sol não alcança o solo por não penetrar pela copa das árvores.
  • Katendê: – Senhor das Jinsaba (folhas). Conhece os segredos das ervas medicinais.
  • Nzazi, Loango: – São o próprio raio, entrega justiça aos seres humanos.
  • Kaviungo ou Kavungo, Kafungê ou Kafunjê, Kingongo: – Nkisi da varíola, das doenças de pele, da saúde e da morte.
  • Nsumbu – Senhor da terra, também chamado de Ntoto pelo povo de Kongo.
  • Hongolo ou Angorô (masculino) e Angoroméa (feminino): – Auxilia na comunicação entre os seres humanos e as divindades (representado por uma cobra).
  • Kindembu ou Nkisi Tempo: – Rei de Angola. Senhor do tempo e estações. É representado, nas casas Angola e Congo, por um mastro com uma bandeira branca.
  • Kaiangu: – Têm o domínio sobre o fogo.
  • Matamba, Bamburussenda, Nunvurucemavula: – Qualidades ou caminhos de Kaiangu. guerreira, comanda os mortos (Nvumbe).
  • Kisimbi, Samba_Nkisi: – A grande mãe; Nkisi de lagos e rios.
  • Ndanda Lunda: – Senhora da fertilidade, e da Lua, muito confundida com Hongolo e Kisimbi.
  • Kaitumbá, Mikaiá, Kokueto: – Nkisi do Oceano, do Mar (Kalunga Grande)
  • Nzumbarandá: – A mais velha das Nkisi, conectada para morte.
  • Nvunji: – O mais jovem do Nkisi, Senhora da justiça. Representa a felicidade de juventude e toma conta dos filhos recolhidos.
  • Lembá Dilê, Lembarenganga, Jakatamba, Nkasuté Lembá, Gangaiobanda: – Conectado à criação do mundo.

O Deus supremo e Criador é Nzambi ou Nzambi Mpungu; abaixo dele estão os Jinkisi/Minkisi, divindades da Mitologia_Bantu. Essas divindades se assemelham a Olorun e Orishas da Mitologia Yoruba, e Olorum e Orixá do Candomblé Ketu.

NAÇÃO ANGOLA

Os Nkises

      Os Nkises são para os Bantus o mesmo que orixás para os Yorubás, ou ainda, o mesmo que
vodum para os Daometanos. Muitos autores cometem o mesmo erro ao tratar das semelhanças existentes entre um Nkise, orixá ou vodum, pois confundem semelhanças com correspondência, fazendo-nos acreditar que na verdade se tratam da mesma divindade apenas com nome distinto. 

      Esta visão é equivocada, e cabe a nós desfazermos tal equívoco. Cada Nkise, orixá ou vodum
possui peculiaridades próprias, tratamento e culto diferenciados. Pode-se sim, dizer que existem
pequenas coincidências, como por exemplo o fato de Kabila, Oxósse e Otulu serem caçadores,
ou ainda, por usarem as mesmas cores. Mas não há que se confundir um e outro, pois mesmo
em suas origens na África se diferem, sendo o primeiro ( Kabila ) originário do Congo, o
segundo (Oxósse) originário das terras Yorubás e o último ( Otulu ) do Reino do Dahomé.

      Desta forma, elenco abaixo alguns dos Nkises de Angola e Congo, sem fazer qualquer correspondência entre orixá ou vodum, dando ao lado de seus nomes uma breve descrição :

Aluvaiá, Bombojira, Vangira (feminino), Pambu Njila.

      É o Nkise responsável pela comunicação entre as divindades e os homens. Está nas
ruas, é a este Nkise que pertencem as “bu dibidika jinjila” (encruzilhadas). Suas cores são
preto, vermelho, sua saudação: Kiuá Luvaiá Ngananzila Kiuá (Viva Aluvaiá, Senhor dos
Caminhos)

 

Nkosi Mukumbe, Roxi Mukumbe.

      É o Nkise da guerra, das estradas. É a ele que se fazem oferendas com o fim de obter
abertura de caminhos. Sua cor é o azul escuro, sua saudação: Luna Kubanga Mueto – Nkosi
ê (Aquele que briga por nós – Nkosi ê)

 

Kabila, Mutalambô, Burungunzo.

      Nkise caçador, habita as florestas ou montanhas. É o responsável pela fartura, pela
abundância de alimentos. Suas cores: verde para Mutalambô, Kabila e Burungunzo, e verde,
azul e amarelo para Gongobira, sua saudação: Kabila Duilu – Kabila (Caçador dos
Céus – Kabila)

Gongobira.

      É um jovem caçador que obtém, seu sustento ora através da caça, ora através da pesca.
Suas características são as mesmas das dos caçadores ( Kabila, Mutambô, Lambaranguange)
unidas as características dos Nkises da água doce ( Kisimbe, Samba ). Suas cores: verde
cristal, azul cristal e amarelo ouro, sua saudação: Mutoni Kamona Gongobira – Muanza ê
(Pescador Menino Gongobira – Rio ê)

 

Katendê.

      Nkise dono dos segredos das ” nsabas” ( folhas, ervas ). Sua cor é o verde ou verde e
branco, sua saudação: Kisaba kiasambuká – Katendê (Folha Sagrada – Katendê)

 

Zaze, Luango.

      Nkise responsável pela distribuição da Justiça entre os homens. Suas cores são: vermelho
e branco, sua saudação: A Ku Menekene Usoba Nzaji – Nzaze (Salve o Rei dos Raios -
Grande Raio)

 

Kaviungo ou Kavungo, Kafungê e Kingongo.

      É o Nkise responsável pela saúde, estando intimamente ligado a morte. Usa preto, vermelho,
branco e marrom, sua saudação: Tateto Mateba Sakula Oiza – Dixibe (O Pai da Ráfia Está
Chegando – Silêncio)

 

Angorô e Angoroméa.

      Assim como Njira, auxiliam na comunicação entre as divindades e os homens. São
representados por uma cobra, sendo o primeiro ( Angorô ) masculino e o segundo
( Angoroméa ) feminino, sua saudação: Nganá Kalabasa – Angorô Le (Senhor do Arco Íris
– Angorô Hoje

 

Kitembo ou Tempo.

      É o responsável pelo tempo de forma geral, e especificamente, pelas mudanças
climáticas (como chuva, sol, vento etc), portanto, atribuído a ele, o domínio sobre as estações
do ano. É representado, nas casas Angola e Congo, por um mastro com uma bandeira branca.
Usa cores fortes, como: vermelho, azul, verde, marron e branco, sua saudação: Nzara
Kitembo – Kitembo Io (Gloria Kitembo – Kitembo do Tempo)

  

Matamba, Bamburussema, Nunvurucemavula.

      Trata-se de um Nkise feminino, uma Nkisi amê. É guerreira e está intimamente ligada
a morte, por conseguir dominar os mortos ( “Vumbe” ). Suas cores são o vermelho e o
marrom avermelhado, sua saudação: Nenguá Mavanju – Kiuá Matamba (Senhora dos
Ventos – Viva Matamba)

 

Kisimbi, Samba, Dandalunda.

      Nkise feminino, uma Nkisi amê, representa a fertilidade, é a grande mãe. Seu domínio
é sobre as águas doces. Sua cor é o amarelo ouro e o rosa, sua saudação: Mametu Maza
Mazenza – Kisimbi ê (Oh, Mãe da Água Doce – Kisimbi ê)

 

Kaitumbá, Mikaiá, Kokueto.

      Também um Nkise feminino, uma Nkisi amê,  tem domínio sobre as águas salgadas
( ” Kalunga Grande” , o mar ). Sua cor: branco cristal, sua saudação: Kiuá Kokueto -
Mametu Ria Amaze Kiuá (Viva Kokueto, Mãe das águas -Viva)

 

Zumbarandá.

      É um Nkise feminino, uma Nkisi amê, representa o início, vez que, é a mais velha das
mães. Também tem relação estrita com a morte. Sua cor: azul, sua saudação: Mametu
Ixi Onoká – Zumbarandá (Mãe da Terra Molhada – Zumbarandá)

 

Wunje.

      É o mais novo dos Nkises. Representa a mocidade, a alegria da juventude. Durante o
toque para este Nkise, a dança se transforma numa grande brincadeira, sua saudação:
Wunje Pafundi – Wunje ê (Wunje Feliz – Bem Vindo)

         

Lembá Dilê, Lembarenganga, Jakatamba, Kassuté Lembá, Gangaiobanda.

      Nkise da criação, ora apresenta-se como jovem guerreiro, ora como velho curvado.
Está ligado a criação do mundo. Quando jovem tem como cores o branco e o azul, ou branco
e prata, quando de idade avançada, apenas o branco, sua saudação: Kalaepi Sakula
Lemba Dilê – Pembele (Quietos, Ai Vem o Senhor da Paz – Eu te Saudo)

 

Zambi, Zambiapongo.

      Não se trata de um Nkise, mas sim do Deus Supremo, o grande criador.

TEMPO

Tempo ou kitembo é um Nkise da nação de Angola, é o dono da bandeira de Angola, que
podemos ver em qualquer casa de Candomblé, perto do assentamento de Tempo, uma grande vara
com uma bandeira branca no topo.

Tempo é o Nkise senhor das estações do ano, regente das mutações climáticas. Ainda, é
considerado o Pai da Maionga, que é o banho usado pelos seguidores e iniciados da Nação de Angola,
tendo sua maior vibração justamente ao ar livre, ou seja, no tempo. É exatamente ali, no tempo, que este
banho feito de ervas, água do mar, de cachoeira, de rio, chuva e outros elementares vai consagrar
através de tempo este iniciado.

Tempo está associado à escala do crescimento, por isso sua ferramenta é uma escada com uma
lança voltada para cima, em referência ao próprio tempo.

Como expliquei, este Nkise rege as estações do ano e está ligado ao frio, ao calor, a seca, as
tempestades, ao ambiente pesado e ao ambiente agradável.

Conta uma lenda da Nação de Angola, que Tempo era um homem muito agitado que fazia e
resolvia muitas coisas ao mesmo tempo. Entretanto, este homem vivia reclamando e cobrando de Zambi
que o dia era muito pequeno para fazer e resolver tudo que quisesse. Um dia, Zambi lhe disse:
“Eu errei em sua criação, pois você é muito apressado.” Ele então respondeu a Zambi: “Não tenho
culpa se o dia é pequeno e as horas miúdas, não dando tempo para realizar tudo que planejo”. A
partir desse momento, Zambi então determinou que esse homem passa-se a controlar o tempo. Tendo}
domínio sobre os elementares e movimentos da natureza. Assim nasceu o Nkise Tempo.

OS CARGOS NA NAÇÃO DE ANGOLA

      A partir da Mameto Ria Nkise Maria Nenen e de outros Tatetos como Bernardinho e Ciri Aco,
o culto banto ou Candomblé da Nação de Angola, como é chamado o culto no Brasil, teve maior
destaque na comunidade afro-brasileira.

Estes negros ou bantos, como eram chamados devido a língua que falavam, seguiam a tradição
religiosa de lugares como: Kassanje, Munjolo, Kabinda, Luanda entre outros.

Mas, o culto banto tem sua liturgia particular e muito diferenciada das culturas yorubá e fon.

Abaixo, encontram-se desmembrados os cargos e funções em um Candomblé Banto:

Menen-Menen Bom Dia
Anangaiu Boa Tarde
Ingorossi Boa Noite
Tata Ngana-Mesú Babalaô – Sacerdote de Ifá
Tata Ria Nkise Zelador / Pai
Mameto Ria Nkise Zeladora / Mãe
Tata Ndenge Pai pequeno
Kixika Ingoma Tocador
Tata Kambono Ogan
Tata Kivonda ou Tata Musati Aquele que sacrifica os animais
Kinsaba O que colhe folhas
Kikala Mukaxe Filho de santo
Tata Utala Herdeiro da casa
Makota Ekedi
Kijingu Cargo
Tata Unganga O que joga búzios
Zakae Npanzo Troncos de árvores colocados nas portas dos santos
Munzenza Iniciado
Ndunbe ou Ntanji Abian
Vumbi Egun
Dizungu Kilumbe Saída de santo
Dimba Inkice Obrigações oferecidas aos Santos
Kumbi Ngoma Dias de toque
Kufumala Defumação
Dizungu Nlungu Ordem do barco***
Sukuranise Troca das águas nas quartinhas
Kota Filhos com mais de 07 anos de feitura

***Ordem do barco:
01ºMuzenza Kamoxi Rianga (Kadianga)
02ºMuzenza Kaiai Kairi
03ºMuzenza Katatu Kairi
04ºMuzenza Kakuãna Kauanã
05ºMuzenza_Katanu
06ºMuzenza Lusamanu
07ºMuzenza Kasanbuadi
08ºMuzenza_kanaké
09ºMuzenza_kavua
10ºMuzenza kakuinhi

OS NOMES DOS NKISES

      

Na Angola os Nkises são masculinos

      E Nkisi amês são femininos

                                      Na Angola toma-se benção como: 

Mukuiú – responde: Mukuiú no Zambi  

Para os Nkises

Konzondiô – responde: Zambeuatala 

Para as Nkisi amês

Enuncy – responde: Sendalá com Samburiká – Para Nzaze

INICIAÇÃO NO CANDOMBLÉ

Iniciação Ketu


Iniciação é um rito de passagem candomblé.

Para saber se uma pessoa precisa ser iniciada ou não, no Candomblé, o Babalorixá ouIyalorixá consulta o jogo de búzios no merindilogun, onde terá as respostas. Essa é uma das formas de saber. A outra é quando uma pessoa vai assistir uma festa de candomblé e entra em transe profundo. Esse transe é chamado de “Bolar no Santo” é a declaração em público do Orixá que quer a iniciação de seu filho, nesse caso o babalorixá vai consultar o jogo de búzios para saber qual é o Orixá e suas condições, se pode esperar ou se caso de urgência. Normalmente são feitos acordos com os Orixás para que aguardem até o filho ter condições financeiras e de férias para poder se recolher.

A primeira fase da iniciação ou feitura de santo na nação Ketu é de 21 dias, onde a pessoa fica em retiro longe da vida profana e da família, devendo desligar-se de tudo e dedicar-se totalmente aos ritos de passagem. Saliente-se que todo o ritual da iniciaçãonão é público. Saliente-se também que essa iniciação só pode ser feita por uma pessoa iniciada, segundo as normas do candomblé só pode transmitir o Axé quem os recebeu de alguém iniciado na obrigação de Odu ijè.

Quanto ao fato da pessoa ser recolhida para ser IaôOgan ou Ekedi, essa questão só é resolvida durante a iniciação. Se a pessoa entrar em transe será um Iaô elegun, se não entrar em transe e for homem, será um Ogan, se for mulher será uma Ekedi.

Barco de Iaô

A iniciação pode ser de apenas um Iaô ou pode ser de muitos. Nesse caso recebe o nome de “Barco de Iaô”. Quando entra para fazer o santo sozinho será chamado de Dofono (homem) ou Dofona (mulher), por ser o primeiro e único.

No caso do barco, o primeiro Iaô será chamado de Dofono, o segundo dofonitinho, o terceiro será chamado de Fomo, o quarto de Fomutinho, o quinto de Gamo, o sexto de Gamutinho, o sétimo de Vimo, o oitavo de Vimutinho, o nono de Gremo, o decimo de Gremutinho, o décimo primeiro de Caçula e daí por diante. Essa sequência de nomes é usada na maioria das casas de candomblé de cultura Jeje-nagô.

Já houve barcos com quinze Iaôs, mas isso é muito raro, pois implica muito trabalho e dedicação de muitas pessoas para cuidar dos Iaôs. A maioria das casas recolhe no máximo três ou quatro. Existem Orixás que não podem ser iniciados junto com outros; nesse caso será recolhido sozinho.

Iniciação

Nos 3 primeiros dias a pessoa ficará descansando e fazendo os ebós de limpeza, que serão apurados no jogo de búzios e tomando banhos com folhas sagradas e abô. Ficará recolhida no roncó (quarto específico de recolhimento) próximo ao peji e será feita a primeira obrigação, que é o bori. No final dos três dias é suspenso o bori e passa para as fases seguintes.

Em seguida começa a contar o período de 16 dias. Aí tem início o longo aprendizado das rezascostumes, práticas, lendashistórias e a iniciação propriamente dita, que consiste em raspar a cabeça, fazer curas (pequenos cortes), assentamento do orixá, serão oferecidosanimaiscomida ritualflores e frutas.

Saída de Iaô

Segunda saída de Iaô, pintura colorida candomblé.

No final tem a festa que é chamada de “saída de iaô“, essa festa é dividida em 4 partes: A primeira saída no barracão é interna sem a presença do público, somente os membros da casa estarão presentes. Pode ter variação de uma casa para outra ou de nação para nação, uns fazem três saídas públicas outros fazem quatro.

Inicia-se o candomblé normalmente despachando o Padê (pode ser despachado durante o dia também, depende da casa) e canta-se algumas cantigas para cada um dos Orixás, enquanto isso os Iaôs estão sendo preparados para a primeira saída no barracão de festas.

Na primeira saída pública o Iaô sai do roncó (nome dado ao quarto onde ficam recolhidos) para o barracão todo vestido de branco, essa saída é em homenagem a Oxalá, trás na testa uma pena vermelha chamada Ekodidé e na parte superior da cabeça o adoxue pintado com efun, ele vem acompanhado de sua mãe pequena, da Iyalorixá e todos que ajudaram na feitura. Nessa saída o Iaô deverá saudar a porta, os atabaques o Axé do centro do barracão onde estar o fundamento da casa e a Iyalorixá. Em seguida é recolhido para mudar de roupa.

A segunda saída pública do Iaô no barracão as roupas são coloridas em homenagem à todos os orixás e a pintura é feita com o pó azul wáji, branco efun, e vermelho osùn. O Iaô sendo de oxalá ou determinados orixás funfuns a roupa não pode ser colorida, predominando o branco, todavia a pintura colorida seja relevante em quantidade discreta.

Momento mais esperado da iniciação

Orunkó. Hora do nome do Iaô candomblé.

A terceira saída do Iaô é a mais esperada por todos da comunidade, nota-se um momento de tensão muito grande e a expectativa dos sacerdotes que contribuíram nesta sagrada iniciação, que pode ser afirmada ou negada pelo noviço de que tudo foi bem feito ou não, com o grito triunfal do seu nome. Novamente o Iaô é trazido ao ile axé, desta vez sem a pintura geral, só com uma pintura de wáji no centro da cabeça (cuia de wáji) ou borilé (ritual feito com ejé do pombo branco) e ornado com penas do mesmo. O Orixá dirá seu Orunkó para todos ouvirem, nesse caso é escolhida uma pessoa (normalmente umBabalorixá ou Iyalorixá de outra casa) presente para tomar o nome do Orixá, são feitas algumas cerimônias onde a pessoa pergunta por três vezes o nome do Orixá e na terceira ele grita em voz alta seu Orunkó para todos ouvirem. Depois do nome dado o Iaô é recolhido novamente para trocar a roupa.

A quarta e última saída o Orixá vem todo paramentado com roupas e ferramentas características de cada Orixá, para dançar e ser homenageado por todos os presentes. No final canta-se para Oxalá e a festa é encerrada.

Banquete

Banquete no ritual de candomblé.

Quando é encerrado o candomblé todas as filhas da casa ocupam seus postos e começam a distribuir a comida ritual do banquete farto. Sempre tem comida para todos e sempre sobra. Esse banquete é composto de cabritos assados ou cozidos, galinhaspatos,pomboscanjicamilho cozido, inhamepipocaacaçá e acarajé. Toda comida ritual servida ao Orixá é distribuída para os presentes. Muitos candomblés não permitem bebidas alcoólicas e nesse caso é servido o Aluá. Nas casas que permitem, é servido refrigerante ecerveja.

Algumas casas atualmente não servem comida de santo para os presentes. Dependendo das posses do iniciado, poderá se contratar um Buffet para o banquete, onde serão servidos aos convidados todos os requintes contratados.

Seguimento da iniciação chamado Urupim.

No mesmo dia ou não, dependendo do costume da casa, as luzes elétricas são desligadas, e inúmeras velas são acesas, ouve-se um cântico tristonho como nos rituais fúnebres axexê, o Iaô cercado dos mais velhos, IyaefunIyadaganiyamorôIyabassê Iyakekerê e puxada pelo Babalorixá ou Iyalorixá é trazido do peji ao ile axé com um alguidá ou balaio coberto com pano branco e ornado com flores brancas e mariwô, contendo inúmeros objetos, comida ritual e o cabelo rapado no inicio da obrigação. Este ritual é denominado pelo povo do santo de carrego de urupim e pode ser assistido por alguns membros da comunidade, mas não chega a ser uma festa pública,fechando um ciclo do rito de passagem de abiã ”não nascido” para iaô ”noviço ou recém nascido”.

Passada a festa o Iaô ficará mais uns dias na roça dependendo do jogo de búzios e a confirmação no merindilogun, depois será levado para sua casa pela Iyalorixá que a entregará a sua família.

Ritual do Panã.

iaô ainda desorientado devido ao longo período de transe e clausura, com os movimentos ainda trôpegos, recebe orientação do seuBabalorixa ou Yalorixa para executar as tarefas que serão usadas em seu dia a dia, tais como varrer, costurar, lavar, passar, sentar-se à mesa, cozinhar, etc. Numa dramatização muito divertida onde todos da comunidade tem um grande prazer de participar, rindo e até mesmo ajudando o novo iniciado. O ritual de apanã tem a finalidade de fazer com que o noviço reaprenda as atividades do mundo profano e cotidiano, para que nada lhe seja prejudicial no futuro e também entenda que já é hora de voltar à sua vida normal, apesar de aproveitar mais um pequeno período do seu mundo sobrenatural, estabelecendo neste momento o ewo temporário ou permanente, que o noviço terá a responsabilidade de obedecer, finalizando este ritual com outro rito chamado Kàrô (juramento feito diante do obi e uma quartinha).

Caída de kelê

Kelê de Obaluaye colocado em uma escultura do próprio orixá para tirar a foto – candomblé.

Porém a Iaô ainda não terminou as obrigações terá ainda que cumprir um resguardo normalmente de três meses e continuar usando o kelê (uma gargantilha de contas) que foi colocada em seu pescoço no início da feitura de santo. Durante esses três meses o Iaô continuará dormindo numa esteira, usará roupas brancas e seguir uma série de restrições denominada de ewo. Terminado o período de quelê, é feita a retirada do mesmo e outra festa é feita para comemorar a comumente chamada “caída de quelê”.

É o período mais difícil para o Iaô que precisa voltar a trabalhar, muitos se iniciam no período de férias do trabalho e quando termina as férias precisam voltar para um ambiente onde sem dúvida será notado por todos, discriminado por alguns e terá que se manter calado, terá muitos problemas na hora das refeições, pois está proibido de entrar em baresrestaurantes, terá que levar uma marmita e aceitar os olhares de curiosidade.

Algumas casas atualmente por esse motivo têm feito alguns acordos com os Orixás para que o Iaô que precisa trabalhar já saia da roça sem o kelê, mas terá que cumprir todos os itens do resguardo nos mínimos detalhes. Nesse caso não precisará usar somente branco, poderá usar roupas de cores bem claras como azul, rosa, bege, cinza, tudo para não chamar muito a atenção. Existem casos de firmas que o uniforme é preto, marrom, azul marinho, nesses casos o Orixá permite, não vai querer que seu filho perca o emprego.

Obrigações

Iyawo São os novos iniciados de Orixá da Casa de Candomblé, durante o período de sete anos, e serão subordinados pelas pessoas de Cargos/Posto da casa. E deve obediência aos seus mais velhos. E deverão concluir suas obrigações de 1, 3 e 7 anos. Ser Iyawo, além de outros preceitos, é permanecer recolhido por um período de 21 dias, passando por doutrinas e fundamentos, para conceber a força do Orixá. Saem da vida material e nascem na vida espiritual com um novo nome orùnkò. O Mòócan e os Delègún são os comprovantes e o diploma do iniciado.

Obrigação de um ano

(Odueta) ou (odú Kíní) É às obrigações muito importantes é considerada como fim do resguardo do Iyawo após sua iniciação. Somente esta obrigação dará ao iniciado à liberdade de viver materialmente sem restrições na sociedade e no seu convívio familiar e pessoal.

Até fazer um ano de feitura ou pagar sua obrigação de um ano (odú Kíní), ainda terá algumas restrições (ewo temporário. como cortarcabelo, tomar banho de mar e outros. Será feita na obrigação de um ano de feitura, uma nova festa para comemorar a data onde serão oferecidos comida ritualfrutas e flores.

Obrigação de três anos

(Oduetá) Esta obrigação é considerada a confirmação da continuidade do iniciado no Axé, e já está autorizado a conceber o seu ajuntó, e a começar ser liberado e graduado pelo seu babalorixá, a usar fios com Seguis e Bràjà dependendo do Orixá, e poderá deixar de usar Mòócan e Delègún. (conforme orientação do babalorixá)

Outra obrigação é feita aos três anos de feitura (odú kétà), algumas casas ou nações fazem também uma de cinco anos, mas nocandomblé ketu considera-se um ano, três e sete anos. Ele ou ela permanecerá como Iaô até completar os sete anos de feitura e fazer a obrigação de sete anos (odu ejé).

Obrigação de sete anos

(Oduijé) ou Odu ejé (a pronúncia do acento é fechada) É uma das maiores obrigações de uma casa de Candomblé, que todos os iniciados serão obrigados a tomar sem exceção. Com essa obrigação o iniciado poderá receber posto, cargo, titulo e direitos de independência do seu babalorixá.

Só quando fizer a obrigação de sete anos Odu ejé é que será considerado um Egbomi.

A obrigação de sete anos é tão grande e importante quanto a feitura, nessa obrigação é que será definido se o Egbomi irá abrir uma casa ou não. A Iyalorixá entregará para o Egbomi no ato da festa seus pertences (jogo de búziospembasfavassementestesouranavalha, tudo que vai precisar para iniciar Iaôs) no Ketu é chamdo Odu Ijê com Oyê, em outras nações é chamado de Deká, Peneira, Cuia, etc.

Caso o Orixá da pessoa não queira abrir uma casa e queira continuar na roça da Iyalorixá, o Orixá depositará os objetos recebidos nos pés da Iyalorixá e sua filha não abrirá uma casa, continuará na roça onde normalmente receberá um posto para ajudar a Iyalorixá.

Quando o Orixá aceita a Egbomi receberá todas as homenagens dos presentes pois está sendo consagrada como uma nova Iyalorixá se for homem Babalorixá. Nesse caso terá que providenciar uma casa para onde será levado seu Orixá e iniciar um novo Ile axé.

- OIYE – quer dizer titulo independência, são pessoas que já tomaram seus sete anos e necessitam de um TITULO dado pelo seu babalorixá, para ser independente e Zelador (a) de Orixás, sacerdócio. Esse Oiye pode ser também um cargo na casa do babalorixá onde fez a obrigação.

- DEKA – é autorização (direitos) de conduzir a sua própria casa de Candomblé, atendimento de seus adeptos e consulentes, jogar búzios, tirar ebós e iniciar pessoas no Orixá, ou Vodum dependendo da nação etc.. Na nação Jeje receberá um Húnjèbé é o Titulo de sacerdócio exclusivo da nação Jeje e um amuleto do Egbònme, é o diploma dado pelo Voduno para dar continuidade do aprendizado dos fundamentos dos Voduns.

Iniciação de Ogans e Ekedis

Para os cargos ou postos de Ogan e Ekedi normalmente são pessoas escolhidas pela Iyalorixá ou por algum Orixá da casa, serão pessoas de sua inteira confiança, pois ficarão com a responsabilidade de zelar da casa e da festa enquanto a iyalorixá estiver em transe.

Uma vez que não entram em transeOgans e Ekedis passam por todos os preceitos que passam os Iaôs inicialmente e até um determinado momento, mas durante o desenrolar da obrigação constatado que não entrará em transe, é confirmado através do jogo de búzios no merindilogun o Orixá que trará o Orunkó do Ogan ou da Ekedi na festa.

Se foi escolhido pelo Orixá da Iyalorixá ou Babalorixá ou pelo Orixá de uma das Egbomis da casa, o Orixá que o escolheu é que sairá nobarracão acompanhando o iniciado. Nesse caso a festa não terá tantas saídas como as saídas de Iaô. Mas no final terá o mesmo banquetede confraternização entre todos presentes.

Quanto ao resguardo e ewo também não será igual ao do Iaô, será de acordo com o jogo de búzios, mas geralmente é de 21 dias de Quelêe normalmente cumpridos na roça, no caso de impossibilidade por motivo de trabalho, sai de manhã para trabalhar e vem dormir na roça até terminar o período de Quelê. Normalmente o Ogan e a Ekedi não cumprem o mesmo resguardo do Iaô, por não ter realizado todos os preceitos necessários ao último. Quando iniciados, equivalem ao Ebômi em idade de santo, tendo portanto os 7 anos de idade perante os Iaôs.

*
*

Candomblé bantu

A palavra Bantu compreende Angola e Congo, é uma das maiores nações do Candomblé, uma religiãoAfro-Brasileira. Desenvolveu-se entre escravos que falavam língua kimbundo e língua kikongo.

Principais Nkisis

  • AluvaiáBombo NjilaPambu Njila, Nzila, Bombogira, Mujilo, Mavambo, Vangira, Njila, Maviletanga : – Intermediário entre os seres humanos e o outros Nkisis (cf. Exú Orixá). Na sua manifestação feminina, é chamada de Pombagira por algumas casas, muitas aceitam o uso desse nome.
  • NkosiRoxo Mukumbe, Panzuá, Xauê, tawan: – Nkisi de guerra e Senhor das estradas de terra.MucumbeBiolêBuré qualidades ou caminhos desse Nkisi.
  • Ngunzu, Terecompenso: – Engloba as energias dos caçadores de animais, pastores, criadores de gado e daqueles que vivem embrenhados nas profundezas das matas, dominando as partes onde o sol não penetra.
  • Kabila : – O caçador pastor. O que cuida dos rebanhos da floresta.
  • MutalambôLembaranguange: – Caçador, vive em florestas e montanhas, Nkisi de comida abundante.
  • Gongobira, Gongofila, Congobira, Mukongo Mbila, ou Gongobila: – Caçador jovem e pescador.
  • Mutakalambô: – Tem o domínio das partes mais profundas e densas das florestas, onde o Sol não alcança o solo por não penetrar pela copa das árvores.
  • Nzazi, Zaze, Loango, Barangange : – São o próprio raio, entrega justiça aos seres humanos.
  • Kaviungo ou KavungoKafungê ou Kafunjê, Cafunã, KingongoKafundeji: – Nkisi da varíola, das doenças de pele, da saúde e da morte.
  • Nsumbu, Sumbo – Senhor da terra, também chamado de Ntoto pelo povo de Congo e moçambique
  • Hongolo ou Angorô (masculino) ou Hangolo e Angoroméa (feminino): – Auxilia na comunicação entre os seres humanos e as divindades (representado por uma cobra).
  • Kindembu, Kitempu ou Nkisi Tempo: – Rei de Angola. Senhor do tempo e das estações. É representado, nas casas Angola e Congo, por um mastro com uma bandeira branca, chamada de Bandeira de Tempo.
  • Kaiango ou Kayango, Cayango: – Têm o domínio sobre o fogo. (fontes no artigo)
  • Matamba, Mina Nganje, BamborucendaNunvurucemavula: – Qualidades ou caminhos de Katambo. guerreira, comanda os mortos(Nvumbe).
  • Kisimbi, Kiximbi,Samba Nkisi, Mina lugando : – A grande mãe; Nkisi de lagos e rios.
  • KaitumbaMikaia, Caiala, Iara, Koketo, Cuiganga: – Nkisi do Oceano, do Mar (Kalunga Grande), muito cultuada em moxico em angola.
  • Nzumbarandá, Zumbá, Zunganaranga, Karamoxe: – A mais velha das Nkisi, conectada para morte.
  • Wunji, Vunge, Nwunji: – O mais jovem do Nkisi, Senhora da justiça. Representa a felicidade de juventude e toma conta dos filhos recolhidos.

O Deus supremo e Criador é Nzambi ou Nzambi Mpungu; abaixo dele estão os Jinkisi/Minkisi, divindades da Mitologia Bantu. Essas divindades se assemelham a Olorun e Orixás da Mitologia Yoruba, e Olorum e Orixá do Candomblé Ketu.

Ritual

Na Angola, os sacramentos são:

  • 1 – Massangá: Ritual de batismo de água doce (menha), na cabeça (mutue), do iniciado (ndumbi), usando-se ainda o kezu (Obi).
  • 2 – Nkudiá Mutuè: (Bori)- ritual de colocação de forças (Kalla ou Ngunzu(Angola)= Asé(Axé) = Muki(Congo)), através do sangue (menga) de pequenos animais.
  • 3 – Nguecè Benguè Kamutué: ritual de raspagem, vulgarmente chamado de feitura de santo.
  • 4 – Nguecè Kamuxi Muvu: Ritual de obrigação de 1 ano.
  • 5 – Nguecè Katàtu Muvu: Ritual de obrigação de 3 anos (Nguece = obrigação), nessa obrigação, faz-se o ritual de mudança de grau de santo.
  • 6 – Nguecè Katuno Muvu: Ritual de obrigação de 5 anos, preparação quase que identica a de um ano, só que acompanhada de muitas frutas.
  • 7 – Nguecè Kassambá Muvu:ritual de obrigação de 7 anos, quando o iniciado receberá seu cargo, passado na vista do público, sendo elevado ao grau de Tata Nkisi (Zelador) ou Mametu Nkisi (Zeladora).
  • As obrigações, são de praxe para os rodantes, porque Kota (ekedi) e Kambondo (ogã), ja recebem seus cargos na feitura, portanto já nascem com suas ferramentas de trabalho, dão suas obrigações para aprimorar seus conhecimentos.
  • Em Angola, quem passa cargo são os enredos de Dandalunda. Isto é, não é preciso ser filho de Dandalunda, mas é ela quem autoriza aquela pessoa a receber o cargo.
  • Após 7 anos de obrigações, se renovarão a cada ano com rito de obi ou borí, conforme o caso, repetindo-se as obrigações maiores de 7 em 7 anos para renovar e conservar o indivíduo forte, transformando-o em Kukala Ni Nguzu- Um ser fotte.
  • Kunha Kele: Sacramento realizado 3 meses e 21 dias após a feitura (tirada de kele), quando o santo soltará a Kuzuela = Ilá.

Ordem de barco (sequência das pessoas recolhidas juntas para iniciação) na Angola

1º – Rianga, 2º – kaiadi, 3º – katatu, 4º – Kakuanam, 5º – katanu, 6º – Kassamanu, 7º – Kassambà.

Hierarquia

Na hierarquia de Angola o cargo de maior importância e responsábilidade são: é mais frequente se dizer Tata Nkisi (homem) ou Mametu Nkisi (mulher)

Casas de candomblés Angola/Kongo no Brasil

  • Bate-Folha, Bahia
  • Bate-Folha- Kupapa Unsaba, Anchieta, Rio de Janeiro
  • Tumba Junsara, Bahia
  • Inzo Ia Nzambi – Nganga Kingongo- Tumba Junsara, Rio de Janeiro
  • nzo dandalunda ia ngunzu
  • Nzó Monaleucí N’gunzo de N’zambi
  • Terreiro Lumyjacarê Junsara, dirigente tata Luazemi Roberto Braga

Rua Machado de assis nº10, Imperador – Nova Iguaçu – Rio de Janeiro.

  • Terreiro Mokambo – Salvador Bahia
  • Terreiro Cabloco Rompe Mato Velho – Nzo Insalê Turiman Junsara.

Rua São Paulo Quadra 16 Chacara Nº2C Setor de Chacaras Anhanguera A Valparaiso II Valparaiso de Goiás – Entorno do DF

  • Terreiro Em Vaz Lobo – RJ

Rua Alice de freitas, 350, vaz lobo/RJ. Tata Nkisi Biolê de Ogum.(Roberto d’ Ogum xoroke)

  • Zazynde – Tata Edilson

Rua Virtude, Mesquita/RJ

  • Damba’Ynde Nova Iguaçu / RJ – Tata Dãrrudã
  • Roça Branca Terreiro de Candomblé – Candomblé de Angola – Responsável : Pai Marco Antônio – Tateto Londeji – Rua Padre Paulo Fernandes, 30, Bairro Floramar – Belo Horizonte – MG
  • Terreiro São Jorge Filho da Goméia (tombado como Patrimônio Cultural do Estado da Bahia) – Mãe Lúcia (Mametto Kamurici)- Endereço: Rua Queira Deus, 78, Portão – Lauro de Freitas (Bahia).
  • Nkosi Mucumbe Dendezeiro – Alto da Levada Cachoeira Bahia Brasil
  • Kumbata Amazy Kaiaia – Divinópolis/MG – Preisidido por Tatetu Tossyadê

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